Life Changes
23 Capítulo 23 - Explicações
Notas iniciais
Enjoy it!
JACOB PDV
Não era possível que ela tinha me escondido isso. Logo isso.
Saí do quarto desorientado e coloquei a caixinha em frente a mesinha da sala. Devem ter passado horas em que eu a encarava, por que só vi o Tom estalando os dedos na minha frente.
- Jake, o que ta acontecendo meu irmão? – ele parecia realmente assustado – Que sapatinho é esse? – ainda olhava pra ele como se estivesse me recuperando de um soco. Olhei para o lado, e Emy também encarava o sapatinho apavorada.
- Você sabe. – levantei e apontei o dedo pra ela – Você sabe. – falei convicto e ela apenas me encarava.
- Não sei de nada Jake. – ela recuou e quando eu ia partir pra cima dela pra descobrir alguma coisa, Tom me parou no caminho.
- Ela está sendo sincera.
- Como sabe? – quase gritei – Elas duas nos fizeram de idiotas, como acha que ela está sendo sincera com você?
- Porque é verdade, Jake. Eu não sei o que é isso, mas se for o que eu estou pensando...
- Ela está grávida. – Tom concluiu. Sentei e quase arranquei os cabelos da cabeça.
- Primeiro ela me engana, depois some, e agora esconde isso de mim.
- Vou falar com a mãe dela. – Emy saiu da sala e pegou o celular. Tom sentou na outra poltrona e ficamos encarando aquele sapatinho por uns segundos.
- Isso se esse filho for meu. – mil ideias surgiam na minha cabeça.
- Jake...
- Pode ser de qualquer outra pessoa. – dei de ombros tentando me confortar.
- Jake.... – Tom já aumentava o tom de voz.
- Pode ser daquele filho da mãe do Timoty.
- Jacob Sullivan. – olhei pro Tom – Não me repete isso.
- Tom... – levantei e Emy chegou na sala tentando entender o que tava acontecendo – Ele pode saber onde ela está.
- Timoty? Logo o imbecil que ela mais odeia? – ele riu – Acho bem difícil.
- O que aconteceu aqui minha gente? – ela olhou pra gente – Você está mesmo imaginando que esse filho é de outro?
- Estou tentando achar respostas. – olhei pra ela frio – Você deve saber de alguma coisa sim e não está querendo me contar.
- A ultima vez que falei com a Paige, foi bem antes de vocês terem a ultima briga aqui, e ela não me contou nada. Estou tão perdida nessa historia quanto você. – olhou para o telefone – Falei com a mãe dela. Ela está viajando para um cruzeiro com o marido no Caribe e disseram que a ultima noticia que tiveram da Paige, é que ela está bem.
- Grande. – falamos ao mesmo tempo.
- Eu vou descobrir alguma coisa. Nem que eu passe minha vida toda procurando. As pessoas só somem assim quando fazem parte do programa a testemunhas ou morrem. E sabemos muito bem que nenhuma das coisas aconteceu. – peguei meu casaco, minhas chaves e fui procurar por alguma informação. Depois daquele sapatinho, alguma coisa teria que ser esclarecida.
Meia hora depois, estava na porta da casa do Timoty. Minha situação já era tão desesperadora que não sabia mais aonde ir. Eles já tinham namorado, quem sabe não teria alguma pista dela?
- Pois não? – a empregada atendeu e tentei ser educado.
- Timoty está? – tentei dar o meu melhor sorriso – Sou um amigo dele, Jacob.
- Só um minuto. – ela fechou a porta e fiquei alguns minutos na porta da casa dele. Já estava desistindo quando ela se abriu e ele saiu para me ver. Não estava com a cara muito boa, mas... Isso não iria me assustar.
- A que devo a visita inesperada Sullivan?
- Preciso da sua ajuda. – ele arqueou as sobrancelhas.
- Minha ajuda? – ele riu e depois pareceu se elucidar – É sobre a Paige? – assenti nervoso – Hilário isso sabia? Não consegue segurar sua namorada e depois me vem com essa?
- Não é pra ser engraçado. – fechei a cara – Vocês dois já namoraram, imaginei que soubesse de algo, ou sei lá, uma pista.
- Não. – ele encostou-se à parede e cruzou os braços – Depois que ela me largou por causa da vingança idiota dela, não nos falamos mais. Soube que ela não está mais no país. Fez o que pra ela também?
- Olha, agradeço por me responder, mas os meus problemas com ela não tem nada a ver com você. – ele riu.
- Claro que não, mas que você não soube a segurar, realmente não soube. Pra ela fugir... – eu ia partir pra cima, quando uma mulher saiu da casa com uma criança pequena.
- Timoty... – a criança andava apoiada nas mãos da mãe – Vamos logo que ele tem que dormir.
- Ah sim. – pegou o pequeno no colo – Pelo menos tenho que agradecer a Paige uma coisa... – olhava para o filho parecendo um bobão – Me ensinou a dar valor a coisa mais importante da minha vida.
- Qual o nome dele? – engoli em seco, isso me lembrava dos sapatinhos.
- John. – a morena apareceu ao lado dele também toda boba – O nome do meu pai.
- Que legal. – sorri inconsciente – Ele se parece com você Timoty. – ele sorriu.
- Valeu. – olhou pra mim – Olha cara, ela vai aparecer. Fica tranquilo. Ela é assim mesmo, sempre foi. Eu tenho que levá-los em casa, a gente se vê na faculdade.
- Beleza. – já ia me virando, quando voltei de novo – Timoty. – ele me olhou – Desculpa pelo que aconteceu no final do campeonato.
- Que isso. – ele sorriu sincero – Mereci aquilo. Acordei pra vida.
Quando entrei no meu carro, quase tive um surto. Será que seria assim? Todos seriam felizes a minha volta e eu teria que passar por isso para ver que não a teria mais ao meu lado e que essa criança não estaria nos meus braços?
Poxa, era muito difícil ver até o Timoty com um filho lindo no colo e eu sendo privado do meu.
PAIGE PDV
- Sabe o que você está fazendo com a gente? – meu pai entrava no quarto me olhando furioso – Quanto mais eu tenho que mentir pra sustentar sua burrada?
- Pai, eu não quero falar sobre isso.
- Mas minha filha... – ele sentou na cama e logo em seguida minha mãe entrou – Ele precisa saber da verdade. Se a sua amiga perguntou sobre o sapatinho, eles sabem que você está escondendo isso.
- Eu não quero que ninguém saiba de nada, estão me ouvindo? – minha mãe parecia emocionada – Não quero ninguém partilhando de uma dor que é só minha. Já paguei por todos os meus erros perdendo essa criança, não quero ver ninguém me olhando com pena.
- Não é isso Paige. – ela me olhou – Não é questão de pena. É questão de responsabilidade. Ele não tem culpa de você ter ido embora grávida. Não imagina como a cabeça dele está não?
- Imagino sim, mãe. – sequei as lágrimas que já corriam soltas – Foi ele por acaso que perguntou alguma coisa a vocês? – eles se encararam e não responderam – Ele deve estar achando que estou grávida de qualquer outra pessoa, muito menos dele. Provavelmente deve até estar achando que a criança é do Timoty. Quer dizer, era... – segurei o choro e minha mãe me abraçou.
- Paige... Vocês dois precisam conversar.
- Não. – neguei veemente – Essa história acabou. Perdi tudo, ele, o bebê... Só tenho minha carreira. Vou seguir minha vida sem o Jake, e quero muito que respeitem a minha decisão e fiquem de bico fechado.
- Sabe que está pedindo algo terrível não é? – meu pai levantou e andou de um lado para o outro – Como acha que vou encarar o Alan, pai dele? Como se fosse a coisa mais normal do mundo? Nós andamos no mesmo meio.
- Vocês quase nunca estão na Califórnia. As coisas vão passar, por favor... – chorei ainda mais – Não aguento mais essa história.
DOIS MESES DEPOIS
JACOB PDV
Estacionei o carro em um restaurante costumeiro. Meu pai me esperava para resolver algumas pendências e acabei indo arrastado. Não tinha mais disposição para fazer nada. Saí de lá e ele estava sentado em uma das mesas da parte externa. Sorriu assim que me viu, e me vi forçado a sorrir também.
- Você está com a cara péssima. – nos abraçamos e logo em seguida sentamos.
- Adivinha porque... – o garçom chegou e nos entregou o cardápio – Um café bem quente e um brownie.
- Não vai almoçar? – ele olhou para o relógio – São uma da tarde.
- Estou sem fome.
- Então... Me traz um expresso, um pão de batata e um brownie também.
Assim que o garçom anotou os pedidos e nos deixou sozinhos, ele jogou o celular na mesa e tirou os óculos da cabeça.
- Por que não esquece essa historia meu filho? Isso está acabando com você.
- Acha que é fácil pai? – olhei derrotado pra ele – E se aquela criança for minha?
- Ela pode ter feito o que fez, mas não é do feitio dos Spencer serem covardes. Ela quer um tempo para viver longe de você, e se esse menino ou menina for mesmo seu, ela vai aparecer e te contar.
- Duvido muito. – encostei-me à cadeira – E o que mais me irrita é que os pais dela sabem de tudo e não me contam nada.
- E não vão. Acredite. – nosso pedido chegou e nos servimos – Toda família tem segredos. A deles será esta para o resto da vida, ou até ela decidir por certo te contar.
- Ainda tem contato com eles?
- Sou advogado da Sofia não é? – ele riu e eu também – E ela me contou que não sabia de nada. Nem os filhos. Na verdade estão todos muito surpresos com a atitude dela.
- Eu a amo pai. – falei depois de uns segundos de silencio – Será que isso não conta pra eles me ajudarem?
- Isso já deixou de ser questão apenas de amor Jacob. – ele já estava sério de novo – Você deve estar aprendendo isso na faculdade. Ou já aprendeu... Quantos divórcios acontecem ao longo do ano?
- Milhares.
- Motivos?
- São tantos pai, que não da pra enumerar... – já estava pensando em vários, mas até fazer a lista.
- Uma vez eu defendi uma senhora, de seus quarenta e poucos anos. – parei para prestar atenção – Conversamos bastante e em nenhum momento a palavra amor foi mencionada no depoimento dela. Tudo que os dois queriam era o divorcio e brigavam na justiça por causa de dinheiro, da casa, dos carros... Depois eu vi que não era o primeiro casamento e nem seria o ultimo a acabar daquela maneira.
- Como assim?
- Como eu disse, os dois não tinham falado de amor. E nem passaram pela conciliação porque era litigioso. Ele não queria o divorcio. Mas quando a juíza perguntou se eles ainda se amavam, os dois se encararam e não responderam nada.
- Ou seja, não se amavam mais. – conclui e meu pai me parou com a mão.
- Eu também imaginava isso. Na verdade, todos no tribunal, exceto a juíza. Quando ela olhou para os dois, percebeu pelos olhares que o relacionamento deles tinha acabado por muitas outras coisas e não porque tinham deixado de se amar.
- Não entendi. Milhares de casamentos se acabam porque o amor acaba.
- E muitos se acabam por outras razões que não tem nada a ver com amor. – agora entendia onde ele queria chegar – Acredita que eles dois desistiram do divorcio? Ela, porque depois da pergunta disse que viu nos olhos do marido que ele ainda amava, e ele porque a raiva que tinha ficado dela se dissipou ali.
- E o que isso tem a ver comigo e com a Paige?
- Demorou um pouco, mas esse casal se acertou. Precisaram apanhar muito e passar por tudo aquilo para verem que o amor ainda existia e que eles dois podiam vencer os obstáculos que o casamento, às vezes, impõe, mas conseguiram. A Paige não está aqui para vocês se acertarem, mas se essa criança for sua de fato, ela vai voltar e vocês dois vão se acertar. – respirei fundo, finalmente ele tinha chegado ao ponto – Você a ama sim, e acho que ela também te ama, senão não teria ficado naquele apartamento tanto tempo depois que vocês dois brigaram.
- Mas não dizem que o amor ultrapassa todas as barreiras?
- O amor é a base de tudo sim. – ele me encarou – Mas ninguém se alimenta de amor. Ninguém paga as contas com amor. Dele tem que vir compreensão, diálogo, é por causa dele que perdoamos os erros. Ele pode ficar intacto pra sempre, e o cotidiano o manter longe e o relacionamento acabar, ou ele pode morrer devido a todos os problemas.
- Isso quer dizer que eu vou ter que esperar por ela pra sempre?
- Outra coisa que aprendi com a vida. Tudo se dá um jeito, a gente se amolda com a situação. Se um dia for pra vocês ficarem juntos, vocês vão ficar. Se vocês se amam de verdade, tudo vai se ajeitar. Se não... Vão aprender a viver separados.
- Isso é injusto.
- Isso é a vida. – ele terminava o café – Quando somos jovens queremos tudo pra ontem, e quanto mais envelhecemos, mais vemos que nem tudo dá pra ser conquistado com o estalar dos dedos. Eu me vejo em você, meu filho. Você é idêntico a mim.
- E como o senhor conseguiu toda essa paciência? Toda essa calma pra falar assim?
- Além de ver todas as situações possíveis dentro de um tribunal? – ele riu – Com sua mãe. Ela me ajudou a amadurecer muito. E passamos por muitas coisas para ficarmos juntos... – era difícil para ele falar dela e eu de ouvir – Por isso que estou te falando... Por experiência própria, se for para vocês dois ficarem juntos... – ele piscou – Vocês vão ficar.
(I’m already there – Lonestar)
Por incrível que pareça, fui pra casa mais relaxado. Mesmo imaginando tudo o que poderia acontecer se ela atravessasse aquela porta com uma criança nos braços... Quando Tom conversava comigo, sempre perguntava se eu a tinha perdoado mesmo por causa desse bebe, mas depois ele percebia que isso tinha sido muito antes. E ela precisa saber disso...
Acabei me ocupando com outras coisas na faculdade. Quanto mais os semestres avançavam, mais difícil tudo ficava, e eu precisava ocupar minha cabeça com outra coisa que não fosse Paige.
Tentava me convencer todo dia que ela nunca mais apareceria na minha vida. Como o tempo passava e continuava sem nenhuma noticia dela, percebi que tinha que continuar com a minha vida sem ela. Ela não seria tão ruim de me esconder nosso filho...
PAIGE PDV
Caminhava pelo parque aproveitando um dia que não estava tão frio e que era possível passear sem escorregar no gelo. Já tinha me mudado de país e apreciava a vista que agora tinha possibilidade de ver. Via os casais felizes caminhando com seus filhos e respirava fundo por não estar tendo a mesma oportunidade. Tinha estragado tudo. Coloquei a mão em minha barriga como sempre fazia quando via uma criança pequena de colo continuei minha caminhada. Já tinha se passado um tempo e eu não podia mais me prender a um passado que nunca teria futuro. Teria que aprender a me adaptar de vez. Erguer a cabeça e seguir em frente e procurar nunca mais cometer os mesmos erros. Já tinha pago caro por eles.
JACOB PDV
Chegava ao apartamento e Tom estava sentado conversando com Emy. Ela contava super feliz que depois de tanto tempo tinha se comunicado com Paige por e-mail. Já tinha deixado há muito tempo a euforia de saber algo dela pelos outros.
Tom me chamou com as mãos na esperança de que eu fosse querer saber algo dela. Andei até o quarto e os ignorei. Não queria mais sofrer. Não seria justo ouvir noticias sendo que nenhuma pergunta sobre minha vida era dita.
Do que adiantaria sentar e ouvir que ela estava bem, cuidando de uma criança linda, e que não queria nem saber de minha existência? Era doloroso demais descobrir que tinha sido esquecido... E mais ainda de perceber que eu nunca iria esquecê-la, mesmo que eu tentasse ao extremo.
Infelizmente ela era o meu carma. Minha sina, ou seja lá mais o que se fale desse tipo de coisa... Ela tinha me ensinado em pouquíssimo tempo o que era amar de verdade, e em contrapartida, a aprender as lições tão dolorosas da vida.
Notas finais
Espero que tenham gostado!
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