Life Bets In You
1 Capítulo 1 - A aposta
Eu vim parar de volta na Coreia do Sul por insistência de minha irmã, que acreditou na minha capacidade, que nem eu acreditava, de entrar pra JYP Entertainment . Quando fui o primeiro competidor a ser eliminado do Superstar Survival pensei em desistir de ter uma carreira, voltar para os EUA e seguir minha vida lá parecia a melhor escolha. Mas obtive uma nova chance na agência, onde agora treino para um dia poder debutar.
Já faz alguns meses que sou um trainee, no começo demorei para me acostumar tanto com a dureza das atividades a que somos submetidos quanto com a cultura, já que há muito tempo não vivia por aqui. Agora já estou adaptado com essa rotina, fiz até alguns amigos, o que me ajudou muito. Minha família está longe, do outro lado do mundo, então arrumar amigos foi a única forma de me distrair um pouco da tamanha saudade. Mas é bem difícil arranjar amizades por aqui, os meninos da agência vivem competindo, e a maioria se pudesse daria o bote até mesmo no que diz ser o melhor amigo, somente em busca de fama. Então, procurei me aproximar de garotos que não fossem assim, o que é raridade. Por sorte, encontrei dois estrangeiros que passam por quase a mesma situação que eu, o tailandês Nichkhun e o americano Jaebeom. Logo depois reencontrei ex-companheiros do Superstar Survival: Chansung, que me deu vários conselhos no pouco tempo que permaneci no show, apesar de ser mais novo que eu; e Junho, o grande vencedor do show, achei que depois de ter ganho ele se tornaria mesquinho e com um ego e complexo de superioridade enormes, já que qualquer outro em seu lugar tornaria-se assim, mas descobri que ele ainda continuava um garoto humilde e de muito bom coração, isso fez que com que eu confiasse nele de imediato. Nas aulas de dança conheci Wooyoung, um cara muito engraçado e inteligente, conquistou rapidamente minha simpatia. Durante o tempo que estou aqui, é com esses cinco que passo a maior parte dos dias. Em poucos meses viraram os melhores amigos que em anos nunca tive.
Hoje chegou um novo trainee, todos tem comentado muito sobre ele, e o excluindo, como fazem com todos os novatos. Mas para esse parece que as coisas serão mais difíceis, os garotos da pesada não foram nem um pouco com a cara dele, por inveja obviamente, só nunca admitirão isso. O garoto conseguiu passar nas audições da YG e da JYP, tem que ser muito bom pra ser capaz disso. Ele acabou escolhendo vir pra JYP, espero que quando começar a ser atormentado pelos outros garotos ele não se arrependa da escolha que fez.
Quando fui para aula de canto, a que eu mais detestava, lá estava ele. Descobri que seu nome era Junsu. Fiquei envergonhado quando começou a cantar, tinha uma potência vocal que ouso dizer que nenhum garoto da JYP superaria, muito menos eu, que me desdobrava pra alcançar as notas, já ele fazia com muita facilidade. Ao observá-lo percebi que estava realmente muito isolado, ninguém aproximara-se dele. Tive pena, então pensei em ir falar com ele. Quando eu estava a caminho um dos valentões me parou ao reparar no que eu estava prestes a fazer.
- Vai tirar o coitadinho da solidão? – ele disse irônico.
- Só estou com dó de vê-lo assim, vou só bater um papo pra ele se sentir a vontade aqui. –disse nervoso diante daquele ‘armário’.
- Ah, não vai não. Se você der mais um passo em direção ao Junsu sua situação vai ser pior que a dele. –encarou-me. – E, mudando de assunto, essa noite fique preparado, vamos dar uma saída. Convide seus amiguinhos.
- O que? Tá falando em fugir?
- Qual é Taec, tá com medinho?
- Não. Só não posso hoje, fica pra próxima.
- Você vai sim, tá me entendendo? Vou perguntar de novo: vamos dar uma escapada essa noite?
- Ok. –disse amedrontado.
Segui na direção oposta, não ia contrariar um dos caras mais fortes que eu conheço. Além do mais, sei que quando ele ameaça, ele cumpre. Já vi muitos apanhando feio dele, e todos cedo ou tarde acabaram deixando a JYP. O presidente sabe da situação, mas não faz nada por não querer escândalos sobre a agência na mídia.
À noite pulamos o muro juntamente com outros garotos, que com certeza também foram obrigados pelos valentões, que eram muito espertos nos levando só pra se forem pegos terem em quem botar a culpa. Eles quiseram ir pra um bar, e nós tivemos que acatar essa decisão pois não queríamos perder os dentes. Ao chegar no bar pude avistar melhor quais eram os outros garotos, vi que Junsu também estava lá, provavelmente algo estava sendo tramado para ele, minha vontade era de avisá-lo, mas se eu salvo ele, me coloco na reta e não quero isso. Tudo estava calmo até que os valentões aproximaram-se da minha turma, já iam começar com suas brincadeiras de mal gosto. Desafiaram dois de nós a jogar uma partida de sinuca, e o perdedor teria fazer algo que eles mandassem ou receberia um castigo, por mais que, para mim, fazer o que eles mandam já fosse um castigo. Eu me ofereci pra jogar, não gosto de ver meus amigos nessas situações, prefiro ir no lugar deles. Wooyoung, tomando o mesmo posicionamento que eu, também se ofereceu. Deixei-o ganhar, Wooyoung não é daqueles que obedecem ordens de qualquer um, na certa arrumaria um rolo e acabaria recebendo o tal castigo, preferi poupá-lo disso.
- Ei, perdedor, o que vai ser: escravidão ou dor?
- Fala aí, o que você quer que eu faça? – disse desanimado.
- Eu tinha uns planos mais violentos pro nosso pequeno Junsu, mas acho que não vou colocá-los em prática tão cedo. Quero me divertir antes, e é você que vai ser minha cobaia. –engoli seco ao escutá-lo. – Não queria falar com ele? Pois vai falar, vai ser tornar super amiguinho dele, e depois humilhá-lo na frente de todos, vai ser demais, e ele vai ficar tão contente. –disse sarcástico.
- Isso é cruel, não gosto de fingir, ainda mais pra machucar os outros.
- É pra ser cruel, seu frouxo! Você perdeu, agora enfrente as conseqüências, ou prefere ir parar no hospital por defender um desconhecido, que vai acabar no hospital também?
- Tá ok. –disse indignado. – Já vou, mas como vou fazer ele ser meu amigo?
- Sei lá, pede umas aulas de canto pro bonzão, aquele lá é tão inocente que nem vai duvidar das suas ‘boas intenções’.
Dirigi-me até o canto em que Junsu encontrava-se, sozinho como de costume. Cumprimentei-o acenando, e um pouco hesitante dirigi a palavra a ele:
- No primeiro dia de treinamento, dando suas escapadas hein. – ri.
- É. –riu de volta, num riso tão ingênuo, que me senti culpado pelo que ainda nem havia feito. – Normal, né.
- Você não acha estranho menores de idade num bar a essa hora, e ainda por cima no meio da semana?
- Acho. –seu olhar continuava transparecendo ingenuidade, e eu me remoendo por dentro. – Mas deve ser difícil aguentar ficar trancafiado na agência todo esse tempo, suponho que dêem umas escapadas de vez em quando mesmo, não é? E os caras foram legais de me convidar, é sempre bom arrumar amigos.
- É...e os caras que te convidaram foram aqueles? –apontei para os valentões.
- Sim. –sorriu.
- Se eu fosse você, não ia muito na deles não.
- Por que?
- Só precaução, acabou de conhecê-los.
- Acabei de conhecer você também, por que neles não devo confiar e em você sim? –apesar das palavras, disse num tom simpático e sem malicia.
- Porque não fui eu que te convidei pra vir num bar e te larguei num canto...Bem, hoje te vi na aula de canto, sua voz é ótima, uma das melhores que já ouvi. Já eu, tenho muita dificuldades nisso...você poderia me ajudar, né?
- Obrigado! –sorriu. – Seria um prazer poder ajudar! – coitado, mal sabia no que estava se metendo.
- Que bom! Diga que se tiver horários vagos poderá me dar algumas aulas, por favor!
- Claro. Acho que tenho um tempo de sobra amanhã, se quiser posso te ajudar. Mas por que isso? Não está satisfeito com as aulas da agência? São do melhor nível.
- Aqueles professores dão aulas ótimas, concordo. Só são muito impacientes, qualquer deslize e agüente a fúria deles. –ri. Você não é assim, correto?
- Não, pode deixar. –riu de volta.
Papo vai, papo vem, chegou a hora de voltarmos para os dormitórios. Graças a Deus, nenhum segurança nos pegou. Na manhã seguinte foi um sacrifício acordar, já que voltamos tarde do bar, mas tínhamos que seguir a rotina normalmente para não sermos descobertos.
As primeiras aulas que tive, assisti quase dormindo. Após isso, eu tinha um tempo livre, pretendia usá-lo para dormir. Quando surgi no corredor me vi num beco sem saída, de um lado Junsu acenando para mim, e de outro aquele imprestável brutamontes piscando, de modo que eu fosse logo por seu plano em prática. Fui então para a direção de Junsu.
- Oi, está com o horário vago agora? É que eu estou, então se quiser posso te dar aula. –ele disse simpático.
- Sim, estou. –respondi com lentidão.
- Parece sonolento...também, olha a hora que voltamos ontem. –riu. Se não estiver com vontade agora, eu entendo, marcamos pra outra hora.
- Não, não. Tudo bem, tenho que me esforçar se quiser debutar logo. E me admira você estar tão inteiro depois de ontem.
- Só estou empolgado com os treinamentos. Começo é sempre assim, né. Estava tão ansioso pra frequentar as aulas que nem me preocupei com o cansaço. Fora que não enfrentei uma rotina puxada de treinos nos dias anteriores.
Fomos até uma sala vazia, que poderíamos usar. Durante o tempo que passamos lá, aconselhei-o novamente a não dar bola praqueles caras. Junsu não era má pessoa, dava aulas de canto muito bem por sinal, seu único problema era não ver mal em nada.
Até sexta-feira tudo correu bem, as aulas com Junsu eram legais e produtivas, e os valentões não me procuraram mais, pensei até que tinha esquecido, e que tudo passaria em branco. Estava enganado. No fim da tarde daquele dia, veio atrás de mim quem eu menos queria.
- Taec, meu parceiro. Cumprindo bem minhas ordens?
- Fazendo o melhor que posso.
- Ah, é? Porque eu acho que não. Chegou até mim que você está tentando proteger o Junsu de mim, achou que eu não ia mandar ninguém te vigiar?
- Desculpe. – já estava pressentindo que ia apanhar.
- Mas tem um jeito de se redimir. Vamos fazer uma aposta?
- Que aposta? –aliviei-me por não ter recebido um soco.
- Junsu tem muita disposição pra você, estão se tornando próximos facilmente. Não vai ser difícil conquistá-lo se você quiser. Olha que aposta fácil que estou te propondo. Só tem ter um caso com ele, com isso ele vai ter a reputação arruinado, até com a própria família quando for descoberto. –riu como se sentisse prazer ao pensar no mal do outro.
- Não posso fazer isso. É ...repugnante!
- Calma, você não quer nem saber o que vai receber se ganhar a aposta?
- Não sei como ganhar algo pode fazer valer a pena tratar alguém assim.
- Talvez pra você ganhar algo não, mas perder tenho certeza que sim. Se você perder, nem imagina o que te espera, e o que espera seus queridos amigos.
- Não pode fazer nada, eu não apostei.
- Sabe que eu não aceito não como resposta Taec. Aproveita que estou conversando com você civilizadamente. Aceita o que te proponho se não será como perder a aposta respectivamente. E sei que você preza muito seus amiguinhos, e eles serão os que mais vão sofrer com sua derrota.
- Não tem outra coisa que eu possa fazer?
- Não. Parece que não me conhece orelhudo, eu não mudo de ideia, devia saber bem. É sua última chance, se vencer deixo você e seus amigos livres de mim pra sempre, se perder terá que vê-los apanhar sempre que eu quiser, e depois você vai apanhar também, mas mais leve que eles pra que você possa assistir seus amigos ganhando hematomas toda vez que eu relar a mão neles. Topa ou não?
- Topo. – não aguentaria ver meus amigos sofrerem, eles eram tudo que eu tinha na Coreia, se tornaram muito importantes pra mim, eu não iria colocá-los em risco, nunca.
- Espero que faça sua parte bem feita, dessa vez.
- Vai ter que esperar mesmo, por que eu não tenho a mínima ideia de como atrair outro homem. –disse de saco cheio.
- Ah, quer que eu te mostre? Porque é bom não demorar. –disse com um olhar assustador.
- Não. Posso aprender sem demonstrações.
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