Life Changing
41 Melhor Assim
MELHOR ASSIM
Rachel estava voltando a rotina aos poucos, trabalhando um pouco com as músicas para o novo álbum, estudando propostas para trabalhos na televisão e no teatro, curtindo tudo o que podia de seus filhos, havia dado uma entrevista coletiva para a imprensa para mostrar que estava bem, mas seus filhos foram assunto fora de questão, as especulações eram muitas, os paparazzis estavam sempre por perto, muitas publicações apontavam Quinn como possível mãe dos filhos da morena, mesmo elas sendo totalmente discretas, mas não ajudava que Quinn todos os dias ia buscar os trigêmeos e eram tiradas uma foto ou outra dela com eles nesses momentos, não que quisessem esconder, mas primeiro precisavam resolver sua situação atual.
Rachel já tinha decidido o que fazer, ela só não sabia como ainda, mas faria, pela primeira vez ela faria algo não movida pela paixão e sim pela razão, mas era isso que os adultos faziam, e ela era adulta com três bebês que dependiam dela, ela seria forte o suficiente.
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— Dois meses, S. Ela não me atende, sempre que eu vou até o apartamento de vocês ela se tranca. Eu preciso falar com ela, mas ela é tão teimosa. – Quinn disse socando a porta.
— O roto falando do esfarrapado.. Q, ela está com medo, é a única coisa que faz Rachel fugir, medo de se machucar. Você tem que ter paciência. – Santana falou lixando as unhas sentada no sofá do escritório da loira.
— Paciência? Sério, S? É tudo que eu tenho tido com Rachel desde que nos conhecemos, você sabe disso.
— Oh, cale a boca, Q, ela quase morreu e quando acordou, você a rejeitou, imagine como ela se sentiu.
— Merda, San. Eu sei, mas eu precisava perdoar aqui dentro primeiro. – Quinn colocou a mão em cima do coração. – Caso contrário, nós nunca poderíamos conversar sinceramente sem nos matarmos.
— Eu até concordo, mas eu não faço diferença, você tem que dizer isso a ela.
— Mas como, se ela está me evitando como se eu fosse o capeta?
— Eu, vou quebrar seu galho, Loira. Sexta-feira a noite eu vou pegar os trigêmeos e ir para casa do Kurt, Sam vai estar aqui, é uma boa desculpa pra Rachel, vou passar o fim de semana lá com eles, você tem esse tempo pra resolver tudo. Vou dispensar a babá e a empregada, o resto é com você. – A latina verificava as unhas. – Você ainda tem as chaves, certo? – Quinn assentiu. – Perfeito, aproveite, você não terá outra chance como esta tão cedo.
— Obrigada, S. – Quinn puxou Santana para um abraço e a latina sorriu, ela estava feliz por ajudar e seu olho mexicano a dizia que as coisas seriam esclarecidas com aquele arranjo. – Ah, eu havia me esquecido, meu pai pediu que eu a enviasse para Londres na próxima semana, ele quer apresentar seu trabalho para alguns dos seus funcionários lá. – Santana arregalou os olhos e Quinn apenas deu de ombros, fazendo a latina sair resmungando palavrões em espanhol.
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Rachel estava sozinha em casa assistindo um documentário qualquer, Santana a convenceu de levar seus filhos para passar o fim de semana sozinhos com os padrinhos, com o argumento de que eles precisavam de alguma liberdade. Rachel teve que rir da justificativa, mas cedeu, ela sabia que os filhos seriam muito bem cuidados, seu medo era que voltariam muito mimados. Mas então ela ouviu um barulho estranho o que a deixou atenta. Então novamente um barulho, mas dessa vez ouviu passos, ela agarrou o pequeno taco de baseball de Luke que estava próximo a ela e levantou do sofá aterrorizada.
Então Quinn apareceu com sacos de comida tailandesa em uma mão e um bouquet de gardênias brancas na outra. Rachel virou a cabeça de lado tentando entender. Como Quinn foi parar ali? Por quê o porteiro não avisou? E sua mente rapidamente clareou, Santana Lopez.
— Oii.. – Quinn disse suavemente. – Desculpe se a assustei. – Ela disse sinceramente. – Mas se eu fosse algum tipo que oferece perigo, acho que isso não ajudaria muito. – Ela disse apontando para pequeno taco de baseball ainda nas mãos de Rachel.
— Quinn.. – Rachel colocou o taco no mesmo lugar que estava antes e colocou as mãos na cintura. – O que está fazendo aqui?
— Eu.. – Ela suspirou. – Estou tentando fazer você me dar uma chance para me desculpar. – Ela se aproximou e entregou o bouquet à uma Rachel que não esboçou qualquer emoção. – Eu também trouxe o jantar do seu Tai preferido. – Ela levantou o sacos do restaurante para a altura dos olhos de Rachel. E em um movimento rápido deu um beijo na bochecha da morena que corou. – Boa noite. – A loira sorriu de lado.
— Boa noite, Quinn.. – A morena encarou a loira. – Obrigada. – Ela indicou as flores e a comida. – Você quer se desculpar? E porquê eu deveria dar a chance? Você não me deu quando eu pedi. – Rachel disse friamente. – Você acha que entrar em minha casa sem a minha permissão, com flores e comida pode me convencer a te desculpar? Não, Quinn.
— Rachel, por favor, apenas vamos conversar, você queria isso, eu estou aqui, você também, apenas vamos esclarecer as coisas, você sabe que precisamos. – Quinn disse calmamente.
— Será que precisamos mesmo, Quinn? – Rachel parecia cada vez mais fria. – Eu pensei bastante depois que voltei pra cá, você sabe, eu não entendo porquê nos colocamos em toda esta situação. – A morena caminhou até a mesa e colocou as flores em cima. – Nós ficamos juntas por o que? Três meses? Um pouco mais? – Rachel arqueou a sobrancelha, mania que havia pego com Quinn e os próprios filhos. — Para a maioria das pessoas isso é considerado um caso, às vezes nem isso, claro, eu sei, deste “caso”, – ela fez aspas com os dedos — recebi os três seres mais importantes da minha vida, mesmo sem você querer, — Quinn arqueou a sobrancelha – me deu os meus filhos, pelos quais eu daria minha vida sem pestanejar, e é por eles que eu sei que devo ser grande, exemplar, não um lixo que se descarta, porque foi isso que você fez comigo..
— Não, por favor, você sabe que não é assim.. – Rachel encostou o dedo indicador nos lábios de Quinn para calá-la.
— Não se explique, Quinn, eu não pedi para que você fizesse, é apenas o que é, nos magoamos, é isso, não há mais o que falarmos, eu não quero suas desculpas, também não vou mais dar as minhas.. – A morena virou-se de costas e caminhou até o vidro da sacada observando as luzes noturnas de Manhattan. – Talvez toda a nossa conexão tinha apenas um propósito, nossos filhos, e eu digo, eles realmente são a melhor coisa que já fiz na vida, são o meu grande orgulho. E eu vou ser sempre grata à você por isso.
— Rachel, não faça isso.. Por favor, desarme... Eu não vim aqui pra isso.. – A loira respirou fundo. – Eu sinto muito, eu não quis que nada acontecesse dessa forma. Eu só preciso que você me dê uma chance. – A loira que ainda estava com a comida nas mãos caminhou até a mesa onde estavam as gardênias e colocou os sacos lá. – Por favor, Rae. – Rachel deu um sorriso triste.
— Rae.. Esse é o nome do meio de Charlotte. Você sabe por quê? – Rachel não esperou a loira responder. – Porque era uma forma de colocar na minha filha um pouco de nós. Até hoje você é a única que me chama assim.. – A morena ficou pensativa. – Quinn, uma chance? Para quê? E se só servir para nos magoarmos mais? Eu não mereço mais isso, você não merece mais isso, nossos filhos não merecem mais isso. Sinceramente? É melhor não, não pense que estou sendo egoísta, não pense que estou fazendo por orgulho, não pense que não está doendo, é só que não posso mais, pouco tempo pra tanto sofrimento, entende? Não merecemos. – A morena se voltou para a loira, tirou a pulseira de berloques do pulso e apenas colocou nas mãos da loira. – Foi real, eu sei que foi, mas machucou demais. Eu.. Eu te amo, Quinn, eu não nego, talvez você será a primeira e única coisa que eu quero da qual eu vou abrir mão, mas eu não posso só pensar em mim aqui, você está do outro lado, e com seu jeito sereno você corta como uma lâmina, e eu tenho medo de que um dia as cicatrizes fiquem maiores e mais profundas, eu não quero nunca me ressentir de você.. – Rachel limpou uma lágrima solitária que teimava em escapar. — Eu quero lembrar de você pra sempre com todo esse amor que ainda está aqui dentro. – A morena espalmou a mão em cima do coração. – Eu quero lembrar dos nossos melhores momentos, da nossa primeira vez, das nossas risadas juntas, do seu sorriso que era só meu, dos nossos momentos felizes, e foram tantos, Quinn, tantos, mas nós com quatro ou cinco momentos de incerteza nos desencontramos.. Eu quero muito acreditar que você ainda me ama, mas eu nem quero que você confirme mais isso, eu só quero que esse sentimento seja transmitido aos filhos que são meus e seus, eles te amam, Quinn, e se depender de mim, vão amar sempre. – A morena caminhou de volta a mesa e pegou uma gardênia do bouquet. – Eu sempre guardei uma pétala de cada bouquet que você me deu, não vai ser diferente desta vez. – Ela caminhou até Quinn, deu um beijo demorado na bochecha da loira. – Eu vou para o meu quarto, você pode sair da mesma forma que entrou, tenha uma boa noite, Quinn. – Então a morena se retirou deixando uma loira com lágrimas escorrendo pelo rosto, atordoada em meio a sala de estar.
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Rachel fechou a porta do quarto e no mesmo instante as lágrimas desceram como uma enxurrada, seu corpo escorregou pela porta como um mingau, seu coração doía, sua cabeça latejava, seus olhos queimavam, ela queria bater em si mesma, ela queria voltar, abraçar Quinn e não soltar nunca mais, mas ela não podia, ela realmente não suportava mais tanto sofrimento, ela não queria mais sofrer tanto, ela sabia que Quinn estava sofrendo, aqueles malditos sonhos com Quinn nunca tinham ido embora, mesmo durante o coma ela nunca deixou de ver aqueles olhos, e isso só a matava mais, mas Quinn sempre tinha acatado cada coisa que ela fez, ela podia demonstrar que a amava, mas nunca lutou de fato por ela, Rachel estava cansada, ela sabia que errou e que erro, mas Quinn também errou muitas vezes, isso não podia mais continuar, não era saudável para as duas, aquilo estava se tornando doentio, ela não submeteria seus filhos à isso, não, ela não faria, por mais que sua vontade era pular sem saber se haveria algo para segurá-la e ter o amor de sua vida pra ela, mas agora não era só ela, então isso não seria uma opção.
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