Notas iniciais

Capítulo 20! Espero que gostem

Capítulo 20. The End

Juliet POV

Acordei atoarda.

O mesmo sonho de há umas semanas, repetia-se mas agora percebi porque queria matá-lo. Ele tinha a traído.

Levantei-me cautelosamente, e o silêncio reinava em casa.

- Mãe, Pai? – Chamei.

- Querida, os seus pais saíram. A sua mãe deixou uma carta e o senhor disse que não sabia quando voltava. – Esmeralda respondeu-me.

E tudo tinha voltado ao normal. Jo partia sem se despedir, deixando cartas, e Syn saia de casa, sem hora de voltar.

- Esmeralda?

- Sim, pode não ir às aulas. – Respondeu-me, sem mais perguntas.

Tomei um duche rápido, e vesti umas calcas pretas, outra vez, com a t-shirt do Thomas. Tinha saudades dele como amigo. Do meu melhor amigo.

Talvez por essa razão lhe telefonei. Tinha medo de sair sozinha para a rua, e a sua voz tirava-me a ansiedade.

- Juliet! Como foi a Alemanha? – Perguntou-me logo.

- Thomas, não podes vir ter comigo?

- E as aulas? – Limitei-me a rir, ele não se preocupava. – Cinco minutos?

- Perfeito. – Disse-lhe.

Thomas cumpriu o prometido, e eu desci para a rua, abraçando-o que nem uma louca. Thomas levantou-me do chão, e fez-me rodar.

- Agora ando com uma celebridade na rua! – Exclamou com uma gargalhada.

- Não gozes! Sempre andas-te. – Revirei-lhe os olhos, pegando nos meus óculos de sol, e colando-os no rosto.

- Como tem sido?

A sua voz estava mais calma, e seria. Olhava-me com um olhar terno, esquecendo todo o que havia para trás, deixando apenas o significado da nossa amizade permanecer.

- Não tem, evitei o contacto com as pessoas. Na verdade, é a primeira vez que estou a sair à rua.

- Assim deixas-me orgulhoso, por essa honra. – Sorriu-me. – Mas e os teus pais, não te mandaram à escola? Afinal, já faltaste uma semana.

- Mandaram, mas eu não fui. Fiquei com o Zacky.

Notei uma certa tensão na voz de Thomas, que me fazia temer pela nossa relação. Eu não podia deixar que as duas pessoas que eu mais amava, se odiassem. E muito menos podia optar por uma delas.

- Juliet. – Thomas chamou pelo meu nome, como se preparasse para algo. – O que tu sentes em relação a ele?

Soltei uma falsa gargalhada. Thomas ergueu a sobrancelha, duvidando do meu riso. Suspirei, pronta a contar-lhe a verdade.

- Eu não sei. Eu nunca pensei nele noutra forma, mas o que eu sinto por ele, já não corresponde ao meu pensamento.

Thomas passou a mão pelo meu rosto, como um sinal de apoio. Sorri-lhe, porém ele não sorriu mais.

- Juliet, eu quero que sabias que o que eu sinto por ti, não é apenas uma atracção. — A secura da sua voz, apertava-me por dentro. Eu magoava-o, e esse era o pior que eu poderia fazer a mim própria. – Mas, tu és e sempre foste, a minha melhor amiga. E, eu amo-te por isso.

Uma lágrima caiu fria pelo canto do meu olho. Thomas secou-a, sem deixar um sorriso.

- Juliet, como amigo, toma cuidado. – Advertiu-me. – Eu tenho medo dessa relação. O teu pai, a banda. Ele é mais velho.

- Eu sei Thomas.

- Eu quero o melhor para ti. – Disse-me, sobre um sorriso amável.

Abracei-o com força.

- Obrigada.

Thomas deixou-me em casa de Catarina, ao fim da tarde. Anne estava deitada na cama de Catarina, desenhando sem motivo. Sorri-lhe, correndo para Catarina.

- Haner, que saudades! Mas vá, senta-te, a Anne tem novidades e só conta quando tu chegasses.

- Matt?

A Catarina lançou-me um olhar de desprezo, por eu saber mais que ela.

- Sim.

Os olhos dela brilhavam a contar tudo pormenor por pormenor. Eu fingi prestar atenção. Conhecia o Matt de ginjeira, sabia muito bem como ele seduzia as pessoas. Apenas ouvi quando ela contou que se tinha passado algo mais do que beijos.

- O quê? – Catarina exaltou-se. – Vocês já? Como foi?

- Perfeito.

Um sorriso escapava-se dos seus lábios.

- Juliet, e tu? – Perguntou-me Catarina. – Eu sei que estiveste com o Thomas, eu vi-o.

- Somos amigos Catarina, apenas isso.

Anne olhou-me desconfiada. Não por Thomas, mas porque ela sabia que a protecção de Zacky, deixara de ser protecção.

- E o Zacky?

Estava a desafiar-me. A Catarina mostrava-se confusa.

- É um querido.

- O que se passa com vocês?

- Protecção. – Menti, inutilmente.

Eu sabia que Anne não acredita, mas eu não lhe podia contar a verdade. Existia uma razão desconhecida que me obrigava a fazê-lo.

Peguei nos apontamentos da matéria que tinha perdido, e fui rumo a casa. Sentia-me cansada, precisava de dormir.

Entrei em casa, percebendo de imediato que a banda não estava por ali. Estava tudo calmo demais. Porém, estava alguém em casa.

Syn POV

Zacky estava frio, distante. E eu não conseguia perceber o que se passava.

- Zacky? – Chamei-o, para que ele levantasse os olhos das cordas da guitarra que ele estava a tocar, sentado na ponta da minha cama.

Zacky olhou-me com os seus olhos encantadores, derretendo-me por dentro. Encarei-o, friamente, procurando respostas. Que eu sabia que não seriam fáceis de ele me as dar.

- O que se passa? – Perguntei-lhe.

- Nada.

A sua voz morria ao ser projectada. Alguma coisa se passava, e eu tinha apenas uma certeza: Juliet.

Senti o meu corpo a tremer de raiva, enfurecido pela escuridão. Ele não podia quebrar assim as regras.

- Zachary Baker, o que se passa entre ti e a minha filha? – O meu tom de voz tornara-se agressivo e rouco.

Zacky levantou-se, e pousando a guitarra, aproximou-se de mim. Os nossos corpos estavam praticamente colados um ao outro, e as nossas respirações entrelaçavam-se uma na outra. Comecei a sentir-me mais ofegante, nervoso, demasiado próximo dele.

- Nada. Não se passa nada entre mim e a Juliet, tu sabes que nunca se iria passar nada. – Respondeu-me, sibilando cada uma das suas palavras, seguro do que me dizia.

Juliet POV

Gelara junto à porta do quarto de Syn. O meu corpo não se movia, como eu lhe pedira, e apenas me deixava ficar, ali, encostada à porta, espreitando entre um espaço mínimo.

Ele mentira, apagara tudo o que existia. Para ele nunca se iria passar nada, eu era como um sopro de ar, um vazio incrédulo. As suas palavras saiam secas das sua voz, como pólvora no fim de uma batalha, matando-me lentamente, tirando-me todo o ar que eu tinha para respirar. Porém, nem respirar eu queria.

Limpei a lágrima que escorrera do canto do meu olho, e voltei a focar-me na imagem dos corpos daqueles dois homens, que se tornaram dois desconhecidos.

O mais pequeno, de olhos azuis mantinha-se na mesma posição, enquanto o maior o focava, ansioso. E num segundo, os lábios de ambos estavam unidos, completados num beijo.

Morri ali; o meu corpo perdeu toda a sua vida, e o meu coração não bateu novamente. Foi o meu fim.

Notas finais

.. reviews?