Life Isnt a Word, Is a Felling
45 Capítulo 37. I Can't Take My Eyes Off You
Ri-me também com ele. Tinha saudades de lhe chamar Baker.
- Oh Haner, vamos para casa.
- Ainda estou chateada contigo. – Relembrei-o.
- Eu sei. Mas agora temos de ir.
Soltou-me passos antes de entrarmos, e ordenou que entrasse primeiro.
Ninguém reparou que eu estava agora ali presente e continuava uma grande agitação. Camille veio ter comigo, e Zacky não tardou a entrar pela aquela sala. O frio lá fora, devia o estar a matar tanto com a mim.
Permaneci o resto da noite sentada, brincando, através dos dedos, com o fio que me fora oferecido. Era hora de dormir, finalmente.
- Ficam cá, não é? – Questionou todo o seu público de amigos.
Jo sussurrou algo a Syn, mas no fim todos concordaram em ficar. Afinal era aquela a nossa família.
Fiquei no mesmo quarto que Camille e Olívia.
Havia uma cama de casal bastante espaçosa para as três mas Jack fez questão de colocar um divã para Olívia. As paredes rosadas, transmitiam a calma que precisava naquele momento.
Camille deitou-se sobre a colcha vermelha, suspirando de cansaço, enquanto Olívia se apressava a vestir o seu pijama.
Olívia era realmente espevitada e alegre, o que penso normal para uma criança de dez anos e filha de um músico. Os olhos castanhos brilhavam no cabelo claro, e a sua pele era branca como a neve, completada por pequenas sardas ao longo das bochechas. Sorria por todos os presentes recebidos naquela noite.
Deixei-me ficar apenas com cuecas e um top, ignorando o frio que preenchia aquela noite. Enfiei-me rapidamente debaixo dos quentes cobertores que Jack deixara naquela cama.
As luzes apagaram-se, e Camille esperou pelo sono de Olívia para falar comigo.
- Juli, passa-se alguma coisa entre ti e o Robert?
Mesmo sem ver a sua cara senti o medo nítido nas suas palavras.
- Não querida. – Sorri na escuridão. – Ele fez-me uma proposta. Quer que eu entre para a banda dele.
- Oh meu deus! Que bom! – A voz de Camille era agora excitada.
- Eu não sei se vou aceitar…
O silêncio permaneceu por segundos.
- Okay. Boa noite! – Concluiu.
Olhei para o visor do meu telemóvel antes de fechar os olhos e tentar adormecer. Marcava as duas e quarenta e seis da manhã, e sabia que todos iriam acordar tarde naquele dia que ameaçava chegar.
Tinha três mensagens e quase que adivinhava de quem seriam. Porém a surpresa foi o nome Zacky não constatar em nenhuma.
“Thomas J : Adorei a tua prenda, e também te adoro a ti. Feliz Natal.”
“ Catarina * : Juliet, novidades da Anne? Como estás com o Zacky? Isto aqui está animado! Beijos.”
“Matt: Baker, Syn, Juliet, Johnny, Rev, Catarina! Olhem, é para dizer que eu e a Anne estamos bem e vivos. Feliz Natal, beijos para todos, esperemos que se estejam a divertir.”
Fiquei feliz por eles estarem bem, e sabia que Zacky partilha o mesmo sentimento que eu.
Fechei os olhos, mas o zumbir bateu no meu ouvido. Olhei para o telemóvel, e soube que finalmente era o Zacky.
“Zacky :D : SALVEM O ZACHARY BAKER DO ANIMAL QUE EMITE SONS ESTRANHOS AO DORMIR, JOHNNY CHIRST! A sério, eu não aguento mais isto sem ti. Vem ter comigo, amo-te.”
Voltei a rir-me baixinho. O Zacky era louco, não tinha dúvidas. Mas não estava disposta e ir a correr para ele. Não antes de ele me explicar algo que eu desejava tanto saber como o desejava a ele.
“Quero dormir.”
Pousei o telemóvel ao meu lado, e fechei os olhos, entrando num sonho profundo.
Acordei exaltada. Por sorte não acordei nem Camille nem Olívia.
Olhei para o meu telemóvel como tinha feito antes de adormecer num pesadelo. A minha respiração era alterada, e não acalmou quando vi que apenas tinha dormido uma hora, se tanto.
Comecei a escrever uma mensagem, com a mão suada e tremia. Sabia que muitos erros constavam nela, mas tinha de pedir ajuda.
“ Zack, vah ter a cara de banhn”
Peguei no robe que estava sob uma cadeira, e vesti-o apressadamente, saindo através do corredor. O silêncio reinava sob toda a casa, por isso andei mais lentamente para não o romper. Estiquei a mão para rodar a maçaneta da casa de banho, mas alguém se precipitou por cima de mim. Assustei-me, mas um beijo calou o meu grito. Era obvio que era Zacky que estava a abrir a porta, tinha pedido que me viesse ver ali. Abracei-o, caindo sobre os braços dele.
Puxou-me para dentro da casa de banho e trancou a porta só por segurança. Beijou-me novamente como apoio. Libertei-me dos seus lábios mas não dos seus braços.
Tentei recordar-me do pesadelo. O mesmo pesadelo repetia-se. Eu queria unicamente matar o meu pai, e Zacky ensaboado de sangue implorava que não o fizesse. Algo novo parecia neste, algo que me aterrorizava ainda mais. A luz era imensamente fraca, e o frio congelava-nos. Tremia com a arma na mão, e os olhos fixados em Zacky. A fúria tornara-me louca.
Ao longe podia avistar Thomas, que rapidamente chegara ao pé de mim. “Não o mates. Ele precisa dele.” Implorava-me, destapando ao mesmo tempo o pano que envolvia uma criança, um bebé de poucos meses. O rosto da criança era perfeito, e os seus olhos eram claros, apesar do fino cabelo preto que envolvia parte da sua pequena cabeça.
Baixei a arma, com as lágrimas a ferirem-me as faces, cobertas de cicatrizes. Arranquei a criança dos braços sujos de Thomas, apertando-a contra o meu peito. Não sei se o choro era meu ou dela, mas era sofredor. Gritei para o vazio, enquanto Zacky me agarrava de novo.
“Deixei-me ajudar-te.” Pedia. Eu apenas o atirava para o chão, com a mão que não segurava a criança. Ele nunca caiu, apesar das minhas tentativas. Mantinha-se de pé, ao lado, mentindo. Dizendo que me amava.
Os olhos de Syn estavam consumidos pelo ódio, a mim, pela minha traição.
Apertei a mão de Zacky com força suficiente para partir uma noz. Ele não se queixou, mantendo o silêncio que ali permanecia.
Queria saber o porquê da criança.
Talvez a minha mãe tivesse grávida.
Deixei-me cair nos braços de Zacky e naquele chão frio. A mão dele passava constantemente pelo meu cabelo numa tentativa de o alisar. O frio começava a pesar no meu corpo, e a minha respiração estava em contratempo com a dele.
- Tens frio?
A voz dele era calma e suave. O sono devia ter ocupado o seu corpo.
- Algum… — Respondi, tendo parecer mais calma.
Abraçou-me com a toalha que se encontrava ao seu lado de forma a aquecer-me. Senti-me por momentos mais calma, à medida que os seus lábios gelados percorriam o meu pescoço.
Suspirava longamente, deixando o silêncio voltar a arrastar-se por aquelas paredes brancas.
Não conseguia lhe contar os meus sonhos. Eram como crimes.
- O que se passou?
Olhei para o seu rosto. Tinha um ar cansado e o seu cabelo preto estava despenteado.
- Tive um pesadelo.
Tocou nos meus lábios, virando-me para ele completamente, e beijando-me. A sua protecção era bem melhor agora, do que quando tinha apenas cinco anos, isso era uma verdade.
Sorri, quando soltei os lábios dele. Ele mostrava-se confuso.
- Tu és mais estranha que os teus pais.
- Zacky… — Resmunguei entre dentes.
- Amo-te, sabes disso?
- Não quero falar disso – Passei a mão na sua face – Quanto mais falamos pior, se tem tornado.
- Vamos dormir.
Pegou em mim ao colo, e agarrei-me a ele intuitivamente, como se ainda permanecesse com os meus puros cinco anos.
Atravessamos os corredores, e ele deixou-me a porta do quarto onde eu ficava naquela noite. Sorriu-me, afastando os meus cabelos da minha cara. Beijou-me na bochecha, e da sua boca saiu um “Boa Noite, Haner”.
[n/a: http://www.youtube.com/watch?v=BrBNfXIBqu4]
Peguei na sua mão antes de se puder afastar, e com a outra puxei-o novamente para o encontro do meu tronco. Toquei com os meus lábios nos dele, e beijei-o intensamente.
Zacky olhou em seu redor, procurando ver se avistava alguém que fosse passar naquele corredor, e empurrou-me para a casa de banho, voltando a tranca-la.
Tocava em todo o meu tronco, enquanto me beijava do pescoço aos lábios. As suas mãos desceram até às minhas coxas, e as pernas encaixaram-se nas suas ancas. Passei os dedos pelo seu cabelo negro, e deixei-me levar por ele.
Olhei para todas as nossas roupas caídas naquele chão limpo e brilhante. Estava frio, mas o seu corpo conseguia me aquecer. As suas mãos levaram o meu corpo até debaixo do chuveiro, onde o calor nos aguardava. Os pingos de água batiam na minha pele, e os seus beijos eram mais intensos, e molhados. Passei os dedos húmidos pelo seu rosto, observando os seus olhos azuis por detrás do cabelo escorrido. Beijei-o.
Entreguei-me a ele, como se fosse a primeira vez que o via. O homem que amava desde que nascera.
Sorri-lhe, vestindo-me novamente, pegando na sua mão e voltando para o quarto onde Camille e Olívia dormiam profundamente.
Fale com o autor