NOVO COMEÇO

Cinco dias se passaram e Rachel teve alta, os médicos estavam espantados com a recuperação da morena, mas os cuidados que Quinn tinha investido na morena enquanto ela estava em coma, como a fisioterapia diária, a massoterapia, e tudo o mais que os especialistas haviam indicado, fizeram total diferença, o corpo de Rachel, obviamente, ainda estava fraco, sua voz estava voltando aos poucos, ela passaria por uma rígida dieta, deveria voltar ao hospital a cada semana no primeiro mês, teria que tomar alguns remédios, principalmente para dores que eventualmente viesse a sentir, mas as consequências do acidente no geral, como o traumatismo grave no crânio, as duas costelas e perna quebradas, haviam sido curadas enquanto ela ainda estava em coma, mas no mais, ela surpreendeu a todos e para melhor, o que atualmente estava fazendo com que todos ao seu redor estivessem a tratando como uma verdadeira boneca de porcelana, mas ela não se importava, era muito bom ter todos ali novamente. Ela tinha vivido em uma realidade alternativa por tempo demais e agora só queria aproveitar tudo e todos.

— Você está pronta? – Quinn perguntou para Rachel que estava ansiosa sentada na cama, a loira havia ido pagar a conta do hospital.

— Sim, eu só tenho que passar na recepção desta ala para pegar meus bens pessoais, a funcionária do hospital disse que eles deviam ter entregue à você, mas você disse que eu mesma pegaria quando acordasse.

— É verdade, eu não queria invadir mais a sua vida. – Quinn disse aproximando a cadeira de rodas da cama de Rachel. – Vamos lá? – Quinn disse enquanto colocava um boné e um óculos escuro na morena.

— Por que isso?

— Paparazzis estão rodeando o hospital, alguém vazou a notícia de que Rachel Berry havia acordado e eles estão malucos. Eu consegui autorização para entrar com o carro no subterrâneo, mas não quero que eles te vejam, ainda não é o momento pra você obter tanto stress.

— Oh.. Certo, então vamos embora, por favor. Não vejo a hora de chegar em casa.

— Sim, Senhorita Berry. – Quinn passou a empurrar Rachel até a recepção do 11 West do Mount Sinai Medical Center.

— Bom dia, Senhorita Rachel, vejo que vai nos abandonar. – Disse uma enfermeira sorrindo.

— Oras, Gayle, você não aguentava mais cuidar de mim.. – Rachel riu.

— Sinceramente? Foi um prazer, mas Graças ao bom Deus que você se recuperou tão bem, o mundo não pode perder pessoas brilhantes como você, menina. – A enfermeira de meia idade sorriu e Quinn também.

— Obrigada por tudo, Quinn disse que vocês todos foram ótimos.

— Não agradeça, fizemos apenas nosso trabalho. Bem, acredito que você tenha vindo buscar seus bens, estou certa? – Rachel assentiu. – A enfermeira entrou em uma sala e voltou com uma embalagem grande de plástico. – Nós precisamos que você confira tudo, ok? – Rachel novamente assentiu. A enfermeira tirou uma bolsa Louis Vuitton, uma escova de cabelos, uma carteira com algum dinheiro, cartões de crédito e fotos dos bebês e de Quinn. – Isso fez Quinn arquear a sobrancelha e Rachel ficar vermelha. – A enfermeira também retirou do saco um iphone e um ipad quebrados, algumas maquiagens, sua agenda e um saquinho menor de tecido. Rachel abriu e tirou sua pulseira com a estrela de Davi, um par de brincos, e sua corrente com a estrela e um anel, que Quinn reconheceu imediatamente, mas não se pronunciou apesar do espanto. De lá também saiu a pulseira de berloques que a morena rapidamente enfiou no bolso do moletom que vestia, mas não passou despercebido pela loira. Rachel assinou o papel de retirada dos objetos.

— Quinn, você pode me ajudar com isso? – Ela estendeu a corrente para Quinn, a loira afastou os cabelos de Rachel delicadamente e colocou a corrente no pescoço da morena. Rachel colocou sua pulseira e os brincos. – Enfiou todas as outras coisas dentro da bolsa e agradeceu Gayle. – Podemos ir agora. – Quinn a guiou para o elevador, mas não saía de sua cabeça como Rachel havia conseguido aquele anel.

Ela conseguiram sair do hospital sem chamar atenção. Quinn dirigia tranquilamente sua minivan Toyota, Rachel reparou que o carro tinha três cadeirinhas presas nos bancos de trás, além de brinquedos e coisas de crianças espalhados por todo o veículo. Rachel reparou que havia uma foto dos três filhos no painel central do carro. Ela sorriu pensando no quanto Quinn estava apegada aos filhos, mas não fez nenhum comentário. O percurso era feito em silêncio. Desde o dia que Rachel acordou, Quinn passava todas as noites com ela, mas conversavam pouco, apenas o necessário, Rachel se sentia mal com isso, mas a loira não cedia, ela tinha seus motivos.

— Quinn, por que viemos para cá?

— Porque é aqui que você vai ficar. – Quinn respondeu descendo do carro. Ela deu a volta, abriu a porta para Rachel e a ajudou a descer.

— Eu não entendo, aconteceu alguma coisa com meu apartamento?

— Que eu saiba, está tudo bem, Santana volta pra lá hoje ou amanhã. – A loira respondeu indiferente.

— Então, por que você não me levou para a minha casa? – Rachel começava a se irritar. Elas estavam andando com Rachel apoiada na loira. Quinn parou e encarou a morena.

— Você vai ficar aqui até quando você se recuperar completamente, ou até quando você quiser depois disso, não me importa, mas até lá você está sob minha responsabilidade e pronto. Por favor não discuta. – Quinn virou-se e tentou seguir caminho, mas Rachel não seguiu.

— Quinn, eu não sou uma criança e você não manda em mim, por favor me leve pra minha casa, ou então chame Santana pra me levar. – Rachel falou seriamente. Quinn balançou a cabeça, foi até o elevador e acionou para cobertura, ela colocou uma pequena caixa que estava no estacionamento para segurar as portas abertas, quando se virou, Rachel estava no mesmo lugar com os braços cruzados e o bico que tanto Quinn sentiu falta, ela segurou-se para não rir.

— Rachel, me desculpe, mas você não me deu escolha. – Ela pegou a morena no colo, sem dar chance para reação, e enquanto a morena esbravejava coisas ininteligíveis, ela caminhou para o elevador, empurrou a caixa para fora com o pé, as portas se fecharam e o elevador passou a subir para sua casa. – Não adianta brigar, você vai ficar aqui, eu vou cuidar de você, nossos filhos estão aqui e eles não sairão até que você esteja 100% bem. – Quinn não percebeu, mas Rachel se emocionou quando ouviu ela se referir aos bebês como nossos filhos, a morena inconscientemente se apertou mais ao corpo da loira inalando aquele cheiro que ela tanto ama e provocando uma grande descarga elétrica por todo o corpo da advogada que congelou, fazendo Rachel perceber suas ações.

— Ok, Quinn, por favor, me coloque no chão.

— Você não vai tentar parar o elevador? – Quinn questionou com a sobrancelha arqueada e Rachel riu, ela sentia tanta falta disso.

— Não. Eu prome... – As portas do elevador se abriram e antes que Quinn a colocasse no chão todos que esperavam a chegada de Rachel as olhavam, deixando as duas vermelhas. Quinn a colocou no chão com cuidado.

— Ela não queria subir, eu tive que usar minha força. – Quinn deu de ombros e Rachel balançou a cabeça com um meio sorriso.

Então três pequenas bolas de energia invadiram o espaço delas segurando no alto da cabeça uma faixa com “Bem Vinda de volta à casa, Mamãe!!! Nós estávamos com Saudades. Te amamos muito!”, a morena se abaixou emocionada puxando seus três bebês pra ela.

— Eu também amo muito vocês, não via a hora de ter meus três bebês preferidos em todo o mundo bem pertinho assim. – Ela beijava todo lugar que alcançava nas três crianças. – Mamãe sentiu muitas saudades de vocês, meus pequenos. – Ela inalava o cheiro de bebê que eles exalavam com lágrimas nos olhos. As crianças riam como Quinn jamais tinha visto, eles estavam tão felizes com sua Mamãe ali, e ela estava feliz por eles.

— Bem vinda, Rachel. Você está em sua casa, lembre-se disso. – Quinn disse e colocou uma mão sobre seu ombro. – Assim que você falar com todos eu vou mostrar seu quarto.

— Mamma, vem abraçar a Mamãe também. – Luke disse e Quinn franziu a testa.

— Vem, Mamma.. – Beth pediu e Quinn se abaixou abraçando Rachel e os três filhos de uma vez só, fazendo os trigêmeos felizes e Rachel que estava com o rosto escondido em Charlie sorrir. Eles permaneceram assim por um tempo que nenhum saberia dizer.

— A família feliz já tem fotos registradas do grande momento, mas nós também merecemos um pouco de atenção, Hobbit. – Santana falou com os braços cruzados. Rachel riu e se soltou do abraço, mesmo sentindo vontade de permanecer ali para sempre.

— Você não muda nunca, Sannie. – Rachel abriu os braços para que a latina a abraçasse. – Mas eu te amo assim mesmo. – A morena disse para uma latina que estava com a cabeça embaixo do seu queixo, ela sentia lágrimas de Santana escorrendo em seu pescoço. – Parece que você também sentiu minha falta. – Santana resmungou. – Eu te amo, San. Obrigada por ter ajudado cuidar dos meus filhos.

— Eu também te amo, Shorty. Não se atreva a me dar um susto desses novamente. – Santana disse beijando a testa da morena.

— Não está nos meus planos, eu garanto. – Rachel segurou a mão da latina. – Sam, você não vem me dar um abraço?

— Estava esperando Santana te largar. – Ele riu e pegou Rachel pelas pernas rodopiando com ela, a fazendo rir e Quinn que estava sentada no chão com os filhos apertou as unhas com força nas palmas das mãos, por mais que ela soubesse uma parte da história agora, ela ainda sentia-se vulnerável perto do loiro. – Estou tão feliz que você está aqui, Rachie, senti muito a sua falta, principalmente quando Santana dava seus ataques. – Ele empurrou a latina pelo ombro e riu.

— Obrigada, por ter ajudado a cuidar das crianças, Santana disse que você vivia em ponte aérea por eles, nem sei como agradecer. – Rachel disse e deu um beijo na bochecha do loiro, fazendo Quinn ferver.

— Não agradeça, Rachie, você se recuperou e esta é a nossa melhor recompensa. Te amo, pequena.

— Também te amo, Sam. – Quinn não aguentou, se levantou e se retirou com a desculpa de que precisava resolver algumas coisas no escritório. Santana que estava atenta a loira não se surpreendeu com a reação.

Todos cumprimentaram a morena, foram muitos abraços, muitas novidades, muito carinho, muitas lágrimas, mas principalmente muita felicidade. Houve um belo almoço, no qual Quinn supervisionou de perto a alimentação de Rachel, mas logo após voltou ao escritório.

— Rachel, podemos falar em particular por alguns minutos? – Rachel congelou, mas assentiu.

— Sim Judy. É claro. – Então Judy a puxou para a varanda seguida por Russel.

— Nós estamos muito felizes que você está bem, querida. – Disse Russel.

— Obrigada. – A morena sorriu.

— Rachel, indo direto ao ponto, não sabemos o que a levou a esconder as crianças de Quinn. – Rachel ia falar, mas Judy a cortou. – Também não queremos saber, isso é uma questão que você deve resolver com ela. – Rachel assentiu. – Mas por favor, não os afaste da minha filha novamente, ela os amou e se dedicou tanto a eles, mesmo sem saber que eram seus, ela não merece passar por isso.

— Eu não vou, Judy, eu prometo. Eu voltei para Nova Iorque com a intenção de aproximá-los, não de separá-los. Meus filhos sempre souberam da existência dela. – Rachel respirou fundo. – Eu acho que me precipitei e cometi o maior erro da minha vida, mas eu pretendo corrigir o possível dele. – Ela tinha os olhos marejados. – Eu provavelmente joguei fora a chance de ser feliz com ela.

— Não chore. Você fez sua escolha, e pelo que eu entendi, aparentemente você fez o que achava melhor para os seus filhos, se esta ação gerou um erro, tente corrigi-lo, nem tudo está perdido, eu conheço minha filha, ela está magoada, machucada e tentando entender tudo isso, dê um tempo à ela.

— Eu darei, Judy, todo o tempo que ela quiser, mas desde que eu acordei, ela não me deu uma abertura para conversarmos, eu só quero explicar.

— Rachel, Quinn vai procurá-la quando estiver pronta, não se preocupe. – Russel disse sério. – Tenha paciência, ela primeiro precisa colocar seus pensamentos em ordem, isso pode demorar um pouco. – Rachel assentiu. – Rachel, obrigado por colocar meu nome no meu neto, é uma bela homenagem.

— Não agradeça, você sempre foi a grande referência de Quinn, ela o ama e o admira muito, foi apenas uma forma de dar ao meu filho um pouco de você e dela. – Russel sorriu e a abraçou.

— Por favor, não afaste nossos netos de nós.

— Eu dou a minha palavra, Russel. Mesmo que eu e Quinn não possamos ter mais um relacionamento, nossos filhos sempre terão duas mães, eles com certeza terão vocês fazendo parte de suas vidas. – Judy e Russel sorriram.

— Bem, nós vamos nos retirar agora, porque você tem que descansar, as crianças estão dormindo, você deve aproveitar o tempo para você.

Logo todos haviam ido embora, os Fabrays estavam hospedados em um hotel, apesar da insistência de Quinn que eles ficassem em sua casa. Leroy e Hiram estavam hospedados na casa de Rachel, Sam partiu para LA naquela tarde. Os outros foram cada um para sua casa. Estavam na sala apenas Rachel e Santana.

— Shortstack, eu volto hoje para o apartamento, seus pais voltam à Lima no domingo, mas meu quarto está disponível e já fiquei muito tempo por aqui, Quinn foi ótima, mas agora acredito que vocês tem que ter um pouco de privacidade para resolverem-se. – Rachel assentiu. – Ela te ama muito, Rachie, só Deus sabe por tudo que ela passou nesses cinco meses, ela fez tudo que podia para trazê-la de volta, cuidou dos trigêmeos com tanto amor, e ela nem sabia que eram filhos dela, ela cuidou por amor à você. – Rachel tinha os olhos marejados e Santana a abraçou. – Ela vai cuidar bem de você, mas se precisar, você sabe como me encontrar, ok?

— Obrigada, Sannie. Por tudo. Eu sei que deve ter sido muito difícil pra você.

— Você não faria menos por mim, portanto pare de agradecer. Eu te amo. – Santana colocou sua bolsa e pasta no ombro, puxou duas malas que estavam próximas e beijou a testa de Rachel. – Não a machuque mais, Shorty, ela não merece. – Com isso ela se virou, entrou no elevador e desapareceu quando as portas se fecharam.

— Senhorita Rachel, as crianças estão dormindo, acredito que não vão acordar tão cedo, eles estavam muito agitados esperando pela senhorita, eu vou me retirar, mas se precisar de mim, é só chamar.

— Ok, obrigada, Johanna, é muito bom saber que você esteve com eles todo este tempo, mas não quero me chamando de Senhorita, você sabe que é só Rachel, ok?

— Ok, Rachel. – A babá sorriu. – Estou muito feliz de vê-la tão bem, você fez falta por aqui. – Rachel sorriu e agradeceu. Johanna se retirou a deixando sozinha. Pouco tempo depois Quinn encontrou a morena sentada no sofá com o pensamento longe.

— Rachel.. – A morena a olhou. – Você quer ir para o seu quarto? Você precisa descansar.

— Quinn, nós temos que conversar. Por favor.

— Eu sei, mas não agora. Venha, eu vou mostrar seu quarto. – A morena levantou e seguiu a loira.

— Quinn, este é seu quarto.

— Não, agora ele é seu, é o quarto mais confortável da casa, e você tem que se recuperar, além do mais, suas coisas já estão todas aqui, ela apontou para o closet, é seu quarto.

— Quinn, apenas não é justo. É sua casa, seu quarto, você já teve tanto trabalho, Santana me disse que você não deixou ninguém arcar com os gastos, você cuidou dos meus filhos...

— Nossos filhos, Rachel, nossos. E eu só fiz o que achei que devia. Por favor não discuta comigo, eu vou sair por cerca de uma hora, se precisar de algo peça à Freda, ela sabe onde está tudo por aqui. Meu número de celular está anotado ao lado do telefone, ela indicou a cabeceira da cama, não hesite em me ligar, se precisar. Eu volto logo. – Quinn virou-se, mas antes de sair do quarto voltou a olhar para Rachel. – Por favor, descanse. – Então ela saiu.

Rachel resolveu tomar um banho de banheira, o que a fez um grande bem, aquilo era revitalizante, ela relaxou tanto que acabou pegando no sono.

— Rachel.. – A morena ouvia alguém chamá-la ao longe. – Rachel.. – Quinn a tocou no braço e a morena acordou assustada. – Ei, calma, desculpe entrar assim, mas eu chamei algumas vezes e você não respondeu, a porta estava entreaberta, então achei melhor entrar.

— Não se desculpe, eu acho que peguei no sono.

— Eu percebi. — A loira deu um meio sorriso.

— Eu comprei algumas coisas para você, eu vou te aguardar no quarto para entregar.

— Ok. – Quinn estava saindo do banheiro quando pelo espelho viu Rachel se levantar da banheira, a morena não percebeu a presença da loira, e preguiçosamente pegou a toalha para se secar, ela estava nua e Quinn não conseguiu desviar o olhar, Rachel secava o corpo com cuidado, e ela se assustou quando viu Quinn a olhando pelo espelho. – Quinn..

— Oh, desculpe, desculpe.. — A loira enrubescida saiu do banheiro no mesmo instante, deixando Rachel com um sorriso no rosto, ela ainda tinha poder sobre seu amor.

Rachel fez toda a sua rotina pós banho e depois de pronta, saiu do banheiro, ela se sentia nova, e Quinn que estava sentada no sofá a esperando, viu como a morena estava relaxada.

— O que você comprou? – Rachel tirou Quinn do seu devaneio.

— Ah, sim, aqui. – Ela entregou algumas sacolas para a morena. – É um celular novo, um ipad novo, eu vi que os seus se quebraram no acidente, também comprei um notebook, Sam esqueceu de trazer o seu, então achei que seria bom trazer também.

— Quin, não era necessário, eu poderia fazer isso.. – A morena foi cortada por uma loira enfurecida.

— Droga, Rachel, você vai contrariar tudo que eu fizer? – Quinn não deu chance a Rachel para responder e saiu do quarto.