Life Changes
24 Capítulo 24 - Exposição
Notas iniciais
4 ANOS DEPOIS
PAIGE PDV
Morar em Andorra era magnífico. Sim, por incrível que pareça me adaptei ao clima frio por completo. Apesar de fazer dias bem quentes relacionados ao frio que fazia, as nevadas eram lindas. Como me formei em Turismo, emprego que não faltou para mim, e estou muito bem. Ainda pinto e tudo e tem uma amiga minha aqui que cismou que eu devo expor minhas artes, mas ainda não estou preparada para revelar tudo isso. Confesso que aprender o catalão, não foi nenhum pouco fácil, mas como sempre me esforcei para aprender línguas, senti a necessidade extrema de ser fluente nessa também. Minha vida, posso dizer tem caminhado de forma inesperada, mas com certeza tem sido maravilhosa. Consegui me recuperar do baque de ter perdido o bebê.
Em certos pontos, porque na verdade em sentido amoroso, bem, não tive muita sorte.
Namorei apenas dois rapazes, e eles não conseguiram me fazer esquecer o amor que sinto pelo Jake. É inexplicável como eu ainda consigo senti-lo perto de mim mesmo estando longe. Todo dia me pego pensando nele, naquela voz, sorriso, olhos... Disse para ele que não nos veríamos mais, e aqui estou. Vivendo minha vida, e espero que ele a dele. Agora ele já deve estar com outra mulher. Ainda me contato com a Emy, mas eu a fiz prometer que nunca mais ele saberia de minha existência. Pelo menos não por mim e muito menos por ela. Ela só não sabia onde eu morava. Já que meus contatos com ela eram por e-mails, não tinha como ela saber. Soube um pouco da vida do Jake por ela, mas nunca me aprofundei mais, para não ter que revirar uma história que tinha decidido deixar no passado.
Mas meus quadros teriam que ser colocados algum dia no mundo ai fora. Era minha paixão. Eu precisava daquilo, só não estava pronta.
E sabia que tudo viria a tona. E isso me deixava nervosa só de pensar, porque assim ele saberia de mim. E era bem capaz de como sou sortuda, reencontrá-lo.
JACOB PDV
Minha vida tinha dado uma reviravolta enorme.
Estava namorando firme com uma menina maravilhosa, e ela sempre respeitou meu espaço. O nome dela é Toph, e eu sei que ela fica enciumada por saber que eu ainda amo a Paige. Nunca contei a ela sobre o sapatinho, e escondi em um cofre no meu escritório. Seria uma lembrança de algo que nunca foi de fato explicado. Minha esperança de fato nunca morreu. Sentia que no fundo, um dia iríamos nos reencontrar, e queria que isso acontecesse, pelo menos para esclarecer os espaços em branco na nossa vida. Tom era o único que sabia disso.
Mudei muito, fiquei mais responsável, consegui um emprego em Manhattan, e queria muito formar uma família.
4 MESES DEPOIS...
(n/a: para adiantar: Foto de como ficaram depois...)
- Estamos indo onde? – porque fui arranjar uma namorada que gosta de artes assim como ela gostava?
— Uma inauguração de uma exposição na galeria de uma conhecida minha do trabalho.
— Mas meu amor, você sabe que eu não gosto dessas coisas...
— Eu sei querido, mas me faz companhia uma vez apenas... – ela fez beicinho – Poxa,
você nunca está comigo.
Será que é porque sempre me lembro dela e daqueles jeitos que ela costumava falar quando íamos a essas exposições?
— Sabe pelo menos se é alguém famoso?
— Bem, me disseram que ela expôs algumas artes dela em uma feira que teve em Andorra.
— E onde diabos é Andorra? – Que lugar é esse?
— Nunca ouviu falar? – ela me olhou surpresa.
— Deveria?
— É considerado um lugar maravilhoso para esquiar depois do Chile, mas é mais conhecido ainda por causa do turismo. O lugar é realmente lindo. – ela falava com aqueles olhos de criança feliz.
— Sim, mas você ainda não me disse onde fica...
— Fica perto da Espanha e da França...
— E de onde a madame sabe tudo isso? – perguntei curioso.
— Amo lugares exóticos, e ela era de lá, então resolvi pesquisar um pouquinho. – ela me deu um sorriso encantador e piscou os olhos pra mim – Agora vai se arrumar que estamos atrasados.
PAIGE PDV
— Pois bem, devo admitir que suas obras são muito bonitas, minha querida. – um dos grandes donos de galeria de NY me dizia aquelas palavras que soavam como música nos meus ouvidos – Pretende vender todas?
— Na verdade não sei. – ri um pouco sem graça – Gosto de todas elas e tenho mimo por algumas. Minha amiga disse que algumas eu posso manter na galeria para exposição...
— E pretende ficar quanto tempo na cidade?
— Até ter todos os documentos necessários das obras. Depois volto para Andorra.
— Muito diferente esse país que está... Mas a senhorita é daqui não é?
— E tem como não ser, olha só para ela! – meus grandes amigos apareceram e riram quando eu me virei e me assustei...
— Quatro anos e simplesmente não reconhece mais a minha voz? — Emy fez uma feição de triste e depois começou a rir – Também nunca ligou pra mim, apenas mandava aqueles e-mails frios e sem sentido. – ela fez cara de criança abandonada e quase chorei.
— Que saudade de vocês! – disse emocionada. Acabei abraçando os dois ao mesmo tempo.
— Quem estava com saudade éramos nós... – Tom me olhou com um olhar mais triste, pois tudo mudou depois que fui embora...
Conversamos mais um tempo sobre nossas vidas e ainda era muita surpresa pra mim que eles dois ainda estivessem juntos. Mas eles estavam felizes. Isso que importa.
— Pena que não pôde ir ao nosso casamento...
— Mas irei à festa de aniversário de cinco anos de casamento de vocês...
— Que festa?
— Ops... – calei minha boca sem graça.
— Linguaruda! — Emy me mandou uma língua e começou a rir – Amor, como ela não pôde ir à nossa festa, eu falei pra ela que quando fizéssemos cinco anos, faríamos uma festa e ela poderia ir.
— Ah claro... Mas ainda acho que foi tolice não ir à original. — ele fez cara de cachorro sem dono e ficamos com pena.
— Desculpa meu amigo, desculpa mesmo. — o abracei e senti que aquele abraço tinha sido mais forte do que o outro.
— Assim como foi burrice sumir... Ele te ama... — ele sussurrou no meu ouvido e eu congelei. Como ele poderia falar isso pra mim daquela maneira?
— Não fale besteira. — me desvencilhei dele.
— Só estou falando a verdade...
E foi nesse exato momento que Ane me chamou para ir à entrada receber um amigo dela que veio de Boston. Mas não deveria ter sido esse momento, porque ao dar o primeiro passo, eu o vi parado em frente a um quadro, exatamente o quadro dele.
Escondi-me entre as pessoas na outra ponta e fui andando rápido para chegar ao tal amigo de Ane. Mas quem disse que eu estava com cabeça para falar com mais alguém depois de tê-lo visto?
Eu estava a mil, minhas mãos tremiam, meu coração batia descompassado, eu suava, minhas pernas começaram a bambear.
— Então Giulio, essa aqui é minha amiga... — Ane veio com ele me apresentando de forma normal, mas eu não conseguia me concentrar.
— Então quando poderei ser apresentado formalmente a obra tão preciosa da exposição? — ele disse num sorriso bem amigável para mim e eu só pude retribuir.
— Desculpe, estou um pouco nervosa, é minha primeira exposição aqui em NY... — ele assentiu como se entendesse exatamente o que eu estava falando. Coitado, mal sabe ele que estava assim por culpa do homem que amava — Ane, pode mostrar a ele pra mim, por favor, os quadros? — falei de forma simpática e amigável.
— Lógico minha querida, vai tomar uma bebida, mas depois nos encontre porque é sempre melhor a própria artista falar sobre seu trabalho.
— Com certeza.
Eu ia era fuzilar a Emy... Como ela poderia fazer isso comigo? Ele não deveria estar aqui, e logo com o quadro dele no centro da exposição.
JACOB PDV
Cheguei à exposição e deixei a Toph bem a vontade. Ela foi em direção a outras pessoas, provavelmente conhecidas dela, e fui perambular pela galeria. Afinal estava curioso para conhecer a tão famosa artista de Andorra. Foi então que notei um quadro que chamava mais atenção diante dos outros.
Na verdade era muito bonito, mas quando fui chegando mais perto, ele parecia triste. Não sei por que, mas me identifiquei logo com ele. Era como se a pessoa tivesse pintado o quadro pensando em mim. Estranho, nunca me senti assim diante de obras de arte, principalmente quando ia com a Paige para algumas. E mais uma vez pensei nela... E meu coração por fração de segundos se encheu de esperança... Mas logo ele desfaleceu e caiu na realidade de que a esperança já deveria ter acabado há muito tempo.
Será que a encontraria algum dia? Queria saber como ela estava, se tudo estava bem, se ela tinha me esquecido... Eu tinha decorado aquelas falas dela do livro, e ficava passando aquilo o tempo todo na minha mente, e ao mesmo tempo não conseguia tirar aquele quadro das minhas vistas. Estava completamente hipnotizado.
Havia então um papel na frente dele e algumas pessoas iam puxando ele e lendo. Resolvi ler também...
(Panfleto)
Repórter: De forma rápida e sucinta, o que lhe lembra esse quadro? Qual foi sua inspiração em fazê-lo?
R = Bem, chega a ser complicado demais falar sobre isso, mas tive um relacionamento que não deu certo. Os dois saíram machucados dessa relação e eu não tinha mais forças para agüentar, porque logo após nosso término, não nos vimos mais. Então, um dia lendo um livro que amo que é 'A marca de uma lágrima', e sim pode parecer estúpido, muitos falam isso pra mim, num momento frágil da minha vida, li um trecho e me inspirei.
Repórter: E você pode falar que trecho foi esse?
R = 'E o meu amado o que diria se eu partisse?....
A marca desta lágrima
testemunha que eu o amei perdidamente
Em suas mãos depositei a minha vida
e me entreguei completamente.
Assinei com minhas lágrimas
cada verso que lhe dei
como se fossem confetes
de um carnaval que não brinquei
Mas a cabeça apaixonada delirou
foi farsante, vigarista, mascarada,
foi amante, entregando-lhe outra amada,
foi covarde que amando nunca amou...'
Repórter: Muito bonito... E dai foi um passo para pintar?
R = Exatamente... (risos)
Pois bem leitor, aproveite e aprecie essa grande obra de arte. E se quiser adquiri-la, fique para o leilão dela hoje mesmo na nossa galeria.
Quadros assinados por Paige Spencer!
(Fim do Panfleto)
permaneci estático diante do panfleto. Não sabia o que fazer. Olhei novamente para o quadro e me enchi de emoção. Olhei para os lados procurando alguém familiar, mas não vi ninguém. Se essa exposição era dela, onde estava a família? Os pais, a tia, os primos?
Quase que hiperventilei, mas tentei manter a calma. Aquela exposição era dela e esse quadro era sobre nós!
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