Life Office
2 Cantadas, contratada e Queen dos sapatos.
Notas iniciais
Quando o ônibus parou em frente á empresa, Reyna pensou na vergonha que passaria se alguém a visse saindo do transporte público. Maldita Hylla com seu carro conversível! Correu até a recepção da empresa na velocidade mais rápida que aqueles sapatos medonhos lhe permitiam. Parou em frente a recepcionista extremamente vulgar, loira dos olhos azul piscina.
– Boa tarde, eu gostaria de saber...
– Você deve ser uma das perdedoras que quer tentar o cargo de secretária, para trabalhar com o gato do Valdez. Estou certa? Não precisa responder, é evidente que estou.
– Na verdade, sim... Não... –Reyna esforçou-se para não enforcar aquela moça. Respirou fundo e contou mentalmente até sete, seu número favorito. Crispou os lábios e não falou mais nada até que a loira terminasse de tagarelar.
– Escute: Pegue o elevador até o último andar. Espere atentamente até o chefinho — Ela lambeu os lábios ao falar isso – terminar com as outras. Vaze daqui, sim?
Reyna revirou os olhos e deu às costas a loira vulgar. Não havia simpatizado nada com ela. Enquanto se dirigia ao elevador, condenava-se por não ter indagado seu nome. Para coloca-lo na lista de pessoas que ela devia matar, claro.
***
Quando colocou os pés no andar, Reyna surpreendeu-se por não ter ninguém. Vira uma castanha sair muito insatisfeita da sala, resmungando coisas desconexas. Como não havia secretária ali, imaginou se teria que bater na porta. Ficou ali, indecisa por alguns minutos, até que resolveu tomar uma atitude.
A atitude foi chutar a porta e sair correndo. Enquanto corria, tirou os sapatos e se escondeu atrás do balcão desocupado da antiga secretária, e ficou ali, esperando que a vítima de sua brincadeira infantil aparecesse.
A porta se abriu com um rangido, deixando uma sombra aparecer.
Era um cara. Tinha as feições élficas e um sorriso contagiante. Os cabelos eram cacheados e bagunçados. Reyna esperava que usasse terno ou algo do gênero, mais ele simplesmente usava uma camiseta polo azul e calça jeans. Era bonito, admitiu, mais definitivamente não era o tipo de cara que merece ser levado a sério.
– Quem está aí? – Perguntou.
Reyna esperou.
O tal Valdez fingiu que simplesmente não estava vendo-a para se aproximar por trás.
– Onde será que está essa pessoa com um senso de humor infantil?
Reyna deu uma risada, acreditando não ter sido descoberta. Foi quando sentiu alguém se sentar ao seu lado, sorrindo marotamente.
– Pois é. Você pode ser esperta, gata, mais em matéria de pegadinha eu sou pós-doutorado. – Disse com um ar de convencido, que Reyna percebeu, já devia fazer parte dele. De perto, pode perceber que ele era realmente bonito, um pouco magrelo, mais com uma expressão simpática até demais.
–Foda-se – A garota deu de ombros. Só então percebeu que estava descabelada e que não se lembrava de onde tinha jogado seus saltos. Se Hylla a visse ali, ia mata-la. – Creio que não vou poder fazer a entrevista hoje. Não estou muito apresentável.
O garoto deu uma risadinha.
– Gata, você não é fita métrica, mais tá na medida certa. Muito prazer em conhecê-la, sou Léo Valdez, filho do dono de tudo isso – ele fez um gesto abrangente – e talvez seu futuro namorado. – E piscou.
Reyna revirou os olhos com tanta força, que Léo até se afastou um pouco.
– Não. Me. Passe. Cantadas. Não. Insinue. Besteiras. – Disse, se levantando e separando cada sílaba como se desejasse ter uma faca consigo naquele momento.
– Ok, ok – Ele ergueu as mãos no ar em sinal de brincadeira. – Você não parecia tão séria alguns minutos atrás, sabe?
Reyna deu de ombros, enquanto prendia seu cabelo em um coque.
– Você teria um sapato por aí? – Perguntou. Era uma pergunta idiota, mais não queria andar descalça.
– Há sim. – Concordou Léo. – Algumas das outras garotas que tentaram emprego jogaram seus sapatos em mim depois que passei cantadas nelas. Que cor você gosta mais?
– Preto está de bom tamanho. – Reyna afirmou.
O moreno voltou minutos depois com um par de sapatilhas muito confortáveis que combinavam com o vestido. Reyna sorriu ao calçá-las.
– Vamos para a sala? – indagou.
– Sabe escrever? – Léo indagou com um ar malicioso.
– Sei.
–Ler?
– Sim.
– fazer relatórios?
–Sim.
–Sabe fazer pipoca e lasanha de micro-ondas?
– Eu podia fazer um restaurante só disso. – Reyna afirmou um pouco mais animada.
– Então está contratada, senhorita...?
– Reyna. – Ela disse, arregalando os olhos.
–Está contratada, Queen dos sapatos. – Ele deu de ombros e sorriu.
– Mais você nem fez a entrevista direito! – Ela protestou. – E por que Queen dos sapatos?
– Digamos que você tem tudo que eu preciso, Rey. – Ele sorriu, sentando-se na cadeira atrás do balcão e piscando pra ela. – Você não queria um sapato? Agora vai ficar sendo a rainha dos sapatos. E não discuta comigo, sou seu chefe.
É mesmo um idiota- Concluiu Reyna mentalmente – Mais um idiota em níveis quase suportáveis.
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