Life Changes

26 Capítulo 26 - Revelações


Notas iniciais
Opaa... Na empolgação e postando mais um capítulo pra vocês...


JACOB PDV

Cheguei ao apartamento atordoado. Toph estava sentada no sofá com uma feição preocupada e se assustou ao me ver todo molhado.

- O que aconteceu meu amor?

- Tive uns problemas com o carro. – e tantos outros que não quero comentar.

- Desculpa te fazer pegar o meu casaco, mas eu preciso dele amanha para trabalhar. – ela me deu um beijo e foi tirando a minha roupa molhada – Vai tomar um banho quente, que vou preparar um chá para você dormir.

- Tudo bem.

Fui para o banheiro e quis bater com a minha cabeça na parede. Então ela realmente estava grávida, e sem duvida aquele filho era meu. O remorso bateu e todos os pensamentos relacionados ao bebe vieram a minha mente. Ela disse que morreu, e eu não estava lá para poder presenciar isso. Não estava ao lado dela quando descobriu, quando comprou o sapatinho e quando o perdeu. Queria tanto que ela pagasse pelo que me fez, que acabei transferindo mais dor a ela do que deveria. E isso me afetou durante todos esses anos. Chorei silenciosamente enquanto deixava a água quente escorrer pelo meu corpo.

- Aqui meu amor, o chá...

- Obrigado.

- Aconteceu alguma coisa Jake? – Toph percebeu que algo estava errado.

- Nada não.

Saí do banho, virei a xícara de chá de uma vez, sequei os cabelos como pude, coloquei uma roupa e cai na cama.

- Tenho certeza que há algo errado e você não quer me dizer. – ela se sentou ao meu lado na cama e começou a acariciar os meus cabelos.

- Só estou um pouco preocupado com a empresa, ta bom? – dei um beijo nela e deitei novamente. Como eu disse antes, ela sempre respeitou o meu espaço, o que a fez se deitar ao meu lado, desligar as luzes e dormir.

PAIGE PDV

Dias se passaram e minha angustia aumentava cada vez mais. Acabei me afundando no trabalho da galeria no apartamento mesmo, com a ajuda de Ane. Meus primos me visitaram e todos eles estavam muito bem de vida. Pediram imensas desculpas por não terem ido ao evento, mas como tinha sido algo de ultima hora mesmo, não conseguiram reorganizar as agendas para ir. Meu pais, como sempre estavam viajando. Perdi as contas de quantas luas de mel eles tiveram.

Cris que estava de namorado novo, o que não surpreende, ficou me olhando completamente triste quando contei a historia por completo. Os meninos resolveram passear por Manhattan com o Tom, e ele deixou a Emy no apartamento também.

- Ane, será que poderia nos deixar sozinhas um momento, depois deixamos a Paige para você? – Emy falou toda carinhosa e Ane assentiu, se retirando para o escritório.

- Menina que apartamento é esse hein? – Cris estava encantada.

- Nem fala, ainda não me acostumei, já que quando viajávamos, costumávamos ir para albergues ou pensões.

- Ah pelo amor de Deus, temos casas enormes assim meninas. – Emy pegou um copo de suco para cada uma e sentou na minha frente – Vamos parar de falar em coisas inúteis e nos ater a algo realmente importante... – ela respirou fundo – Por que eu tive que descobrir pelos outros que você estava grávida?

- Desculpa gente, foi algo que preferi deixar entre meus pais e eu. Queria muito ter contado Emy, mas queria distancia na época.

- Os tios sabiam e não me contaram? Vou ficar de mal. – Cris fez cara de criança e sorri. E logo em seguida, fechei o sorriso, já que Emy queria me matar com os olhos.

- Isso não é brincadeira, pelo amor de Deus, ele tinha o direito de saber que tinha um filho, e você o perdeu. Passou por tudo isso sozinha... Ficou maluca?

- Olha, eu não queria mais envolvimento, e sim se eu tivesse tido aquela criança eu teria vindo contar para ele. Não sou estúpida a esse ponto.

- Mas ele tinha o direito de saber desde a gravidez, não depois que o bebe nascesse. – Cris comentou.

- Meninas... – levante irritada – Ele me pediu para sumir da vida dele. Eu apenas fiz o que ele pediu.

- E se ele falasse para você se matar, você o faria? – Emy me olhou irritada e não gostei.

- Não é isso, mas... Eu sabia que ficando por perto não conseguiria tocar com a minha vida. Poxa, todos são amigos, o pai dele namorava a Cris na época. Seria inevitável um encontro.

- E fugiu tanto que acabou o vendo de novo. – Emy respirou fundo e continuou – Ele se arrependeu muito do que aconteceu. Culpa-se até hoje, porque acha que destruiu sua vida.

- Destruir não, mas... – interrompi a Cris com a mão.

- Novamente eu digo e repito, cada um seguiu com sua vida e...

- E nada. – dessa vez a Emy me interrompeu – Que saco, ele te ama. A Toph é uma ótima pessoa, mas ele não consegue te esquecer. Não sabe o que passamos com ele até ele conseguir sossegar. Ele fez de tudo que pôde para te achar.

Sentei novamente e fiquei estática.

- Ele te ama Paige. E por mais que tenha acontecido isso tudo e vocês tenham perdido esses quatro anos, ele continua te amando, assim como você o ama. Isso eu posso ver nos seus olhos.

- Desculpa interromper. – Ane entrou no quarto novamente com um buque enorme de flores – Mas o Giulio deixou isso aqui para você.

- Parece que tem alguém interessado em você hein! – Cris deu uma risada e Emy chegou perto de mim e pegou o cartão da minha mão.

- “Para a pintora mais talentosa que conheci. Nem essas flores são capazes de retratar o tamanho da sua perfeição. Sei que pode soar cafona, mas não consigo para de pensar na senhorita. Gostaria de sair comigo?”.

- Que lindo! – Ane começou a flutuar e acabei rindo.

- Realmente muito bonito. Mas me diga, vai aceitar? – Emy me olhou de canto de olho e como eu sou teimosa...

- Quem sabe? – pisquei para ela e pedi para Ane marcar um encontro com ele num restaurante na cidade.

- Estamos aqui falando que o Jake te ama e você quer sair com esse tal de Giulio? – Cris me olhou espantada e Emy se sentou sentindo-se derrotada.

- Me deixa, por favor...

JACOB PDV

Estava na firma resolvendo os últimos papeis de um caso importante quando meu pai apareceu na sala.

- E então meu filho, será que poderia dar um momento de atenção para seu pai?

- Oi pai. Posso sim, mas não agora.

- Que tal um almoço? – ele piscou pra mim e como meu estomago estava roncando, resolvi aceitar.

- Tudo bem... – ele sorriu de uma forma bem diferente – O que quer conversar comigo que formou esse sorriso no rosto? – olhei desconfiado e ele riu mais ainda.

- Isso que dá pai e filho serem completamente parecidos. – ele foi saindo da sala – Te busco aqui na sala uma hora.

- Ok.

Ele saiu da sala, encostei na cadeira cansado e abri a gaveta. Lá estava aquela carta que tanto me atormentou durante esses anos. Olhei para ela e meus pensamentos se voltaram novamente para Paige. Era impressionante a forma como ela tinha mudado. Estava cada vez mais linda, e muito mais madura.

O que teria acontecido se ela tivesse tido aquela criança? Será que hoje seriamos um casal feliz? Será que o gelo que criei em volta do meu coração teria derretido e eu teria esquecido de tudo que aconteceu?

UMA HORA DEPOIS

- Então, vamos? – meu pai apareceu de supetão na sala e tomei um susto.

- Vamos...

Fomos ao nosso restaurante de costume, e pedimos o de sempre. Porém, ele fez questão de pedir a mais uma garrafa de vinho tinto, o que ele não gostava de fazer na hora do almoço.

- Álcool a essa hora do dia? – olhei estranho e ele riu. De nervoso.

- Bem, é que eu tenho algo para lhe falar...

- Que seria? – o garçom chegou e serviu o vinho para nós. A comida foi servida e meu pai teve um tempo para pensar no que ia falar. Só não conseguiu disfarçar o nervosismo – Tudo bem pai, já teve tempo suficiente para me enrolar, o que o senhor quer me falar?

- Eu... Bem... Vou me casar com a Sofia.

- Como é? – chega engasguei na hora que ele falou. Sozinho para ter um detalhe do baque da revelação – Com a tia da Paige?

- Sim, é que filho, há um tempo estávamos saindo e descobrimos que nos amamos...

- Não acredito! – estava assustado, sinceramente, meu pai se render assim? – Volta a fita, você vai se casar?

- Não gostou? – ele virou de um gole só o vinho.

- Bem... – e eu o acompanhei – Não é que eu não gostei... – abri o maior sorriso – Lógico que eu gostei pai! Essa tem sido a melhor noticia que recebi nos últimos tempos... Mas é que vindo do senhor chega a ser meio estranho.

- Até eu acho. Ainda to tentando me acostumar com a idéia. Só que assim, tenho mais uma coisa...

- Qual? Vai me dizer que ela está grávida? – parei de respirar.

- Por que quando falamos em casamento todo mundo pergunta isso? – ele bufou baixo e dei uma risada – Adiantamos a data do casamento, porque a Sofia disse que a Paige vai voltar para Andorra. – estava dando um gole no vinho, e lógico que me engasguei de vez – Filho você está bem?

- Precisava... cof... cof... Acabar... – fiquei vermelho – Com a minha alegria? – respirei fundo e meu pai entendeu o que eu quis dizer.

- Pensei que sabia que ela ficaria aqui por pouco tempo. Só veio vender os quadros, pelo que entendi tem mais alguns que estão vindo para ficar na galeria, e vai voltar pra lá. A vida toda dela está...

- Que vida? Ela criou uma válvula de escape... Aquilo lá não é a vida dela...

- Jake, eu sei que ficou abalado, mas deve admitir que a vida dela agora em outro lugar. Vocês que escolheram isso... Não foi?

Lembrei que até então eu não tinha conseguido contar a historia com todos os detalhes para meu pai. Na verdade ninguém sabia direito. Contei da gravidez, mas não contei do que tinha acontecido antes de começarmos a namorar.

- Olha, acho que vamos prolongar a nossa hora de almoço...

- Como assim?

Contei tudo, nos mínimos detalhes. Lógico que depois a reação dele era uma vontade louca de quebrar a garrafa de vinho na minha cabeça, mas acabou se acalmando, tipo, uma meia hora depois.

- Qual era o seu problema? E o dela? Vocês malucos?

- Olha pai, já tem tanto tempo que não da mais pra receber sermão.

- Quanta imaturidade! – ele chiou – Dos dois. Sério, ela me perde a criança e não fala nada e você a expulsa de sua vida por causa de uma idiotice dessas?

- Pai...

- Se você não tivesse descoberto sobre o sapatinho, ela provavelmente não contaria nada a você, sabe disso não é?

- Acha mesmo? – recuei e fiquei brincando com a comida – Ela seria capaz de esconder que estava grávida de mim?

- Sofia não sabe disso. Os pais dela são os únicos que sabem dessa gravidez. Nunca comentei nada com ela, para não causar alarde na família. E você sabe muito bem que ela quando quer é bem persuasiva. A Cris também.

- Queria tanto poder conversar com ela direito. Ela não me deu chance de explicar nada, de querer saber, de me desculpar...

- Ainda a ama não é?

- Sim – falei derrotado.

- E por que não faz por onde para tê-la de volta?

- Ela nem quer falar comigo, acho que se dependesse dela nunca teria voltado.

- Mostra pra ela que se arrependeu. Ela mostrou o arrependimento dela, porque só amando muito uma pessoa para mudar a vida radicalmente como ela fez...

- Muito obrigado pai, estou me sentindo cada vez melhor. – fiz uma cara e feia e o danado ainda riu.

- Estou querendo dizer que ela ainda te ama. Não se esquece alguém assim do nada, não com o sentimento que ela teve, e eu acredito ainda tem.

Percebi o que meu pai falou. Era verdade. Eu não poderia me dar por vencido. Precisava saber se ela ainda nutria algum sentimento por mim. Pelo menos que tivesse me perdoado pelo que fiz. Terminei a conversa com meu pai, e ele me instigou a preparar o terreno durante essa semana, que no final da semana seria o casamento. E que depois disso desse a cartada final.

- Isso porque o senhor ama a Toph não é? – dei um sorriso de canto de boca, e ele acabou dando uma gargalhada.

- Sim, ela é um amor de pessoa. Mas tanto ela como todo mundo que te conhece, sabe que o relacionamento de vocês não vai pra frente. Mas ela te ama e acha que ficando nem que seja um pouco com você, será suficiente para ela.

- Isso não é legal! – e percebi mais uma coisa.

- Filho, se fosse ruim para ela, com certeza ela não seria feliz. Mas tem pessoas que são felizes assim. Só não concordo com isso, mas são.

- Eu me sinto mal não dando o que ela realmente quer.

- Mas também não consegue se separar dela. – assenti – Jake, se você realmente quiser a Paige de volta...

- É o que eu mais quero!

- Então conte da situação para a Toph. Por favor. Se ela realmente te ama, vai preferir que você seja feliz não importa com quem.

- Nem todos os amores são altruístas.

- Eu tenho experiência de vida Jake... Eu sei quando estou falando as coisas...

E o pior é que ele sabe mesmo. Não sei o que seria da minha vida sem o meu pai, sinceramente. Voltamos para o escritório e acabei me afundando no trabalho. Tom me ligou e disse que passaria a noite com os primos da Paige para sairmos. Seria sensato falar para eles sobre o que eu pretendia?

PAIGE PDV

- Marquei o encontro, ele pediu para ser naquele restaurante perto da avenida. – Ane chegou toda animada, mas as outras meninas não ficaram muito satisfeitas.

- Com licença, desculpa atrapalhar a confraternização. – tia Sofia apareceu já indo na minha direção e me dando um abraço – Que saudades meu amor!

- Também tia.

- Desculpa não ter aparecido.

- Sem problemas. Mas você faz o que aqui? – olhei desconfiada e ela riu.

- Sua mãe me largou as traças...

- Lá vem o drama... – Cris se encostou na cadeira e rimos.

- Drama nada mocinha. – ela olhou incisiva e depois riu – Enfim, esqueçamos sua mãe, estou com raiva dela, mas depois passa...

- O que ela fez?

- Esquece isso... – olhei desconfiada de novo e ela disfarçou. As duas estão aprontando isso sim – Vim para contar uma noticia ótima para vocês.

- Fala então Sofia. – Emy puxou uma cadeira para ela e acabamos sentando depois.

- Vou me casar!

- COMO? – as três olharam assustadas para ela e Ane não entendeu nada.

- Com quem afinal? – perguntei sem entender nada.

- Então... Isso que eu estava tentando te contar, mas não consegui. Ela está namorando o pai do Jake.

- Epa, calma aí, o Allan? – me assustei mais ainda e comecei a hiperventilar.

- Calma você, não pensei que isso fosse te afetar... – Cris começou a me abanar e minha tia sabia porque eu estava assim.

- Eu sei o que ela quer... – apontei para ela que ficou meio sem graça.

- Bem, como eu sei que eu preciso de três padrinhos e três madrinhas, eu e Allan escolhemos as ordens. Ou pelo menos tentamos.

- Vai me dizer que Paige e Jake ficaram juntos?

- Era só o que me faltava....

- Preferi fazer o seguinte, vou colocar os nomes de vocês num saquinho e o nome dos meninos no outro.

- E quem são os meninos? – perguntei mais calma.

- Billy, Jake e Tom.

- Escolheu o Tom tia, que legal! E o Morty?

- Eles fizeram uma briga de braço lá, uma confusão, mas o Billy venceu. No final das contas o Morty não se importou tanto. Mas disse que vai fazer a despedida do Allan.

- Já to vendo no que vai dar... – Cris começou a rir e acabei rindo também.

- Tia, estou muito feliz, sério. O Allan é um ótimo homem.

- Eu sabia que isso ia acontecer! – Emy se pronunciou e todas olhamos para ela – Que foi? Precisava dar meu comentário no passado? Desculpa Cris, mas nunca imaginei que fosse ficar com ele.

- Eu também não... Mas não pensei que minha tia fosse CASAR com ele.

- Verdade! – minha tia deu um sorriso – Mas, eu não pensei em colocar você com o Jake, por isso vim aqui, quero que seja um sorteio e que você mesma o faça.

- Tenho escolha? – falei derrotada.

- Olha eu queria muito que não fosse assim, mas seria injusto com a Cris, que quer ir com o irmão. E assim ela não pode contestar.

- Vai que ela vai com o Tom? – Emy piscou e rimos – E o casamento? Quando é?

- No final de semana, e não me olhem espantadas, eu sei que a Paige vai embora e quero que casemos antes.

- Ah tia, sinceramente? Se a senhora adiantou tudo por minha causa, não precisa de sorteio. Eu vou com o Jake... – minha tia me abraçou bem forte e vibrou.

- Obrigada meu amor.

- De nada.

Me diz, eu tinha escolha? Ela adiantou tudo por minha causa, porque sabia que eu demoraria a voltar para o país. Era mais do que minha obrigação aceitar entrar com ele no casamento. Mesmo que isso fosse um martírio para mim, principalmente depois do nosso fatídico encontro, era um ponto sem volta. E eu sei que ele faria isso pelo pai.

Notas finais
Agora que o bicho vai pegar! ashuashuashuhsahuas