Life Isnt a Word, Is a Felling
27 Capítulo 27. After All, You Back Home
Notas iniciais
Capitulo 23. After All, You Back Home
Musica: http://www.youtube.com/watch?v=cuQft8wkP18 [N/A: Esta é das melhores letras deles (\':]
- Haner!
Abracei-o. Tinha chegado no momento certo.
- Thomas! Vamos, quero ir para casa. – Pedi.
Conversamos o caminho inteiro sobre tudo e nada, sentido que as
pessoas nos observavam.
Era estranho, mas tentei ignora-las. Eu sabia que poderia ser pior, se tivesse com o Zacky.
- Esmeralda? – Perguntei para o ar, quando abri a porta.
Ninguém respondeu, pelo que calculei que tivesse ido as compras.
Sentamos nos na sala, finalmente pacífica e arrumada. Não ligamos a televisão.
- Tu e o Zacky, como ficaram agora que ele foi embora? – Interrogou.
- Não ficamos.
Thomas sorriu ligeiramente, talvez para me animar, e aproximou-se de mim, abraçando-me. Envolvi os meus braços nos dele. Precisava de alguém naquele momento. Alguém com quem me pudesse abrir completamente.
Suspirei, quando voltei a olhá-lo. Queria começar a chorar, a força para não o fazer foi enorme. Com pouco sucesso, mas o suficiente para ele continuar a proteger-me do monstro que não existia.
- O que aconteceu para eles terem ido assim? – Tentou a medo, saber a resposta. – Foi muito de repente. E eu pensava que vocês estavam bem.
- E estamos. – Mordi os lábios, mas disfarçar a mentira, inutilmente. – Apenas não estamos juntos.
Thomas revirou os olhos, tentando acreditar. Depois agarrou o meu queixo com a mão, preparando-se para falar.
- Tu estás de rastos, Juliet. – Confirmou de forma sublime. – Vê-se que não dormiste nada no dia em que desapareceste, nem ontem.
- Como é que sabes que desapareci?
Sentia as minhas sobrancelhas a contraírem-se, e os meus olhos sem expressão, mas confusos na mesma.
- O Zacky… — Respirou fundo, antes de começar a falar em extrema velocidade. – Oh Juli, ele tinha de falar comigo. Estava desesperado para saber de ti. Porque é que desapareceste assim?
Parou, e senti um silêncio a invadir-me por dentro. Thomas só agora tinha referido o meu desaparecimento de um dia, e eu nem tinha-lhe contado. Não me importava a preocupação de Zacky, era apenas o obvio a fazer. Procurar-me para o bem de Syn.
- O Baker… — Solucei. Não conseguia pronunciar o seu nome. – Ele… Eu apanhei-o com outra pessoa.
Desfiz-me completamente em lágrimas nos braços de Thomas. Ele não se manifestou, e deixou-me molhar as suas pernas, onde me deitara. As suas mãos passavam pelo meu cabelo, e a sua respiração marcava o ritmo da minha, que estava por si, completamente acelerada e descontrolada.
Não conseguia pensar e não sabia se o queria fazer. Voltar atrás era a única solução que eu queria, e a única que não era possível.
Ouvi Esmeralda a entrar dentro de casa, carregada de sacos, mas ambos a ignoramos. O meu choro era infinito e não havia forma de o fazer acalmar. Nem mesmo todos os movimentos de Thomas, para eu ficar confortável. Nem mesmo quando me deitou na minha cama, sem conseguir meter na minha boca uma pequena migalha de toda a comida enfadonha que tinha preparado. Tapou-me, e deu me um beijo de despedida na face encharcada.
Não consegui dormir, apesar de o choro ter parado de minutos a minutos. Depois voltava como uma bomba atómica.
Não conseguia pensar, outra vez. As palavras de todos entravam-me na cabeça como tiros de caçadeira. As palavras de Nicky, as palavras de Thomas. As palavras de Zacky com Synyster.
Senti o meu corpo a tremer e a minha cabeça a rodar, mesmo deitada. Por atrás dos estores ainda era de noite, e a chuva caia lá fora. Uma longa noite esperava-me.
Cada vez que fechava os olhos e adormecia, vinha um novo pesadelo, ou então sempre o mesmo.
Via Syn, e a arma apontada a sua testa lisa e suave. Via a neve.
O frio que sentia, era real. Estava frio, mesmo debaixo dos cobertores. Tinha medo de sair daquela cama, e enfrentar o meu quarto. Até deste eu tinha medo.
O visor do meu telemóvel dava seis horas para o tempo que era. Adormeci passado meia hora, e voltei a acordar passada outra.
Thomas sorria-me à borda da minha cama. Devia estar ainda a sonhar.
- Acorda princesa. – Cantarolou calmamente.
Esfreguei os olhos, para ter a certeza que era ele. Abracei-o quando percebi que sim, e ele tirou-me da cama, calmamente, levando-me até ao banho. Eu não era uma criança, mas naquele momento, queria ser. Era tudo mais fácil, quando tinha cinco anos, e não olhava para o Zacky de outra forma.
A água era suave e terapêutica. Vesti-me rapidamente, com calças pretas, e túnica azul escura. Não me ralava muito com a roupa, nem com o ar de monstro que tinha naquele momento.
Thomas enfiou-me leite e três bolachas na boca, e depois levou-me para fora daquela casa.
O sol era forte para o inverno que estava prestes a começar, e o seu braço por cima dos meus ombros, levava todo o frio embora. Encostei a cabeça no seu peito e deixei-o guiar, questionando quantos segundos demoraria até começar a falar.
— Como te sentes?
6 Segundos.
- Péssima.
Não precisava de lhe mentir. Ele sabia a verdade, bem demais, mesmo sem eu contar tudo.
- Nota-se, vê-se que não dormiste nada. – Afagou o meu cabelo. – Se continuares assim, levo-te ao médico.
- Não! Atreve-te, e eu mato-te.
Tinha mais energia do que pensava. Uma longa gargalhada soou da sua garganta firme, e o seu cabelo, agora mais curto, abanou calmamente. A sua pele estava mais morena, e o seu cabelo escurecera, combinando perfeitamente. Era forte e bonito, tinha de o admitir.
Deixou-me à porta da escola, com receio que eu voltasse a sair dela mal ele virasse costas.
- Venho-te buscar, mal acabes as aulas. – Beijou-me a testa.
Suspirei, largando as suas mãos quentes e caminhei em passos pequenos e rápidos até à sala, onde teria aulas. Sabia que me observavam atentamente, e comentavam se eu andava ou não com ele. Era inútil responder aquilo.
As aulas passavam lentamente, e o meu cérebro tentava concentrar-se nelas. Era difícil, mas não impossível.
A meio da manhã, a mensagem de Thomas chegou perguntando como eu estava, e outra para Anne, para ela me obrigar a comer ao almoço.
- O que se passa contigo? – Perguntou-me Anne, no fim de ler a mensagem de Thomas.
Estávamos sentadas nas escadas do pátio e o sol tinha desaparecido, dando lugar às nuvens carregadas típicas do inverno que estava próximo. Não sabia ao certo que horas eram, nem em que dia estávamos. Era Novembro e faltava pouco para a “November Rain”.
Olhei para Anne. Ela aguardava ansiosa, enquanto Catarina brincava com as batatas fritas que não iria comer.
- Nada, estou cansada. – Menti na parte do nada. Sentia-me realmente cansada. – O Syn não está cá, nem a Jo. Tenho a esmeralda, mas continuo a sentir-me sozinha. Sem os pais lá…
Ana revirou os olhos, e Catarina olhou-me confusa. Elas sabiam que eu já não me ralava de eles estarem longe, tinha crescido assim.
- Okay, talvez não me faça assim tanta diferença, mas pronto. – Conclui.
- E o Zacky?
O olhar de Anne era feroz, e Catarina continuava com ar de não estar a perceber nada. O nome dele fazia-me quer gritar. Quer morrer.
- Não sei nada dele. – Tentei parecer normal. – Tu já falaste com o Matt?
Os olhos de Anne brilharam e Catarina riu-se descontraidamente. Era obvio que sim.
- Ela anda toda a babar-se por ele. – Catarina interveio, sem parar de rir. — Porque é que ela tinha de conhecer uma estrela de rock? Deus ajuda-nos!
Catarina levantou-se e esticou os braços em direcção ao céu. As suas ancas balançavam, numa dança de preces para que Anne não tivesse assim. Em vão, Anne ficou extremamente corada, e suspirou longamente, certamente a pensar no Matt.
Fechei os olhos ao passar da brisa, e ganhei coragem para respirar. Tocou para entrar, e não queria de todo ir a próxima aula. Continuei a caminhar sem grande vontade, e por fim sentei na cadeira onde o fraco sol que não exista, insistia em bater. Respirei fundo, tentando ouvir o que estava a ser dito.
Realizei todos os exercícios que me propuseram, e percebi que era a aula de geometria. Já não me importava o que estava a fazer, não estava ali presente, apenas o meu corpo.
Dei por mim a gemer baixinho, e tentei parar. Era impossível. Zacky percorria a minha mente, da mesma forma que as suas mãos sujas tinham percorrido o meu corpo. Sentia-me usada e desamparada. Voltaria atrás vezes e vezes sem conta para mudar o que tinha acontecido. O meu pai continuaria a ser apenas o Brian e a minha mãe a Johanna. O Zacky era apenas como um irmão. Thomas ainda me faria sofrer, sem vez de me proteger.
Estava tudo trocado.
Acabou a aula finalmente, e fugi para o portão. Obviamente Thomas aguardava-me, olhando para as nuvens, por detrás dos óculos que sol que tinha posto, mesmo sem o Sol.
Caminhei na sua direcção lentamente, e confesso atordoada, ao mesmo tempo que feliz. Ele era a única pessoa com a qual aguentaria estar mais do que 10 minutos. Esse facto agradava-me. Sorri-lhe, antes de os seus braços me envolverem com força, e os seus lábios pressionarem a minha face esquerda. Devo ter corado, pois metade da escola olhara-nos e comentara-nos.
Pegou no meu corpo, empurrando-o com o braço que tinha apoiado nos meus ombros, pela rua que se seguia. Não sabia para onde íamos, nem me importava.
- Como correu o dia? – Perguntou.
O vento batia-nos com força na cara, levando os meus cabelos a esvoaçar por trás de mim. Não queria mentir, mas já se torna num mau hábito.
- Bem… — Mordi os lábios perante a mentira. – Insuportável, na verdade.
Thomas riu-se abertamente para o ar, e o meu rosto tornou-se subitamente confuso.
- Eu não estive lá sempre!
- Bem… Estou melhor agora. – Decidi ser simpática.
Não estava melhor, queria apenas Zacky, mesmo que morresse por dentro com a presença dele e com as memórias que me deixara. Mas essencialmente queria-o.
Thomas pressionou ainda mais o meu corpo contra o seu. Estava quente e protegida.
A rua estava vazia, e apenas havia o barulho dos carros. Ouvia a sua voz a falar, e a minha cabeça abanava tentando exprimir palavras, que não sabia quais eram. Na minha cabeça apenas havia Zacky. Queria quebrar tudo o que me ali passava. Tentei não chorar, enroscado ainda mais a cabeça no Thomas, mas sem grandes resultados. O meu estômago dava inúmeras voltas, prestes a explodir.
Chegamos perto de casa. Não sabia se queria a presença de Thomas ali comigo, mas também não queria ficar sozinha. Tinha medo da solidão, estranhamente.
- Sobes? – Tentei sorrir-lhe.
- Claro, se tu assim quiseres. – O seu sorriso era perfeitamente natural e saudável. Ele estava feliz por estar comigo.
Eu também devia estar feliz, mas era algo demasiado.
Esmeralda estava na cozinha. Não me preocupei com o que estava a fazer. Fui directamente para o quarto e Thomas seguiu-me, sem olhar para Esmeralda que cantarolava algo indecifrável.
Sentamos nos junto aos pés da minha cama, sem nos preocupamos com o que íamos fazer ali. Era fácil falar com ele, era calmo e não precisava de arranjar forma de comunicar sem parecer uma idiota. Se o parecesse, ele não ligava.
Brincava com o meu cabelo, e o tema de conversa deve ter passado por todas as coisas. Escola, musica, arte, pessoas. O nosso habitual, que tinha desaparecido e agora voltado.
Ria-me em esforço, e de forma natural. Estava relaxada e pela primeira vez em cerca de três dias, a minha cabeça pensava de forma natural.
Notas finais
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