Life
11 Capítulo 10
Notas iniciais
o/
Boa leitura!
No fim do meu turno eu voltei à área comum e vi que a maioria estava cochilando. Júnior estava muito cansado por ter feito turno duplo e foi direto dormir. Eu estava agitada, a conversa com ele tinha me deixado um pouco angustiada, embora eu estivesse a quase duas noites sem dormir... na noite passada apenas cochilei e depois houve toda a confusão com os vampiros.
Com as armas na cintura, resolvi sair dali, pois precisava me afastar um pouco de tanta testosterona.
Os outros cômodos eram muito semelhantes, embora não tão grandes quanto o primeiro. Em um deles, vi um sofá sobre o qual havia várias coisas velhas, objetos esquecidos por ocupantes do abrigo em tempos anteriores. Eu vi pedaços de armas antigas, caixas de papelão e alguns livros... algo incomum nesses tempos.
Ajoelhei sobre o chão e peguei os exemplares. O Primeiro deles era um clássico da literatura mundial: Romeu e Julieta. O segundo parecia um livro de auto-ajuda, mas estava em italiano, e eu não conhecia muito bem a língua. O terceiro era um que eu já tinha lido e era um dos meus favoritos.
- Gostosa e culta, essa é boa.
Levantei-me e virei pra trás em um sobressalto. Olavo estava a menos de meio metro de distância e com um sorriso cínico no rosto. Santana estava parado na entrada do cômodo, apoiado na parede. Eu sempre ficava distraída com um livro na mão...
- Isso é um livro... você sabe pra que serve? – perguntei a ele, ajeitando minha postura e sorrindo sarcasticamente. Santana gargalhou.
- Veio pra me agradecer por eu ter salvado sua pele? – perguntei instigando o saldado. Eu sabia que era perigoso, mas minha língua não resistia ao ácido.
- Eu posso te dar uma coisa em troca pelo o que fez. – ele disse dando um passo largo e colando o corpo bruto ao meu.
- Eu acho que ela já deixou claro o que vai fazer se você tocar nela de novo, não é?
A voz de Alex surgiu atrás de nós. Ele parecia sério e tinha o facão nas mãos. Encarando Olavo, que não deixou de me olhar, ele prosseguiu.
- Já esqueceu da chave de braço? – Alex prosseguiu.
- Isso não é da sua conta Alex.
- Sim, é da minha conta. Essa porra de missão precisa que fiquemos juntos e eu não vou permitir que uma atitude sua acabe com isso.
Eu fiquei parada. Em meu ventre sentia o volume da excitação de Olavo. Ele não sabia, mas eu tinha uma das mãos segurando minha pistola por trás das costas.
- Então fala pra essa garota não me provocar mais, ou eu não respondo por mim. – ele disse com a voz gutural e profunda.
- Ela não precisa falar nada pra provocar alguém. – Santana emendou e eu engoli seco. As palavras de Júnior me vieram à mente.
Olavo roçou o volume duro em mim antes de sair. Olhando em meus olhos ele gesticulou com a boca, sem emitir som algum. Ninguém viu, mas eu vi, e a palavra ‘gostosa’ nunca me deu tanto asco.
Santana saiu e Olavo saiu em seguida.
- Você está me dando muito trabalho, sabia? – Alex falou chegando mais perto do sofá.
- Espero que você não se junte ao grupo. – falei jogando o exemplar de ‘O caso dos dez negrinhos’ no sofá empoeirado, já puta da vida.
Alex riu e deu uma olhada nos livros.
- Sabe que eu ainda não me decidi? – ele falou brincalhão e mirou seus olhos azul esverdeados em mim.
- Como suas feridas curam tão rápido? – perguntei olhando a base do pescoço, que tinha uma mordida horrível algumas horas atrás e que agora estava intacta.
- Mudando de assunto? Isso não combina com você. – ele disse rindo jovialmente.
- Estou ouvindo muito isso hoje. – falei andando pelo cômodo.
- Talvez porque você sempre surpreenda a todos.
- E você, cria sozinho essas frases de efeito ou só copia de algum idiota mesmo?
Alex riu alto e se aproximou.
- Eu sou bastante criativo. – ele disse com um olhar penetrante.
Aquilo não era justo. Os olhos dele sempre me balançaram. Talvez porque eu seja cientista e quisesse descobrir finalmente que tom era aquele.
- Você gosta só dos meus olhos ou do resto também? – ele perguntou depois de alguns segundos em que eu hesitei e fiquei apenas encarando aquele tom desconcertante.
Sorri de uma forma doce, doce e sensual. Seria tão interessante brincar com ele... mas eu não devia, pois Alex sempre foi muito legal comigo. Com um gesto calculado, dei meia volta, fazendo meu rabo de cavalo chegar próximo ao seu rosto. Não respondi à pergunta e sai andando calmamente, rebolando de forma discreta.
...
Ela não era justa comigo.
Observei seu corpo se afastar rebolando sensualmente de forma nada exagerada. Ela sabia que era gostosa e sabia exatamente o que fazer pra deixar qualquer homem alucinado. Sinceramente, ela estava me tirando o sono. Os soldados estavam cada vez mais instigados com ela e Manuella não fazia nada pra facilitar a própria vida. Senti o sangue ferver quando vi Olavo e Santana com ela... eram os mais perigosos.
Eu não acho que seria capaz de fazer algo contra ela, apesar de ser bastante tentador, mas eles sim e eu não queria isso. Por mais tentadora que ela fosse, não queria fazer nada que a machucasse. Eu podia até ser um canalha com as mulheres que conheci, mas não era capaz de forçar nenhuma delas. Por sorte eu tinha Juninho e Dornelles, que estavam afeiçoados a ela de um jeito bem melódico. Marcos eu já nem digo, o cara é um tarado convicto, mas também creio que não faria tal atrocidade. Já os demais, eu não tenho tinha tanta certeza.
Respirei fundo com sua provocação e me deleitei com o cheiro de seu cabelo ao passar por mim. Senti meu corpo latejar em pontos estratégicos e procurei me controlar.
- Relaxa, Alex, relaxa... – falei pra mim mesmo quando já estava sozinho.
Fiquei imaginando como seria o gosto da sua boa rosada e a textura de sua pele. É, posso dizer que faria quase qualquer coisa para possuí-la. Manuella era intensa e tinha uma bunda empinada de tirar o chapéu.
Meus devaneios foram quebrados mais cedo do que eu gostaria e de uma forma nada agradável. Ouvi uma movimentação lá fora e o som seco do tiro.
Corri a toda velocidade e vi o amontoado de gente no corredor. Todos, se exceção, apontavam suas armar para a porta, na parte de cima da escada, de onde vinham urros de fome.
- EU DISSE QUE OS MOTORES ESTAVAM QUENTES! OS DESGRAÇADOS NOS ENCONTRARAM AQUI! – Carvalho gritou lá da frente.
O corredor era muito estreito e as luzes começaram a piscar. Lá fora, eu podia ouvi-los. Apertei bem meu facão afiado e saí empurrando a todos. Eu tinha que ser a linha número de defesa. Não compreendia, tudo parecia tão certo... nossa sorte estava virando.
Então ouvimos um barulho enorme. O estrondo foi tão grande que estremeceu as paredes do abrigo. Quando dei por mim, a porta de ferro estava escancarada com um tronco de madeira arrebentado caído ao chão.
Não deu tempo pra nada mais. Não pude pensar em como os vampiros abriram a porta ou em como invadiram nosso abrigo. Somente percebi o tom vermelho tomar conta de mim e a ardência em minhas narinas.
Os malditos vinham aos montes pelas escadas e eu os derrubava. Cortava ao meio, esmagava suas cabeças, fazia o que podia. O caos estava instaurado. Mas por mais estreito que o corredor fosse, eu não conseguia conter todos, pois eram muitos. Era um bando enorme que estava atrás de nós e isso tornava as coisas difíceis.
Eu não pensava em nada, nada além de matar aquelas aberrações, mas meus esforços pareciam inúteis.
Até que ouvi um grito vindo de trás. A voz me era familiar, mas no auge de minha fúria, não parei, não ouvi. O que veio depois foi uma explosão imensa no topo da escada. O impacto foi colossal. Corpos e sangue voaram pra todo o lado, me cobrindo com o líquido viscoso e frio dos vampiros.
Meu corpo foi arremessado pra trás e bati com força no chão.
Silêncio... escuridão.
Minhas narinas ainda ardiam imensamente, e isso me impedia de ficar parado no chão. Sem pensar, avancei pela escuridão, pisando nos corpos estraçalhados que se amontoaram na escada. Na parte de fora, o estrago da explosão era mais visível.
Corpos de vampiros estavam em chamas, correndo a esmo. Um buraco enorme dava visão para fora e lá, mais vampiros agonizavam. Mas eu podia sentir que a explosão e o cheiro atrairiam mais deles.
Em minha fúria incontrolável, eu terminava por mutilar os corpos que se moviam. Eu queria que aquela ardência parasse, queria vê-los todos mortos.
Enquanto eu dizimava as dezenas de malditos, eu perdia a noção do tempo, perdia a razão. Apenas percebi, com um tremor, que o vento lá de fora me trouxe mais adrenalina. Um grupo muito maior deles estava vindo. Eu os ouvia, eu os sentia, mesmo ainda estando tão longe. Meus músculos tensionados se animaram e no meu interior eu senti a euforia da antecipação. Mata-los era meu maior prazer.
Corri para fora, de encontro ao grupo. A noite estava fria, mas a lua cheia iluminava um pouco a escuridão. Eu não precisava disso, a luz era o de menos, só o que me movia era a necessidade de acalmar a fúria dentro de mim.
Eles chegaram logo e o grupo era grande. Ouvia os gritos dos malditos e o barulho que minha arma fazia ao cortar seus corpos. Havia tiros, muitos tiros por perto, e quando menos esperei, uma segunda explosão.
Esta foi mais perto de mim. Meu corpo voou por metros e bateu com força contra uma árvore. Ouvi as costelas quebrando com o impacto e caí com tudo no cão. Mesmo em meu delírio, pode sentir muita dor. Os ouvidos zuniam e o facão se perdeu de minhas mãos. O vermelho foi ficando mais escuro, minha visão foi ficando turva. Não ouvia mais urros, não ouvia mais nada. No máximo da minha dor, deixei a escuridão me envolver.
Notas finais
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