Life

8 Capítulo 7


Notas iniciais
Gente, tô tããããão feliz com os montes de reviews por capítulo que estou arranjando tempo pra escrever até no trabalho!! E que meu chefe não veja!!!!! kkkkk o/
Isso é que é incentivo!! Mto obrigada!!!
Agora as coisas começam a esquentar :)
Boa leitura!!!

Em menos de dez minutos, nós fizemos a refeição com as barras de cereal e água. Eu tinha umas frutas e acabei por dividi-las com Juninho, que pareceu se encantar comigo. Ele era um garoto legal e, eu percebi, estava ali para provar a si mesmo que podia fazer aquilo, podia ser um soldado valente. Eu achei um argumento justo, eu bem sabia que convencer a si mesmo de que é capaz, não é nada fácil.

Quando os relógios apitaram 18h, senti o clima mudar completamente. Todos estavam no pequeno frigorífico, que não tinha mais que cinco metros quadrados. As mochilas tinham sido alocadas sobre as prateleiras de metal, no canto do pequeno cômodo e nós estávamos com as armas engatilhadas, com munições a postos e em completo silêncio. Lá fora, o sol adormecia.

Antes de nos fecharmos, Alex tinha dado uma última olhada no pequeno mini-mercado. Aparentemente não havia sinais de que vampiros tenham andado por ali recentemente, mas os malditos eram espertos o suficiente para saberem que lugares como aquele eram um bom esconderijo para humanos, e eles sempre ficavam de olho. Se eles encontrassem as motos, então, isso sim seria um indício de que havia sangue fresco por perto.

A porta do Frigorífico foi engatilhada para não abrir por fora. Tínhamos as chaves e por dentro havia uma série de ferrolhos grossos. Isso era incomum, mas algo me disse que aquele lugar já tinha servido de abrigo contra vampiros antes.

A tensão era total e nós estávamos a postos, atentos a qualquer sinal de movimento e barulho externo.

As horas passavam arrastadas e resolvemos nos revezar em dois grupos para dormir. A cada duas horas, nós revezávamos.

Os primeiros quatro turnos passaram arrastados. Já passavam das duas da madrugada e nada tinha acontecido. Eu estava sentada no chão e Marcos brincava com o cadarço de seu bute ao meu lado. Alex se aproximou de nós.

- Sabe, é muita sorte o Marcos estar no nosso turno. – ele disse pra mim em sussurro, enquanto se agachava ao meu lado.

- Por quê? – perguntei também em tom quase inaldível.

Alex sorriu e encarou o amigo que estava sonolento.

- Porque quando ele dorme, ronca tão alto que chega assustar. Eu sempre penso que é um deles me atacando.

Suprimi uma risada e Marcos encarou o outro com cara feia. Antes que sua resposta saísse, nós ouvimos um barulho alto.

Instantaneamente, todos se puseram de pé e os que estavam dormindo, acordaram em sobressalto.

Alex fez sinal para que fizéssemos silêncio e foi lentamente para a porta de metal que nos trancava. Ele apoiou o ouvido e esperou, imóvel. Meu coração batia forte no peito, parecia que ía sair rasgando tudo. Apertei bem as pistolas nas mãos. Os demais também estavam tensos, com as armas apontadas para frente.

Mais de dois minutos Alex ficou imóvel e o silêncio foi absoluto. Nada mais foi ouvido do lado de fora.

- Pode ter sido um gato. – Marcos tentou. Falando o mais baixo que conseguiu.

Ele tinha razão. Com o passar dos anos, as estradas e tudo o mais tinha sido abandonado e o mato tinha crescido, assim como o número de animais silvestres, que não mais sofriam com a depredação humana. Podia ter sido só um animal procurando comida.

- Eu não sei... não estou com um bom pressentimento quanto a isso. – Alex falou, ainda com o ouvido colado ao metal.

Ele mal terminou de falar e nós ouvimos novamente, um barulho alto vindo de fora. Mas agora o som era mais definido, mais distinguível. Era um grito, um berro. Um berro de vampiro.

- Droga! – Alex gritou, dando um pulo para trás, mas ainda se mantendo na frente de todos. Só então eu reparei que ele tinha uma espécie de facão na mão e uma pistola na cintura.

Os urros recomeçaram mais altos, e podia se ouvir nitidamente que era mais de uma criatura que berrava, chamando os demais.

- Todos para o fundo, agora! – Alex alertou e nós recuamos o máximo possível, nos afastando da porta.

As criaturas começaram a bater na porta de metal, que permaneceu firme. Eles batiam e urravam, estremecendo tudo por dentro. O som era insuportável e nós estávamos em alerta total.

Então um barulho incrivelmente alto e agoniante fez todos levarem as mãos aos ouvidos.

- Que merda é essa? Que som é esse? – Olavo perguntava apontando seu fuzil para a porta que estremecia com os impactos das criaturas.

- Eles estão arranhando a porta. – Alex respondeu, juntando-se a nós.

O barulho dos urros e das unhas contra o metal era apavorante. Certamente havia um grupo deles lá fora e nós não sabíamos até quando a porta ía resistir. Dornelles se aproximou de Alex e ouvi quando perguntou:

- E então, o que você vai fazer se eles abrirem?

Alex respirou fundo, parecia nervoso.

- Eu quero que vocês fiquem aqui dentro, que não venham atrás de mim. Aqui é um bom lugar porque só podem passar dois pela porta, por mais deles que existam lá fora, e vocês terão mais chances aqui dentro. Eu não posso dizer que vou ficar aqui com vocês, mas vou tentar ao máximo.

Eu não entendi o conteúdo da conversa, mas eu logo entenderia.

Com um barulho inda maior que nos fez abaixar, as criaturas forçaram aporta de um jeito, que um pedaço do metal entortou. A parte de baixo, que havia menos trancas, entortou como se fosse um papel, deixando um triângulo que dava para vermos lá fora.

Nesse instante, eu vi algo incrível: Alex parou de se mover e seus olhos se arregalaram. O corpo ficou imóvel e parecia tenso ao extremo. Os músculos do braço apertavam o facão na mão direita e achei que o objeto fosse se desintegrar. Mas o mais impressionante foram os olhos. Eu vi aquele tom azul esverdeado sumir. Os olhos de Alex foram clareando rapidamente ao ponto que ficaram totalmente brancos, com um brilho incomum, com as pupilas pretas no centro.

Eu parei e senti apenas Juninho ao meu lado.

- Agora Alex não está mais conosco. – ele disse, mirando sua submetralhadora na direção das bestas que forçavam a porta cada vez mais.

Alex começou a avançar para a porta e com o facão cortava os pedaços das mãos dos vampiros, que era a única parte do corpo deles que passava pelo buraco.

- PREPAREM-SE!! SE ALEX ABRIR A PORTA, A COISA VAI FICAR FEIA!

- Abrir a porta? Como assim abrir a porta? – perguntei apertando as pistolas com força e me juntando aos outro no fundo do frigorífico. Por que ele abriria nossa única salvação afinal?

Alex começou a bater freneticamente com o facão na porta, nas tricas, nas mãos e braços dos vampiros, estava alucinado. Ele estava ajudando os malditos a abrir a porta, ele queria abri-la, queria enfrenta-los.

O barulho era ensurdecedor, juntando os urros das criaturas e os gritos alucinados de Alex e já havia sangue espalhado pelo chão perto de onde os dedos tremulantes estavam caídos. Faíscas saíam do facão quando este batia com força na porta de metal. Com um golpe incrível, Alex arrebentou duas das três trancas internas e os malditos empurraram ainda mais a porta, que entortou a ponto de dobrar ao meio. A parte de baixo da porta estava totalmente voltada para dentro e alguns deles tentavam passar. Eram muitos e pareciam chegar mais a cada minuto.

Os gritos dos vampiros aumentaram e senti o fedor que vinha das criaturas.

- DEUS DO CÉU! FORMAÇÃO! FORMAÇÃO! NÃO ATIREM ATÉ QUE ALEX SAIA DE MIRA! – um dos soldados gritou.

Imediatamente, Dornelles, Marcos e Olavo se puseram diante de nós, formando uma espécie de formação de batalha. Meu coração estava disparado e minhas mãos tremiam pela adrenalina. Foi nesse instante que Alex acertou um dos malditos e o cortou exatamente ao meio. O sangue escuro e fétido se espalhou pela pequena sala e sujou os soldados da frente. Senti um respingo na bochecha e era frio.

Alex berrava e batia, estava em frenesi, e vi quando ele quase acertou a última tranca. Institivamente me impulsionei para frente, precisava detê-lo. Se aquela porta fosse aberta, muitos vampiros entrariam e nós estávamos em um beco sem saída.

Dei dois passos na direção dele, saindo da formação, foi quando senti a mão firme de Santana em meu punho.

- Não faz isso. Deixa ele. Você não vai impedi-lo.

- Mas ele não pode abrir a porta! – retruquei ainda fazendo força para cegar até Alex.

- É inútil, ele está fora de si! Se você se aproximar é capaz dele te machucar sem saber. Escute!

Eu não sabia o que fazer, jamais esperei viver essa situação. Levei o olhar até Alex mais uma vez. A pele clara estava brilhando de suor, o cabelo grudado na testa, a blusa branca encharcada de suor e sangue respingado. As mandíbulas faziam uma força inumana que até de longe eu podia perceber. Eu nunca tinha visto nada igual! Seu corpo era como de um animal selvagem em fúria que desejava aniquilar seu inimigo.

Santana forçava meu pulso para trás e me forcei a obedecê-lo. Seja o que for que Alex estivesse passando, era arriscado demais chegar perto dele para tentar impedir. Lembrei de duas noites atrás, quando o vi mutilar uma quantidade incrível de vampiros apenas com aquele facão e pensei que talvez, apenas talvez, nós pudéssemos sair vivos dessa.

Notas finais
Reviews???? .... não xinguem minha pobre mãezinha, por favor....rsrsrsrs