Life After Love

5 Capitulo Extra: Destino


Notas iniciais
Esse Capitulo Extra foi criado para contar, pela visão e sentimentos de Aaron, como foi acordar depois do acidente e descobrir que ele havia morrido até como foi os últimos momentos nesse mundo com Sam.

“Depois de muito chorar e gritar foi que entendi por que meus pais estavam chorando olhando para aquela pessoa dormindo numa cama de hospital. A princípio pensei que fosse enlouquecer quando tudo o que aconteceu me veio à mente. Era eu quem estava deitado naquela cama. Era meu corpo morto e sem vida que estava ali. De alguma forma me sinto culpado por isso ter acontecido. Se eu não fosse carente e egoísta teria pensado duas vezes antes de ter pedido, quase que implorado, para irmos à praia e pedido aquele beijo que nos tirou a vida. Me arrependo tanto disso...”

“Eu sai daquele quarto com minha mente confusa. Não tinha ideia do que fazer já que ninguém me via e nem me ouvia. Até que finalmente pude me comunicar com alguém. Foi quando conheci uma senhora que caminhava pelos corredores do hospital. Ela vestia uma vestimenta branca igual a minha e parecia muito triste. Pensei que ela estivesse internada, mas mudei de ideia quando ela me olhou e sorriu. Quando me aproximei, ela não pensou duas vezes, segurou minha mão e me abraçou. Confesso que chorei e ao mesmo tempo senti que ela poderia me ajudar a entender o que estava acontecendo. Por que eu ainda estava vagando por ali?”

“Maria, a senhora, tinha 68 anos e explicou que estava naquele hospital desde a madrugada quando morrera assassinada. Ela estava indo dormir quando de madrugada uma pessoa invadiu sua casa. Ela se assustou com o barulho e tentou se proteger do mascarado que invadiu seu quarto. Ele era agressivo e queria saber a senha do cofre onde guardava uma quantia de dinheiro que usava para seu tratamento e outra quantia que estava guardando para dar ao neto que se formaria em medicina em breve. Depois de dar a senha ela tentou se livrar das agressões do bandido e num momento de desespero acabou puxando a toca que o bandido usava, revelando sua identidade. Na verdade, aquele agressor violento era seu próprio neto. Ele por sua vez, visivelmente drogado e alterado puxou o gatilho e a matou a sangue frio. Um tiro certeiro no coração.

Quando Maria deu por si estava olhando para seu próprio corpo no leito do hospital. Graças aos seus conhecimentos adquiridos pela leitura, percebeu que não iria descansar enquanto não resolvesse os problemas nesse mundo. E o problema aqui era o neto; ela só poderia ir para o outro mundo quando o neto confessasse o crime, ou fosse descoberto. E isso poderia acontecer a qualquer momento, pois depois que o neto a matou, ele fugiu num carro que bateu em um ônibus. Ele se machucou feio, mas não tinha risco de morte. Porém o que ele não sabia era que a polícia já estava à caça do rapaz que por sua vez estava envolvido no tráfico de drogas da região há anos. Ou seja, enquanto ele dizia estar estudando, na verdade ele estava matando, assaltando e usando drogas enquanto dizia que a faculdade estava difícil e que não tinha tempo para visitar a família. Mas agradecia todo o mês por estar mandando dinheiro para seus “estudos”.”

“Á pedido de Maria eu fiquei observando toda a história fluir e ás nove horas da noite daquele dia, o neto resolveu confessar que ele era realmente traficante e que ele havia matado a própria avó. Ele queria o dinheiro para pagar suas dívidas feitas no tráfico de outra região e que caso não pagasse, seria morto. E a única chance era o dinheiro que a avó guardava.

– Eu lamento muito. Se eu pudesse eu pedia perdão... — chorava o rapaz – Eu queria ter sido um neto melhor para ela. Vó Maria, perdão...

Maria não disse nada. Somente chorou e antes de desaparecer me disse:

– Encontre o motivo pelo qual você está aqui e siga em frente. Espero te ver em breve para saber sua história.

E então ela sumiu através de uma luz que surgiu no teto. Uma luz brilhante e que emanava uma atmosfera tranquila. Logo depois fui procurar por Sam e ao ver naquele estado lamentei por estar fazendo a pessoa que amava sofrer tanto Sam tinha faixas pelo corpo, um gesso na perna e vários machucados espalhados pelo rosto e braços. Demorou um mês para que eu visse Sam abrir os olhos. Quando ouvi sua voz e consegui tocar seu corpo me senti feliz e ao mesmo tempo triste novamente. Não sei por que eu era capaz de tocá-lo ou dele me ver, mas ainda não era hora de lhe dizer a verdade. Não era hora de dizer que eu estava morto.”

“Eu sei que continuei sendo egoísta, mas o motivo de eu estar nesse mundo era mais difícil do que eu esperava. Eu não me lembrava de ter ressentimentos, mas levava uma culpa em meu peito. A culpa de deixá-lo sozinho. Mas como iria fazer isso, como poderia resolver isso? Por isso eu fui vê-lo naquele quarto. Se eu o tocasse e ele me pergunta-se quem eu era, ou então nem me visse, talvez eu pudesse seguir em enfrente. Porém Sam me viu e disse meu nome. E aqui fiquei. Por mais que fosse dolorido, eu tinha que sumir da mente da pessoa que mais amava. De alguma forma, mas como se era ele quem estava me mantendo nesse mundo?”

“Descobri com o tempo que eu tinha lembranças de tudo o que aconteceu antes de eu morrer e de só o que eu fazia durante à noite depois de morto. Eu não sei o que acontecia durante o dia. Sam saiu do hospital durante a noite sedado numa ambulância e eu segui ao seu lado, junto aos seus pais que sequer perceberam minha presença. Eu também queria ir para minha casa e ver meus pais que talvez estivessem juntos. Então depois de pedir muito em pensamento eu fui transferido para lá como se tivesse usado um teletransporte. Para minha surpresa a casa estava vazia e continuou assim até a última vez que me lembro de ter ido lá. Depois que eu morri nunca mais os vi, mas toda vez que acordava estava dentro do meu quarto.

Eu adormecia assim que o sol nascia e acordava assim que o sol sumia no horizonte. Outra coisa que só depois fui perceber é que não sentia fome, sede ou cansaço. Mas conseguia chorar e tocar aqueles com quem com quem eu tinha um sentimento muito forte. Assim foi quando encontrei Phillipe e Jefferson conversando sobre o quão eu fazia falta. Eu os toquei e eles falaram que era como se eu estivesse presente. Outro fato que demorou a se acostumar foi o fato de atravessar objetos e de flutuar, mas evitava e não quis fazer isso perto de Sam.”

“E aqui estou eu mais uma noite. Sempre entrei pela janela do quarto que sempre estava aberta. Sam achava romântico e dizia me esperar a qualquer momento.

Na noite passada, nós conversamos durante horas até cair no sono, mas eu não conseguia dormir. Então fiquei ao seu lado feito um fantasma. Acariciando o rosto da pessoa que mais amava no mundo dos vivos. Ao mesmo tempo me sentindo uma pessoa cruel por estar fazendo isso invés de contar a verdade. Mas a verdade era que eu estava com medo. Com medo de Sam se sentir só e da minha própria solidão. Porém isso tinha que acabar em breve. Nós tínhamos que seguir nosso caminho. Toda noite Sam chorava enquanto dormia. Perdi as contas de quantas vezes fez isso. As lágrimas caiam pelo rosto e eram absorvidas pelo travesseiro. E eu me deitava ao seu lado e beijava sua testa. Depois eu adormecia e acordava na noite seguinte no meu quarto.”

“Mas dessa vez foi diferente. Quando eu acordei estava me sentindo fraco de mais enquanto que algo me dizia que tinha algo errado. Sam costumava chegar da faculdade ás dez da noite e tive muita dificuldade de me trasportar. A chuva atravessava meu corpo, mas o medo dos relâmpagos parecia arrepiar os pelos de minha nuca inexistente. Quando entrei pela janela do quarto e vi seus olhos vermelhos e marejados de lágrimas, percebi que algo tinha acontecido. Um jornal amassado e o quarto bagunçado denunciaram que a verdade havia sido descoberta. Eu não sabia o que dizer, mas Sam sempre foi tranquilo e racional. Tentei me explicar e acho que ele entendeu o meu lado. Entendeu mais rápido do que eu tentei entender sua decisão. Ao me deitar na cama e tentar consolá-lo percebi que algo estava errado. Sam tinha feito novamente o que fez anos atrás durante a depressão. Mas dessa vez foi até o fim. Sam estava febril, fraco e de alguma forma parecia satisfeito. A cama estava úmida. Úmida pela água da chuva do sua roupa, mas úmida principalmente pelo seu próprio sangue que escapava pelos punhos cortados com um pedaço de espelho.

– Por que fez isso a si próprio?

– Já é tarde de mais. Essa é a minha decisão. Eu simplesmente não existo sem que você esteja comigo – disse Sam chorando.

Logo depois Sam me disse que me amava. Mas eu amava mais. Eu amava mais do que minha própria vida. Lembrei que naquele dia quando vi que iriamos nos acidentar, tentei virar o carro para que Sam se salvasse. Era Sam quem tinha que sobreviver. Mas agora Sam estava sacrificando sua vida por mim. Espero que Deus perdoe por isso, pois se isso não for amor verdadeiro, não sei mais o que possa ser...”

“– Amor – eu dizia enquanto sentia seu corpo junto ao meu e sentia sua vida escapando enquanto as lágrimas caiam dos seus olhos semicerrados – Pode fechar seus olhos agora. Não chore. Está tudo bem...

Eu queria tanto que aquilo não tivesse acontecido. Mas ao mesmo tempo, algo me dizia que iriamos ficar juntos e felizes onde quer que formos. Eu ficaria ao seu lado durante toda a noite até os primeiros sinais da luz. Se fosse necessário era só chamar meu nome que eu voltaria na noite seguinte, mas agora era tarde. Estava tudo bem. Eu pedia para que não chorasse enquanto eu segurava minhas próprias lágrimas. Eu enxugava sua lágrimas e acariciava seu rosto. Na verdade nada é eterno. Todas as noites eu tentei tanto pedir para que me esquecesse, mas você nunca fez. Então ficava com você durante toda a noite até os primeiros sinais do amanhecer... E no fim estávamos juntos. E não precisava mais chorar. Nosso amor era eterno.

Logo depois nós estávamos no mesmo plano. Sam me mostrou seu verdadeiro amor. Um amor que ultrapassou os limites e que era puro. Nos abraçamos, nos beijamos e sorrimos. Estava tudo bem, não precisava mais chorar. O corpo de Sam na cama exibia um sorriso leve como se estivesse sonhando. Como se aquilo fosse tudo o que queria. Sam tinha encontrado a resposta para seus problemas. Não tinha arrependimentos, só amor. Lá fora uma ambulância estacionou na calçada, mas ignoramos. Sam tinha tomado a decisão de deixar aquele mundo onde nunca se sentiu bem.

E então uma luz encheu o quarto. Era quente e convidativa. Pensei que iriamos para o inferno, mas podíamos ver claramente que um paraíso estava à nossa espera. Lá longe pude ver Maria acenando para mim junto de várias criancinhas. Sorri e vi Sam sorrir também. Peguei sua mão, beijei e segurei firme. Estava realmente tudo bem. Seguiríamos em frente. Então demos os primeiros passos, para um novo mundo. Um mundo onde enfim seriamos felizes.

Afinal esse era o nosso destino”

[FIM DO CAPÍTULO EXTRA]

(^_^)v

by Hikari Ouji

Notas finais
Olá! Espero que tenham gostado dessa fanfic. Comecei a escrevê-la logo assim que terminei a outra que ainda não tenho certeza se vou publicar aqui. Todas as fanfics que eu postar aqui eu irei comentar sobre elas. Então vamos lá: Eu sempre gosto de escrever histórias de amor. Independente de como ela possa ser; shoujo, shoujo ai/yuri ou shounen, shonen ai/ yaoi. Sou a favor do amor livre, pois cada um deve amar aquele/aquilo que corresponde ás suas expectativas. No mês passado criei cerca de 20 sinopses com ideias para as minhas próximas histórias. A primeira que escrevi ainda estou editando, mas assim que terminei li dois mangás e assisti á um filme que acabaram me impulsionando á fazer essa fanfic. Enquanto escrevia, quis que a história não focasse somente em um gênero. Então resolvi pôr o nome do personagem como Sam, uma possível abreviação para Samantha ou Samuel. Assim você decidiria com qual você se identificaria. Vocês não sabem o quão difícil foi editar emitindo e trocando pronomes para que não focasse em um gênero. Eu sempre ponho um pouco dos meus próprios sentimentos em um capítulo e nesse foram as questões da depressão e morte. Os filmes e mangás que me serviram de inspiração me lembraram dessa situação pela qual passei. Outras coisas que me inspiraram foi uma música de uma banda dos anos 80/90 que amo muito. Não vou dizer qual é, pois queria que você descobrisse (Se souber me avise) Essa música é melodicamente triste e depressiva. Existem várias maneiras de interpretá-la, mas eu prefiro a de que quem canta está tentando confortar alguém que sente sua falta. Alguém que lamenta a sua perda. Eu pus algumas letras da música nesse capítulo extra. Quanto ao título da fanfic (Life After Love) também é parte do título de uma música country dos anos 90 de que também amo muito, onde ela questiona se existe “Vida depois do Amor”. Eu acho que existe desde que o amor seja verdadeiro e único. Bem. Eu vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado, pois escrevo para vocês. E para publicar uma próxima história, vou depender do seu retorno. Obrigado por me receberem. Se quiserem indicações de mangás, filmes e músicas com temas parecidos é só me perguntarem. Beijos e abraços, Hikari Ouji (^_^)v
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!