Life Changes
3 Capítulo 3 - Provocações
Notas iniciais
Plágio é crime hein galera! (Provavelmente vou colocar isso em todos os capítulos!) ashusahusahu
Mas é sério...
JACOB PDV
Cheguei ao apartamento e só ouvia risadas vindas de dentro. Quando adentrei, eles estavam sentados ao balcão da cozinha e morrendo de rir com alguma piada que provavelmente Tom estava contando.
– Ora, ora, que milagre é esse Jake? Pensei que fosse dormir na casa da Emy. – assim que me viu, se manifestou pra fazer piadinha.
– Estou muito cansado, quero dormir na minha cama quentinha, porque lá isso não vai acontecer. – peguei o copo de vinho que ele estava tomando e tomei num gole só.
– E pelo visto ela não gostou nenhum pouco da sua decisão. – ele me olhou sério e preocupado ao mesmo tempo.
– Meu carro que o diga.
– Bem meninos, também estou cansada e vou dormir. Amanhã tenho um dia longo, ainda não terminei de fazer minha transferência. – mandou dois beijinhos para nós e se levantou. Quando estava praticamente na porta do quarto, se virou e nos olhou meiga – Boa noite. – deu um sorriso e fechou a porta.
– Boa noite. – fiquei babando, admito. Com aquele jeitinho todo meloso e meigo, nem parecendo aquela mulher fatal... Eu realizaria todos os desejos dela.
– Acho que tem alguém aqui interessado. – Tom pegou os copos e levou-os a pia para lavá-los.
– Não sei do que você esta falando. – me fiz de desentendido.
– Estouafirmandoque você está interessado nela.
– Não estou não! – me exaltei e ele riu.
– Viu?
– Acho que quem está interessado aqui é você. – joguei um verde para tirar a atenção de mim. Ele me olhou de rabo de olho e soltou um sorriso de canto de boca. Infelizmente os dois se conheciam bem demais.
– Paige e eu já tentamos namorar quando estudamos na escola. Ficamos juntos um mês e não deu certo. Somos muito melhores como amigos do que como namorados. – terminou de lavar e estava secando quando encostou e me encarou.
– As pessoas mudam, vocês se conhecem há muito tempo, porque não tentar de novo? Afinal estão mais velhos, mais maduros...
– Cara, se você está com medo dela ficar comigo, desencana. Nós não vamos namorar mais. Não dá. Você não sabe como foi nossa vida antes, somos meio que incompatíveis para termos um relacionamento. – entendi onde ele queria chegar – Mas também nem adianta tentar dar em cima dela. Espera ela chegar em você e dar a dica de que te quer.
– Como? – me assustei com o que ele disse – Não foi você que falou que não a queria perto de mim?
– Nós dois conversamos na boate, e ela pediu para que eu não me intrometesse mais nos relacionamentos, eu sempre quis protegê-la desses caras, parece que ela tem dedo para escolher quem não presta. Ela sabe que eu não vou deixar de dar pitaco, eu não consigo, mas é a vida dela. O lado bom da Paige é que ela aprende muito rápido quando tem problemas... Ela já percebeu que para ter um relacionamento, o cara tem que realmente valer a pena.
– Está querendo dizer que eu não presto pra ela? – como meu amigo me diz isso?
– Não disse isso. Mas se para ‘ela’ você não for o que ela quer, se for rolar algo com certeza não vai ser nada sério.
– Bem sincero você.
– Lógico, mal ela chegou seus olhos acompanham cada movimento. Antes das coisas acontecerem é bom eu dar conselhos. Alem do mais de todos os meus amigos, por mais que você não preste, ainda é o melhor de todos! – ele deu uma piscada e eu ri.
– Estou me sentindo tão bem com esse papo. – fiz cara de ofendido.
– Só não a magoe. Conte como realmente é, porque se ela descobrir que você a esta enganando, nunca mais ela fala com você, e eu também. – a voz soou um pouco mais ameaçadora e eu engoliem seco. Estava demorando ele falar algo para mim.
– Tudo bem, serei sincero com ela. – e deveria ser mesmo, já que além de algumas meninas virem aqui, Tom estaria de olho. Mas mesmo assim, eu não me sentia bem em esconder isso dela.
Cada um foi para seu quarto e fiquei pensando na conversa que tive com o Tom. Pelo visto ela era bem mais esperta do que aparentava. Então eu deveria me tornar amigo dela antes que as coisas fossem mais além. O problema era que eu não queria magoá-la e muito menos o Tom. Não sei, era como se as coisas não fluíssem com ela da mesma maneira como as outras. Não era qualquer uma que eu pudesse conquistar e logo em seguida largar. Ela era diferente, eu sentia isso. Mas ao mesmo tempo, odiava me sentir assim. Não sou eu mesmo com essas coisas se passando na minha cabeça. Vou tentar dormir que é o melhor que faço...
PAIGE PDV
Ouvi a conversa dos dois na sala. Sim, eu sou fofoqueira, mas precisava saber se era sobre mim. Acho que depois do que falei para o Tom, o caminho ficou livre para que tudo desse certo. E como o Jake prometeu que seria sincero, não seria problema eu me fingir de idiota, já que iria saber das tais namoradas dele. E logicamente ele não precisaria saber que eu conheço todas elas. Fiquei pensando então que o que aconteceu na boate foi mais medo dele de não se intrometer entre eu e o amigo do que ser por ele próprio. Enfim, repetindo: o caminho estava livre.
Fui acordada de manhã pelo som da campainha. Parecia que ela estava alojada apenas dentro do meu quarto, porque alguém a tocava insistentemente e eu fui a única naquele apartamento a levantar. Já estava de mau humor, porque eles não acordaram?
– Precisava aparecer com essa mini camisola de manhã? – assim que abri, a outra namorada dele apareceu, se eu não me engano é a tal de Úrsula, com uma cara de que comeu e não gostou.
– São oito horas da manhã e eu acabei de acordar. Não deu tempo de trocar de roupa já que sua insistência na campainha foi maior. – ainda estava com cara de sono e ela acabou dando de ombros.
– Tudo bem, os meninos...? – apontou para dentro do apartamento e eu a deixei entrar.
– Estão dormindo...
– E ontem? Deu tudo certo? – ela estava com os olhos brilhando e acabei rindo.
– Para um primeiro dia, acredito que sim, não se preocupe vai dar tudo certo.
– Só quero dar um susto nele entende? – ela colocou a bolsa no sofá e foi andando para o quarto – Afinal, ele é lindo.
Fato, ele é lindo. Mas também egoísta, nojento, safado, cachorro e outros significados que não vale a pena retratar agora.
– Enfim, eles estão dormindo e eu tenho que sair mesmo, vou tomar banho, fique à vontade.
– Pode deixar que eu vou. – ela saltitou para dentro do quarto de Jake e revirei os olhos. Elas são tão previsíveis.
Tomei um banho e me arrumei. Coloquei um vestido simples, mas com uma cor bem chamativa, passei meu perfume da Carolina Herrera e uma maquiagem que realçasse meus olhos. Vai que eu também acho alguém mais interessante por ai na rua? Sempre prevenida.
Sai do quarto e quando cheguei à cozinha já estavam todos acordados e os meninos com uma cara linda de morrer – leia-se horríveis – e fui direto para a geladeira para pegar um suco.
– Vai para onde vestida assim? – Tom me olhou surpreso e eu ri.
– Deve encontrar algum namorado. – Jake se pronunciou ao mesmo tempo em que me acompanhava voltar para a mesa.
– Vou resolver alguns assuntos que não são do bedelho de nenhum dos dois. – eles se entreolharam e revirei os olhos – Estavam bêbados ontem que não entenderam quando eu disse que tinha que terminar de resolver minha transferência? – dei mais um sorrisinho e logo que coloquei o copo na mesa, me sentei ao lado do Tom, bem de frente para Jake.
– Perfume bom o seu Paige. – Úrsula que ate então estava prestando mais atenção nas unhas, levantou os olhos e reparou em mim – Realmente, parece que vai a algum lugar especial.
– Gente eu estou casual, e obrigada pelo elogio do perfume. – ela sorriu pra mim, mas não estava com ares muito bons.
– Se você diz... – Tom jogou novamente e eu apenas mandei uma língua para ele.
Passado um café mais tranqüilo e o casal feliz perguntando um monte de coisas sobre a minha vida, como se Úrsula não soubesse, consegui sair dali e rumar para o meu destino.
Cheguei a faculdade e depois da papelada fui dar uma volta pelo campus. Realmente era muito maior do que o campus que eu estudava. Só para constar estou falando da Universidade da Califórnia, Los Angeles. Por ser a matriz, é a maior de todas. Continuei andando e logo em seguida me vi admirando os estudantes que estavam jogando futebol americano. Se eu não me engano o Tom também fazia parte do time.
– Nunca pensei que fosse te rever aqui. – aquela voz era familiar...
– Timoty! – falei surpresa e ele me abraçou. Demorei um pouco para retribuir, porque estava ainda um pouco em choque – O que faz aqui?
– Meu pai está trabalhando em LA e me mudei com ele. Acabei vindo para cá, já que é a mesma faculdade. E você?
– Estou morando com o Tom. – ele me olhou desconfiado – Não estamos namorando Timoty, ele me chamou para dividir o apartamento com ele porque na minha área, o campus é melhor do que o outro. Aqui é a matriz não é? – ele concordou.
– Quando que você se mudou? – quanta curiosidade.
– Dois dias, e você?
– Bom já estou aqui há um semestre. Logo depois que terminamos, vim para cá. – ele precisava tocar no assunto...
– Então está gostando de morar aqui?
– Claro! Sabe como é né, faço amizades muito rápido. – ele piscou pra mim e tentei rir – Estou jogando no mesmo time que o Tom e o Jake, que você já deve ter conhecido já que está morando com eles.
– Não sabia que o Jake jogava, mas ainda não tive muito tempo para conversar com eles. Calma ai, você não joga mais basquete? – fiquei perdida, ele se vangloriava tanto por jogar basquete.
– Está pensando que conseguimos nossa popularidade por quê? – ele me olhou debochado e não tocou no assunto.
– Pela inteligência e carisma? – tentei ser obvia e ele riu.
– Sim, isso também, mas primeiramente eles nos veem porque somos da liga das universidades. E você continua preferindo basquete?
– Com certeza, serei torcedora dos Lakers para sempre! – coloquei a mão no coração como sinal de orgulho e acabamos rindo.
– Do jeito que aqueles loucos são, provavelmente você vai ficar maníaca por futebol americano... Olha, no sábado eu darei uma festa em minha casa, e gostaria que você fosse. Só falar para os meninos que eu te convidei.
– Posso pensar... – eu sei que ele é muito lindo, mas não quero voltar no passado.
– Ah vai sim, os meninos já sabem da festa porque estão comigo o tempo todo, então espero que apareça.
– Você não me respondeu por que mudou para o futebol americano.
– Mudei de ares! Alem do mais consigo mais namoradas assim! – piscou e foi embora.
Sinceramente não sei o que me levou a ter uma conversa tão descontraída com ele, nosso término de namoro não foi dos melhores. Nunca contei o motivo principal para terminarmos porque não queria entrar em detalhes, sentia uma vontade tão louca de me vingar, que para não piorar as coisas, aproveitei a oportunidade e me mudei. Minhas amigas nunca entenderam bem, mas foi melhor assim. E agora ele reaparece na minha vida, só posso estar pagando meus pecados com isso. E ainda por cima me vem com esse jeitinho meigo e amigo que me conquistou quando éramos mais novos. Que ódio!
Tive tempo de passear pelas lojas da cidade e andei um pouco pela Wilshire Boulevard e lógico que fiz umas compras, alem de conhecer o lugar, precisava espairecer a cabeça. Depois fui para o apartamento exausta e Jake estava na cozinha fazendo alguma coisa muito boa.
– Cheiro bom. – ele olhou para trás e deu um sorriso encantador. Não tenho como contestar que o homem é muito lindo. Se eu não estivesse nessa consciente de como ele é, poderia me apaixonar por ele fácil – Está fazendo o que? – perguntei curiosa.
JACOB PDV
Estava preparando alguma coisa para comer e esperando pela Debby no apartamento, quando a Paige chegou.
– Cheiro bom. – me virei para ela e dei um dos meus melhores sorrisos – Está fazendo o que? – ela perguntou curiosa.
– No momento é um molho de cogumelos para colocar em cima da carne que fiz.
– Estou faminta. – ela foi chegando mais perto e acabou experimentando um pouco do molho quando eu coloquei em sua mão – Huummm....
Ela deixou um pouquinho escorrer pelo canto da boca e fechou os olhos como se estivesse realmente gostoso. Mas o pior foi que ela fez isso bem perto de mim, próximo ao meu rosto. Minha vontade de beijá-la e saber como ficava o gosto do molho em sua boca era enorme, mas me contive.
– Acha que vai ficar bom na carne? – tomei um gole do vinho branco que estava separado no balcão e ela retribuiu com um sorriso que me fez derreter. Fui andando para o outro lado a procura do tempero de pimenta.
– Se você cozinha tão bem quanto parece, acho que vai ficar maravilhoso! – Se contenha Jake, se contenha – Esta esperando alguém para jantar? – virei novamente e ela notou a mesa preparada.
– Na verdade estava cozinhando para nós dois. Sabe, para ser um bom anfitrião! – Que se dane, Tom disse que não voltaria para o apartamento hoje mesmo e eu posso desmarcar com a Debby – Gostou?
– Só para nós dois? – mesmo tentando disfarçar com o ar inocente e surpreso, percebi a animação embutida naquela pergunta – E o Tom?
– Ele não vem, deve dormir na casa de alguém...
– Na casa de alguma namorada dele isso sim...
– Ele não tem namoradas...
– Você que tem não é? – ela atira...
– Tenho, mas fica tranqüila que esse jantar é apenas para amigos... – e eu corto.
– Tudo bem então, vou tomar um banho e já que o jantar é para amigos apenas, você não se importa se eu colocar uma roupa confortável não é? – ela novamente jogando as faíscas.
– Sem problema.
Quando saiu da cozinha e fechou a porta do quarto, peguei a garrafa de vinho e virei totalmente. Ela queria me enlouquecer isso sim...
Depois que estava tudo pronto, também tomei um banho, e liguei para a Debby para dizer que não daria mais para jantar. Ela ficou irritada, mas como eu sou bom no papo consegui convencê-la de que faríamos algo depois.
Logo em seguida, coloquei um bermudão e fiquei sem camisa. Se ela queria provocar, eu também iria. Mas ela pelo visto era mais esperta do que eu e quando apareci, ela estava me esperando com um conjuntinho pequeno para dormir. A blusa ainda era comportada, mas o short, bom, deixa pra lá.
PAIGE PDV
Vitória, ele ficou estático olhando para minha roupa. Acabei não me agüentando e olhando para ele também, e estava apenas de bermudão. Agora quem iria perder a sanidade ali era eu.
– Desculpe, vou colocar o roupão. – me fingi de envergonhada e dei uma ultima olhada para a parte do tórax dele. Realmente ele era muito lindo, e eu já perdi as contas de quantas vezes já devo ter dito isso – Acabei trocando as malas no caminho e minha prima levou duas malas minhas que estão com minhas roupas casuais, e ai só me sobraram roupas de sair e de dormir.
– Sem problemas. – ele engoliu em seco e foi para a cozinha pegar o jantar.
JACOB PDV
Por mim ela poderia ficar vestida de camisola o dia inteiro e passear pela casa que eu não me incomodaria. Mas lógico que não diria isso para ela.
Peguei a comida e ela se sentou. Ficamos um de frente para o outro e servi. Ela ficou me olhando como se estivesse me analisando e por um momento me senti um pouco constrangido. Eu ainda vou entender o que ela tem que me deixa assim.
Passado um tempo, abri outra garrafa de vinho e continuamos conversando. Assuntos variados. Ela pelo menos tinha muito mais assuntos do que a maioria das mulheres que conheci.
– Sabe, conversar com você é legal. – começaria com os elogios básicos – Só tenho conversas parecidas com a Emy.
– Devo encarar isso como um elogio? – ela riu e eu assenti com a cabeça.
– Lógico, você é muito inteligente. – por um momento notei que ela tinha ruborizado – O curso que está fazendo pede muitas línguas. Fala quantas?
– No momento apenas o Inglês e o Espanhol. Pretendo aprender o alemão porque sou louca para conhecer a Alemanha. E quem sabe mais pra frente aprender uma língua diferente.
– Mas pretende permanecer aqui no país? Digo, morando aqui?
– Se tudo der certo, e espero que sim, vou morar fora. Nunca quis sair, mas depois que fiz intercambio, descobri que existem muitos países legais para visitar. E você?
– Nem sei, estou fazendo o curso de advocacia, mas o meu futuro só quando terminar mesmo. Não tenho planos fixos no momento.
– Entendi. Já está trabalhando na área?
– Faço um estagio de quatro horas, logo depois que saio da faculdade vou pra lá. Mas às vezes acabo trazendo o trabalho para cá.
Depois de mais uma garrafa de vinho, sentamos no chão da sala e continuamos rindo e contando de problemas não muito legais que aconteceram com a gente durante o colégio e o inicio da faculdade.
– Sério eu usava óculos. – ela falava e eu estava incrédulo – Era a maior nerd da turma, só melhorei mesmo quando estava no colegial. Ano passado fiz a cirurgia e não preciso mais usar óculos, nem lentes. Quer dizer, só quando vou ler.
– E arrebatou o coração de todos os meninos do segundo grau?
– Claro, me vinguei de todo mundo. – ela fez uma cara maléfica e fiquei com medo – Estou brincando. Acabei namorando o capitão do time do futebol por um ano, mas não deu certo. Também namorei o Tom, mas esse realmente não deu certo, brigávamos muito. Descobrimos que éramos melhores amigos. Nunca achei realmente quem me prendesse por muito tempo.
– Eu também.
– Mas tem três namoradas... – ela fazia um ar de reprovação.
– Que eu posso fazer? Sou muito carente. – fiz um jeito de criança e ela veio para cima de mim. E sentou bem ao meu lado.
– Eu também sou.
– Poderia ter todos os namorados que quisesse. – cheguei mais perto e já estávamos sussurrando um para o outro.
– Só fico com os mais interessantes. – puxei o corpo dela para mais perto do meu e ela deu um sorriso malicioso para mim.
– Isso reduz bastante as possibilidades. – nos entreolhamos, olhei para os lábios dela e senti a respiração bem próxima da minha boca, finalmente conseguiria o que queria... Mas a luzes de repente apagaram. TODAS!
– Que foi isso? – ela se afastou e eu levantei.
– Deve ter sido um pico de luz. – dei de ombros. Como ela fosse ver...
O alarme de fogo do prédio começou a tocar e deu pra ouvir toda a movimentação do lado de fora do apartamento. Se havia mesmo fogo, estava começando bem longe dali, porque não sentia o cheiro de fumaça em lugar nenhum.
– Novamente eu pergunto o que é isso. – ela levantou e senti o vulto passando por mim, fui atrás e chegamos a porta do apartamento.
– Calma, deve ser algum engraçadinho fazendo besteira.
– Não acredito nisso não! – ela saiu correndo e foi para o elevador. Como eu não tinha opção, fui atrás dela.
– Acha que sair correndo assim é a melhor opção? – ela estava ofegante e eu a abracei. Ela se encolheu e eu a abracei mais forte ainda. Pelo visto ela estava era ficando desesperada com a situação.
– FOGO! – os outros moradores do andar saíram correndo para as escadas de emergência e eu a puxei também.
Morávamos no décimo andar e quando ficamos entre o terceiro e quarto andar, percebi que ela já estava um pouco cansada.
– Não consigo mais, eu não estou me sentindo bem. – a segurei e a fiz sentar. Fiquei logo de frente e impedi que algum morador nos atropelasse. Estava achando que o vinho estava fazendo um efeito contrario no organismo dela.
– Olha para mim. – as luzes de emergência ainda não tinham sido afetadas – Olha para mim. – ela finalmente olhou e se acalmou mais quando coloquei minhas mãos sobre as dela – Esta tudo bem! Vai dar tudo certo. Quer que eu te carregue?
– Não precisa... – ela abaixou a cabeça, respirou fundo e levantou novamente – Vamos.
Descemos o prédio e ficamos na porta junto com os outros moradores. Eles estavam argumentando e cogitando a possibilidade disso ter acontecido, quando o sindico apareceu e contou que foi alarme falso. Fiquei com muita raiva, para não dizer outros termos quando ele falou isso. Poxa estava tudo indo tão bem e alguém tinha que atrapalhar. Entramos no elevador e quando estávamos esperando chegar o andar, ela teve crise de riso.
– Não acred... qu... rive... ta.. medo... – ela não conseguia terminar de falar.
– Acontece, imagina se fosse de verdade? – comecei a rir também.
– Teríamos morrido no momento que paramos sentados na escadaria. – VERDADE!
– O pior é que eu ainda bati o meu joelho na cômoda antes de chegar na porta. – ela apontou para o joelho e riu.
– Vou pegar gelo e um remédio para isso.
– Não precisa não.
– Precisa sim.
PAIGE PDV
Fiquei com medo sim, e muito! Imagina, nova desse jeito morrer por culpa de idiotas que moram em outros andares no prédio. Serio, quando eu descobri que era alarme falso fiquei com muita raiva. Mas logo em seguida danei a rir. Não tinha como não achar engraçado. Infelizmente não deu para continuar com os meus planos. Mas a forma como ele ficou preocupado foi tão bonitinho. Pelo menos ele era cavalheiro.
Agora discutíamos em como tratar do machucado do meu joelho. Ele acabou me puxando para o quarto dele e por conta da adrenalina, o efeito do álcool acabou passando. Sentei na cama enquanto ele mexia em algumas gavetas para achar o remédio.
– Pronto, achei! – junto com o remédio ele veio com pedras de gelo num copo e uma toalha – Vamos limpar isso primeiro.
Ele se ajoelhou e depois levantou uma perna para dar apoio a minha. Quando ele a apoiou e olhou para mim, notei que engoliuem seco. Logo em seguida, limpou o machucado e eu reclamei porque ardeu. Ele usou então a toalha para limpar mais um pouco e depois delicadamente colocou a pedra de gelo no local. Acabei jogando a cabeça para trás e continuei apoiada com as mãos na cama, mas isso não estava me fazendo nada bem.
JACOB PDV
Quando limpei o machucado e depois coloquei a pedra de gelo em cima para não inchar, ela jogou a cabeça para trás. Isso não foi muito bom para mim e acabei engolindo a saliva que já não tinha mais na boca. Tentei me conter mais ainda, porém, minha mão começou a tremer e ela levantou a cabeça e me encarou.
– Tudo bem? – nossos olhares se cruzaram e os dois acabaram engolindoem seco. Era visível que aquela situação não terminaria bem.
– Está doendo ainda? – tentei parecer o mais natural possível e ela abaixou a cabeça.
– Não, está tudo bem.
– Então... – pigarreei um pouco e continuei a frase – Pode colocar esse remédio aqui até curar o machucado. — levantei depressa e fui ate a altura da cabeceira colocar o copo e a tolha que usei.
– Obrigada. – ela pegou minha mão, mas fez questão de escorregar a dela na minha, com um olhar um tanto sedutor – Não sei o que faria sem você.
– Jake, me conta uma coisa... – Tom apareceu no quarto e assobiou sem graça com a situação. Não tão ruim, seria pior se ele me visse limpando a perna dela... – Desculpa, atrapalho algo?
– Não. – ela sorriu para ele e o olhar sedutor sumiu – Machuquei meu joelho e ele estava me dando um remédio para não ficar roxo depois – Boa noite rapazes.
– Que short pequeno é esse hein dona Paige?
– Cala a boca Tom.
Ela saiu do quarto e eu tentava ainda me conter para não olhá-la de costas.
– O que vocês dois aprontaram hein? Porque eu vi duas garrafas vazias de vinho no chão e um monte de coisas na mesa.
– Você não ia dormir em outro lugar? – fui tirando a camisa e indo para o banheiro tomar um banho. Gelado.
– Não foge do assunto Jake... – ele falou em tom repreensivo.
– Olha, não sei o que sua amiga ai tem, mas ela me prende e muito... – pronto, falei...
– Eu sei que ela é legal, e que é bem bonita, mas eu ainda não entendi porque....
– Por que eu pareço um idiota? Nem eu sei! Parece que eu voltei a época de escola e que não consigo falar com a menina que eu gosto.
– Ta apaixonado? – ele me olhou assustado e eu neguei logo com a cabeça.
– Estar atraído não necessariamente está ligado com amor.
– Não precisa ser amor, pode ser paixão, e isso sim está ligado a atração. – ele fez aquele olhar pra mim e eu ri.
– Mesmo assim, não é paixão.
– Mas você fez o jantar pra ela?
– Não... – disfarcei e fui para o banho, mas ele continuou insistindo – Cara você vai ficar ai me vendo tomar banho?
– Não estou olhando pra você e minha curiosidade ainda não acabou...
Comecei contando do jantar, que não era pra ela, mas que no final acabei mentido e dizendo que era, descartando a Debby em seguida. Tom queria rir, mas mantinha aquele ar reprovador porque menti para as duas. Terminei de contar o resto, ai ele não se conteve mais.
– Ta apaixonado, não acredito nisso. Logo você, Jake?
– Não estou apaixonado! – estava mudando o tom de voz e ele ficou serio.
– Tudo bem, desculpa, se você diz, mas que essa foi difícil de acreditar foi.
Ele saiu e terminei de tomar banho. Quando deitei na cama, olhei para o teto e imaginei como poderia me livrar dessa sensação. Não estava gostando nada disso. Tudo bem que ela era linda, sensual, inteligente, e daria uma ótima namorada. E como eu queria beijá-la... Mas eu não podia me render aos encantos dela. Poderia propor um relacionamento aberto, acho que ela toparia. Mas será que daria certo? E se ela se apaixonasse por mim? Provavelmente, não seria nada bom. O Tom ficaria super irritado.
Sabe o que mais? Se ela já sabe dos meus relacionamentos e se mesmo assim ela deu em cima de mim, é porque ela esta afim de ficar comigo. Se realmente ela é tão inteligente assim, bem capaz dela estar querendo isso apenas por um tempo, para se divertir como eu. Ela não ficaria tentando me mudar, não parece ser assim. Amanhã eu converso com ela.
PAIGE PDV
Estava deitada olhando para o teto quando o telefone tocou.
– E então menina como foi?– Emy estava falando toda alegre ao telefone.
– Isso mesmo, também quero saber de tudo!– Debby estava ouvindo também.
– Não se esqueçam de mim!– Úrsula também estava ao telefone.
– Isso é conferencia? – olhei para o relógio – São quatro horas da manhã!
–Desculpa, mas estava morrendo de curiosidade!– Emy falou toda ansiosa do outro lado.
Acabei contando como foi a situação e que ele tinha fugido de mim. Afastei o telefone, porque o “O QUE?” foi uníssono e agudo demais para minha cabeça que estava começando a doer por causa do vinho.
– Não acredito nisso, será que ele não gostou de você?– Debby falou do outro lado e Emy acabou rindo.
– Acho difícil, ele não resiste a mulher nenhuma.– Úrsula disse.
– Acredito que ele esteja tomando cuidado porque você é amiga do Tom. Eles se respeitam muito.
– Pode ser, antes do falso alarme estava tudo indo muito bem.
– O efeito do álcool passou e a culpa voltou a consciência dele.– Emy retrucou novamente e eu apenas assenti.
– E onde que aquele safado tem consciência? Ele namora três ao mesmo tempo!– Úrsula bufou ao telefone eu contive o riso.
– Mas em relação aos amigos, os homens são muito honestos e sinceros. Eles não gostam de perder amizades de jeito nenhum!– Debby comentou e todas concordaram.
– Verdade, parece então que terei que pegar mais pesado.
–COMO?– mais uma vez aquele uníssono dos infernos.
– Vocês vão saber.... – desliguei o telefone. Não queria falar com mais ninguém.
Fale com o autor