Life Isnt a Word, Is a Felling
7 Capítulo 4. And Now?
Capitulo 4. And Now?
Um toque estridente quebrou com o silêncio dos meus pensamentos, alertando-me. Tirei o telemóvel da mala, sem me importar em ver quem estava realmente do outro lado.
- Sim? — Perguntei ao desconhecido.
- Juliet!
A sua voz provocou um sorriso nos meus lábios. Como me derretia sempre que a ouvia.
- Zacky! — Respondi. — Aconteceu alguma coisa?
Precipitei. Era mais do que normal Zacky ligar-me, ele era como o irmão mais velho, o melhor amigo, e por vezes, o namorado, que nunca tive. Ele era quase um mundo. Mas, quando o meu pai estava fora de casa, supostamente com ele, era normal que eu inquietasse-me com um telefonema do guitarrista da banda.
- Queria estar contigo, estou saturado de estar fechado.
- Mas estão onde? — Perguntei confusa.
Por muito que Zacky gostasse de mim, não era habito trocar-me uma conversa machista e umas quantas cervejas.
- Em casa. — Um riso soou por detrás do auscultador. — Pensavas que estava com o Syn?
- Obviamente. — Respondi secamente. Afinal de contas, isso não se trata de algo natural deles? Passarem horas uns com os outros?
- Ele foi com o Matt ver uns assuntos da banda, acho que é sobre a entrega de prémios na Alemanha. Tu sabes, aquela em que a tua mãe vai actuar. Ela falou-te disso no e-mail da semana passada.
Não sabia como, e ainda não conseguira tentar compreender, mas Zacky decorava a minha vida com enorme facilidade. Era uma espécie de agenda pessoal.
- Oh claro. — Fingi interesse. — Estou na baixa.
- Vou ter contigo. Até já.
As minhas palavras foram cortadas, antes de serem sequer soltas. Peguei na minha mala, lembrando as palavras da minha mãe, e tirei a minha agenda. Confirmei os trabalhos de casa para aquela primeira semana de Novembro. Não havia nenhum, e também não havia testes.
Gritos repentinos disparam no ar. O meu coração acelerou. Afinal, Zacky era uma estrela e alguém podia o ter visto. Mas os gritos eram tão fortes...
Olhei e percebi que nada tinham a ver com Zacky. Um grupo vestido de negro corria na direcção do coliseu, tendo apenas um significado: era um concerto.
Levantei-me, na tentativa em vão, de perceber melhor qual era a banda, quando dois braços fortes envolveram o meu corpo.
- Demorei muito? — A sua voz era a mesma de há minutos atrás. Os seus lábios esborratam-se contra a minha bochecha e empurrei-o.
- Qualquer dia fico sem pele! — Resmunguei.
Ele voltou-me a abraçar-me, mantendo o seu sorriso deslumbrante.
- Um concerto? — Perguntou-me.
- Penso que sim. Fazes ideia de quem seja?
Ele riu-se num tom de gonzo. Revirei os olhos, ele sabia qual era banda.
- My Chemical Romance. — Respondeu-me. — Queres ir vê-los?
- Estás me a convidar para um concerto, assim do nada?
- Não é para o concerto. É para os bastidores dele.
- Ganhaste um concurso na rádio? Ou espera, o Syn ganhou um concurso, e mandou-te vires-me entreter porque se vai embebedar?
Zacky suspirou zangando.
- Tens o teu pai em boa conta, tens. Não, eu apenas queria passar algum tempo contigo.
- Oh não, deram uma tampa ao grande Zachary Baker? — Soltei uma gargalhada para o ar.
Ele focou com um olhar estranho, distante. Parei, imediatamente.
- Mas queres? — Insistiu.
- Claro. — Sorri, e voltei-me a sentar-me onde estava anteriormente. Zacky imitou-me. — Mas, não há ninguém?
Em contraste com o meu sorriso, e apagando as minhas esperanças de ouvir uma boa historia, Zacky cerrou os dentes, e baixou o rosto, focando o chão ansiosamente.
- Zacky? — Segurei o seu rosto, e rodei-o para mim. — Aconteceu alguma coisa que eu não sabia?
- Hum, não. É só... Esquece. — Respondeu, entre palavras cruzadas.
Um arrepio percorreu o meu corpo. Se havia alguém a magoá-lo, eu queria sabê-lo. Mas não apenas o magoarem, era o facto de existir alguém. Arrepiei-me mais uma vez, com as minhas próprias palavras.
- Sabes às vezes, começas a pensar em pessoa que nunca imaginaste. Que são tuas amigas, e que é estranho... Sei lá, pensares nelas como algo mais. Mas o problema é que pensas. — Zacky mordeu os lábios, envergonhado com o rumo das suas palavras.
- Eu conheço-a? — Perguntei, imaginando todas as amigas próximas de Zacky, enquanto uma estranha ansiedade percorria-me por dentro.
- Não, penso que não.
Raios! Era tão estranho sentir-me daquela forma. Sentia ciúmes.
- Tu deves ser o que é. — Disse-me melancolicamente. Um aperto surgiu no meu peito. Ele teria percebido que eu estava com ciúmes? — Tu sabes, o Thomas.
Respirei fundo. Como podia eu sentir algo que fosse para além de amizade perante aquele que era um homem. Um homem que me criara como um pai, um irmão. Um sufoco entrava-se em mim. Aquilo era tão surreal.
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