Life Changing
11 A Carta
A CARTA
Já faziam três anos do acidente de Lucy, todos estavam felizes com sua recuperação total, ela estava bem com sua vida, seguiu em frente, da melhor maneira que conseguiu, era uma vida que nunca havia imaginado, agora ela era Quinn, a garota que havia “experimentado” mais da metade das garotas de Cambridge, com muitos amigos homens que a tratavam muito bem, mesmo sabendo que ela era intersex, aliás, desde que entrara em Cambridge, Quinn nunca se escondeu.
Ela era a aplicada aluna do curso de Direito, com as melhores notas, e admirada por todos os seus professores. Já ajudava seu pai na pesquisa de alguns casos, e adorava.
Havia feito uma pequena exposição de suas fotografias que lhe rendeu muitos elogios, e vários contatos.
Mas Brittany, bem, ela nunca a esqueceria, foi Brittany quem roubou seu coração e o esmagou, foi ela quem fez Quinn desacreditar em amor. Por causa dela, Quinn prometeu a si mesma que jamais se deixaria amar novamente, ela jamais sofreria por isso outra vez, afinal ela ficou meses sem andar por causa de um amor, isso era a indício suficiente de que ela não deveria se apaixonar nunca mais, e era isso, o coração de Quinn agora era fechado e ninguém possuía a chave.
— Mamãe, estou em casa. – Quinn acabava de chegar para passar o fim de semana com a família.
— Oi, Lucy Q. – Disse uma Brittany animada recebendo a prima com um abraço e um selinho, sem dar chance para Quinn reagir, como ela sempre fez. Elas mantinham uma certa amizade, eram primas, mas as coisas nunca mais chegaram nem perto de ser como antes, apesar de para Brittany parecer que nada mudou.
— Britt, já disse para me chamar de Quinn, é assim que gosto. – Dizia uma Quinn gélida, já tendo ativado suas paredes protetoras, ela nunca superou Brittany e esses rompantes da prima ainda mexiam muito com sua mente.
— Oh, desculpe, Quinn, é um pouco difícil pra me acostumar. – Disse uma Brittany já na defensiva com os olhos lacrimejando, ela não gostava de como a prima que era sua melhor amiga a tratava agora, doía muito.
— Meninas, está na hora do jantar, venham. Quinnie, lave bem as mãos. – Quinn revirou os olhos e foi lavar as mãos, depois seguiu para a sala de jantar.
— Boa noite. – Quinn cumprimentou, com pequeno sorriso, a família que estava ali reunida. Sua mãe, pai, irmã, cunhado, prima, tia e tio. – Não esperava encontrá-los todos aqui.
— Estávamos te esperando, Quinnie. – Disse uma Frannie animada, segurando a mão de Ethan. – Bem, agora que estão todos reunidos, nós temos uma notícia. – Fran fez suspense e todos estavam prestando atenção. – Bem Ethan e eu não planejamos, pois temos menos de um ano de casados, mas aconteceu. – Ethan abriu um sorriso enorme e trocou com Frannie um olhar de cumplicidade. – Eu estou grávida!
Foi uma comoção geral na mesa, Judy e Whitney choravam e faziam milhares de recomendações à Frannie, Russel e o cunhado Pierce se abraçavam e parabenizavam Ethan, Brittany pulava e batia palmas de alegria, e Quinn já beijava a barriga da irmã dizendo que seria a madrinha. O jantar tornou-se uma bela comemoração.
Já era tarde quando Quinn foi se deitar, ela estava cansada, mas algo lhe chamou atenção, em cima do seu travesseiro havia um envelope, ela prontamente pegou e abriu.
“Querida, Lucy Q., acho que é assim que deve-se começar uma carta, não sei bem, porque nunca havia escrito uma.
Eu estou aqui escrevendo, enquanto espero Lord Tubbington chegar em casa, não conte a ninguém, mas acho que ele voltou a vender drogas, estou muito preocupada.
Eu resolvi escrever, porque já tentei conversar com você várias vezes e você nunca quis me ouvir, dizendo que está tudo bem e o passado está enterrado, mas isso não é justo.
Muitas pessoas me consideram burra, acho que agora você é uma delas, eu posso até ser, mas eu entendo muitas coisas, e uma delas é que te fiz muito mal, Lucy Q., mas acredite em mim, quando digo que não foi intencional, e que todas as noites em minhas orações peço para que você um dia possa me perdoar, eu te amo tanto, e sofro a cada dia por ter perdido minha melhor amiga.
Para mim o passado nunca vai ser enterrado, você é todo o meu passado, e eu nunca vou te enterrar, você foi quem segurou minha mão no primeiro dia de aula, você quem me protegia quando as crianças me achavam burra, você quem me ensinava truques para aprender as contas de matemática, era você quem me levava pra tomar sorvete todas as vezes que eu estava triste ou muito alegre, ou apenas porque eu pedia.
Lucy Q. o nosso primeiro beijo, o primeiro amasso, a primeira vez que fizemos amor, nós tivemos isso uma com a outra, foi pra você o meu primeiro eu te amo, e foi você de quem eu ouvi eu te amo pela primeira vez.
E eu ainda te amo, Lucy, muito, pode não ser da maneira como você queria, mas nós tivemos tantos momentos, os momentos mais importantes da minha vida foram com você, e eu sei que muitos dos seus foram comigo.
Agora eu entendo que o amor que sentíamos uma pela outra eram diferentes, mas nem por isso o meu amor por você é menos real, ou menos importante, você sempre vai ser o meu primeiro amor.
Estamos prestes a completar 21 anos, nós mudamos, crescemos, seus planos são tão diferentes do que você imaginava quando tínhamos 16 anos, e você está feliz com eles.
Então, por favor, Lucy Q., me perdoe e me aceite na sua vida com a devida importância que tenho, não me enterre no passado, já fazem 3 anos que você me mantém longe, e eu preciso tanto de você, sinto tanto a sua falta.
Eu juro, nunca foi minha intenção te magoar tanto, eu sei que por minha causa você mudou muita coisa, mas eu também sei que o coração lindo e puro da minha Lucy Q. está aí dentro de você, batendo um pouco diferente, mas ainda é o mesmo, assim como eu e você, as primas/melhores amigas, amantes.
Naquela época eu não consegui entender quando minha mãe tentava explicar que um titulo não fazia diferença, e que o que eu havia feito, era traição, eu não entendia dessa forma, eu achava que para ser traição, nós tínhamos que ser namoradas, e nós não éramos, Lucy Q., ninguém sabia de nós até o acidente, que eu sei que foi culpa minha, e é mais um motivo pelo qual eu peço seu perdão, eu sofri tanto por te ver naquele estado e não poder me aproximar, não poder te fazer um carinho, você me expulsou da sua vida sem me dar nenhuma chance de me redimir.
Eu espero que ao ler esta carta, você possa pelo menos tentar me perdoar.
Eu quero tanto poder fazer parte da sua vida novamente, não como uma expectadora, da maneira como você me colocou, mas de forma participativa, as coisas nunca mais serão iguais entre nós, até porque nunca mais seremos amantes, isso já deu muita confusão, Lord T. disse que se nos metermos em outra confusão dessas, nos arrependeremos, eu tenho medo dele, Lucy Q., ele agora tem amigos mafiosos.
Tomara que você reconsidere nossa relação, não aguento mais ser tratada por você de forma tão fria.
Sempre sua,
Britt.”
Quinn terminou de ler a carta com lágrimas nos olhos, ela nunca imaginou algo como isso. Ela foi tão dura com Britt, ela era realmente tão importante em sua vida, não deveria ter agido assim, tanto tempo já se passou, era hora de aceitar Britt como a prima que ela sempre será, a mais especial, a que ela amou, aliás que ainda ama, mas de forma diferente. Ela então resolve responder à prima enviando um texto.
Q: Britt, eu nunca vou achar você burra, você é a criatura mais bela e inteligente que conheci em toda a minha vida. Te amo muito, minha prima. Aos poucos nós vamos retomar nossa amizade, eu prometo. Lucy Q.
B: Então agora eu posso voltar a te chamar de Lucy Q. Graças a Deus, isso estava me deixando confusa. Obrigada por uma segunda chance, eu prometo não estragá-la novamente. Boa noite, Lucy Q. :-*
Q: Ficaremos bem. Boa noite, Britt. :-)
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