Notas iniciais
Galera, muito obrigada pelos comentários, elogios e desculpem pela demora, meu note deu pau e acabei não podendo postar. Aproveitem os capítulos novos :-)

NÃO ERA PRA SER

— Que inferno! São 07 horas da madrugada. Quem é o filho da puta que está me ligando? – Santana grita tateando a mesa ao lado de sua cama para pegar o celular que tocava insistentemente. – Quem morreu? – Ela diz ao atender o telefone sem ao menos olhar o identificador.

— Bom dia, Senhorita Lopez. – Santana senta-se arregalando os olhos. "Merda, perdi meu emprego" ela pensa ao ouvir a voz de Quinn.

— Eh... Hum... Bom dia, Srtª. Fabray. – Santana falava em um tom quase inaudível. – Ouça, sobre sexta a noite, eu estava embriagada, e você praticamente arrastou Rachel para aquele lugar, ela não voltava nunca, quando não a vi de imediato com você achei que tivesse acontecido algo ruim com a baixinha. Olha, ela é minha família, é meu dever protegê-la, eu jamais me perdoaria se algo mau acontecesse com ela e eu não fizesse nada. E não vou pedir desculpas por isso, nem que valha minha vaga no seu escritório, ela é muito mais importante do que qualquer emprego. – Santana, falou sem ao menos respirar.

— Okaaay. Bem, Santana, ainda posso te chamar assim? Ou isso só valia para a noite na boate? Porque você ainda pode me chamar de Quinn se quiser.

— Foi você quem começou me chamando de Senhorita Lopez. Por mim, tanto faz. – Santana disse com indiferença.

— Certo então, Santana, para deixar claro, sua posição em relação a Rachel só comprova seu caráter, o que me deixa mais certa sobre minha decisão a sua contratação. – Quinn disse em tom sério. – Porém o motivo de minha ligação nada tem a ver com isso, vamos combinar que quando eu ligar para sua casa em um domingo, a não ser que estejamos tratando de algum processo, jamais será profissional. – Quinn ainda manteve o tom sério. — Peço desculpas por tomar a liberdade de ligar em seu celular, principalmente a esta hora, para uma ligação extremamente pessoal. – Quinn apaziguava seu tom. – Eu vim até o escritório para pegar seu número de telefone, espero que você não se incomode.

— Não me incomodo de ter ligado, mas podia ter esperado pelo menos até meio dia, ainda é madrugada e hoje é domingo. – Santana bufou.

— Mais uma vez me desculpe, Santana, mas desde que vocês foram embora aquele dia eu não consegui dormir e não consegui mais conter minha ansiedade. – Dizia uma Quinn estralando e reestralando todos os dedos da mão esquerda.

— Pare de pedir de desculpas e diga logo o que quer, vocês ingleses se explicam demais e não dizem nada. – Santana falava irritada por ter sido acordada e ainda não entender o motivo.

— Ok, desculpe por isso. E desculpe-me por pedir desculpas de novo. – Santana bufou audivelmente. – Santana, só preciso saber se Rachel está bem. Se ela está brava comigo, ou se... se... – Quinn não conseguia falar.

— Escute, Quinn. Rachel não sai da merda do quarto desde sexta, acho que apenas saiu para pegar uma água ontem a noite e voltou para lá, provavelmente deve ter ido visitar Nárnia pelo closet, ou seja lá onde os Hobbits vivem. – Santana respirou fundo. — Eu teria arrombado a porta se não tivesse ouvido ela ontem a noite no telefone com os pais. – Levantou-se e foi à porta do quarto de Rachel. — Eu não sei o que aconteceu entre vocês, se vocês já se conheciam ou não, mas seja lá o que tenha feito, eu juro que vou te caçar em Hogwarts, de onde você veio, se você a fizer mal, me entendeu? Aguarde. Rachel, telefone pra você. – Santana gritou, esmurrando a porta de Rachel.

— San, o que é tudo isso? – Rachel estava com fortes olheiras, como se não dormisse há dias, e falava com tom de voz cansado.

— Telefone, Hobbit. – Santana entregou o celular na mão de Rachel. – Passe seu número, porque se me acordarem novamente, eu juro que te mato. – Santana virou-se e estava indo de volta para o quarto, mas voltou ao ver que Rachel apenas encarava seu celular. – Rachie, fale com ela, eu estou logo aqui no quarto a frente, você sabe que se precisar eu estarei aqui pra você. Eu te amo, baixinha. – E dessa vez foi para seu quarto se jogando na cama. Rachel ainda olhou para o celular por um tempo, mas decidiu falar.

— Olá. – Foi apenas o que Rachel conseguiu dizer quase num sussuro.

— Rachel, me desculpe, eu não queria incomodá-la, eu só liguei para Santana pra saber como você estava, eu não conseguia tirar você do pensamento. – Quinn falava exasperada enquanto cravava as unhas na palma da mão. – Eu sei que você não quer falar comigo e tem todo o direito, eu sou um nada, um ninguém, não podia ter agido como aquilo. Espero que um dia você me dê a chance de me redimir. Tenha um bom dia, anjo. – Quinn já ia desligar, mas ouviu Rachel suspirar.

— Quinn, eu estou bem, não precisava ter se preocupado. Já peço desculpas pelo comportamento de Santana, pois imagino como ela lhe tratou, ela fica com um humor de cão quando é acordada cedo aos fins de semana. – Rachel suspirou. – Olha, Quinn, eu nunca disse que não queria falar com você. Também não concordo que você seja nada, você é importante, Quinn. E não peça desculpas por suas ações, por favor, eu não fui forçada a nada, lembre-se, logo, você não tem sobre o que se redimir. – Rachel olhava para sua o teto do seu quarto do batente da porta. – Quinn, me desculpe por minha reação, foi só muito, ok? Muita informação para uma noite só. – Rachel sentou na cama abraçando os joelhos. – Eu só não posso, Quinn, eu nunca estive com uma mulher antes e isso me assustou, me desculpe, mas eu não posso.

— Certo. – Quinn não conseguia pensar em mais nada. Como há anos atrás, parecia que seu coração estava sendo esmagado. – Mais uma vez, me desculpe, eu entendo, eu juro, acho que apenas não era pra ser. – Quinn segurava as lágrimas, e tentava manter a voz firme. Desde que vira Rachel, parecia que sempre esteve com ela presente em sua vida e ela não entendia esse sentimento que invadia seu corpo avassaladoramente. – Eu preciso desligar, tenho que resolver algumas coisas. Tenha um bom dia, Rachel.

— Bom dia pra você também, Quinn. Por favor, não fique com raiva de mim. Quinn.. Será que podemos ser amigas? – A voz de Rachel soava um tanto esperançosa.

— Anjo, eu vou ser o que você quiser que eu seja pra você. – Quinn respondeu sem dar chance do seu pensamento se conectar com sua boca. Ela sabia que após ter provado dos beijos de Rachel jamais se esqueceria e seria tortura ser amiga de Rachel, mas aquelas visões que ambas tiveram deveriam ser sinal de algo, então se era isso que Rachel queria, ela faria isso, mesmo que esse esquema das coisas provavelmente vá matá-la aos poucos. – Rachel, pra mim você sempre será meu anjo, foi você que de algum modo sempre esteve lá pra mim, então nunca negaria um pedido seu.

— Obrigada, Quinn. De alguma forma, você também sempre esteve lá pra me segurar, então eu não quero perdê-la agora que nos encontramos, só acho que começamos errado. – Rachel dizia enquanto algumas lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto. Ela sabia que a experiência com Quinn será inesquecível, que tentar ser amiga de Quinn iria ser sempre uma bomba relógio esperando os segundos para detonar, mas ela não conseguia assimilar tudo aquilo dentro dela ainda, ela precisaria de tempo e se Quinn aceitava sua proposta de amizade, ela a pegaria. – Até logo, Quinn.

— Até logo, Rachel. – Rachel desligou a ligação e Quinn sentou no chão de seu escritório encostada na janela e não segurou mais o choro. Ela não entendia porque tinha que sofrer tanto. Primeiro nasceu com um pênis, que por muito tempo a perturbou de muitas formas, medo, ignorância dos pais, preconceito e vários outros motivos. Depois se descobrir gay, apesar de seu órgão sexual, ela era uma garota que gostava de garotas. Então o amor de sua vida quebra seu coração em milhões de pedacinhos que ela nunca conseguiu juntar. E como desgraça pouca é bobagem, houve o acidente e por causa dele perdeu o movimento das pernas por meses, trazendo no mínimo dores excruciantes durante todo o período de recuperação. E agora, Rachel, caramba, essa garota acabara de entrar em sua vida e já havia feito uma bagunça. Rachel mexeu com algo dentro de Quinn que ela se negou admitir. Mas de uma coisa ela sabia, Rachel chegou para ficar de alguma forma.

Enquanto isso, a poucos metros dali, Rachel chorava agora ruidosamente, com uma Santana a abraçando e sussurrando palavras de carinho. Rachel não sabia o por quê de estar se sentindo assim, ela mal conhecia Quinn, ela não entendia essa ligação que sentiam, mas era algo tão forte, algo mais forte do que ela, algo tão avassalador que ela não queria enfrentar por medo da queda ser dura demais para ela. Ela estava com tanto medo. Ela só sabia que tinha que manter Quinn em sua vida de agora em diante e se fosse apenas amizade que as ligariam, assim seria.

Talvez era pra ser assim e elas agiram impulsivamente ou apenas não era pra ser. Talvez elas nunca deveriam ter se encontrado.