FINALMENTE

Quinn estava nervosa, apavorada mesmo, ela foi retirada do lugar onde Rachel estava, a força por dois enfermeiros, ela queria ficar perto de Rachel, mas não deixaram e por isso ela estava pensando em meios de processar o hospital, ela precisava pensar em algo que não fosse diretamente seu Anjo ou teria um ataque de nervos.

Ela estava na sala de espera particular aguardando notícias, foi dito que Rachel precisava passar por uma carga de exames antes de receber qualquer visitante, eles precisavam garantir que ela estava bem, antes de qualquer outra coisa.

A Dra. Roberts veio lhe dizer para se acalmar, pelo jeito sua perca momentânea de controle se espalhou como fogo no lugar, a médica garantiu que Rachel estava passando apenas por exames de rotina específicos do caso dela, mas que logo ela poderia vê-la. Quinn estava contando os segundos, a cada momento que olhava no relógio parecia que ele estava brincando com ela, pois muitas vezes não havia passado nenhum minuto.

Então a porta foi aberta e uma multidão a invadiu, Santana estava a frente e apenas a observou de longe. Sua mãe e irmã sentaram a sua frente, seu pai sentou ao seu lado e segurou apertado em sua mão, foi quando três pares de olhos expectantes pararam em sua frente.

— Mamma... Mamãe tá acordada agora? – Beth perguntou ansiosa.

— Sim, baby girl, ela está acordada.

— Cadê ela? – Luke perguntou olhando em todo o lugar para ver se via sua mamãe.

— Os médicos estão cuidando dela para que possamos vê-la, baby boy.

— Mamma, eu quer a mamãe.. Por favor... – Charlie disse com os olhinhos marejados.

— Venha aqui, Lil Lamb. – Quinn a colocou no colo. – Nós temos que esperar só mais um pouco, eu também estou ansiosa para vê-la, mas primeiro os médicos tem que cuidar bem dela para ela poder ficar bem logo e irmos todos para casa.

— Ebaaaa.... Mamma agora vai cuidar dos trigêmeos e da Mamãe. – Luke disse sorridente. Quinn apenas encarou o menino e Santana franziu a testa.

— Quinn, não conseguimos nenhuma informação concreta, você sabe o estado da Estrelinha? – Leroy perguntou tirando Quinn do mundo particular com seus filhos.

— Ela acordou muito agitada, mas me disseram que era normal. Eles estão fazendo uma bateria de exames e só então vão liberar para que a vejamos. Temos que aguardar aqui. A Dra. Roberts disse que o procedimento inteiro leva cerca de uma hora. Os exames mais complexos serão feitos à medida que ela apresentar necessidade, mas ela garantiu que Rachel está bem. Ela disse que a primeira coisa que ela falou foi perguntar sobre os filhos e... e perguntou de mim. – Quinn estava com lágrimas escorrendo. – Eu a vi pelo vidro quando cheguei, ela me viu e chorou, Lee. – Russel abraçou Quinn que chorava sonoramente agora.

— Não fique assim, querida. Ela está bem agora, é isso que importa. – Russel fazia carinho na filha que segurava seus filhos num abraço quádruplo.

— Mamma, não chora, a mamãe vai ficar triste se você tiver chorando. – Luke disse. – Você quer chocolate? Mamãe dava chocolate quando os trigêmeos parava de chorar, mas só ganha se parar. – Quinn sorriu para a inocência de seu filho e limpou suas lágrimas, ele saiu correndo em direção a Santana.

— Tia Tana, você leva eu pra comprar chocolate para Mamma? Ela foi boa menina e parou de chorar. – Santana assentiu e saiu com o menino segurando em sua mão.

— Quinn.. Eu sei que você está chateada, mas saiba que nós queríamos que Rachel te contasse, desde quando soubemos, todos nós, sem exceção, queríamos que ela lhe contasse, mas ela foi firme e não podíamos nos meter num assunto sério, era a vida dela, ela quem estava grávida, ela nunca detalhou os motivos pelos quais não queria te contar, e nós apesar de não concordarmos, acabamos aceitando. – Disse Hiram ao lado de Judy, um grande silêncio se fez e Quinn não levantou o olhar para encarar ninguém. – Eu imagino que você está chateada, mas não tenha raiva de nós, por favor..

— Q, naquele dia em LA, eu estava apenas fazendo companhia para Rachel e ajudando com as crianças, porque Santana estava viajando, nós nunca a deixávamos sozinha, eu estava arrumando as ferramentas da garagem quando você chegou, eu juro que nunca passou pelas nossas cabeças nenhum tipo de relacionamento que não fosse fraterno, Rachel, Santana e os bebês, passaram a ser minha família, eu as amo como irmãs e os amo como filhos, eu estive presente desde que nasceram, mas em nenhum momento eu quis tirar sua família de você, pelo contrário, eu sempre insisti que Rachel te procurasse, assim como Santana. – Sam disse tudo de uma vez, quase sem respirar.

— Olhem, é só muita coisa agora, eu estou com a cabeça cheia, preciso ver Rachel e saber que ela está bem, preciso me acostumar que tenho três lindos filhos e descobrir o por que deles terem sido separados de mim. Então, por favor não esperem muito de mim por agora. – Luke entrou correndo quando Santana abriu a porta.

— Mamma, aqui seu chocolate. – O menino abriu um sorriso idêntico ao de Rachel. – Come. – Então Quinn abriu o Kit Kat e olhou para os três pares de olhinhos interessados, ela mordeu uma barrinha e ronronou de propósito, o que fez as três crianças sorrirem.

— Vocês querem? – Ela perguntou já dividindo a barra e os três acenaram positivamente, o que retirou uma gargalhada dela. Ela dividiu com os três cuidando para que não se lambuzassem já que estavam em um hospital. Então a porta se abriu.

— Senhorita Fabray, a visitação foi liberada, apenas dois por vez, e somente os familiares próximos, cada par poderá ficar cerca de dez minutos com ela, com exceção do acompanhante dela. – Shelby que chegava naquela hora se anunciou como mãe. – Eu preciso que me dêem os nomes.

— Certo. — Quinn olhou para todos que estavam ansiosos. – Hiram e Leroy vão primeiro. Depois Shelby. Então Sam e Santana, Kurt e Blaine, Mike e Tina, Judy e Russel, Frannie e Ethan, Elise e Brittany. – A enfermeira olhou para a menina que Quinn apontava e assentiu. – Puck e Marley. Eu entrarei com nossos filhos por último. – Foi a primeira vez que ela disse aquilo, e a fez tão feliz naquele momento, de um jeito estranho seu sonho estava realizado.

— Ok. Peço que todos façam o mínimo de agitação, ela ainda não pode se agitar muito, falem pouco e baixo, ela ainda está um pouco desnorteada. Em dez minutos vocês podem começar a visita.

..............

Todos que voltavam para a sala de espera estavam felizes com o estado de Rachel, ela estava animada, um pouco perdida no tempo, mas era naturalmente normal, para todos ela questionava sobre seus filhos e silenciosamente sobre Quinn, e recebia a mesma resposta, eles estavam chegando.

Em aproximadamente uma hora e meia de espera, chegou a vez de Quinn, dizer que ela estava nervosa era eufemismo. Ela colocou os trigêmeos no carrinho e se encaminhou até o quarto, desta vez as cortinas estavam fechadas. Ela abriu a grande porta e entrou com os filhos, ela olhava para os bebês que olhavam atentamente para onde Rachel estava.

— Mamãe.. – Beth gritou animada, seguida por Charlie e Luke, os três davam gritinhos de felicidade.

— Ei, crianças, lembram o que conversamos? Não podemos fazer barulho, Mamãe não pode se exaltar. – Os três fizeram o máximo de silêncio que podiam por serem bebês.

— Quinn, deixe, eu estou tão feliz em vê-los. – A voz de Rachel era rouca, e foi o que fez Quinn olhá-la. Assim que seus olhos se encontraram seu coração acelerou, suas mãos suavam, era como se estivesse vendo Rachel pela primeira vez. – Baby, traga-os aqui, por favor. – Rachel disse sem desviar o olhar de Quinn e a loira obedeceu.

— Oi, meus amores, Mamãe estava com tantas saudades de vocês. – Rachel observava os filhos com admiração, ela estava surpresa com o quanto estavam crescidos, quando seu Pai Hiram disse que ele esteve em coma por aproximadamente seis meses, ela não imaginou como, mas agora vendo seus filhos, ela acreditava. Charlie estava com os cabelos maiores, Beth estava mais fina e Luke havia crescido com certeza uns bons 3 ou 4 centímetros e tinha um corte de cabelo lindo. – Quinn, eu posso pegá-los? – Rachel tentou se mover, mas Quinn evitou.

— Espere, eu vou colocar um de cada vez aí, ainda não sei como você está e não vamos arriscar. – Quinn pegou Luke e o colocou sentadinho ao lado de Rachel na cama. – Baby boy, tome cuidado para não machucar a Mamãe, ok? – O menino assentiu e levou as mãozinhas ao rosto de Rachel com todo cuidado. Rachel fechou os olhos para o carinho do filho e segurou suas mãozinhas lhe dando muitos beijinhos.

— Como está o meu rapazinho preferido?

— Luke é bom, Mamãe. Mamma disse que eu agora sou homenzinho, porque eu nem uso mais fralda para nanar. – Rachel sentiu um calafrio quando o garoto chamou Quinn de Mamma, mas disfarçou bem.

— Uau, então você é realmente um homenzinho. E agora você já consegue pronunciar o R, ãn? Parabéns. Eu estou tão orgulhosa de você, Litlle Bear. – Rachel disse sentindo um pouco de decepção quando percebeu que perdeu momentos importantes na vida dos filhos.

— Obrigado, Mamãe. Foi Mamma quem ensinou Luke. – Rachel sorriu para ele e enviou um sorriso caloroso para Quinn que derreteu o coração da loira.

— Está certo, garotão, agora é a vez de Charlie, ok? – O garoto assentiu, deu um beijo nos lábios de Rachel e Quinn o retirou. Colocou Charlie no mesmo lugar.

— Oi, Mamãe.. – Charlie disse acanhada.

— Oi, minha menina linda. Tudo bem? – Rachel perguntava apreensiva, ela tinha a impressão que sua filha não a conhecia mais, mas então Charlie começou a chorar e Rachel a abraçou forte, ignorando qualquer recomendação que recebeu. – Por que está chorando, Little Lamb?

— Eu pensava que você não ia mais acordar pra cuidar dos trigêmeos. Eu senti sua falta, Mamãe. – A menina falava no pescoço de Rachel.

— Eu nunca mais vou ficar tanto tempo longe de vocês, querida, eu prometo. Me desculpe, por favor, mas agora Mamãe esta aqui, ok. – Rachel dava vários beijos na cabeça da menina que a apertava com força, como se ela fosse escapar. Seu coração apertou ao ver a filha tão sentida. – Mamãe te ama, Charlie, eu sempre vou voltar pra vocês, é uma promessa. – a garotinha assentiu.

— Lil Baby, agora é a vez de Beth, ok? – Charlie relutou, mas cedeu o lugar para a irmã, pedindo o colo de Quinn, que a recebeu com carinho assim que colocou Beth ao lado de Rachel.

Beth encarava Rachel observando cada detalhe da mãe, então ela deu um beijinho na ponta do dedinho indicador e colocou sobre a ponta do nariz de Rachel, que sorriu, beijou a ponta do seu dedo indicador e colocou sobre a ponta do nariz de Beth que abriu um imenso sorriso, ela teve certeza que era sua mãe.

— Você não esqueceu, minha loirinha, você não me esqueceu. – Rachel dizia emocionada.

— Não, Mamãe, eu lembra de você todo dia, não é Mamma? – Quinn assentiu com um movimento de cabeça. – Mamma disse que você estava dormindo igual a bela adormecida, Charlie disse que ela tinha que vir te beijar para te acordar igual o príncipe da história, mas Luke disse que viu ela fazer e você não acordou. – Quinn estava vermelha igual um pimentão e Rachel sorriu.

— Funcionou, Little Bee, veja eu acordei, é que demora um pouco mais na vida real do que nas histórinhas. – Os três fizeram barulhos de concordância.

— Obrigada, Mamma, por acordar a Mamãe. – Charlie disse e abraçou Quinn apertado. A loira apenas retribuiu o abraço da pequena em seus braços.

— Mamma, se você acordou a Mamãe e ela é a princesa, o que você é? Porque príncipe é menino e você é menina. – Luke perguntou para Quinn que não sabia o que responder.

— Ela é uma rainha, Little Bear, a nossa rainha. – Luke sorriu para a explicação, assim como as duas meninas e Quinn apenas olhava para Rachel que sentia um aperto no coração com o olhar que recebia, ela sabia que não estava tudo bem, por mais que por alguns momentos Quinn não tinha a rejeitado.

— Ok, meu trio preferido, nós temos que ir e deixar a Mamãe descansar. – Todos reclamaram, inclusive Rachel. – Vocês voltam quando os médicos deixarem, eu prometo. — Ela colocou Charlie no carrinho e depois Beth. – Tchau, Rachel. Você terá um acompanhante, daqui a pouco alguém vem pra ficar com você, mas devido a grande disputa, ainda não sei quem é. Fique bem logo, ok?

— Quinn, você se importa de ser minha acompanhante? – Quinn não esperava por isso, ou esperava, de qualquer forma, foi bom ouvir.

— Você tem certeza?

— Toda a certeza do mundo, Baby. – Quinn sentiu que seu coração pularia para fora a qualquer momento, era incrível o poder que Rachel tinha sobre ela.

— Ok. Eu vou levar as crianças e ver quem pode cuidar deles, então eu volto. – Quinn disse e Rachel assentiu.

— Quinn, você pode vir aqui perto um minuto? – Rachel perguntou e Quinn foi até ela. – Abaixe um pouco por favor. – Quinn o fez. – Agora me dê um beijo aqui. – Rachel apontou para a bochecha e Quinn sentiu seu rosto queimar, mesmo assim ela foi para beijar Rachel, que no mesmo momento virou o rosto, colando seus lábios, foi incrível, Quinn sentia suas pernas como geleia, ela colocou as mãos no rosto de Rachel que a segurava pelo pescoço, o beijo era suave, não passava de lábios se acariciando, apesar da boca ressecada da morena, mas foi suficiente para Rachel ter certeza de que Quinn a amava e para Quinn saber que Rachel era tudo pra ela, elas teriam que resolver alguns impasses, mas ela não perderia Rachel novamente. Quando se soltaram as crianças batiam palminhas e sorriam. – Nós somos uma bela família, certo, Quinn?

— Sim, vocês são. — Rachel estranhou a resposta de Quinn, ela sabia que teriam que conversar, mas ela achou que Quinn queria aquilo.

— Nós somos, certo? – Quinn preferiu não responder, ela não queria se precipitar, apesar do que sentia, ela precisava saber o que aconteceu antes de tomar qualquer passo, ela queria Rachel de volta, mas não antes de resolverem tudo. Então ela estava saindo com os bebês do quarto. – Quinn, espere.. – Quinn olhou pra trás e parou. Ela se virou e encarou Rachel. – Tudo o que você disse hoje antes de eu acordar eu ouvi, Baby, tudo.. Antes do meu corpo reagir, eu já estava consciente, eu tentei apertar sua mão, mas não consegui. – Quinn congelou. – Eu te amo, Quinn... Você também está impregnada em mim, sempre esteve... Eu vou te explicar tudo.. — Rachel teve um pequeno acesso de tosse e Quinn correu para ajudá-la. Rachel sorriu com o gesto. – Foi pra isso que eu vim, Quinn, pra te explicar, você vai me dar a chance? Por favor. – Rachel ainda estava com a voz bem rouca e já soava bem cansada.

— Você vê meus olhos? – Quinn perguntou e Rachel assentiu. – Você tem acesso direto a eles por anos, olhe bem, veja se encontra a resposta. – Rachel e Quinn ficaram ali se olhando por alguns minutos. Rachel sorriu. – Agora descanse. Eu volto logo.