Life Changes
17 Capítulo 17 - A Ilha
Notas iniciais
Enjoy it!
PAIGE PDV
Parecia que estávamos naquelas épocas de cabarés. A ilha estava toda enfeitada, as pessoas vestidas a caráter e nós totalmente desfocados da situação.
- Desculpa, mas vocês são convidados dos donos? – chegou uma senhora sorrateiramente, e super simpática.
- Lógico, estávamos exatamente procurando por eles, já que estão guardando os nossos trajes. – Tom e Jake nos empurraram e Tom tomou a conversa.
- Ah então me acompanhem, vou chamá-los...
Fomos andando na direção da senhora vestida de cortesã. Eu sabia que isso não daria certo, já que eles iriam tentar nos expulsar. Nesse grande momento que Emy me chamou e os pais dela já estavam inteirados do lugar e de todos os amigos, e me mostrou o barco se afundando cada vez mais e indo para o fundo do mar.
- Jake... – chamei-o de fininho e ele estranhou, quando olhou para onde eu estava olhando e chamou o Tom.
- Ferrou! – Tom colocou a mão na cabeça e perguntou se pelo menos tínhamos salvo algo.
- Olha, cara, a única coisa que tem aqui é a carteira com algum dinheiro e meus documentos. Onde você acha que vamos sacar dinheiro se não tem caixa eletrônico?
Olhei novamente para os pais da Emy e eles estavam sendo levados para outro lugar. De repente o dono da ilha apareceu todo vestido de mafioso e me olhou de cima a baixo.
- Mais respeito, por favor! – Jake interrompeu a olhada e o cara deu uma risada cínica.
- Cheeky boy! Prendere Il ragazzo e Il suo amico via da qui. Voglio parlare a due. – ele olhou para algum capanga e ele tomou a frente.
- Que legal, ele é italiano! – falei com cinismo e ele riu mais ainda. Os seguranças agarraram os meninos para longe dali e antes que fizéssemos algum alarde, o doido me impediu.
- Qual è Il tuo nome la mia bella?
- Desculpa, mas não falo italiano. – falei um tanto descontente e ele me olhou decepcionado.
- Mas eu falo, se é só essa língua que sabe falar. – Emy me interrompeu e olhou diretamente para ele – Non si può parlare la nostra lingua, ma in realtà a capirte le nostre reazioni.
- Io parlo la vostra língua, si, ma piace quando la gente non capisce quello che dico. – ele voltou a atenção para mim e vi que realmente era um homem muito bonito – Gostaria de saber o que estão fazendo aqui.
- E eu queria saber por que foi tão nojento assim com meu namorado. Ele e meu amigo não merecem esse tipo de tratamento. – já estava irritada e Emy estava tentando me acalmar.
- Olha, senhor...
- Argo Catrini.
- Senhor Catrini... – ela continuou – Não tínhamos nenhuma intenção de atrapalhar sua reunião, mas é que nosso barco afundou bem ali perto da sua costa, e só tínhamos esse lugar para ficar. Será que poderíamos ter sua ajuda?
- Mas é claro que sim. Só tem uma condição.
- Sabia que não viria algo de bom disso ai. – todos me olharam – Opa, falei alto. – eles estavam me olhando abismados e a cara dele mudou para insatisfação.
- Pode falar. – Emy o olhou sem graça.
- Pois bem, temos um problema. Nossas dançarinas do show de cabaré sumiram, e preciso de duas vocais e dançarinas para agora. Será que podem fazer isso?
- Epa, calma ai, ficou doido? – Jake apareceu com Tom.
- Conseguiram se desvencilhar dos grandalhões? – Argo riu e apareceram duas mulheres vestidas a caráter falando algo no ouvido dele – Olha vamos ser sinceros, eu preciso de vocês assim como vocês precisam de mim. Se não me ajudarem, não ajudarei vocês. E pelo visto o barco não esta em condições nem de ser consertado.
- Sabia que isso não ia ser legal. – estava ficando com dor de cabeça e Jake queria partir pra cima dele.
Puxamos os meninos para um canto, pedimos licença e quando procuramos pelos pais de Emy, eles estavam sentados, conversando com umas pessoas que pareciam influentes e todos estavam bêbados.
- Embebedaram os seus pais para não participarem disso! – falei baixinho pra ela e ela ficou desesperada.
- Eu sei que eu deveria manter uma postura normal, mas não acha que isso vai ficar fora de controle? – ela falou e sorriu tentando disfarçar o nervosismo.
- Eu reparei que eles usam armas e que praticamente todos aqui são americanos. Acho melhor tentarmos ir embora daqui. – Tom estava olhando para os caras em volta revoltado.
- Acho melhor fazer o que eles estão pedindo. – falei calmamente.
- O QUE? – eles me olharam assustados e chega dei um salto.
- Se fizermos o que eles pedem, eles vão nos soltar.
- Não esta vendo que está falando absurdos? – Jake me olhou enfurecido e me puxou para um canto mais reservado ainda – Eles vão nos matar. Provavelmente não era para descobrirmos essa festa.
- Jake, amor, ele não parece tão mal assim. – falei tentando me manter calma, e ele reparou.
- Está falando isso....
- Porque o barco afundou ali. Não vai ser em um dia que eles vão arrancar de lá. E se o GPS do celular de alguém ai estiver funcionando, vão achar a ilha. E se nos matarem também.
- Você está doida.
- Eu não vou fazer nada demais a não ser dançar.
- Eu não quero minha namorada dançando para um monte de marmanjo.
- E então decidiram? – Argo veio na nossa direção com os capangas e Emy e Tom a tiracolo.
- Tudo bem. – ele respirou fundo e eu assenti para ele.
As mulheres nos levaram para uma sala tipo camarim e começamos a nos arrumar. Emy estava super engraçada e eu ria da minha roupa.
- Isso tudo para salvar a própria pele. – ela olhava para a meia calça e eu ria mais ainda.
- Nem ligo, os trajes até que são legais!
- Verdade...
- Vamos...
JACOB PDV
Não estava nem um pouco satisfeito com a situação. Primeiro porque elas tinham que dançar naquele palco todo enfeitado. Segundo que eu tive que colocar uma roupa de gangster toda apertada e não podia sair do lugar. E terceiro, e isso vai soar bem safado, porque nunca fui numa festa dessas, vestido desse jeito quando estava solteiro e podia ter esse monte de mulher se jogando aos meus pés. (n/a – roupa deles)
Quer dizer, elas estavam e mesmo eu e Tom babando descaradamente por elas, tentávamos resistir bravamente. E olha que não é fácil não.
O palco estava todo escuro e de repente uma musica começou a tocar...
Com os sapatos elas começaram a fazer barulho no assoalho e a estalar os dedos de acordo com a musica e as luzes iluminaram uma por uma. Eram cinco no total. Paige ficou na frente delas e Emy logo atrás a direita. Elas começaram a dançar sensualmente e todos os homens ficaram babando. Nós dois então nem se fala. As vozes delas não eram aquelas sem duvida, mas no momento ninguém estava ligando. Atrás apareceu uma placa falando sobre a apresentação.
As duas mulheres da ponta foram para as barras de pole dance. E nos aproximamos, já que os capangas nos empurraram para mais perto. Acabei ficando bem de frente para o palco. Ela me avistou e começou a remexer no chapéu e piscou para mim. Emy estava dançando com a menina ao lado dela, e eu ainda estava tentando entender de onde elas sabiam aquela coreografia. A roupa dela estava me deixando com um calor fora do comum e Tom já tinha tirado o chapéu e estava se abanando. O dono da festa apareceu com uma mulher ao lado dele e começou a assobiar. Paige então foi tirando o casaco que estava usando e ficou só de top. Jogou em cima de mim e elas puxaram cadeiras para perto delas e se sentaram. Ela continuou cantando sozinha e as meninas dançando e ela estalando os dedos com as costas encostadas na cadeira. De repente todas elas sentaram e em seguida escorregaram o corpo para o chão. Ela veio de joelhos andando na minha direção e me deu um beijo na boca o que arrancou os gritos da platéia. Depois de um sorriso bem cínico pro meu lado, as meninas a puxaram novamente para o centro do palco e elas terminaram a coreografia.
Quando as luzes se apagaram o tal do Argo veio na nossa direção sorrindo todo bobo.
- Olha, eu vou dizer, se estivesse solteira eu investia. Mas pelo visto todos eles gostaram da apresentação. Vou cumprir minha promessa, mas se quiserem podem aproveitar a festa. – ele piscou para mim e logo em seguida puxou mais uma mulher e foi andando para uma sala reservada.
- Eu tenho medo desse cara. – Tom falou perto de mim e os capangas saíram de perto da gente.
As meninas apareceram logo em seguida andando e rindo igual umas bobas. Alguns caras estavam parabenizando-as pela apresentação e elas riam.
- Parece que gostaram de dançar hein? – falei meio sarcástico e Paige me mandou uma língua.
- Se ficou com ciúmes eu posso fazer uma dança particular para você que tal? – ela foi chegando perto toda sensual e eu devolvi o casaco.
- Será que ele nos deixa levar os trajes? – cheguei mais perto e dei um beijo nela.
- E então meninos o que ele falou pra vocês? Eu o vi aqui. – Emy parecia preocupada.
- Ele nos liberou, mas perguntou se não queríamos aproveitar mais a festa. – Tom falou mais calmo e pegou um drink no bar.
- Eu acho maravilhoso nós ficarmos. – os pais dela apareceram completamente bêbados e rindo a toa.
- Melhor seria se levássemos logo eles para casa não é? – Paige olhou preocupada e encarei o Tom.
- Vamos falar com ele.
Argo não deixou que fôssemos embora tão cedo, afinal todos os convidados dele queriam parabenizar as meninas pela apresentação. Ele então deu a chave do quarto para colocá-los lá caso dormissem pelos cantos.
- Eu não disse que ele é gente boa? – Paige piscou para mim e eu revirei os olhos.
- Se não tivesse feito o que ele pediu, provavelmente teria uma bala na sua cabeça agora. – falei perto do ouvido dela e ela estremeceu.
- Agora que me dei conta, eles são mafiosos de verdade não é? – ela olhava sem graça em volta e eu gargalhei.
- Não acredito que percebeu isso só agora!
- Eu tinha percebido muito antes, mas a ficha só caiu mesmo agora! – ela encostou-se a mim e eu ria.
- Que foi? – Emy chegou para ouvir o que era e Paige falou que não era nada.
- Agora pergunta da noite... – Tom se manifestou – Como você sabia dançar daquele jeito? – ele a olhou interrogativo e ela ficou vermelha.
- Que tal esquecermos isso e irmos dançar? – ela o puxou para pista de dança e levei a Paige junto.
PAIGE PDV
De um todo até que as coisas não foram tão ruins quanto eu pensava. Tudo bem que tivemos que levar os pais da Emy para o quarto que o Argo nos deu, mas a festa estava divertida. Começamos a dançar e parecia que a festa tinha ficado mais cheia do que antes. Já era noite e o som rolava solto. Os meninos conseguiram aprender umas bebidas diferentes com os barmen e depois vimos que já era tarde.
Argo prometeu que ia nos ajudar a refazer os problemas do barco e Emy ficou muito agradecida. No final das contas os meninos acabaram fazendo amizade com ele. Ninguém merece. Amizade com mafioso. Só eles mesmos!
Como ficou muito tarde para irmos embora para casa, Argo nos deu a chave de outro quarto com duas camas de casais. Como estávamos mortos de cansados, fomos para lá e dormimos direto.
No outro dia levantamos e o café da manhã chegou ao quarto como se estivéssemos em um hotel. Coisa essa que nos animou e muito.
- Meninos, até que enfim encontramos com vocês. – os pais de Emy entraram no quarto com outras roupas e nos viram vestidos com outras roupas também – Que roupas são essas?
- Ah sim, o dono daqui nos deu roupas novas mãe. Já que o barco afundou. – Emy se levantou e a face de arrepio da mãe dela foi cômica, para não dizer trágica.
- Como assim o barco afundou? – o pai dela perguntou e ela começou a contar a historia. Só omitiu a parte da dança e da ameaça.
Argo apareceu no quarto todo sorridente e vestido como um real mafioso. Ele conversou com os pais dela e se fez de santo, e quase rimos naquele momento. Ele perguntou se tudo estava bem e disse que o helicóptero estava nos esperando. Demos alguma coisa para os pais dela comerem e continuamos tentando explicar porque eles não se lembravam de nada. Quando a palavra “bêbada” era pronunciada a mãe da Emy sempre ficava vermelha.
Voltamos para casa e Argo prometeu que quando passasse pela Califórnia ele ligaria para os meninos. Afinal ele tinha uma mansão por lá e nos chamaria para as festas.
JACOB PDV
Já no helicóptero as meninas acabaram encostando e dormindo nos nossos ombros e os pais da Emy sempre simpáticos falando bem do Argo. Mal sabem o que passamos para sair limpos e mesmo assim ainda ficamos com a pulga atrás da orelha com essa gentileza toda dele. Depois que pisamos na Califórnia e que chegamos em nossas casas é que realmente me senti satisfeito.
- E então, será que aquela dança ainda esta preparada para mim? – falei no ouvido dela e Tom revirou os olhos.
- Deveria ter ido para a casa da Emy. – ele foi andando para o quarto e rimos.
- Será que poderíamos descansar primeiro amor? Eu tenho que fazer dois trabalhos da faculdade.
- Ok... – meio a contragosto, mas assenti...
DOIS MESES DEPOIS....
(All American Rejects – Move Along)
Estávamos quase nas férias da faculdade e eu estava dando graças a Deus. Meu relacionamento com a Paige estava as mil maravilhas, sempre estávamos juntos, saíamos, Tom e Emy sempre por perto para nos acompanhar. Às vezes víamos filmes no apartamento, íamos as boates, fazíamos uns passeios pela cidade. O ultimo que fizemos foi uma trilha, idéia da Emy, que acabou comigo e com o Tom.
Não é porque somos homens que agüentamos andar mais de seis horas em meio a trilhas fechadas e cheio de mosquitos perturbando o nosso juízo... Estou cheio de mordidas por causa disso. E o pior é que ainda temos que nos fazer de bons homens porque elas ficam com medo dos barulhos a noite na barraca. Faça-me o favor. Ainda lembro-me delas falando...
Voltando um pouquinho...
- Ah que isso amor, não consegue mais andar não? – Paige estava a toda com Emy ao lado dela olhando para o mapa.
- Será que vocês poderiam me dar o Redbull ou qualquer outro energético que tomaram? – Tom estava morto, já tínhamos subido muito e estávamos mortos.
- Ah que isso amor, olha só, subimos tão pouco.
Na altura que estávamos, dava pra ver o começo da trilha. Eu não enxergava nem as pessoas direito e ela ainda me diz que subiu pouco?
- Por que vocês não são garotas normais e nos levam no domingo para caminhar, mas no shopping? Assim enquanto vocês escolhem as roupas eu e o Tom ficamos num bar esperando e tomando cerveja. – falei descontente e Paige me olhou de canto de olho.
- Isso é programa para meninas. Por isso sai com a Emy ontem e compramos o que queríamos. Não somos namoradas normais. – ela piscou para mim e me deu uma garrafa de água.
- Percebi. – Tom falou sarcástico e Emy olhou irritada para nós dois.
- Não entendo Jake, você falou que sempre gostou de caminhada.
- Mas não que eu queria entrar para o Guinness pela quantidade de horas caminhando ou por ter subido no morro mais alto. Por que da próxima vez não vamos ao Everest? Pelo menos no meio do caminho com o pique, vocês diminuam o passo e desistam. – Tom começou a rir e elas também acharam graça. Quem disse que eu tava de piada?
- Vamos ter que passar a noite aqui, a mata aqui é muito fechada para voltar. – depois de se recuperar da risada Tom acabou falando algo serio e elas nos olharam apavoradas.
- Como assim vamos ter que ficar aqui? – Paige se alterou.
- Quem manda ligar o motorzinho? – ela me deu uma tapa no ombro e reclamei porque tinha ficado queimado ali.
- Desculpa. – ela deu um beijinho e sorriu. Acabei dando um selinho nela.
E foi por essa incrível idéia que passamos a noite praticamente em claro porque elas sempre pulavam para cima da gente quando ouviam um som diferente.
- Por que você não está se importando? – Paige falou perto de mim.
- Porque estou tão cansado que não estou nem ligando se tem um leão lá fora querendo me comer... – falei indiferente e ela se revoltou...
Discutimos novamente e ela me culpou pela idéia e eu culpei a ela, mas foi só ouvir um barulho estranho que ela pulou pro meu colo e tudo ficou bem...
Presente...
- Está olhando para sua marca é? – ela tinha saído do quarto e estava toda cheirosa.
- É estou tentando passar o remédio no machucado que ficou aqui... E a senhorita vai onde?
- Vou sair com a Emy.
- Realmente vocês tomam muito energético, fala... Seja sincera, eu vou entender...
- Amor, deixa de besteira... To indo... – ela me deu um beijo e saiu do apartamento.
Como eu estava de folga, acabei arrumando o meu quarto, já que a empregada não apareceu e coloquei algumas roupas para lavar. Fiz o almoço, Tom apareceu, conversamos e Paige me ligou dizendo que ia aparecer apenas à noite. Tom foi embora, e disse que teria que fazer plantão, e não voltaria cedo.
Acabei ajeitando algumas coisas e coloquei um vinho no copo e estava lendo um livro quando a campainha tocou. Não sabia quem era, já que todo mundo tinha a chave.
Abri a porta e tomei um susto:
- Úrsula?
Notas finais
E ai o que acharam?
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