Life
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Boa leitura e obrigada a TODOS que me deixam reviews!! Cara, vcs são mto foda pq eu leio leio e leio seus comentários e mesmo cheia de coisa pra fazer, quero escrever mais e mais só pra ler mais reviews!! é um ciclo vicioso que estou adorando!! Obrigada por alimentarem meu vício!
Tudo foi muito rápido. Alex avistou algo na mata e correu para longe, atrás dos malditos. Assim que ele saiu, nós sabíamos que testávamos fudidos. O cheiro rapidamente inundou o pequeno espaço da gruta e logo os vimos. Atiramos contra eles, que não paravam de surgir. O espaço pequeno seria nosso túmulo se um dos nossos não tivesse recorrido novamente às granadas. Assim que explodiu, nós abaixamos com o impacto e o sangue e vísceras das bestas se espalharam sobre nós.
- SAIAM DAQUI! – um dos soldados gritou.
Estava escuro e a fumaça e cheiro terríveis me fizeram tossir. Cambaleando e ouvindo um zumbido intermitente no ouvido devido à explosão, segui me arrastando para fora, escorregando no sangue e restos de corpos. Os tiros recomeçaram lá fora e eu estava assustada porque não enxergava nada e a chuva estava forte, tão forte que doía a pele.
Na confusão, ouvi os urros dos malditos que se aproximavam. Estavam por todos os lados... tinham feito uma emboscada, eu estava certa disso. Eles tinham levado Alex para longe e nos tinham nas mãos.
Um grito alto ao meu lado me fez rolar no chão. Senti as garras rasgando minha pele do braço. Virei e atirei, descarregando tudo o que tinha.
- VAMOS! VAMOS! – ouvi uma voz ao meu lado... Carvalho, talvez?
Um urro enorme veio por trás de mim e engatinhei na lama segurando minha pistola vazia com força. No meio da terra, esbarrei em algo duro... um cabo. Era o facão de Alex que tinha ficado pra trás. Agarrei-o e corri o mais rápido que pude, para longe dos tiros e longe do urro crescente.
Vi uma luz há alguns metros, entre as árvores. O feixe balançava de um lado para o outro enquanto o soldado que a carregava corria, sua luz guiava o caminho. Corri, desesperada, com o facão afiado na mão esquerda. O corte em meu braço sangrava e isso era ruim... eu era um ímã para vampiros ali, um alvo fácil.
‘Merda! Merda!’ resmungava mentalmente enquanto corria atrás do soldado, metros à frente. Então ele gritou e atirou como um louco. Vi quando dois malditos pularam sobre ele. Ele ainda acertou-os com os tiros em sequência, mas um deles o atingiu. Corri em sua direção, apertando o facão na mão e a arma na outra. O soldado gritou de dor e a lanterna jazia no chão ao seu lado, deixando apenas as silhuetas da batalha serem vistas.
Pulei na direção dos dois e mirei nas costas do vampiro que se mantinha grudado ao soldado, que gritava. O facão cortou o pescoço dele como manteiga. O vampiro urrou e soltou a carne que comia. Vindo cambaleante pra mim. Estiquei o braço e afundei a lâmina grande na base do pescoço já cortado. O sangue esguichou em mim e a criatura continuou a me enfrentar, mesmo praticamente decapitado. Ele agarrou meu punho com força, bem sobre a ferida que ardia.
Rapidamente, usei minha pistola como arma e bati com o metal repetidas vezes em sua cabeça, com toda força que tinha. Meus golpes eram intermitentes e o vampiro cambaleava cada vez mais, gritando pra mim. De repente, seu corpo foi jogado para trás. O soldado pulou sobre o vampiro e atirou na cabeça muitas vezes, até que seu corpo pútrido parasse de se mover.
- VAMOS! TEMOS QUE CORRER! – eu falei correndo na direção do saldado ferido.
Ele levantou com dificuldade e pôs a mão na garganta onde o vampiro o tinha mordido.
- ESTAMOS FUDIDOS. TEM SANGUE E VAMPIROS POR TODOS OS LADOS. VAMOS MORRER! – reconheci a voz trêmula de Carvalho.
- VAMOS! TEMOS QUE SAIR DAQUI! – Falei colocando a pistola na cintura com a mão trêmula e pegando a lanterna.
- VAMOS! – falei novamente começando a correr.
Carvalho correu atrás de mim e fomos o mais rápido possível pela mata, tentando fugir dos urros que aumentavam atrás de nós.
- VAMOS NA DIREÇÃO DE NASKA! ELES DEVEM ESTAR ENVIANDO REFORÇOS! VAMOS! VAMOS! – ele gritou correndo com dificuldade.
Eu corria com vontade, corria com tudo o que tinha, pois sabia que se eles nos alcançassem, não restaria alternativa. Eu e Carvalho não éramos páreo para os malditos, não podíamos combate-los porque era uma luta desigual. As habilidades físicas deles eram muito superiores às nossas.
Enquanto corria no meio da chuva e da lama, deixávamos o rastro do sangue fresco para eles seguirem. Enquanto corríamos, mais adrenalina era liberada, mais sentíamos o medo nos preencher e isso era o que dava um sabor ainda mais especial ao sangue. O nosso medo nos fazia ainda mais saborosos para os caçadores.
Corri por alguns minutos, seguindo as instruções de Carvalho. Eu podia imaginar que Alex devia estar matando os malditos lá atrás, só assim para nós não sermos alcançados por tanto tempo.
O feixe de luz iluminou finalmente a estrada. Nós saímos da mata e corremos em direção ao asfalto. Era muito mais fácil para nós encontrarmos ajuda de Naska e também correr para longe sem a lama fofa e escorregadia sob os pés. Foi logo assim que pisei no asfalto molhado que ouvi o grito atrás de mim. Era Carvalho. Virei rapidamente e vi o corpo dele caído, com um miserável maldito sobre ele. Carvalho lutava, mas não duraria muito.
Antes que eu pudesse pensar, fui atingida lateralmente. O impacto foi tão forte que rolei com o vampiro pelo asfalto por alguns metros. Na queda, o facão entrou acidentalmente no abdômen da criatura. Sorte extrema pra mim. Aproveitei a oportunidade e cravei ainda mais fundo o objeto cortante. O vampiro urrou e me agarrou com os braços fortes. Eu sentia que os ossos estavam prestes a quebrar. Meus braços perderam mobilidade, eu estava trancada nos braços do maldito.
Vi quando a criatura abriu a boca, exibindo os dentes pontiagudos que iria dilacerar minha carne. O cheiro do hálito da morte, misturados ao seu sangue podre, me atingiram e só não vomitei porque estava sem ar. Eu estava perdida. No fim de tudo, minha vida seria sugada por um deles e eu terminaria como Evelyn, vendo meus últimos momentos através da luz fraca de uma lanterna.
Ele desceu a cabeça na direção do meu rosto. Senti as gotas da saliva se misturarem à chuva gelada. Fechei os olhos. Não havia nada mais que eu pudesse fazer. O tempo parou. Talvez a morte fosse assim, em câmera lenta. Talvez, o choque tivesse travado minha mente naquela cena.
Ouvi um som. Era um grito.
Quando abri os olhos, não acreditei no que vi. O vampiro estava com a bocarra aberta, prestes a me abocanhar, mas não o fazia porque algo o impedia.
O ar que já me faltava por um tempo estava me fazendo perder a consciência. Mas eu vi uma mão... aliás, duas mãos, segurando firmes a boca do monstro. O vampiro de debateu, lutando para conseguir sua refeição, o alimento que estava preso entre seus braços, mas as mãos o impedias de fazê-lo.
No instante seguinte, senti o sangue viscoso e mais gelado que a chuva molhar meu rosto, quando a cabeça da criatura simplesmente explodiu. As mãos separaram a mandíbula do resto do crânio, fazendo o vampiro derramar seu sangue podre sobre mim. Logo depois senti o aperto do vampiro afrouxar e o ar voltar para meu corpo.
Respirei forte, ofegante, enquanto sentia outros braços me envolverem. Eram fortes e quentes.
Não pude ver muito mais. Os mesmos braços que me envolviam me jogaram para longe. Rolei no asfalto algumas vezes, tentando proteger a cabeça. Caí um pouco distante e apenas podia ouvir os urros e os gritos da batalha que se desenrolava cruel perto de mim.
Alex estava lá, destroçando um por um deles, com as mãos.
Os vampiros chegavam aos montes, alucinados com o cheiro de meu sangue e o de Carvalho, que eu nem sabia se estava bem, mas Alex os afastava sempre com movimentos precisos, com golpes felinos e incríveis.
Eu via apenas as silhuetas saltando em sua direção e os pontos brancos brilhantes determinados, assassinos, vorazes.
Tentei levantar para ajuda-lo, mas senti um novo impacto. No reflexo, fechei os olhos. Senti o calor sobre mim e ouvi os gritos dos vampiros sobre ele. Quando percebi, Ales estava com o corpo sobre o meu, protegendo-me contra três vampiros que o atacavam. Era incrível porque ele estava à muitos metros de distância há apenas um segundo e agora estava ali, protegendo-me com o próprio corpo. Naquele momento, vi os olhos brancos fitarem os meus de perto. Naquele ínfimo segundo eu vi um Alex diferente e cruel, um que me assustou. Seu ódio incontrolado pelas criaturas era devastador e impressionante. Ao mesmo tempo soube que não me faria mal, senti que ele faria qualquer coisa para não me deixar morrer.
Isso não durou mais que meio segundo, pois logo Alex deu um impulso para trás, afastando as criaturas que mordiam e arranhavam suas costas largas e expostas. Os três tiveram uma morte rápida e sangrenta nas mãos do Salvador.
Tudo parou. Os urros distantes diminuíam gradativamente. Eu vi quando os vampiros ao redor pararam. Eles estavam saindo da escuridão da mata, prontos para nos atacar, mas desistiram. Ficaram como cachorros em posição de ataque, mas aguardaram, receosos. Pela primeira vez eu vi algo além de morte em seus olhos negros, eu vi o medo.
Alex caminhou lentamente em minha direção. Há alguns metros, pegou o facão dele que tratei de trazer comigo e que me salvara a vida. Do outro lado da estrada eu vi o grupo de soldados que abandonei na gruta. Eles vinham juntos, apontando as armas para todas as direções, prontos para atirar nas criaturas assim que tivessem oportunidade. No lado oposto, ouvi o som de carros na estrada; os soldados de Naska que vinham em resgate.
Eu estava no meio, com vários pedaços de corpos de vampiros mortos, o corpo de Carvalho imóvel na estrada, e Alex com o facão na mão, de pé ao meu lado. A nossa volta, algo nunca visto antes. Os olhos negros começaram a recuar para a floresta, desistindo visivelmente do ataque ao grupo, desistindo por causa de Alex.
Ele respirava forte e sua mão estava quase branca apertando o cabo do facão, de tanta força imposta pelos músculos em frenesi. Com dificuldade, sentei na rua, sentindo o corpo doer. Alex caminhou até mim e se abaixou, apoiando um dos joelhos no chão. Ele me olhava, sempre com aqueles olhos brancos expressivos e hipnotizantes dentro dos meus. Eu sabia que ele precisava se controlar. Movendo-me lentamente para não assustá-lo e fui ficando de joelhos no asfalto.
- Alex? – perguntei olhando diretamente aqueles brilhos incomuns – Estou bem, tá tudo bem.
Minha voz saía baixa pra não assustá-lo. Eu precisava fazer com que voltasse ao normal. Ele respirava forte, ainda visivelmente pronto para o ataque a qualquer um que chegasse perto. Eu sentia que ele me protegia.
Vi quando seu corpo se contraiu e a mão apertou o facão novamente. Os soldados chegavam perto e eu tinha medo que ele os atacasse por engano. Rapidamente levantei, ignorando a dor, e abri os braços para ambos os lados da estrada.
- PÁREM! PÁREM ONDE ESTÃO! ELE VAI ATACAR VOCÊS!
O nosso grupo parou imediatamente. Eu ouvia a respiração forte de Alex ainda ajoelhado, travando uma batalha consigo mesmo por controle, para não matar aqueles inocentes por impulso.
- PÁREM! – gritei novamente para o jipe que vinha ao longe.
O jipe parou. O farol forte iluminava o Salvador e seus olhos brilhantes. Dei um passo para perto dele e falei calmamente enquanto me ajoelhava em sua direção:
- Alex, está tudo bem. Eles são nossos amigos, só querem ajudar.
- Diga para que não se aproximem de você. – a voz irreconhecível dele falou, enquanto seus olhos focavam um ponto qualquer. Era grave e controlada, e soava como música em meus ouvidos.
Eu me senti quente, me senti... protegida ali. Eu sabia que ele seria capaz de matar a qualquer um que chegasse perto de mim. Senti meu estômago revirar de nervoso, uma sensação estranha. Procurei me acalmar e finalmente me ajoelhei diante dele.
- Eles não vão. Está tudo bem... confia em mim, está tudo bem agora.
Finalmente ele me encarou e meu corpo tremeu inteiro. Devagar eu me aproximei e aconcheguei-me em seu peito.
Ele hesitou uns instantes antes e virar o rosto para meu cabelo. Senti quando ele respirou fundo, inalando o ar úmido a minha volta. Ele não me abraçou e eu permaneci apoiada em seu peito até que pareceu se acalmar. O facão caiu no asfalto e a respiração de diminuiu de ritmo. Algum tempo depois, senti sua mão em meu cabelo, fazendo um carinho rápido e discreto. Olhei para cima, esperando ver o verde azulado e incomum, mas o branco ainda estava lá, brilhando, controlado.
Foi aos poucos que a cor branca foi dando espaço para a outra, adquirindo o tom gradativamente, até que voltou ao normal. Eu podia ver que ele era ele novamente.
- Temos que sair daqui. – falei ainda sem conseguir desviar o olhar.
Alex acenou, parecendo entender. Ele se levantou rapidamente e vi suas costas completamente vermelhas atrás do tecido completamente dilacerado. Céus, aquilo devia ser em mim, não nele.
Vi sua mão estendida em minha direção e a segurei. Levantei com dificuldade sentindo toda a dor que a noite me proporcionou. Nosso grupo correu para o corpo contorcido de Carvalho, banhado em sangue e chuva. Vi quando eles o pegaram e vieram correndo, querendo entrar no jipe que veio de Naska e que estava parado do outro lado.
Corremos até o carro, abarrotado de soldados e armas. Aquilo estava mais para um tanque de guerra do que para um jipe. Havia três metralhadoras militares de cada lado do enorme veículo e soldados armados até os dentes. Um deles manuseava um grande holofote no meio do carro e iluminava toda a estrada. Rapidamente, eles nos ajudaram a subir e o estranho jipe seguiu a toda velocidade na direção oposta, onde estava o refúgio de Naska e meu prometido banho quente.
Notas finais
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