Life

31 Capítulo 30


Notas iniciais
Leitores queridos de Life, mais uma vez, desculpem por não postar ontem. Só pra saberem, arrasei na apresentação!! o/ Como comemoração, fiz este cap, que está tenso ao extremo, extra large! rsrsr juro que vou tentar parar de escrever tanto..rs
Outra coisita, Life recebeu mais uma recomendação!!!! Já são quatro!!! o/o/o/o/ que maravilha!! estou mega feliz que estejam gostando, comentando e surerindo várias coisas novas. recebi várias críticas construtivas tbm, que mto me alegram e fazem crescer! Estou emocionada com tanto carinho de vcs, vcs são foda!
Dedico este cap a Rachelg pela recomendação e lindas palavras!! Obrigada!
Boa leitura!

Estreitei os olhos com fúria na direção do miserável, que sorriu.

- É por isso que eu tenho tanto tesão em você, Manuella, sempre querendo se impor, sempre querendo dar uma de difícil... mas quer saber, meu bem? Hoje você vai ter a pior noite da sua vida.

Dizendo isso, Olavo veio pra cima de mim como um animal. Eu tentei contê-lo, mas seu corpo e força física eram muito superiores às minhas. Os outros dois homens estavam na contenção e mesmo que seu passasse por Olavo, eles me pegariam.

Senti o peso de seu copo sobre o meu e fiz a única coisa que me restou: gritei.

- SOCORRO! SOCOR... – a mão dele veio novamente.

- Peguem alguma coisa pra tapar a boca dela! Essa vadia vai ser minha hoje nem que seja a última coisa que eu faça! – Olavo ordenou aos demais, enquanto me mantinha presa sob seu domínio.

Eu consegui me desvencilhar e escapei pelo lado, aproveitando que um dos homens tinha ido atrás de algo pra me manter quieta, mas Olavo me pegou novamente pelas pernas. Senti asco quando seu corpo roçou no meu, subindo pelas minhas costas e pressionando seu membro duro em minha bunda, enquanto apertava minha cintura por trás.

- Não se preocupe, minha linda, vou te comer assim também. — ele disse lambendo meu pescoço.

Eu me debati e tentei gritar mais uma vez, quando senti outro par de mãos pesadas me tapando a boca. Logo Olavo me girou sob ele e um pano qualquer foi posto em minha boca, um chumaço grande, que quase me fez vomitar. Aquilo me impedia de pedir ajuda, de gritar, por mais que eu tentasse.

Ele sorriu com luxúria e pressionou seu corpo sentado minha barriga, me deixando sem ar. Senti as mãos urgentes do homem que me amarrou apertando meu seio, enquanto dizia:

- Puta que pariu, ela é muito gostosa! Vamos logo com isso, Olavo, estou doido pra comer essa vadiazinha linda.

Então ele puxou meu cabelo com violência, me causando muita dor. Eu gritei, mas ninguém ouviu por causa do pano em minha boca. Olavo riu.

- Calma, homem, primeiro eu. Vai se virando sozinho se quiser, enquanto me assiste fuder com ela. E não se preocupe, benzinho, não vou ser carinhoso como seu namoradinho salvador, vou fazer do jeito que você gosta... – ironizou, enquanto rasgava a parte de cima do meu vestido, expondo meus seios nus.

Olavo lambeu os lábios enquanto me olhava. Eu ainda tentei me debater embaixo dele, mas sentia o pânico me dominar. Meus olhos ardiam e as lágrimas começaram a escorrer. Minha mente estava voltando no tempo, voltando àquela noite terrível, quando o outro também estava sobre mim. Céus, eu não suportaria novamente.

Senti as lágrimas quentes rolarem e Olavo sorriu ainda mais. Ele baixou o tronco, pressionando seu corpo contra o meu, machucando meus seios. Seu rosto encostou no meu e senti o cheiro repugnante de cerveja e cigarro, o mesmo cheiro que me tirou o sono por tantos anos. Ele lambeu minhas lágrimas lentamente e se deliciou em meu desespero.

- Quanto mais você chorar, mas gostoso vai ser... pra mim... – ele disse em meu ouvido e eu me debati ainda mais.

- Vamos, Olavo! Eu também quero! – o terceiro falou empolgado, já desabotoando as calças.

Eu sacudi a cabeça rapidamente, tentando negar, tentando acordar daquele pesadelo, mas a dor me fez abrir os olhos. Olavo apertava meus seios com força, e os lambia e mordia com violência. O terceiro homem se ajoelhou ao meu lado e puxou meu cabelo, me forçando a esticar o pescoço e olhá-lo.

Seu pênis vermelho e ereto estava perto de minha boca e Olavo riu quando viu minha cara de nojo. Ele colocou a mão enorme em meu pescoço, me fazendo levantar o rosto, me enforcando. O outro começou a se masturbar diante de mim enquanto sentia o terceiro passar as mãos em minhas coxas, lá embaixo, tirando as sapatilhas e arrancando a meia calça.

Eu estava desesperada, tentava de tudo para sair, mas era em vão. Eu queria morrer, queria que um vampiro entrasse ali e sugasse minha vida embora porque depois daquilo eu não queria viver mais. Eu não suportaria viver mais.

- Agora vou te fuder como sempre quis, Manuella, vai me sentir todo em você.

Olavo falou enquanto tirava o cinto e desabotoava a calça jeans. As lágrimas escorreram ainda mais abundantes, deixando minha visão embaçada. Olavo ria pra mim e afugentava os outros dois, ele me queria sozinho primeiro. Eu sabia que ía ser terrível, que seria ainda pior que da primeira vez. Olavo me odiava. Ele se sentia humilhado e seu desejo por mim era nada além da necessidade de me torturar.

Vi quando ele colocou o membro pra fora. Era enorme e lustroso, estava pronto pra me ter. Olavo acabou de rasgar a roupa que eu vestia, jogando o pano pro lado. Ele admirou meu corpo inteiro e os outros dois me diziam coisas horríveis enquanto viam Olavo se esfregar em mim. Ele sacudia meus seios e batia em meu rosto, pra depois me enforcar, protelando o momento. Até que decidiu seguir.

Eu me debatia e chorava, sentindo o desespero tomar conta de tudo.

- Agora, gracinha, vai ver o que é bom. – ele disse sorrindo sadicamente.

Olavo passou as mãos pela lateral do meu corpo, enquanto um dos homens segurou meus braços pra cima e o outro se divertia ao lado da cena grotesca. Eu já não tinha forças pra lutar, o pânico me dominou por completo. Só o que eu pensava era em como eu acabaria com minha vida depois daquilo.

Senti as mãos dele se enroscarem em minha calcinha, brincando com o pano.

- Pequena, com renda discreta... você sabe até a lingerie que me excita mais, Manuella. Nem vou tirá-la porque te quero assim, toda gostosa pra mim.

Ele abriu minhas pernas e se pôs no meio, com o membro apontado pra minha intimidade. Com os dedos, afastou os fundos da minha calcinha e se preparou para me invadir quando eu só conseguia ver tudo através das lágrimas.

...

Eu dancei com Manuella como se não houvesse ninguém ali, como se fôssemos apenas nós dois. Ela estava linda, absolutamente perfeita naquele vestido. Mas durou pouco. Ela sabia que, se quisesse, eu seria dela inteiramente, mas essa decisão não era minha e Manuella estava disposta a se afastar. Eu entendia seus motivos e não tinha o direito de forçá-la a nada... eu mesmo já tinha feito besteira um vez e não a machucaria de novo, de jeito nenhum.

Eu estava dançando com outras mulheres, que se divertiam na festa, mas não parava de olhar pra ela, de deseja-la. Eu percebi que sentia algo muito diferente por Manuella quando me dei conta de que seria capaz de ser pra ela o que ela quisesse. Eu não queria impor nada, não queria tê-la apenas como mulher em minha cama. Eu percebi que apenas ficar em sua presença e ter seu carinho me eram suficientes. É claro, sempre iria querer mais dela, mas eu seria perfeitamente capaz de apenas estar ao seu lado, só para não magoa-la, só para não perde-la. Era isso, eu estava fudidamente apaixonado por Manuella e sabia que era pra sempre.

Foi no meio de meus devaneios quando Sandy segurou minha mão e me levou dali, ainda dançando. Ela estava falando comigo, mas eu não prestava atenção de fato. Demorei um pouco pra perceber o que ela queria, isso aconteceu quando senti sua mão pequena e abusada em minhas calças.

- Sandy, Sandy, não. – falei segurando sua mão atrevida e inconveniente.

- Alex, por favor, nós já passamos disso, não é? – ela falou sorrindo, visivelmente bêbada.

Ela era uma moça bonita e já tínhamos transado algumas vezes no passado... de fato, muitas vezes no passado. Sandy sempre dava um jeito de ficar comigo e era agradável... no passado, hoje não.

- Alex, vamos lá pra sua casa, vamos, aprendi umas coisas interessantes enquanto esteve fora, queria praticar com você. – ela falou, agarrando meu pescoço.

- Sandy, me desculpa, mas eu não vou ficar com você essa noite. – falei sendo o mais educado possível, retirando suas mãos de mim mais uma vez.

- Ai, mas que merda! O que é? É aquela garota que você trouxe? Vocês estão de casinho, é? – ela perdeu a linha.

- Cala a boca, Sandy, você tá chapada, não sabe o que tá dizendo. Vem, eu te levo pra sua cama, te deixo, lá, mas só isso. – falei firme, querendo definitivamente afasta-la de mim.

Ela tentou novamente, beijando o canto da minha boca.

- Ah, eu quero que você me leve pra cama, pra qualquer uma, Alex. – ela falou em meu ouvido, enquanto me mordia a orelha.

- Você não entendeu... eu não vou ficar com você em cama nenhuma. – falei afastando-a novamente.

- Ah! Quer saber? Que se foda! Se você não quer transar, arranjo outro que queria. Aliás, o Olavo me disse que estava a fim, só preciso acha-lo. Vai se danar.

Ela se virou e jogou o copo de cerveja longe. Saiu rebolando em seu salto alto e mini saia, um pouco cambaleante em direção à casa de Olavo. Provavelmente ele estaria lá fazendo alguma orgia com seus seguidores.

Eu me virei para voltar pra Manuella, mas minha consciência pesou. Inferno... eu não podia deixar aquela garota ir assim bêbada e fora de si até aquele crápula. Respirando fundo, fui andando na direção de Sandy que caminhava o mais rápido que o álcool lhe permitia. Ela estava um tanto afastada de todos quando a alcancei.

- Sandy! – gritei seu nome. Ela se limitou a me mandar o dedo do meio e continuar a caminhada em ziguezague.

- Espera! – eu finalmente segurei seu braço.

- Alex, me deixa! Se você não quer nada tudo bem, mas não empaca a vida dos outros! Essa é a única noite que temos como pessoas normais, então vai atrás da sua mulherzinha babaca que não tá nem aí pra você e me deixa em paz.

- Cala essa boca e vem comigo. – falei me controlando para não lhe dar um fora.

- Me solta! Vou ficar com Olavo e pronto! – ela se desvencilhou de mim e seguiu seu caminho.

Alguns metros à frente, Sandy chegou até onde Olavo vivia. Era uma casa semelhante a minha, embora um pouco menor. Ele era um dos chefes da guarda e tinha muito poder e conhecimento na província, mas, ao contrário do que pensei, sua casa estava escura e vazia.

- Puta que pariu! – ela esbravejou – Tá vendo? Você é um pé frio mesmo! Ah, foda-se, vou voltar praquela festa e arrumar alguém que preste!

Ela se virou e eu a observei, sacudindo a cabeça. Como eu pude um dia dormir com alguém como ela? Esse pensamento me fez ter vergonha, vergonha de mim, vergonha de Manuella. Ela era tão diferente disso que eu não podia sequer pensar em comparar. Eu tinha vergonha de querer me envolver com ela depois de ter feito tanta merda com quem não prestava.

“Caralho.” – falei pra mim mesmo, enquanto voltava para a festa, incomodado com esse sentimento de vergonha.

Eu queria encontra-la, mas Manuella não estava. Fiquei um pouco inquieto, pois vi que Júnior também tinha sumido. Dornelles falou que ele saiu com ela há alguns minutos.

- Alex, deixa o garoto. – ele falou, temendo que eu fizesse algo contra Júnior – Sabe que ele não é seu adversário.

- Dornelles, fica frio, eu só estou querendo falar com ela, não vou matar o garoto se eles estiverem juntos.

Dornelles me olhou preocupado e eu também não tinha acreditado em minha próprias palavras. Fui atrás deles, mesmo assim, andando pela festa, vasculhando entre a multidão. Foi algum tempo depois que encontrei Júnior com semblante esquisito.

- Júnior, sabe da Manuella? — perguntei esperando que ele não soubesse.

- Ela foi dormir, está na cama e deveria deixa-la sozinha.

Ele foi frio e saiu andando sem dizer mais nada. Eu me senti aliviado ao saber que não estavam juntos e também por saber que ela estava em seu quarto em segurança, embora no fundo ainda sentisse uma agitação incômoda.

Tentei voltar a interagir com as pessoas e beber um pouco, mas não conseguia para de pensar em Manuella.

Foda-se, eu precisava vê-la.

Dei-me por vencido. Saí andando na direção do prédio dois, onde sabia que ela estava hospedada. Estava tudo muito silencioso, não havia ninguém ali no térreo. Subi as escadas com cautela, sem querer assustar alguém que por ventura estivesse dormindo. No segundo andar, ouvi apenas um gemido baixo... provavelmente um casal estava se pegando em algum canto qualquer.

Segui para a esquerda e fui até o final do longo corredor. De repente senti um frio na espinha, senti que ali não era lugar pra ela, não era seguro. Muito isolado de tudo... muito longe de mim.

Devagar, me aproximei de seu quarto.

- Manuella? — sussurrei para não acorda-la.

Coloquei a cabeça pra dentro do quarto e vi que estava vazio. A inquietação aumentou ainda mais e dentro de mim, um sinal de aleta cresceu.

Sai dali meio nervoso e decidi procura-la. Andei por alguns lugares e ia na direção do prédio um quando minha visão se deteve nos galpões ao fundo, perto das plantações. Meu coração acelerou. Segui rapidamente, sentia cada vez mais o estômago reclamar. Algo não estava certo. Quando virei a esquina vi ao longe um dos galpões aceso. Não era uma luz forte, mas indicava que tinha gente ali dentro. Minhas pernas se apressaram e quando cheguei a poucos metros, meus ouvidos captaram um gemido abafado.

Minha visão começou a ficar embaçada e senti o calor me dominar, pois eu sabia que era dela, senti seu cheiro no ar, junto com o cheiro do medo. Abri a porta do galpão e não acreditei no que vi: Olavo falava algo pra Manuella, que estava seminua, sob o corpo dele. Não lembro de muito mais, apenas que ele colocou a mão na calcinha preta e preparou-se para invadi-la com o membro ereto.

Depois disso, lembro de tudo ficar vermelho e dos ossos de Olavo quebrarem em minha mão. Eu não sei o que fiz, exatamente, mas eu não queria saber de nada além de tirá-la dali. Com um único e fulminante golpe fiz o homem que segurava os pulsos dela voar para longe e bater em algum lugar longe na escuridão do galpão, fazendo um barulho estrondoso. O terceiro homem eu não vi onde foi parar, apenas senti o sangue dele em minhas mãos.

O ódio me dominava por completo e era tão forte que eu seria capaz de exterminar uma legião vampiros. Meus músculos tremiam tamanha raiva e eu quis correr para arrancar o coração de Olavo com minhas próprias mãos.

Parei quando ouvi o choro desesperado dela. Sentindo um enorme conflito interno que me fazia querer esquartejar os miseráveis que a pegaram e, ao mesmo tempo, toma-la em meus braços e tira-la dali. Fiquei alguns segundos parado, respirando fundo, tentando desesperadamente ficar ali com ela e não abandoná-la.

Foi muito difícil controlar meus músculos que doíam tamanho ódio, enquanto meus olhos ardiam de fúria. Mas fui até ela, que estava encolhida no chão, com os braços frágeis cobrindo os seios.

- Manuella. – minha voz estranha e grossa saiu da garganta.

Toquei seu braço tentando fazer com que ela me olhasse. Manuella gritou. Estava em choque.

- SAI DAQUI! NÃO ME TOCA!

- Sou eu. Está tudo bem agora, eu vou te tirar daqui. – falei tentando, ao mesmo tempo acalmá-la e me controlar.

Ela me olhou rapidamente e pareceu me reconhecer com dificuldade. Seu rosto estava machucado e seus olhos vermelhos de tanto chorar. Ela soluçava compulsivamente.

Sem pensar, corri até os restos do vestido que jazia no chão e a enrolei no tecido, tapando seu corpo perfeito e exposto. Ela ainda chorava muito e tremia.

- Vou te tirar daqui, fica calma. – eu dizia a ela enquanto a pegava no colo – Eu não vou te machucar, não vou ferir você. Confia em mim.

Saí daquele maldito galpão correndo, com Manuella em meus braços. Meu corpo ainda latejava de ódio e via tudo embaçado e avermelhado. Eu sentia que por dentro eu estava em ebulição, pois estava fazendo exatamente o oposto do que meu instinto assassino dizia. Eu corria com ela por trás dos prédios, não queria que ninguém a visse naquele estado. Corri apertando-a contra mim e cheguei até minha casa, abrindo a porta com um chute e acendendo a luz.

Assim que cheguei até a sala, ouvi uma voz do lado de fora.

- Alex?!

Era um dos soldados... Dornelles, eu acho. Minha mente ainda estava nublada e era difícil reconhecer a voz. Rapidamente, pus Manuella de pé, no meio da sala, e corri até a porta para impedir que ele entrasse e a visse.

Fechei a porte quase totalmente, deixando apenas uma fresta para falar com ele. Dornelles se aproximou e assim que me viu, parou e começou a andar pra trás, com as mãos estendidas na frente do corpo, em rendição. Imaginei que estivesse me vendo transtornado.

- Alex? – ele perguntou assustado e pronto pra se defender.

Minha voz saiu mais uma vez grave e estranha e eu só falei porque estava tentando muito me conter.

- Dornelles, eu quero que você espelhe nos muros e pra cada soldado desta província que Olavo, Petrus e Sidarta estão impedidos de saírem de Naska. Se eu souber que eles saíram destes muros, os responsáveis serão mortos pelas minhas próprias mãos. Eu quero que você espalhe por toda a província que eu os quero vivos e que vou até o inferno atrás de suas cabeças, você me entendeu?

- S-sim, entendi. – ele falou abalado com minhas palavras.

Eu não fazia ideia de como lembrei daqueles nomes, talvez estivesse sendo movido pela raiva do momento. Eu sabia que falava de modo sombrio e assustador, estava deixando transparecer em minhas palavras o ódio que sentia.

- Eu não vou pros muros hoje e peço pra que você faça isso por mim. – completei.

- Ok, pode deixar... eles não sairão de Naska e eu estarei na sua cobertura. – Dornelles falou ainda assustado.

Eu fechei a porta com violência e voltei minha atenção à figura frágil a minha frente. O vermelho e a raiva não me abandonavam por nada e só pioravam ao ver o estado em que Manuella estava. Novamente encolhida no chão da sala, ela chorava compulsivamente. Eu nunca a vi chorar e aquilo era inconcebível pra mim.

Aproximei-me dela mais uma vez e falei ainda tentando me conter:

- Tá tudo bem, vai ficar bem. – eu falava a ela enquanto me abaixava e a apertava contra mim.

Sentei-me no chão e a aninhei em meu colo, protegendo-a o máximo que pude, aquecendo seu corpo. Ela segurou firme minha blusa e apoiou-se em mim e assim ficamos por muito tempo, sem dizer nada. Eu apenas sentia o cheiro de seu cabelo me acalmar enquanto ela chorava abraçada a mim.

Notas finais
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