Life Isnt a Word, Is a Felling
44 Capítulo 36. No one say that will be easy
Sabia que ele tinha feito de propósito. Começava a conhecer os seus esquemas para estar comigo na frente de Brian. Percebia o porque deles, mas não a sua razão. Falta algo que Zacky fazia questão de esconder, e o meu pai também não o contava.
- Já falamos.
Deixar as coisas para outra altura não era o que mais queria, mas as doze badaladas acabaram de soar há minutos. Era altura de abrir os presentes.
Peguei no presente de Thomas. Era uma foto pequena nossa, de quando namoramos. Junto trazia uma carta, e uma palheta cor-de-rosa.
A mão de Zacky puxou-me para fora daqui, sem dar tempo de ler a carta, guardando desta forma no bolso do casaco.
Voltei a ver a neve, e percebi que tinha dado pela nossa saída sorrateira. Aquele lugar era agora frio, e Zacky não ficou apenas por junto a piscina. Levou-me até a vedação, pegando no meu corpo para atravessar por cima daquelas grades. A altura não mostrava o quanto forte ele podia ser. Continuou a caminhar, agora por entre as árvores carregas de neve que pertenciam ao bosque que rodeava a casa de Jack.
Conhecia aquele local. Aquelas árvores sem neve. Era o mesmo bosque que tinha me posto junto a Zacky naquele dia. O dia que nunca quis repetir.
Nunca pensei que fosse tão grande nem tão bonito. A velocidade tinha se apoderado de Zacky e arrastava-me para cada vez mais longe da casa. A minha ferida ardia com o passar do vento que a queimava ainda mais.
- Ai. Zacky…
Parou ao mesmo chamamento, abraçando-me fortemente.
Sentia-me bem ali, nos seus braços, longe da casa, da qual agora apenas vi-a as luzes intensas alusivas à época. Relaxei sobre ele, não tendo a certeza se o conseguia fazer. O meu pensamento estava confuso. O convite de Robert baralhava-me ainda mais.
Deitou o meu corpo no chão, e fez o mesmo com dele ao meu lado. Apoiei-me no seu tronco, para o observas, e os seus dedos enrolaram-se no meu cabelo. Estremeci quando relembrei a última pessoa que tinha feito o mesmo, há poucos minutos.
Zacky observou a minha expressão de terror. Levantou o corpo encostando-se a árvore que estava nas nossas costas. Puxou o meu rosto para junto do seu e beijou-me.
Os seus lábios eram doces e suaves. Os seus beijos tinham significado para mim, que os de Thomas nunca teriam tido.
- Bem – Separou os nossos lábios para falar – Feliz Natal!
Estendeu uma caixa fina na minha direcção.
Abri-a. Era mágico. Um fino colar de prata brilhava com a luz da lua que caia sobre nós. No meio tinha um pequeno coração e por detrás deste, a palavra “Amo-te” reluzia.
Virei-me de costas, e as suas mãos percorrem o meu pescoço, prendendo o colar nele. Beijou-o suavemente, subido em enquanto me rodava para si, e me beijava novamente.
- Tomei a liberdade…
Olhei-o com espanto, quando vi a minha prenda na sua mão.
- Abre-a. – Sorri.
Abriu-a, e a melodia percorreu os nossos ouvidos. Beijou-me novamente, e deixamo-nos cair naquele chão molhado, juntos um do outro.
Sentia-me protegida. A protecção que ansiava a muito. Aquela música livrou de mim todos os pensamentos que me aterrorizam há horas. Fazia-me acreditar que podia estar ali para sempre.
A mão de Zacky fechou a caixa. A música parou, e o terror voltou.
- Obrigada. – Beijou-me rapidamente na face. – Podes me dizer agora o que se passa?
Agarrei as suas mãos, pensado em que assunto daria ordem em primeiro lugar. Talvez o da banda fosse mais seguro.
- O Robert fez-me uma proposta. – Mordi novamente os lábios. Ainda os rompia se continuasse assim. O olhar de Zacky mandou-me continuar. – Ele quer que eu… Entre para a banda dele.
- E tu?
Zacky não parecia negar aquilo. Estava normal, e sorria para me dar força.
- Eu não sei. Não faço ideia se é isso que quero da vida! Tenho de pensar.
Baixei o olhar e ele abraçou-me contra ele.
- Sabes que não és obrigada a nada. E ter uma banda agora não implica nada. Podes tirar um curso e fazer outra coisa se te apetece. Na minha opinião devias experimentar, porque tocas realmente bem.
Os teus pais também não são um problema e tu sabes disso. O sonho deles sempre foi que tu fosses guitarrista, apesar de saberem como é este mundo. É um mundo-cão, cruel, porco e injusto. Mas é tão gratificante estar em palco, olhar para o público e ver a emoção que tem ao estarem ali perto de nós. Saber que o nosso trabalho é amado, e podemos mudar a maneira de pensar das pessoas, ajudá-las.
Para mim, era muito mais fácil namorar com uma guitarrista, não tinha os problemas da idade.
- Zacky! – Interrompi-o furiosa. – Tu sabes muito bem que não me interessa a porcaria da tua idade para nada, percebes? Nada!
- Desculpa, mas tens de perceber que é inevitável não pensar nisso.
O seu rosto mantinha-se sério. Sabia o quanto se custava a diferença.
- Eu dava tudo para ter a tua idade. Para fazer tudo com calma, para estudar contigo, para sair contigo.
Virei a cara. A mão dele voltou a puxá-la na sua direcção, fixando-me com os seus olhos.
- Zacky, eu não sou como as outras raparigas da minha idade. As minhas saídas são com vocês. – Respirei fundo. Queria que ele percebesse. – Não tenho problemas do género “Ela roubou-me o namorado e agora?”. Não me sinto uma adolescente normal.
- Desculpa por isso.
- Não Zacky. Eu amo ser assim. Eu amo-te a ti.
- Tens a certeza?
O seu olhar era tímido e medroso. Beijo-o calmamente. As suas mãos estavam frias, mas conseguiam aquecer o meu rosto.
-Tenho. – Respondi finalmente.
Ele sorriu-me e abraçou-me com força. Tentei não pensar ao quanto tempo, estaríamos mesmo ali. Não importaria se dessem pela nossa falta, eu queria ficar aqui.
- Eu amo-te tanto!
- Tanto que eras capaz de chegar ali e dizer o que se passa realmente entre nós? – Interroguei-o, não furiosa mas magoada. – Contar tudo para nunca mais termos de inventar desculpas, fugir na multidão, ou esperar que estejam todos podres de bêbados. Eras capaz de contar toda a verdade ao Syn? Que me tinhas te envolvido comigo, e chegado mesmo a levar-me para a cama mais que uma vez?
Zacky virou a cara, olhando para o chão. Sabia a resposta dele, mas queria ouvi-la da sua boca. Tinha arriscado tudo, e descarregado em cima dele. Por incrível que pareça, não me sentia melhor.
Peguei no seu rosto, e olhei-o mais calma.
- É o Syn não é? Explica-me porque como é que ele acha normal ver-nos juntos se isso não tiver significado nenhum, mas se tiver já tem problema? – Voltei a perguntar
- Juliet, eu não sei.
- Não mintas.
- Meu amor é complicado.
Afastei as mãos dele do meu corpo. O nojo voltava perante o que ele me escondia.
Comecei a caminhar de volta aquela casa, sem vontade de permanecer no mesmo espaço dele. As lágrimas frias escorriam pelo rosto e queimavam-no.
- Juliet, para onde vais?
A sua voz estava relativamente perto, pelo que soube que me seguia.
- Não me fales. Quando tiveres realmente algo para me dizer, algo que tu sabes o que é, eu oiço-te.
Corri, soltando-me das suas tentativas para me apanhar. A neve era demasiada e dificultava o meu caminho. A última vez que tinha estado assim num bosque, queria morrer. E agora talvez não fosse das piores opções.
A luz começava a ser mais intensa, o que significava que estava perto. Sentia algum calor.
Percebi ao virar-me para atrás que era Zacky que me agarrava. Revirei os olhos, mas logo se fecharam pois os lábios dele foram de encontro aos meus. Senti o meu corpo a tremer junto dele, fazendo o parar e agarrar-me delicadamente.
- Tens frio? – Riu-se para o ar gelado. – Ou é tudo nervosismo?
- Dás cabo de mim, Baker.
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