Life Isnt a Word, Is a Felling
3 Prefácio
Prefácio
Juliet POV
Aquele metal gasto cortava-me as mãos suadas de medo. A brisa forte e gelada do Inverno que ia passando também não ajudavam a manter-me de pé e consciente, e talvez a garrafa de vodka que ia a meio não melhora-se muito a minha situação, mas eu sabia que tinha de o fazer e quanto mais rápido melhor.
Caminhei sob a fraca luz do luar, esperando que ninguém desse por mim. Queria chegar a lado nenhum e sentir-me em casa. Naquele momento, nenhum sítio era uma casa e cada esquina onde dormitava era apenas mais uma passagem. As moedas sujas no bolso do meu casaco de flanela eram cada vez menos, e quase que não davam para uma cerveja, quando mais para outra garrafa do típico vodka puro.
Na minha cabeça o pensamento de trocar o bom sabor de álcool por um café forte, e ficar por vagos momentos sóbria, pareceu-me por segundos uma boa ideia, das poucas que tinha tido nos últimos tempos. Mas logo percebi que não aguentaria ver o mundo real onde estava e a dor era forte demais para ser sentida. Além disso eram 3 da manhã e duvidava de que alguma taberna quisesse-me acolher.
Soltei uma gargalhada ligeira para o ar vazio e deixei o meu corpo cair solto no chão de todos e de ninguém. Realmente, de quem era aquele chão? Meu? Deles? Todos o usavam, e sujavam. Também estavam no seu direito. Ninguém chega e diz “Este chão é meu!”. Por isso quis ser a primeira. Aquela que ocuparia um pedaço de chão coberto de neve, do qual não voltaria mais a usufruir. Apenas queria ter algo meu para além das minhas sapatilhas frias, as minhas calcas rasgadas, a minha t-shirt oferecida por ele que estava longe, e o meu casaco, o meu querido e amado casaco do sem qual já não vivia.
Por isso, gritei o mais alto e seguro que o álcool deixava. Gritei com os braços estendidos para o ar que aquele chão era agora meu!
Erro meu. Senti a sua respiração no meu pescoço, e o calor do seu corpo aqueceu vagamente o meu.
Voltei costas e apontei a arma de metal ferrugento que tinha na mão. Agora ou nunca.
Esperei por aquele momento dias e semanas, talvez uns tantos meses. Sentia que a vingança da minha parte, era a melhor maneira de acabar com a minha dor e as grades rugosas da prisão eram umas paredes de uma casa que me deixavam respirar.
Ele mantinha o seu sorriso habitual e acolhedor pelo qual me apaixonara desde miúda. Agora era a mesma miúda, com apenas mais uns centímetros e um coração coberto de dor e raiva.
Perguntei-lhe porque. Porque tinha o feito? Sempre a amara, não o deixaria de o fazer agora.
Mas o sorriso mantinha-se firme e concreto, sem desenhar nenhuma palavra.
Fui encostado aquela arma a sua testa. Era lisa e perfeita. Todo ele era perfeito por fora, e antes pensei que o era igualmente por dentro. Era o meu ídolo, talvez a minha única razão de viver.
Ia agora fazê-lo, e como desejara a muito, a rapidez era a melhor forma. Só que esta teria de esperar, pois o meu coração quis olhar uma última vez nos seus olhos suaves e brilhantes, que nunca mudam.
- Pai…
Fale com o autor