Despertando

Passaram-se aproximadamente três semanas quando Dr. Price comunicou à Judy e Russel Fabray que Lucy seria retirada do coma, eles estavam ansiosos, foram avisados que ela estaria confusa, e que deveriam ter paciência, pois Lucy era a mais afetada de toda a história.

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Lucy estava acordando, a primeira coisa que sentiu foi uma coisa incomodando em sua garganta, na sua boca e nariz, suas mãos foram direto ao objeto que tanto incomodava, mas alguém segurou suas mãos e aparentemente, outra pessoa já estava retirando aquilo dela, quando abriu os olhos havia uma claridade extrema, ofuscava sua visão e ela logo fechou os olhos novamente, os abrindo devagar, piscando para se acostumar com tamanha claridade, alguém apague a luz, ela pensava. Sua cabeça doía, parecia que mil agulhas estavam espetando seu corpo, com exceção das pernas, Lucy não sentia as pernas e isso a preocupou.

Finalmente retiraram os tubos que tanto a incomodavam, muitas vozes eram ouvidas por ela, mas nenhuma conhecida, ela só conseguia ver vultos, mas que droga, o que estava acontecendo?!

— Lucy! Lucy, você me ouve? – Chamou o Dr. Price.

— Sim. – Sua voz saiu tão fraca que ela mal reconheceu. – Sim. – Ela tentou novamente, mas sua voz ainda não parecia normal e sentia sua garganta arranhar um pouco pra falar.

— Lucy, você está no hospital, eu sou Dr. Connor Price, mas uma moça tão bonita como você, pode me chamar apenas de Dr. Connor, deixe Dr. Price para o restante feio da humanidade. – Brincou o Dr. Price com Lucy. – Eu sou o médico responsável pelo seu caso. Você se lembra do que aconteceu?

— Eu estava dirigindo, uma forte pancada, eu não me lembro muito bem. – Era apenas o que Lucy podia se lembrar.

— Lucy, vamos fazer alguns exames em você, depois você poderá ver sua família, tudo bem?

— Sim, Doutor.

Foram feitos uma série de exames, desde as pupilas até os dedos do pé, exames de sangue, ressonâncias, ultrassonografias, testes de memória, mas o resultado foi um só, Lucy estaria paraplégica por tempo indeterminado ou para sempre, a pressão exercida sobre sua coluna no acidente foi muito grande, só o tempo poderá dizer se haverá reversão no caso de Lucy, os médicos já haviam feito o que podiam até aquele momento, com o tempo, fariam o que mais fosse necessário.

A espera a estava agoniando, Dr. Connor apenas lia os exames, e repetia algumas coisas em sua perna que ela não conseguia sentir, nem ver pela posição que estava, ela estava muito preocupada e já pressentia o que havia acontecido, só precisava de uma confirmação, ela não era burra, ela tinha sensação de todo o corpo, menos nas pernas.

— Lucy, o que eu vou dizer pode te assustar um pouco, mas quero que saiba que há muitas chances, vo – Lucy cortou o médico no meio da frase.

— Eu já entendi, Doutor, não precisa enrolar, eu estou aleijada não é isso?! – Lucy dizia enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto.

— Não, Lucy, você não está aleijada, você está, talvez apenas temporariamente, paraplégica, e se você fizer todo o tratamento, poderá se recuperar, não é uma certeza, mas uma grande possibilidade, as vértebras que foram afetadas na sua coluna tem chance de se recuperar, na maior parte só dependerá de você, Lucy. – Disse em um só fôlego o Dr. Price, era difícil enfrentar esta moça tão linda e frágil naquele estado, ele tinha uma filha na idade dela o que só tornava a situação mais difícil, mas ele tinha que ser forte pela garota e por sua profissão, ele iria ajudá-la.

— Eu quero minha mãe, meu pai, eu quero Britt, por favor Doutor Connor. – Lucy pedia em meio ao choro e soluços.

Dr. Price explicou a situação aos pais de Lucy, o que foi muito difícil, uma vez que antes de terminar a explicação Judy desmaiou, e Russel parecia inconsolável, e foi Britt, a prima de Lucy, quem clareou a situação dizendo que o importante era que Lucy estava viva e bem.

Os pais de Lucy entraram no quarto onde ela estava e assim como Dr. Price pedira, estavam calmos e passando tranquilidade à filha, eles tinham que ser fortes por ela.

— Lucy, meu bebê, você está acordada, como senti sua falta, querida. – Dizia Judy pausadamente, acariciando o rosto de sua filha, se controlando ao máximo para não chorar diante dela que parecia tão frágil.

— Mamãe. – Foi o que Lucy conseguiu dizer antes de cair no choro novamente.

— Minha garotinha, não chore, você está bem e viva, você sempre foi a garota mais forte que já conheci, você vai superar isso, e nós estaremos ao seu lado a cada etapa. – Dizia um Russel com um meio sorriso de lado, segurando também suas lágrimas, e apertando a mão de sua filha.

— Papai, você acha que eu vou me recuperar? – Lucy perguntou já sentindo a força que ambos seus pais lhe transmitiam.

— Sim, Lucy, você vai superar isso, você é uma Fabray, e nós Fabray sempre superamos a nós mesmos, não será diferente desta vez. – Russel respondeu com toda a sua convicção, mesmo com medo de que suas palavras viessem a ser mentirosas.

— Se você confia em mim, Papai, eu vou me recuperar, eu dou minha palavra. – E assim Lucy prometeu a si mesma que venceria mais esse obstáculo imposto à ela.

Quando seus pais saíram do quarto, Brittany veio a pedido de Lucy, ainda não eram permitidas visitas naquele dia, mas Lucy insistiu em vê-la.

— Lucy, você está acordada, graças à Deus. – Brittany dizia ao dar vários beijinhos em toda a face de Lucy, terminando com um selinho.

— Oi, Britt, sim eu estou. – Lucy, sorria contagiada pela felicidade que Britt trazia em todo lugar onde estava.

— Eu estava muito preocupada, ainda não entendo o que aconteceu, você estava na escola, e depois o acidente, por que você saiu da escola, Lucy? – Brittany perguntou com toda a inocência que só ela poderia ter e foi aí que Lucy se lembrou.

— Britt. – Lucy deu uma pausa, respirou fundo, todo o tempo olhando nos olhos da loira ao seu lado. – Eu vi você e John, você me viu, como não sabe o que aconteceu depois disso?! – Lucy disse, mas sem conseguir sentir raiva, ela nunca sentiria raiva de Britt, ela foi magoada, machucada literalmente, mas ela sabia que Britt nunca faria aquilo intencionalmente, mas além disso Lucy se sentia diferente em relação a prima, algo havia mudado.

— Lucy Q., eu não entendo, eu e John estávamos nos beijando, não fiz nada de errado, por favor me explique.

— Britt, você não pode estar falando sério. Eu estou aleijada, não louca, isso não é uma piada. – Lucy esbravejava. – Pelo amor de Deus, você me trai com o capitão do time de futebol, não faz nenhum esforço para disfarçar, e ainda finge que não sabe o que aconteceu. Então vou te explicar, você naquele momento quebrou meu coração, e provavelmente nunca terá concerto, você entende, Brittany? – Lucy agora estava com raiva, ela sabia que Britt raciocinava diferente, mas aquilo era um absurdo.

— Não, eu não te traí, nós não somos namoradas, Lucy Q., nós somos primas que se amam, mas ainda primas, nós brincamos, nos beijamos, fazemos amor muitas vezes, mas é só, eu pensei que você entendia isso, você é mais inteligente que eu. – E foi então que o coração de Lucy terminou de despedaçar, ela havia fantasiado tudo aquilo, fantasiado até mesmo seu futuro, aquilo não era justo.

— Britt, não! Nós íamos morar juntas, íamos ser nós para sempre, lembra? – Dizia Lucy entre lágrimas.

— Sim, Lucy Q., eu me lembro, e vamos ser nós para sempre, afinal, você é minha prima, minha melhor amiga, meu primeiro amor, mas isso não quer dizer que somos namoradas, nós somos primas, Lucy, eu nunca a verei como uma namorada, ou mesmo uma esposa. – Lucy estava em prantos enquanto ouvia Brittany. – Por favor, Lucy Q., não chore, por favor, os unicórnios vão ficar tristes.

— Britt, por favor vá embora, eu não posso nem te olhar neste momento.

— Mas, Lucy Q., por favor.

— Não me chame mais assim, apenas vá. Depois conversamos. – Brittany agora era quem chorava, ela apenas não entendia, sua Lucy não poderia estar com raiva dela. – Brittany, vá embora! – Lucy gritava agora.

Brittany saiu aos prantos, enquanto Lucy ficou perdida entre pensamentos e lágrimas, aquilo não estava acontecendo, ela estava aleijada, e havia perdido seu amor, a pessoa com quem ela havia planejado todo o seu futuro, ela só queria uma explicação, não poderia Deus ser tão mal, afinal, ela nunca havia feito nada de mal para ninguém. Ela dormiu com esse pensamento e sonhou com um anjo de cabelos castanhos e olhos da cor de chocolate.

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Há muitos quilômetros dali, Rachel acordava no meio da noite com um grande suspiro, como se o ar estivesse voltando aos seus pulmões, ela fechou os olhos novamente e em seus sonhos viu novamente olhos verdes com pontinhos dourados se abrindo.