Life Isnt a Word, Is a Felling
30 Capítulo 24. I Miss You - P3
Capítulo 24. I Miss You
Parte 3
Acordei descansada. Não tinha saído durante todo o fim-de-semana e não tinha tido grande agitação. No entanto, não tinha desfeito as minhas dúvidas.
Sabia que Esmeralda ainda estava a dormir. A noite passada tinha-a ouvido ao telefone até de madrugada, não acreditava que ela fosse acordar cedo.
Tomei um duche rápido, já desperta e vesti-me sem olhar para o que tirava do armário. Umas simples calças cinzentas e uma t-shirt dos Metallica, eram o básico. Coloquei também o meu amado casaco, pois o vento que corria lá fora já deixara de ser uma simples aragem, era gelado.
Não tinha fome. Peguei num copo de leite e uma maça e empurrei-os rapidamente para dentro de mim. Era cedo mas mesmo assim sai de casa. Queria caminhar e ainda conseguir ver o orvalho dos pequenos jardins que encontrava no caminho para a escola.
Estava realmente frio quando cheguei a rua, tal como eu imaginara. O orvalho também lá se encontrava. As ruas não tinham grande agitação e todo aquele ambiente deixava-me minimamente feliz.
Não sabia o que queria neste momento. A minha cabeça estava confusa e pedia-me por tudo que aceitasse ficar com Thomas, para evitar mais sofrimento. O meu coração dizia-me o que eu tinha a certeza: não seria capaz de apagar Zacky da minha vida.
Olhei para as horas. Ainda faltavam quinze minutos e a escola já se podia ver da rua onde me encontrava. Sentei-me vagamente sobre as escadas de um prédio.
Deixei a minha cabeça cair contra a parede que estava atrás de mim e parcialmente observei o céu. Estava em tons de cinzento e o mais certo era chover hoje. Gostava de chuva, acalmava-me. As gotas a escorregarem sobre os toldos, a baterem nos nossos corpos. Lembrava-me de ter cinco anos e correr à chuva sobre os recintos dos espectáculos, enquanto público ansioso aguardava lá fora. Lembrava-me principalmente de os braços de Zacky me agarrarem e levarem-me para os locais abrigados.
Suspirei longamente. Não suportava pensar em Zacky, ele era demasiado para mim.
Tinha de resolver as coisas com Thomas. Perceber o que se passava ali.
Ia estar com ele. Não queria pensar no que estava a fazer, apenas precisava de sarar a ferida que havia sido criada em mim.
O dia passou mais rápido do que eu desejava, não me deixando pensar.
No final, como eu esperava, Thomas estava lá. Corri na sua direcção, e os seus braços agarraram-me pela cintura, beijando-me delicadamente. Ignorei o facto de quanto estranho era aquilo para mim. De igual forma, ignorei todos os olhares que podia sentir postos nos nossos corpos unidos.
- Acho que temos de falar, Juliet. – Pediu-me, em voz baixa.
- Concordo.
Peguei na mão dele, e caminhamos para fora do recinto escolar e toda aquela área que envolvia o ambiente académico.
Não sabia onde me encontrava. Era um local normal, com paredes cinzentas e pedras em lugares de bancos. Sentei-me numa delas.
Os olhos de Thomas fixavam-me profundamente, implorando para que eu disse sim à sua pergunta, que ele estava ainda a ganhar coragem para proferir.
- Juliet…como é que estamos?
- Eu não sei. Eu gosto de ti. – Não estava a mentir. Eu gostava e muito.
- Eu amo-te Juliet. Como ficamos? Amigos ou mais do que isso? – A sua voz gaguejou ansiosa.
O meu corpo gelou. Uma parte de mim implorava para que eu dissesse que não, que apenas o via como o meu melhor amigo, que nunca passaria disso. Que eu amava Zacky.
Mas a outra parte foi mais forte, empurrando-me para o abismo da falsa felicidade.
- Thomas, eu acho que já somos mais do que amigos. – Respondi roucamente.
Aquelas palavras ardiam-me na garganta. Eram mais do que amigos, éramos algo que não tinha apenas descrição. Algo que eu tinha a certeza que não passava por atracção física. Não da minha parte.
Thomas agarrou-me delicadamente, como sempre fizera, pela cintura, aproximando-se do meu rosto. A sua respiração era irregular, como a minha, e seus lábios deslizavam agora pelos traços do meu pescoço. Não podia negar que aquilo me dá prazer. Apenas não conseguia amá-lo da mesma forma que ele me amava.
Subiu até aos meus lábios, e encaixou os dele nestes. Beijou-me da mesma forma suave e controlada, à qual me queria habituar.
“Com o tempo, vais amá-lo” pensei. Talvez o fizesse, apesar do meu interior o recusar a fazer.
- Thomas? – Chamei.
Olhou-me ternamente. Respirei fundo sem querer magoá-lo.
- Estou cansada. – Expliquei. – Podemos ir para casa?
- Claro.
Seguimos rumo a minha casa. Deixou-me a porta, despedindo-se com um beijo suave e subi rapidamente.
Esmeralda não estava em casa. Silencio, finalmente.
O telefone piscava ansioso dando alerta que tinha mensagens. Não queria ouvi-las, mas saber que podia ser algum recado de Esmeralda obrigou-me a fazê-lo.
“Juliet, é a Mãe. Como tens estado? O teu pai está bem, assim como o resto da banda. Ele pediu para te dizer que da próxima é a vez de ele ligar. Também não é fácil controlar as chamadas para o estrangeiro, e o Matt dá cabo delas com a Anne. – Um riso alegre surgiu na voz da minha mãe. – Espero assim que estejas bem. Eu estou óptima e a tournée também está a correr muito bem. Beijos, Amo-te minha querida.”
“Desculpa não ter ligado, a coragem faltou-me. – A voz que estava gravada provocou-me arrepios na coluna. – Quero pedir desculpa. Não tenho a certeza do que fiz, mas eu cometi tantos erros, que sei que não tem perdão. A minha consciência nunca ficaria tranquila, se eu não dissesse nada.
Juliet, sabes bem o quanto eu gosto de ti. Por todas as razões. Por seres tu, por tudo o que já vivi contigo, desde quanto tinhas meses até aos momentos dos dias de hoje. E por tudo que me fazes sentir, nunca me senti assim. Eu amo-te. Zachary.”
Uma pequena gota caiu levemente sobre a minha bochecha. Queria ficar furiosa por ele ter mandado mensagem para o telefone de casa, onde Esmeralda poderia ouvir, mas apenas consegui sorrir levemente.
A sensação que me magoava a mim própria cada vez mais, voltou. Estava criando falsas alegrias em mim própria. Alimentando algo que podia não vir a dar certo.
Mas tinha uma esperança. De o amar como ele fazia por mim. Amar Thomas.
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