Life
2 LIVRO 1 - CIÊNCIA Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura!
Meu nome é Manuella e eu sou uma sobrevivente.
Tudo começou com a 3ª guerra mundial. Sedentos pelo poder e desesperados pelo fim dos estoques de petróleo no mundo, as grandes potências iniciaram a disputa. Muita gente morreu, muitos ficaram feridos, mas o pior de todos os males ainda estava por vir. Alguns meses após o início da guerra, os ataques nucleares começaram e nações inteiras foram dizimadas. Mas isso não foi o pior. Imaginando dar a cartada final, uma das nações iniciou os ataques biológicos e, com eles, o fim da raça humana.
Um vírus letal foi liberado entre os homens, um vírus capaz de matar em questão de horas uma grande quantidade de pessoas e que se alastrava como um raio. Os criadores do vírus acreditavam ter o antídoto e pensavam que tudo estava dentro de controle, mas eles estavam errados. O mal que eles liberaram na Terra estava muito além de tudo o que se imaginava.
Em pouco tempo, mais da metade da população estava morta, vítima da loucura e ambição de alguns, mas não era só isso. Se estivessem apenas mortos, isso seria bom. O efeito colateral que não se esperava foi o da imortalidade.
Sim, os mortos não estavam mortos. Algum tempo depois da infecção, quando os corpos já começavam a apodrecer nas ruas, eles simplesmente voltaram à vida. Não, eu não estou louca, isso realmente aconteceu. Todos os que foram atingidos pelos vírus ressuscitaram, mas isso não quer dizer que tenha sido um milagre, longe disso. Eles ressurgiram como seres malditos.
Os seres malditos eram fortes e resistentes. Sua velocidade era muito superior a de um humano normal. As capacidades de visão e olfato estavam apuradas, eram caçadores natos.
E tinha a sede...
Sim, eles sentiam sede, sede de sangue. O corpo deles estava morto e, por isso, eles precisavam de um ser vivo para nutrir-se. Era de sangue humano que eles se alimentavam. E foi aí que a espécie humana começou a entrar em extinção. Nós viramos a caça.
É, também me parece injusto pensar que eles só ficaram com a parte boa. Força, rapidez, habilidade... mas isso não é toda a verdade. Os malditos eram escravos, escravos da fome, da sede constante que sentiam. Eram nada mais que isso. Já não sentiam frio, nem calor, nem amor, nem piedade, não eram humanos ou possuíam qualquer sentimento, eram apenas instinto, instinto de sobrevivência.
Além disso, eles também adquiriram algumas fraquezas, que acabaram se tornando nossas maiores aliadas. Eles tinham aversão à água corrente e uma espécie de alergia à algumas ervas e plantas, mas nada disso os matava definitivamente. Exceto o sol. Eles tinham uma sensibilidade muito grande aos raios UV e isso os impedia de sair à luz do dia. Uma exposição de alguns minutos era suficiente para fazer seu corpo gelado e sem vida virar pó. Os malditos eram os donos da noite e nós, os humanos, tínhamos que sobreviver a ela. Durante o dia é que nós vivíamos, por assim dizer, mas sempre com medo, sempre a espreita, sempre atrás de respostas.
Quando o terror do vírus saiu de controle e todos finalmente perceberam o que estava acontecendo, houve uma fuga em massa. Os sobreviventes foram remanejados para centros militares e de pesquisa fortemente guardados. Com o passar do tempo, os cientistas descobriram que os sobreviventes eram naturalmente imunes ao vírus original que se espalhou na Terra e apenas esse era o motivo por ainda sermos humanos, mas mesmo assim, nós não éramos imunes aos ataques dos malditos. Eles drenavam até a última gota de sangue do corpo e depois mutilavam a carne para absorver o máximo de energia possível. Esse era o motivo por também serem chamados de vampiros.
Sim, eu sei, é meio dramático, mas as pessoas são dramáticas, mesmo que não admitam. O ser humano é mesmo estranho. Eu que sempre fui fã de Drácula fico me lamentando às vezes por ter desejado um dia a existência dessa espécie maldita. Mas é como dizem, sempre pense muito bem antes de desejar alguma coisa...
Depois que a espécie dos vampiros despertou, o mundo que conhecíamos mudou completamente. Havia pânico e a sociedade estava totalmente desfeita. Os refugiados se defendiam como podiam e os cientistas tentavam descobrir um meio de voltar atrás, de reverter a história, mas todos os esforços pareciam ser em vão. Muitos enlouqueceram, muitos se suicidaram. Tenho que admitir que essa idéia não me era assim tão absurda, pois conviver com o medo e com a incerteza do que está por vir, é absolutamente insano.
Mesmo assim eu sobrevivi.
Agora os humanos vivem em colônias, províncias, aldeias, o que seja. Pequenos ou médios grupos conseguem sobreviver nesses lugares que são os redutos de vida humana na Terra. As aldeias são sempre fortemente armadas e envoltas por muros altos de concreto, guaritas e muitos fuzis, que nos protegem durante a noite, durante as horas deles. Os voluntários a soldados reforçam a segurança, vigiando o perímetro de cima das torres, olhando para a mata, esperando o pior.
A vida antes era fácil, agora era uma merda.
Quando o vírus se espalhou pelo mundo eu tinha quatorze anos e um sonho. Eu queria ser médica, queria ajudar as pessoas. Depois que a humanidade se perdeu, meu sonho de faculdade também afundou, mas não a vontade que eu tinha em mim.
Na primeira base em que fiquei, eu conheci Dra Evelyn. Ela era a cientista mais brilhante que eu conheci. Evelyn me adotou, por assim dizer, durante estes dez anos que passei ao seu lado. Ela era uma das cientistas que procuravam por respostas. Com Evelyn aprendi sobre medicina, biologia e anatomia. Nos tempos vagos, eu aprendi a lutar. Eu aperfeiçoei diversas técnicas de defesa pessoal por que eu queria estar sempre pronta pra me defender. Eu não morreria nas mãos de um dos malditos.
Foi durante uma noite fria e chuvosa que o ataque aconteceu. Uma legião de vampiros invadiu os muros do forte em que eu e centenas de pessoas vivíamos. Naquela noite, minhas técnicas de defesa me ajudaram a sobreviver. Eu era ágil, embora não fosse tão forte. Naquela noite eu matei meu primeiro vampiro. Desesperada e trêmula corri até o laboratório, onde Evelyn estava, mas cheguei tarde. Eu a vi ser drenada até a morte por um bando de malditos. Eu queria gritar, queria lutar, mas não pude fazer nada. A última coisa que vi foi um discreto aceno de cabeça de Evelyn em minha direção, como uma repreensão pra que eu ficasse onde estava, e depois, seus olhos azuis se apagaram para sempre.
Sua morte foi o que me levou a tomar minha decisão. Eu não queria mais sobreviver apenas, como as outras pessoas, conformada na vidinha de uma aldeia qualquer e fugindo das presas dos vampiros. Eu queria mais, eu podia mais. Já que eu tinha sobrevivido a essa merda, que ao menos fizesse algo de útil. E assim eu fiz. Dediquei-me ao máximo a reunir informações sobre os malditos, pesquisando sobre histórias, pessoas, tudo o que pudesse ajudar a levar a uma cura.
Depois que perdi Evelyn, eu passei por duas aldeias, até vir parar em Santa Clara. Já fazia quase um mês que eu estava aqui e finalmente tinha encontrado o que procurava, um nome.
Lauriê.
As pesquisas minhas e de Evelyn tinham levado a esse nome. Lauriê era uma cientista famosa no passado e alguns afirmavam que ela, de alguma forma, tinha relações com os assuntos secretos do governo. Como essa bosta toda começou com eles, eu sabia que as informações de Lauriê podiam me guiar.
Eu descobri que Lauriê estava viva e que aparentemente vivia em uma outra província, que ficava meio distante de Santa Clara, mas foda-se, eu iria até lá. Esse era o objetivo da minha vida e eu o seguiria até o fim. Era isso o que me guiava.
Algumas pessoas ainda tinham fé, fé de que Deus faria um milagre a salvaria a todos; outros acreditavam nas profecias de um salvador. Alguns inclusive juravam que ele existia, que podia aniquilar os vampiros de forma única, várias histórias eram contadas. Eu, entretanto, acreditava nas armas que estouravam a cabeça dos filhos da puta e também na ciência, sempre na ciência. Ela tinha sido a responsável por isso e era a única que poderia nos salvar dessa maldição... bom, pelo menos era nisso que eu acreditava...
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