–Corrine, acorda! – Essa foi a frase que ouvi ao acordar com uma rajada d’água no rosto e, tenha certeza, acordar ensopada não é a melhor das experiências. –Acorda! -

–Mestra!- gritei aturdida quase pulando da cama – Isso era realmente necessário, mestra?-

–Era, hihihi, era sim- respondeu minha mestra com a mão na boca, tentando esconder risadinhas.

–Sei- disse me sentando na cama, Alexa saiu, me deixando sozinha no quarto. Me dirigi ao banheiro, tomei banho, escovei os dentes e me vesti, colocando uma camisa roxa de manga comprida, uma calça jeans, um tênis branco, prendi meu cabelo em um coque bagunçado, coloquei minha mochila e sai do quarto.

Os corredores da torre-sede da Magic eram iluminados com bolas de fogo de diversas cores que flutuavam no teto e diversos quadros de antigos membros da organização, e, francamente, acho que nunca vou me acostumar com isso. Quando eu passo por esses corredores, sinto que todos esses quadros ficam me observando, como se cobrando alguma coisa de mim, se já não era o bastante a cobrança que eu sofria diariamente pelos meus professores de magia.

Cheguei na cozinha da torre, aonde Alexa preparava o café, como sempre fui impaciente, não quis esperar pelo café, preparei um sanduiche de geleia e fui saindo, mais não antes de me despedir de minha mestra.

–Tchau mestra!

–Tchau Corrine – disse Alexa. Ao sair da torre, fui caminhando até a minha escola comendo o sanduiche de geleia. Quando passei em frente a uma loja da StarBucks, ouvi alguém me chamando.

–Corrine!- disse alguém saindo de dentro da loja, uma amiga da escola.

–Violet- disse- Porque será que não fiquei surpresa?

–Porque você me conhece, oras, agora toma- disse Violet me estendendo um copo de café com creme.

–Obrigada- disse pegando o copo –Agora vamos, antes de ficarmos mais atrasadas do que já estamos- Nós duas nos encaminhamos até a escola, quando chegamos, por um milagre, conseguimos entrar. O resto do dia se prosseguiu pacato, exceto por um momento. Durante a aula de biologia, enquanto a professora explicava a matéria nova, um homem, aparentemente não muito mais velho do que eu, provavelmente uns 19 anos, estava ao lado da professora, aparentemente ninguém conseguia vê-lo. O homem vestia um sobre-tudo preto, seu rosto, acho que nunca vou esquecer aquela expressão. Ele olhava fixamente para mim, com um sorriso e um olhar psicopatas. Meu coração palpitava de nervosismo, então, tão rapidamente quanto surgiu, o estranho homem desapareceu.

A aula terminou, a imagem daquele homem não saia da minha cabeça, já estava acostumada a ver coisas estranhas, mais essa me perturbou em especial. Cheguei em casa e, como hoje era meu dia de folga no trabalho, fui diretamente ao meu quarto e passei o resto da tarde estudando.

–Senhorita Allen- disse um de meus professores abrindo a porta de meu quarto- Nós vamos sair logo se arrume-

–Sim, senhor Michael – respondi. Como parte de meu treinamento, eu tinha que ir ao trabalho de vigilância de meus professores. Vesti a roupa que sempre uso nessas ocasiões, um conjunto completamente preto.

Todos nós fomos ao topo de um prédio, de lá faríamos a vigilância.

–Corrine, o que foi? Você está tão calada- perguntou Alexa, que percebeu meu desanimo. Droga!

–A-ah, não foi nada, não se preocupe mestra – respondi.

–Já disse, não precisa me chamar de mestra, me chame de Alexa-

–Ah, desculpe, Alexa- Depois de um tempo de espera, Senhor Michael sentiu uma presença mágica em um beco próximo. Quando chegamos no beco, não havia iluminação alguma, Alexa me mandou fazer uma bola de fogo com a mão.

–Senhorita Allen! Não!- Gritou senhor Michael, no inicio, fiquei confusa, mais quando me virei, entendi. Um licantropo (lobisomem pros menos informados)* gigantesco estava atrás de mim com a pata levantada. Minha primeira reação foi gritar, mais, antes de conseguir, Michael se lançou em direção ao licantropo com uma espada árabe de gelo.

–Lâmina de Gelo!- O golpe lançou o licantropo para longe, mais não foi efetivo. Pensei em ajudar, tirei minha adaga e a incendeie com chamas azuis e a segurei em frente ao corpo.

–HAHAHA, a menina está querendo lutar!- disse o licantropo com voz rouca, então, de repente, ele se teletransportou na minha frente.

Licantropos com teletransporte! Essa é nova!

Ele ergueu a pata, mais eu não conseguia me mover, não era medo, já tinha enfrentado vários licantropos, aquele não era diferente, porque não conseguia me mover?

Espera...

...Licantropos com poderes paralíticos! Essa também é nova.

Eu observava aquela criatura gigante olhando para mim com a pata levantada, de repente, senti um impacto e fui lançada para longe, senti meu corpo batendo contra a parede do beco, então, um raio correu toda a extensão do beco, Alexa, minha mestra, a única maga que controla a magia da eletricidade da organização. O raio atingiu o licantropo, que não se levantou mais. Alexa se materializou na minha frente.

–Não se aproxime mais dela, seu monstro!- disse minha mestra formando uma bola de eletricidade em sua mão, como se ameaçasse jogar no monstro.

–Hihihi, não conseguiram protegê-la para sempre, ele voltou- disse o licantropo, depois disso, tudo ficou escuro.

Notas finais
*Licantropia é uma doença mental em que a vitima acredita estar se transformando num lobo, mais eu usei o sentido mitológico da palavra.