Life

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Eu não podia parar naquele momento... eu acho que minha pobre mãezinha não merece tantos xingamentos!! kkkkkk
Boa leitura!

Eu sabia, estava pressentindo. Avisei Dornelles o que deveria ser feito caso eles entrassem. Se eu sentisse o cheiro das criaturas, a coisa ficaria feia. Não demorou pra acontecer.

Os malditos estavam forçando a entrada e, por mais resistente que o metal fosse, não resistira a força deles e eu percebi que eram muitos. No instante que o pedaço inferior da porta se dobrou eu senti o nariz arder com o cheiro da morte. Senti os músculos enrijecerem e apertei firme o facão nas mãos. Era isso, já não tinha mais volta. Eu só rezei para que fossem poucos, assim meus companheiros teriam alguma chance.

O que veio depois foi um borrão. Eu só sabia que tinha que acabar com eles. Eu cortava, quebrava, batia, mas nada parecia ser suficiente. Minha vida dependia daquilo, eu só poderia viver se eles morressem e portanto, eu tinha que eliminar a todos.

Mas a maldita porta me impedia de acabar com eles, então tratei de tirá-la do caminho. Depois de muito tentar, finalmente ela cedeu. O impulso dos vampiros pelo lado de fora ajudou... os filhos da puta não faziam idéia de que tinham acabado de libertar seu maior pesadelo... eu.

Embrenhei-me no corredor lotado por eles. O facão cortava a carne como se fosse manteiga. De uma só vez, fui capaz de trucidar os que estavam atolando o corredor, mas havia mais.

Deixei os outros para trás, pois eles não me importavam mais, eu só queria era matar os demônios, todos, todos de uma vez. No meio do salão, eles vinham surgindo... mas eram poucos para minha sede de sangue. Eles vinham de fora, surgiam de cima do balcão, mas eu os pegava. Senti quando um deles partiu para cima de mim, acertou-me por trás e tentou cravar os dentes em minha garganta. Sorte eu desviei um milímetro no último instante. Os dentes afiados afundaram no músculo acima do ombro. A dor foi lacerante, mas só serviu para que eu sentisse ainda mais raiva. Lancei meu corpo para frente, levando o maldito junto comigo e batemos num grande vidro.

Senti os cacos entrando em minha carne enquanto a criatura se debatia tentando morder meu pescoço próximo a sua boca fétida e barulhenta, a saliva ácida escorria em minha face. Mas não teve jeito, sua cabeça rolou para debaixo de uma cadeira velha depois que a cortei fora.

Ouvi alguns tiros vindo de trás e depois silêncio.

Pus-me de pé, avaliando a cena. O cheiro ainda estava forte, ainda atiçava meus sentidos, mas só haviam corpos retorcidos e mutilados no chão ao meu redor. Tudo estava vermelho e meu corpo bufava, esperando por mais.

Senti a movimentação atrás de mim e virei rápido como um raio. Ainda havia um vampiro vivo. Ele estava de pé próximo a porta; os braços ao lado do corpo, levemente arqueados; as garras proeminentes. Os olhos negros sem íris brilhavam de ódio. Só o que havia nas órbitas era o negro infinito do demônio brilhando com um ódio escarlate. Ele era grande e forte, usava uma calça surrada um blusão que parecia inteiro, apesar do tempo e da sujeira. O vampiro me encarava, seu corpo subindo e descendo conforme a respiração, que tinha um ritmo muito mais acelerado que o de um humano normal.

Apertei o facão na mal, aguardando seu ataque, que não veio.

Contrariando todas as probabilidades e tudo o que eu sabia a respeito das criaturas, o vampiro macho urrou uma vez e me encarou nos olhos. Seu berro foi o mais alto que já ouvi e o cheiro do hálito maldito chegou até mim. As veias podres do pescoço saltavam durante o urro de ódio puro. Depois disso, o maldito virou e correu para a noite sombria.

Meu primeiro impulso foi correr atrás dele, mas ouvi uma segunda rajada de tiros vindo de trás e, a essa altura, minha consciência estava começando a voltar ao normal. Tive um vislumbre do rosto dos meus amigos e isso me fez ficar.

Senti os músculos relaxando aos poucos, minha respiração começou a diminuir de ritmo. Senti o sangue morno escorrer da feria perto do pescoço. Aos poucos, senti o vermelho dissipar e pude ver as cores a minha volata. A dor me dominou por completo e eu desabei, caindo de joelhos sobre uma poça de sangue no chão.

- Alex! – ouvi uma voz atrás de mim. A voz era diferente, suave, bonita. Era voz de uma mulher.

Senti um par de mãos levantar meu tronco e as vozes de Marcos e de alguém que não lembrava o nome chamavam meu nome, mas estavam muito distantes. Depois disso, eu desmaiei.

...

A porta do inferno se abriu, mas não saíram demônios de lá. Isso porque Alex, transtornado, mergulhou no corredor repleto de bestas e saiu aniquilando a todos. Era impressionante. Eu estava atrás na formação dos soldados, que estavam prontos para a guerra, mas hesitavam, pois um tiro podia atingir Alex e isso não seria bom pra ninguém.

Depois de um tempo, os urros foram diminuindo. Eu vi os braços dos bravos homens tremer diante da situação, mas as armas estavam apontadas firmemente para frente, para o corredor estreito onde jaziam os restos dos corpos mutilados.

O cheiro era horrível e fazia o nariz arder. Eu sentia cheiro de carne podre e terra, com um fundo enferrujado. Era tão forte que se não fosse a adrenalina que corria em minhas veias, eu poderia ficar desnorteada.

Tudo foi tão rápido, mas era como se fosse um filme em câmera lenta. Não sei ao certo quanto tempo depois nós nos movemos, mas foi Marcos quem tomou a dianteira.

- Vamos avançar, parece que Alex já destruiu a maioria. Cuidado com as garras dos malditos, eles estão vivos, apesar de estarem mutilados. Ninguém quer se cortar agora.

O grupo avançou e com as armas tiravam do caminho os corpos trucidados. Havia sangue para todo lado, as paredes adquiriram o tom rubro quase negro e o cheiro da morte. Foi um verdadeiro massacre.

Seguiram Marcos, Dornelles e Olavo e eu fui depois. Dava para apenas um de cada vez passar pelo corredor imundo. Eu estava quase no fim quando ouvi um grito atrás de mim e ouvi tiros. Uma das mãos dos vampiros tinha agarrado o pé de Juninho, que atirou quase em si mesmo com o susto.

Dornelles e Olavo voltaram, me atropelando no corredor, eu segui adiante, junto com Marcos.

Cheguei no salão do mini-mercado e havia mais corpos lá. Ao todo, foram quase trinta vampiros exterminados em minutos. Mais adiante, vi a figura de Alex coberta de sangue desabar no chão, ajoelhando sobre uma poça de sangue.

- Alex! – gritei em sua direção e corri.

Marcos e eu chegamos quase ao mesmo tempo e vi seu corpo cansado desmaiar nos braços do amigo. Avaliei-o rapidamente, a respiração estava estável, mas ele parecia fraco... talvez não tenha se alimentado direito.

Agarrei as pistolas firmemente e dei cobertura a Marcos, que levantou o outro. Eu virava em todas as direções com os braços esticados, apontando as armas, a espera de um vampiro remanescente, mas havia apenas corpos e mais corpos mutilados.

- Alex! – Marcos chamou, no instante em que os outros chegaram até nós.

- Está limpo lá atrás! – um deles gritou de trás e os outros espalharam-se pelo lugar para checar se estávamos realmente sozinhos.

- Temos que correr e tirá-lo daqui! – eu disse me aproximando de Marcos. Alex já quase recobrava a consciência, mas perecia grogue – Estamos vulneráveis, se mais deles aparecerem, estaremos fodidos!

- Manuella está certa, vamos voltar pra dentro do frigorífico, agora! – Dornelles gritou. Os soldados amparavam Alex e eu e Olavo ficamos na contenção.

Minhas pistolas miravam para todos os lados e meus ouvidos estavam atentos aos sons da noite lá fora. Os malditos haviam quebrado todas as portas e janelas de vidro do estabelecimento, e estávamos praticamente à deriva no meio da estrada, sem proteção nenhuma.

Eles já apontavam no corredor quando eu escutei um barulho discreto. Depois veio o grito, ou melhor, os gritos.

Uma vampira surgiu da janela próxima a Olavo, que esta do lado oposto ao meu, na cobertura. Ela deve ter saltado de longe, mas foi precisa. Quando o soldado percebeu, nada pode fazer a não ser gritar junto com o monstro.

Fui mais rápida. Com uma sequencia incrivelmente precisa de tiros, descarreguei minhas pistolas na direção da vampira, que mudou de direção durante seu pulo. Olavo se esquivou e rolou para debaixo de uma esteira de caixa e o corpo pequeno da maldita caiu como um gato no chão, preciso e inteiro, apesar dos tiros.

Eu fui certeira com os disparos, mas nenhum na cabeça, se eu tentasse, poderia atingir Olavo sem querer.

Tudo foi tão rápido, que não deu tempo pra pensar. O demônio de saia rasgada tinha sangue escuro escorrendo de vários lugares do corpo, dos buracos que minhas balas fizeram em sua carne. Como um raio, ela se agachou e saltou em minha direção.

Tudo foi um borrão. A velocidade da vampira era demais pra mim. Olavo ainda estava caído e eu senti que estava perdida. O corpo fétido e pequeno se aproximou rápido e só o que eu pude faze foi cruzar os braços em ‘X’ sobre o rosto, deixando as pistolas caírem descarregadas. Com sorte os soldados atirariam sobre ela e eu morreria rápido com os tiros deles, ao invés de ter a garganta dilacerada.

Mas a vampira nunca me alcançou.

A centímetros de suas garras tocarem meu pescoço, eu senti um impacto forte e meu corpo foi jogado pra trás com força. Bati no chão sentada e senti algo cair sobre mim. Era um objeto frio e gosmento, redondo, com longos cabelos negros: a cabeça da vampira.

A minha frente, Alex estava ajoelhado, de frente pra mim. O facão pingava sangue em minha blusa e a lâmina afiada estava a milímetros da minha garganta. O rosto dele muitíssimo próximo ao meu, com seus olhos brancos brilhantes me encarando alucinados. Eu o encarei sem piscar, sem me mover, apenas meu peito subia e descia rapidamente.

Seu hálito em meu rosto exalava adrenalina, o maxilar totalmente rígido. Um movimento dele, e eu teria a garganta cortada. Foi o segundo mais longo de toda minha vida.

Os soldados do grupo estavam imóveis, ainda sem entender o que estava acontecendo. Alex parecia muito transtornado e confuso. Naquele momento eu fiz a única coisa que me veio à mente:

- Alex? – perguntei em tom baixo.

Ele estava tão próximo que meus lábios roçaram em seu nariz.

Meu olhar preso àquele branco incomum. Era tão lindo, tão exótico, que dava medo. Tão rápido quanto todo o resto, o branco foi ganhando um tom diferente. Foi se tornando uma cor indecisa, entre o verde e o azul.

Ele afastou a lâmina do meu pescoço, abaixando o braço lentamente. Sue respiração ainda sobre meu rosto e seus olhos fixos aos meus, tanto quanto os meus estavam fixos nos dele.

- Desculpe... – ele falou num sussurro, enquanto deixou seu corpo relaxar sobre o meu.

Eu o embalei, segurando firme o peso de seus músculos e a cabeça dele descansou em meu colo. Ele havia desmaiado novamente. Enquanto os demais corriam em nossa direção eu abaixei o rosto e sussurrei a única coisa decente que me vinha à mente:

- Obrigada por me salvar.

Notas finais
Reviews???