Life Gets Harder.
4 Gritos, lágrimas, amor
Notas iniciais
Eu contrariada entrei.
- Como é que se chama mesmo?
- Marie.
- Gosto desse nome, gosto mesmo.
- A sério, não estou a perceber porque é que me queres conhecer, porque é que me estas a levar a um concerto teu numa limusina. Ou porque é que eu estou sequer aqui, com um desconhecido.
Ele chegou-se mais a mim, e olhou-me nos olhos.
- Ouve, tu és diferente. Tu és a primeira adolescente que eu encontro na rua que não grita pelo meu nome, durante praticamente dois anos. E eu gosto... desse brilho nos teus olhos…
- Tu vês?
- O brilho nos teus olhos? Claro que vejo, esse brilho diz-me que posso confiar em ti.
Virei a cara, e perguntei ao motorista se ainda faltava muito. Continuava a sentir os olhos dele pregados em mim.
- Tu fazes isto em todas as cidades, não é? Escolhes uma rapariga, impressiona-la com uma limusina e depois livras-te dela.
Ele olhou para mim quase como chocado.
- Não, não mesmo. A menos que contes com a minha mãe. Ela é a única mulher que eu levo na limusina. — Fez-me sorrir, sem saber porquê.
Virei a cara para ver onde estávamos, mas era tudo escuro.
- Olha, tu és mesmo diferente, não sei porquê mas eu acho-te especial…
- Podes parar com isso?
- Isso o quê?
- Essa coisa com o olhar.
- O quê? Eu não estou a fazer…
- Sim claro. Ouve, vamos despachar isto, sim? Eu dou-te o Blackberry fico á espera da minha prima, cá fora! E nunca mais precisas de me ver. – Não sei porquê, mas as últimas palavras que eu disse deram-me a volta á barriga.
E só depois reparei na cara dele, a olhar para o vazio como se estivesse a pensar… não sei o quê.
Ficamos em silêncio durante um tempo. Aquilo doeu.
- Se tu não quisesses aqui estar não tinhas saído da porta de tua casa. – Ele disse aquilo como se estivesse a sofrer.
Peguei-lhe na cara, olhei-lhe nos olhos e disse:
- Eu sai daquela porta fora porque queria saber o que é que me faz confiar em ti, como agora. Ou porque é que quando eu toco em ti, como estou a tocar agora, me dá tantas faíscas.
- Tu sentes isso?
- Sim! E não sei porquê.
Ele ficou a olhar para mim, mordeu o lábio o que me deixou completamente fora de mim. E sorriu de uma maneira que me fez arrepiar. Ele estava a agarrar-me as ancas quando o motorista nos chamou, tínhamos chegado.
Ele pegou-me pela mão e levou-me às traseiras, entramos por lá e ele apresentou-me a uma mulher. A assistente dele. Ele tinha de se ir arranjar, e ela levou-me para os camarins dele. E eu fiquei lá sentada, a pensar no que tinha acontecido naquela limusina. Isto foi mesmo estranho.
Quando olhei para o chão reparei na guitarra, já não tocava á muito tempo desde que a minha mãe tinha partido a minha... Peguei nela, e comecei a tocar a música que tinha composto á dois anos atrás e a cantar a letra feita pela minha melhor amiga. Quando acabei de tocar é que me apercebi que alguém me estava a ver. Era o Justin.
- Desculpa, a guitarra estava aqui no chão e eu…
- Não te preocupes, essa musica… é tua?
- Sim é.
- É muito boa, e tu cantas muito bem, a sério.
- Obrigada.
Ficamos em silêncio, porque ninguém sabia o que haveria de dizer.
- Olha, o concerto vai começar, anda comigo.
- Hum, está bem.
Ele pegou-me na mão e aquilo pegou-me fogo. E levou-me pela escuridão a dentro.
- Ficas aqui?
- Sim.
- Ok. Até já.
- Até já…
Ele piscou-me o olho.
- Justin?
- Sim?
- Boa Sorte,
- Obrigado. – E mandou-me aquele sorriso. E eu derreti-me.
Eu só ouvia gritos e mais gritos, agora percebo porque é que ele pensou que eu ia gritar da primeira vez que o vi. Aquelas miúdas choravam quando o viam. Choravam e gritavam. E só de saber que a minha prima era uma delas, deu-me pena!
Depois, reparei no Justin ele só sorria para as fãs e eu percebia que ele as queria fazer sorrir também. A voz dele ecoava em todo o lugar, era linda, ele sentia a musica dentro dele e fazia de tudo no palco, tocava bateria, dançava, tocava violão, tocava piano ele fazia de tudo mesmo.
E quando sorria todo o mundo sorria quer estivessem a chorar ou a gritar, ele fazia as pessoas sorrirem. E notava-se que ele amava as fãs e as fãs o amavam a ele, era muito amor no ar. Algumas raparigas via-se que elas eram capazes de se meterem á frente de um carro por ele, elas estavam completamente iludidas com a ideia de ele ser um rapaz perfeito mas só porque não o conheciam por dentro. Mas mesmo assim, eu começava a conhecê-lo e ele era puro, mesmo por trás daquelas roupas e efeitos todos ele era bom e podia-se perceber isso pelos olhos dele ou pelo verdadeiro sorriso que ele dava e assim toda a gente sabia o que ele era.
As luzes apagaram-se.
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