Life
23 Capítulo 22
Notas iniciais
espero que gostem..rsrsr
Boa leitura!!!!
Alex saiu instantaneamente da barraca comigo em seu calcanhar. Os soldados estavam parados, formando um círculo que nos permitia vigiar todos os lados. A floresta a nossa volta estava escura e úmida e o som do grunhido aumentou. Ainda estava distante, mas tinha se aproximado consideravelmente.
Meu corpo ainda estava ofegante e minha pele sensível com o toque de Alex, que me olhou naquele instante com ar de preocupação.
- Vocês caminhem para a beira do rio. Qualquer sinal de vampiros... pulem na água. – ele disse, apertando o facão nas mãos, sem deixar de me encarar.
Imediatamente, caminhamos para a beira do rio. As motos estavam bem camufladas, mas não daria tempo de desarmar as barracas... os malditos saberiam que tinha humanos ali.
Um barulho enorme nos fez correr para a água. Senti o frio congelar os ossos assim que ela tocou a pele. A correnteza estava forte e a luz da lua não existia. A iluminação vinha das armas com lanterna embutida que os homens carregavam e os feixes de luzes varriam a mata em todas as direções.
- CUIDADO! AFASTEM-SE DAS MARGENS! – a voz de Olavo foi ouvida.
- A CORRENTEZA ESTÁ FORTE! CUIDADO! – Dornelles gritou em algum ponto que não identifiquei.
A tensão estava aumentando à medida que os grunhidos se aproximavam de nós. Vinham de todas as partes, inclusive do outro lado do rio. Eu estava com a água pela cintura, afastada da margem e senti Júnior ao meu lado. As lanternas dos outros estavam agitadas e não tão distantes de mim.
O cheiro de podre atingiu meu nariz e nessa hora ouvi o som de uma lâmina batendo em metal. Devia ser Alex, que estava fora de si.
- TEMOS QUE AGUENTAR. CUIDADOS COM OS MALDITOS! ELES ESTÃO PERTO! – Marcos gritou atrás de mim e a luz de sua lanterna iluminou dois pontos negros brilhantes no mato.
Era um vampiro. Ele estava no alto de uma árvore próximo à margem do rio e não estava sozinho. Os soldados e eu abrimos fogo e logo percebemos uma legião de bestas escondidas na escuridão. Entre o som da correnteza e dos tiros a minha volta, podia ouvir a luta de Alex sozinho contra as criaturas.
Nós atirávamos na direção deles, que vinham para as margens do rio, cada vez mais revolto. Júnior e Marcos estavam bem próximos e eu podia sentir a tensão que emanava deles. De repente ouvimos um som muito alto, como algo quebrando. No instante seguinte, o deslocamento de ar e o som me fizeram empurrar Júnior pro lado. Senti o enorme tronco passar muito perto de onde eu estava.
A árvore caiu em nossa direção e não sei se os outros tinham sido atingidos. Eu caí por cima de Júnior e mergulhamos na água fria e raivosa. A correnteza me puxou pro fundo e só deu tempo de segurar um pouco de ar. Perdi o contato com Júnior e ouvi apenas o silêncio do fundo do rio.
Senti meu corpo sendo arrastado na direção da correnteza e lutei para subir. Com dificuldade, consegui nadar, largando a arma que trazia nas mãos. No desespero, nadei com força e com tudo o que tinha. Senti dor quando o ar invadiu os pulmões de forma arrasadora, junto com uma grande quantidade de água. E inspirei com força o ar precioso e tossi bastante. Eu estava sendo arrastada para longe e ouvia tiros e gritos dos homens que ficaram. Ouvi meu nome ser gritado, mas eu não tinha lanterna e o rio me puxava para longe.
Nadei para tentar não afundar e tentava tatear algo pra me segurar. Minutos mais tarde e bem distante do ponto original, senti um baque no braço e me segurei no que achava ser um tronco. Estava ofegante e meu corpo doía. O coração batia forte no peito tamanha adrenalina. Ao longe, os tiros cessaram. E ouvi sons das vozes dos soldados chamando uns pelos outros.
Os urros das criaturas estavam por todos os lados, como se fossem a própria escuridão. Deviam estar lotando a margem do rio, que devia estar próxima de onde eu estava. Eu sabia que qualquer descuido meu um deles poderia me pegar. Foi aí que ouvi um grito abafado de socorro; um dos soldados estava se afogando, sendo levado pela correnteza.
- ESTOU AQUI! CADÊ VOCÊ? – perguntei nervosa, tentando enxergar algo na escuridão do rio.
- SOCOR... – ouvi o som bem próximo.
Estiquei o corpo e fui na direção do som, segurando firme com uma das mãos no tronco que era minha salvação. Tateei a água, esperando ouvir novamente o som de socorro, até que senti uma mão. Segurei a mão fria e puxei com força. Estava difícil, o corpo era pesado e me puxava pra baixo, mas eu o peguei.
Segurei o braço escorregadio e o firmei no troco comigo.
- Tudo bem... está seguro. – falei apoiando o corpo enorme do soldado que nem sabia quem era.
O homem respirava rapidamente e tossia muito.
- Tem.. tem mais alguém ali. – reconheci a voz de Santana, tentando falar.
- O quê? – perguntei segurando mais firme no troco e respirando fundo.
- Tinha mais alguém comigo, mas não sei o que houve... o troco caiu em cima de nós....
Eu fui nadando pra ponta do tronco, indo pra dentro do rio. Se tivesse alguém ali eu poderia ajudar.
Nessa hora ouvi dois gritos simultâneos. Um deles estava perto de mim, pedia por socorro com a voz afogada. O outro vinha de Santana, do outro lado do tronco, de onde eu tinha acabado de sair.
Eu não sabia o que fazer. No instinto, estiquei o braço para segurar o homem que se afogava. Ele se debatia, tentando agarrar em alguma coisa. Finalmente sua mão encontrou a minha e o puxei. Do outro lado, Santana gritava em agonia por socorro, com a voz fraca de cansaço. Os gritos eram de horror e se misturavam as berros famintos das criaturam.
- Manuella? – reconheci a voz de Dornelles ao meu lado.
- Dornelles! Santana está em perigo! Acho que pegaram ele!
Antes que pudesse ir na direção dos gritos de socorro, Dornelles me segurou com toda a força que teve.
- Não vai... eles vão te pegar também....
A voz dele estava fraca e eu não pensava direito com a confusão e o desespero. Eu podia ser morta, mas não podia deixar o cara ali. Sem ouvir meus instintos e o conselho de Santana, dei um impulso e fui me arrastando no tronco, voltando para o ponto em que o deixei.
- AAHHH!!– ele gritava.
Finalmente alcancei seu corpo e o líquido viscoso e morno fez minha mão escorregar. Santana não gritou mais e senti seu corpo parar de se debater. Com a mão livre, tentei puxá-lo pela camisa, mas senti uma resistência do outro lado. Um maldito devia estar sugando de sua garganta e puxando o corpo dele para fora do rio. Eu tentei lutar e puxa-lo de volta, mas não tive forças.
Senti o hálito podre misturado ao sangue fresco quando o vampiro berrou em minha direção. Estava muito perto. Soltei a blusa de Santana e tentei voltar pro rio quando a mão fria e gosmenta pegou na ponta de meus dedos, apertando com força.
Gritei.
A criatura me puxou para frente enquanto grunhia de fome e desejo em minha direção. Eu tentei me debater, mas o aperto dele era firme e me puxava centímetro a centímetro para fora da proteção do rio. Suas garras começaram a ferir minha mão e não tive forças para me soltar. Foi então que senti Dornelles me puxar pra trás, tentando me ajudar.
Isso retardou um pouco o vampiro, que ainda tinha força suficiente para vencer a guerra.
- ME SOLTA! – gritei enquanto lutava para não ser levada pra terra.
Então senti o um vento forte e ouvi o barulho de algo caindo sobre o vampiro. Ele parou de me puxar de repente quando sua mão nojenta soltou a minha. Meu corpo bateu com força contra o de Dornelles e grudamos no tronco novamente, voltando para dentro d’água.
Quando olhei na direção da margem vi dois pontos brancos brilhantes. Os olhos de Alex brilhavam na escuridão. Eles me encararam por segundos a fio, sem piscar. Eu também não me movi e Dornelles também não. Nós sabíamos que Alex perdia o controle de si quando entrava em frenesi e nós corríamos o risco dele nos confundir com uma das criaturas.
Os pontos brancos brilhantes vinham lentamente em nossa direção. Ouvi quando Alex subiu no grosso tronco no qual nos apoiávamos e veio andando, como um felino prestes a atacar. Eu não conseguia ver o facão em suas mãos, mas sabia que estava ali com ele. Sua lâmina afiada cortava a carne sem esforço.
Ele se agachou e seus olhos de íris completamente branca estavam cintilantes no escuro, absolutamente incríveis. Senti meu coração acelerar ainda mais quando senti sua respiração tranquila se aproximar. Aqueles olhos me mantinham ligada a ele de um jeito inexplicável. Por um segundo, eu conseguia ver apenas o branco infinito e sobrenatural. Se ele me matasse naquele instante, eu nem ao menos perceberia. Talvez ele hipnotizasse aos vampiros também e eles se entregavam a ele de bom grado.
Dornelles apertou minha cintura, trazendo-me de volta à realidade, e senti que estava pronto para me puxar caso Alex fizesse alguma coisa, mas ele parecia vidrado em mim. De repente, o branco cintilante de deus olhos desapareceu no escuro e senti que ele colou o rosto no meu. O ângulo não era favorável, uma vez que ele estava no tronco e com o corpo acima do meu, semimergulhado no rio, mas ele conseguiu colocar o nariz em meu pescoço, respirando fundo algumas vezes. Eu sabia o que ele queria, sabia que Alex lutava por controle.
A nossa volta ainda havia grunhidos crescentes, mas eu senti que ele não queria lutar. Ele queria ficar com seus companheiros, assumir o controle de si mesmo. Num gesto ousado e perigoso, eu soltei o braço do tronco e envolvi seu pescoço.
- Sou eu, Manuella. – falei baixo em seu ouvido sentindo o corpo rígido dele se contrair com meu abraço – Você vai ficar bem... volta pra gente, Alex.
Ele ainda ficou imóvel, respirando muito forte. O corpo não movia um milímetro sequer. Dornelles devia estar tenso, sem saber o que estava acontecendo. Segundos depois, senti o corpo de Alex relaxar um pouco e ele cedeu, entrando na água junto comigo.
- Tudo bem... vai ficar bem. – falei deixando-o sentir o cheiro do meu cabelo.
Ele se mantinha agarrado a mim e, muito lentamente, fui entrando no rio com ele, cada vez mais para o centro, seguindo Dornelles. Nós não soltamos do tronco e quando chegamos no limite, onde a correnteza estava grande e o tronco acabava, paramos. Ouvimos os gritos dos vampiros aumentar. Mais deles estavam na margem do rio, esperando uma oportunidade para atacar, ensandecidos por não poderem nos alcançar.
Alex contraiu o corpo novamente e apertei meu braço ao redor de seu pescoço e ele afundou o nariz em meus cabelos. Para mantê-lo comigo, soltei completamente do tronco e me abracei totalmente a ele, de forma que, se ele me soltasse, eu me afogaria.
Alex segurou com um braço no tronco e me apertou forte com o outro, ainda respirando fundo rapidamente.
- Eu sei que consegue. Confio em você. – falei em seu ouvido, enquanto também afundava o rosto no pescoço dele.
...
Era a segunda vez que amanhecia num rio agarrado a ela. Da primeira vez ela me salvou e agora, Manuella o fazia novamente. Eu não lembro de muita coisa depois que saí correndo da barraca, pois logo senti o cheiro que me ardia as narinas e me levava a loucura. Era sempre assim que acontecia, esse estado de semiconsciência era enlouquecedor. Eu não tinha domínio completo do meu corpo, eu apenas agia.
Eu sei que matei mais vampiros do que nunca em minha vida. No mato, eles brotavam por todos os lados e eu os trucidava. Com o facão era muito mais rápido e eu adorava saciar aquela fome que eu tinha em destruí-los. Era vital pra mim, era como um vício... Mas o meu vício maior, que superava até minha sede de sangue, era ela.
Meu corpo ferveu com seu beijo. Eu não sabia o que aquela mulher tinha que me alucinava. Eu me sentia um garoto dando o primeiro beijo, tamanha minha adoração por aquela boca. Quando Manuella lambeu meus lábios e os mordeu suavemente, eu não sei o que me segurou para não pular sobre ela e me satisfazer. Eu precisava dela de um jeito doentio.
Então ouvimos o grunhido e meu corpo quente e pulsante teve que sair do paraíso que eram seus lábios. Então veio o frenesi e a matança. Eu só os queria longe, queria que desaparecem de perto de mim pra que eu pudesse voltar pra ela.
E voltei.
Recobrei a consciência com muito esforço. Estava cada vez mais difícil voltar a ser eu mesmo, mesmo sentindo o cheiro do cabelo dela. Era estranho, quando sentia o cheiro dela e a maciez de sua pele em minhas mãos, eu queria voltar a ser eu mesmo. Eu temia machuca-la e temia não poder voltar mais. Dessa vez foi pior. Tive que me concentrar muito para deixar o frenesi passar.
Ela se soltou do tronco onde estávamos agarrados e se segurou em mim. Apertei-a em meu braço, não iria deixa-la ir. Aos poucos senti o corpo relaxar e os sons dos vampiros não me irritavam tanto o nariz.
- Alex? – ouvi a voz dela em meu pescoço, algum tempo depois. Seu corpo tremia de frio e senti que estava fraca pelo esforço.
- Estou bem. – respondi apertando-a. Eu não sentia frio, meu corpo estava quente, ainda agitado pela batalha... por outro lado, acho que sempre me sentiria quente perto de Manuella, independente da situação.
Ela tentou esticar o braço para segurar no tronco e se soltar de mim, mas não permiti. Girei o corpo e pressionei-a contra o tronco, mas uma vez protegendo o corpo dela com o meu, dentro do rio.
- A gente tem que parar de fazer isso. – ela disse com o queixo trêmulo.
Sorri.
- Eu não acho... – respondi.
Manuella sacudiu a cabeça em negativa, mas sabia que estava rindo com meu comentário estupidamente verdadeiro.
- Eu ainda estou aqui, OK? – ouvi Dornelles falar de algum lugar da escuridão perto de nós.
- Sempre empatando, né Dornelles? – perguntei mantendo o tom da brincadeira. Apesar de tudo, eu não podia deixar passar essa.
Ele riu brevemente e depois o silêncio voltou a cair.
- Santana está morto. – Dornelles disse solenemente.
- Eu sei. – respondi ajeitando o corpo um pouco mais. Segurei no tronco, mantendo Manuella tremendo entre meus braços – Agora temos que esperar o dia chegar pra ver os estragos que eles fizeram...
Fale com o autor