Notas iniciais
Hello leitores!
Eu tive a idéia dessa fic num surto de momento, e pensei: "Eu preciso escrevê-la!" E mesmo com tantas fics para serem atualizadas, eu simplesmente não pude delongar essa. Enfim, essa fic vai ser curtinha. Não pretendo me demorar nela e é minha primeira fic que leva mais para o lado dramático. Ah sim! Provavel que haja romance na história, mas nada tão relevante para por nos gêneros da fic. Esperto que curtam! E boa leitura a todos!!

“É assim que vou morrer?” Questionei comigo mesma enquanto procurava sem fôlego, e em vão, uma saída daquela pequena amostra do inferno.


Minha cabeça latejava incessantemente, minha garganta estava tão seca que doía a cada respiração que eu forçava. Meus pulmões trabalhavam com dificuldade para transmitir ar através de minha traquéia danificada pela fumaça das chamas. Sentia gotas e mais gotas quentes de suor se formando e descendo pelo meu corpo, que caminhava oscilante. Minha pele e roupas estavam manchadas pelos resquícios da fumaça negra.



Em meio a tosse ininterrupta, que me lembrava da dor que sentia por algo tão simples como respirar. Tentei, com certa dificuldade, exalar uma razoável quantidade de ar, na tentativa de raciocinar com alguma clareza. Investida inútil, já que a fumaça daquele cômodo se tornava cada vez mais densa, penetrando no meu nariz como uma droga que devasta tudo que estiver em seu caminho até consumir totalmente seu corpo.



Busquei percorrer passo a passo os espaços que ainda não haviam sido dominados pelo fogo. Não enxergava mais do que borrões, devido ao misto de lagrimas e a irritação que a fumaça proporcionava. Aos passos dados, minhas mãos permaneciam involuntariamente esticadas, como se não desistissem de perecer naquele lugar. A temperatura do meu corpo fervia muito além de uma febre altíssima. A essa altura minha roupa havia grudado em meu corpo, ensopada pelo meu suor, assim como meu cabelo.



Aquela procura por uma salvação não ocorreu mais do que segundos, mesmo transparecendo para mim uma eternidade. Até que minha sentença se deu quando uma tabua enorme despencou ao meu lado. Meu corpo se inclinou pelo susto da queda, o barulho que a tabua emanou ressoou nos meus ouvidos foi ensurdecedor. Me arrepiei inteira e senti os poros se abrirem mais ainda, pela sensação e o calor que emanava da madeira, a milímetros de mim. Suas chamas envolveram meu corpo tão agilmente que não tive reação.



Se eu julgava que estava vivenciando um pedaço do inferno, o que veio a seguir só me provou o contrario, apenas havia começado. Uma vontade urgente de gritar evocou de dentro de mim, mesmo que tentasse desesperadamente arrancar um som sequer nada surgia. Em vez de perder meus sentidos logo de uma vez, a adrenalina subiu de vez para minha mente e me sentia extasiada a um ponto, que acho que nem drogas conseguiriam me oferecer.



A dor da minha garganta, ou sequer de meus pulmões, não podia ser mais percebida. Devido a dor, de dentro para fora, que sentia a medida que o fogo foi se espalhando pelo meu corpo. Entrei em pânico, tentei correr para a saída, contudo, minhas pernas já não tinham força alguma, caí de joelhos contra o chão e meus braços despencaram junto. Fiquei apavorada observando aquelas chamas se espalhando por mim, a visão da minha pele devorada pelo fogo fez meu coração pulsar tão forte que pensei que fosse romper da minha pele.



Ela se corrompia como um papel incinerado. Rombos avermelhados acompanhados de manchas negras surgiam em minha pele, pude até jurar que visualizei um lance esbranquiçado do osso em meio a pele aberta. Mas nada apenas que borrões. Minhas lágrimas transbordaram de tal forma que eu não conseguia enxergar absolutamente mais nada, apenas um borrão acinzentado, até as inúmeras gotas pareciam queimar minha pele.



Conforme notei o fogo tomando uma boa parte do meu corpo, senti uma dor cada vez mais profunda e indescritível que implorei para que tivesse uma parada cardíaca ou que meu oxigênio fosse cortado. Der repente, algo inesperado ocorreu, a dor se esvaneceu e cheguei a conclusão que o fogaréu havia queimado minhas terminações nervosas. O mais “incrível” disso tudo é que eu estava assistindo minha própria morte e sentido tudo isso ao mesmo tempo em um curtíssimo período, que pareciam durar horas para mim. Pois logo o escasso ar que me faltava fora tomado completamente pela fumaça escura e espessa. A ultima visão que contemplei, em meio a todo aquele borrão, foi que tudo ao meu redor escureceu e eu fui engolida por uma escuridão sem fim.



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Uma fina luz surgiu em meio a obscuridade, até que o clarão se expandiu e as imagens foram, pouco a pouco, tomando forma. O cômodo que antes possuía um tom azulado, agora estava pintado grosseiramente de um brusco preto. As janelas de madeira estavam abertas, permitindo que a luz daquela manhã penetrasse para expor o infortúnio que desceu sobre aquele lugar.



Desci o olhar e dei de cara com algo que antes fora um corpo, agora deformado. Aquela visão me chocou tanto que me senti presa aonde estava, meu corpo rígido feito uma pedra. Parecia que todos os pêlos de meu corpo haviam eriçado e como se os poros da pele se abrissem por completo.



Inesperadamente o ar aparentava me faltar, meus pensamentos estavam um turbilhão que não me direcionavam para pensamento algum. Tive a sensação de suar frio, apesar de não sentir os pingos deslizarem.



Observando aquele corpo sem vida, preto como a nova cor das paredes, tive uma imensa vontade de chorar em prantos, como uma criança que acaba de nascer. Contudo, as lagrimas não derramavam e nem esquentaram minhas pálpebras prontas para se libertarem.



Tudo que pude enxergar era o que antes fora um rosto, a forma enxuta e negra, no lugar dos olhos dois buracos fundos e assustadores. A boca boquiaberta numa expressão de terror, com um ou outro dente exposto. No geral dava a impressão de uma caveira que sofreu antes da morte.



Por fim, um estalo deu-se no fundo de minha mente e disparei porta afora. Daquele lugar carregado com a morte e o cheiro de cremação, nem sequer reparei na fita, de um amarelo chamativo, que impedia a passagem para aquele cômodo.



Quando parei e me dei conta de onde estava, as imagens do lugar foram pouco a pouco se formando na minha cabeça. As figuras daquele incidente vieram tão vividas na minha mente como a certeza da necessidade de comer e respirar para sobreviver. Eu não tinha entendido no momento o motivo da minha intuição latejar quando estava naquele cômodo e quando avistei aquele corpo. Não era só pela impressão macabra que emanavam, e sim porque me eram familiar. Essa era a minha casa e aquele corpo...não pode ser...de quem é aquele corpo se estou aqui?



A sensação de um calafrio surgiu e direcionei o olhar atentamente para meu corpo. Soltei um grito apavorada, sem acreditar no que meus olhos me mostravam. Meu corpo e roupas estavam inteiros, assim como estavam horas antes do incêndio. O mais assustador era que uma parte do meu lado esquerdo do meu corpo atravessava o encosto da cadeira acerca da mesa. Gritei um palavrão e o terror tomou conta de mim. Se aquilo estava mesmo acontecendo, só podia ser algum tipo de pesadelo bizarro ou um devaneio antes de perder completamente os sentidos, antes da morte. Onde nele eu sobrevivo de um incêndio e consigo ultrapassar objetos.



Refletindo mais nitidamente, todas aquelas emoções que tive ao ver aquele corpo, não pareciam tão reais. Eu sabia que eram minhas e pareciam veridicas, mas não as senti como de costume. Não senti meus pêlos se arrepiaram, nem as gotas geladas atravessarem meu corpo. Parecia que eu só obtinha a emoção, só que a sensação não estava ali. Assim como esse corpo é meu, só que não o sinto. Mesmo quando ultrapassei a cadeira ou quando ando ou mexo meus braços.



O que está acontecendo? Será que isso tudo é mesmo um pesadelo? Um devaneio? Alucinação? E porque sinto uma conexão tão forte com aquele corpo queimado? Muito além do horror de seu estado incinerado...é mais profundo que isso...como se fosse...meu próprio corpo. Não pode ser! Não há lógica nisso! Mas se isso não é a realidade, por que faria sentido? O que está realmente acontecendo comigo?



Continua...



Notas finais
Obrigada a quem leu esse prólogo até o final e principalmente aqueles que pretendem continuar acompanhando-a! Estou receptiva a reviews, sempre bom, não é? Mesmo que não seja para elogiar, se for só para comentar mesmo. E críticas são muito bem-vindas! Vejo vocês no próximo capitulo! (....ou não. Sniff!)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.