Life
49 Capítulo 48
Notas iniciais
Prometi postar mais um hj e tõ cumprindo! rs
Boa leitura a todos e mto obrigada pelo carinho de vcs :)
Fitei-o por um longo tempo, durante o qual Alex permaneceu carinhando meu rosto. Eu queria pedir desculpas, queria dizer que estava confusa, que não sabia o que fazer em relação à Raphael. Queria poder dizer a ele o que eu sentia, mas eu simplesmente não conseguia me mover, não conseguia deixar de encarar seus olhos coloridos e únicos.
- Você está chateado comigo. – falei depois de muito tempo.
- Não, não estou. – ele respondeu, ainda acariciando meu rosto.
Eu ri.
- Você mente tão mal, Alex.
- Não estou mentindo. Estou chateado, mas não com você. – ele respondeu, me ajeitando em seu colo.
- Então com o que? Com Raphael?
- Esse mala? É, eu socaria ele se pudesse.
Alex estava jogando com a ironia, com o humor, estava fingindo que não se importava e que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava. Antes de eu falar qualquer coisa, ele disse:
- Sabe, foi bom saber a verdade. De um jeito tosco e maluco, agora muitas coisas que eu sentia e que eu fazia agora fazem um pouco mais de sentido. Mas com você... eu não sei o que pensar. Sabe, eu até podia suportar o Júnior te azarando ou... os soldados de toda Naska babando por você, isso nunca me afetou porque, no fundo, eu sabia que você era indiferente a eles. Mas com esse cara é diferente. Eu vejo como você reage a ele e sei que está confusa. É isso que me deixa chateado... saber que sempre que eu pensei que estava salvando você, na verdade era ele; saber que sempre que pensei poder proteger você pra sempre... na verdade eu não posso porque eu não passo de um cara normal que divide o corpo com um anjo fodão e que eu nunca conseguiria disputar você com ele.
Bom, nessa hora eu achei que iria morrer, tamanho buraco que senti no peito. As palavras de Alex saíam com uma franqueza que me abalaram.
- Alex... não diz isso. – falei segurando seu rosto entre minhas mãos – Por favor. Você nunca vai ser um cara normal pra mim, jamais será como os outros. Você não lembra o que fez por mim, o que está fazendo? Você me salvou, Alex, você. Eu sempre fui reclusa em mim mesma, sempre tive medo de que me acontecesse novamente aquilo e você foi o único, em toda minha vida, que foi capaz de quebrar isso em mim, então não me diz que é um cara como outro qualquer porque não é.
Eu fui enfática, era tão óbvio pra mim, como ele não conseguia ver?
- Mas nunca estive sozinho. – ele disse – Sempre teve o outro cara.
- Sim, mas também sempre teve você e sem isso... sem isso eu não seria o que sou hoje. Eu entendo que deve ser difícil... aliás, não imagino pelo o que você passa ou pelo o que passou a vida inteira, mas saiba que eu vejo você e sempre vou ver.
Ele sorriu, mas seu sorriso não atingiu aos olhos. Não era sincero.
- Eu te amo. – falei com fervor, ele tinha que entender isso.
Dessa vez ele sorriu, de verdade. Foi um sorriso tímido, mas verdadeiro.
- Eu sei disso, mas também sei que o ama.
Não respondi, eu não me atreveria a mentir pra ele. Só o que pude fazer foi beijá-lo. Antes de sentir seus lábios eu disse:
- Mas não é ele quem está aqui agora.
Deixei toda minha paixão por Alex me guiar e ele, como sempre, me correspondeu à altura. Nosso beijo tinha desejo, amor, paixão. Sentir Alex comigo era como sentir a vida de volta em mim ao passo que, ter Raphael comigo era como quando se tem algo que você não pode viver sem, como o ar. Eu tinha certeza que sem os dois, eu jamais seria a mesma e que eu teria que resolver isso em algum momento, mas ali, com Alex me amando de um jeito tão familiar, eu não tinha como decidir.
Suas mãos hábeis retiraram meu sutiã e eu vibrei quando o vi me admirar, como se eu fosse a coisa mais linda do mundo. Caí por cima dele enquanto sugava seus lábios com desespero. Ele, por sua vez, me apertava contra si de um jeito intenso, como se fosse vital.
Alex me amou como só ele podia, me deu o prazer que apenas ele conseguia. Eu sentia sua boca em todas as partes do meu corpo, me devorando; sentia suas mãos quentes me explorando em todos os pontos e não conseguia controlar meu desejo por ele. Senti a onda forte do orgasmo que Alex me proporcionava enquanto ele me invadia com vontade. Meu corpo tremeu e me agarrei em seu pescoço, sussurrando em seu ouvido, pedindo por mais.
Ele sorriu e vi uma ameaça provocante em seus olhos. Alex se retirou de mim e eu reclamei, tentando levantar. Ele me impediu. Ajoelhado na cama bagunçada e molhada de suor, ele me puxou pela cintura e colou meu corpo ao dele, excitado, pronto pra me amar mais. Quando me aproximei de seu rosto, vi o brilho branco sutil em torno da íris. Fiquei paralisada e Alex aproveitou para me virar de costas pra ele e me abraçar por trás.
- A-Alex? – gaguejei enquanto sentia suas mãos me acariciando nos pontos certos, me inebriando os pensamentos.
- Eu tô aqui... e vou fazer você gozar de novo. – ele respondeu com a voz rouca em meu ouvido.
Não tive tempo pra pensar, senti o corpo dele deitar sobre o meu enquanto uma de suas mãos se embolava em meu cabelo, afastando-o do pescoço. Alex sabia que a nuca era meu ponto fraco... bom, um deles pelo menos.
Senti um frio na barriga, vendo Alex de um jeito diferente e fiquei um pouco nervosa.
- Fica tranquila, eu prometi que iria te dar prazer e não pretendo sair deste quarto até você estar satisfeita.
Ele puxou meu cabelo levemente e tive que inclinar a cabeça. Eu gostei... gostava de ser dominada por ele, gostava de sentir que Alex podia fazer comigo o que queria, da mesma forma que eu sabia que o dominava.
Senti os beijos de Alex em meu pescoço, sua mão pressionando meu seio por trás. Ele se encaixou suavemente em mim, me ajeitando sob seu corpo. Eu gemi de prazer e Alex foi mais fundo. Ele começou os movimentos com destreza, indo cada vez mais forte e gostoso. Eu não controlava os gemidos, sentia um prazer indescritível com ele pressionando-me daquele jeito.
Com um das mãos ele segurava meu quadril, encaixando-me nele de forma ritmada, com a outra ele se apoiava na cabeceira da cama. Eu sentia mais uma vez o prazer insano se aproximando, ainda mais forte e delicioso que da primeira vez e ajeitei o quadril para recebe-lo melhor. Alex gemeu, pois meus movimentos lhe davam prazer. Eu repeti e logo percebi que ele estava alucinado, chegando ao êxtase. Deixei meu corpo sentir tudo o que me Alex oferecia e gritei alto quando o espasmo do clímax me atingiu.
Com os braços trêmulos consegui me apoiar no colchão para subir o quadril o suficiente para ouvi-lo gemer em meu ouvido, enquanto me apertava forte com a mão.
Estava exausta e completamente entorpecida. Alex me puxou pra si e deitei em seu peito suado. Nossas respirações estavam fortes e quase no mesmo ritmo.
- Eu estou satisfeita agora. – falei sorrindo, lembrando-o de sua promessa.
Ele riu e me apertou contra si.
- Eu acho que não temos muito tempo mais... devíamos dormir por uma hora ou duas, o dia deve estar quase amanhecendo. – ele disse.
Eu o ouvi apenas parcialmente, pois as pálpebras pesadas fechavam sozinhas.
- Aliás... acho que depois disso nós acabamos de acordar todo mundo...
Eu sabia que ele estava sorrindo, mas eu ainda senti o rosto queimar. Céus, como eu encararia alguém depois de todo esse barulho? Deixei minha mente processar isso depois, pois estava muito cansada para pensar em sentir vergonha. Antes de dormir eu juro ter visto o brilho branco em torno dos olhos do homem que eu amava.
...
Estávamos na estrada e o dia estava nublado. Era quase hora do almoço e nós precisávamos recuperar o tempo perdido. Eu evitava a todo custo encarar alguém nos olhos depois dos gemidos e gritos que não consegui controlar na noite passada. É claro que ninguém comentou, mas nem precisava, pois eu vi os olhares de Dornelles e Marcos para Alex, que parecia muito bem, o desgraçado.
Ficar um pouco reclusa acabou sendo bom... eu tinha muitas coisas pra pensar. Depois do almoço nós retornamos pra estrada por volta das três alcançamos o último posto de combustível que poderia nos fornecer alguma coisa. Tratamos de encher os tanques e armazenamos em galões o máximo que conseguimos antes de partir. Pelos próximos dias, nós teríamos que acampar no mato, pois não haveria base militar ou cidades próximas.
A viajem transcorreu sem problemas e seguimos sem grandes dificuldades por vários dias. A grande novidade, se é que poderíamos dizer assim, era que durante o dia nós tínhamos a companhia de Alex e, durante a noite, a proteção de Raphael. Ele não tentou se aproximar de mim novamente, pelo menos não do jeito que fez da última vez. Os demais soldados e, principalmente, os pesquisadores, não se aproximavam muito dele. No fundo, acho que sentiam medo, Raphael era mais fechado, sério, e estava sempre em alerta para nos manter seguros e isso acabava por afastar os outros. Marcos e Dornelles eram os que mais se aproximavam dele além de mim e eu sentia que o próprio Raphael era quem permita a aproximação deles.
Já havíamos transcorrido dois terços da viajem e estávamos chegando perto de uma província distante, Santa Fé, onde seria nossa última parada grande antes de irmos para a base militar original, a mesma de onde surgiram as primeiras pesquisas e teste com o MEV. Eu estava cada dia mais ansiosa.
- Preocupada?
Olhei para trás e vi os olhos de Raphael me fitando. A noite estava acabando e eu estava de ronda, ao leste do acampamento. Ele ficava sempre andando entre os vigilantes, mas eu sabia que gastava um tempo maior comigo.
- Não eu... acho que estou mais ansiosa do que preocupada. – respondi sentando em uma pedra – Achar essa base é o objetivo da minha vida, foi pra isso que tanto estudei e era o sonha da Evelyn também.
- Sua mentora? – ele perguntou.
- Sim. Ela... ela morreu há um tempo. Houve um grande ataque dos malditos e ela... me protegeu. Eu a vi ser sugada até a morte. Depois daquilo, eu jurei a Evelyn que eu encontraria a cura e é por isso que luto.
Raphael me olhava fixamente e eu sentia que ele absorvia a cada palavra.
- Bom... tenho certeza de que ela está orgulhosa de você.
Sorri.
O silêncio caiu entre nós e eu me senti desconfortável. Eu via uma leve tristeza nos olhos dele e sabia que se tratava do que eu e Alex fizemos na base militar. Eu o havia pedido pra parar, mas deixei Alex prosseguir. Eu era uma estúpida traidora e me sentia mal desde então. Magoa Raphael me fazia mal, era como se eu o tivesse traído também e esse sentimento só piorava com o tempo, cada vez que eu o encarava e via o branco menos brilhante que antes.
Não pude mais evitar o assunto.
- Raphael... sobre a outra noite eu...
- Manuella, não há nada pra explicar. – ele me cortou, caminhando pra longe – Vou ver Dornelles.
- Não! Espera!
Corri em sua direção e segurei seu braço. Raphael parou de andar, mas falou ainda sem me encarar.
- Você não precisa explicar nada, Manuella, não há o que explicar. Eu entendo a situação, não há nada a ser dito.
- Não! Por favor... olha pra mim. – pedi. Precisava muito falar o que sentia.
Raphael me encarou e senti um tremor percorrer a espinha. Meu rosto esquentou instantaneamente.
- Eu... eu queria que soubesse que eu me sinto... mal com isso. Eu... não queria te... te deixar chateado. Por favor, me desculpe.
Ele permaneceu me encarando e, apesar de seu semblante estar sério, como de costume, não era duro comigo. Era apenas o jeito dele ser. Antes que ele pudesse dizer algo, eu me adiantei:
- Olha eu... eu não sei o que eu sinto com tudo isso, não consigo entender tudo ainda. Eu me senti como se tivesse traindo Alex com você... mas agora, sinto que te traí também e eu queria dizer que sinto muito, eu não consigo mais conviver com essa culpa.
Raphael me olhou ainda por um tempo e suas feições suavizaram um pouco. Ele estendeu a mão livre, a que não portava a espada dourada, e acariciou meu rosto.
- Não se preocupe, eu jamais me magoaria com você.
Aquela resposta foi inesperada e eu gostei de ouvi-la. Sem pensar muito, coloquei minha mão por cima da dele, que estava no meu rosto, e deitei a cabeça suavemente em sua mão, encaixando-me ali.
- Me perdoa. – falei sentindo um nó na garganta.
Raphael deu um passo a frente e me abraçou, sem tirar meu rosto do conforto de sua mão quente. Senti o coração acelerar e percebi que poderia ficar daquele jeito com ele por muito, muito tempo... talvez pra sempre.
Ele me afastou gentilmente e eu levantei o rosto, prendendo meu olhar no dele. Raphael respirou fundo, inalando o ar a minha volta, parecia gostar. Eu gostei disso também e sem pensar em nada mais além do poder de seus olhos brancos sobre mim, eu beijei seus lábios suavemente.
Agora sim, eu estava perdida. Por tantos dias eu evitei o contato com ele, por tanto tempo me afastei do que Raphael me causava, mas não adiantou. Ele era como um ímã pra mim, me atraindo, me mantendo inteira... era... era como a gravidade que me prendia inevitavelmente.
Eu o envolvi com os braços, deixando-me levar pelo sentimento e pela vontade de sentir aquele calor contra mim e Raphael cedeu a meu pedido silencioso. Com calma e carinho, senti o gosto de seu beijo me consumir e era como se nada mais existisse a minha volta.
De repente, tudo parou.
Senti uma dor aguda nas costas como se meu pulmão estivesse dilatando. Vi os olhos arregalados de Raphael a minha frente e, ao mesmo tempo, os gritos e tiros dos nossos amigos lá atrás, no acampamento.
Ouvi o barulho de coisas pesadas caindo no chão e percebi que eram vampiros, saltando dos galhos das árvores, cercando a nós dois. Os sons do acampamento e os gritos misturados aos urros eram assustadores.
Senti um puxão pra trás e Raphael me soltou. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas senti o gosto de sangue na boca.
- Não faz isso, Caliel... – a voz controlada de Raphael falou. Ele parecia paralisado.
Ouvi as risadas dos vampiros a nossa volta. Eram diferentes, estavam mais ameaçadores que nunca.
- Nunca pensssei que o pegaria desstraído. – a voz arrastada de alguém atrás de mim se fez ouvir.
Eu caí de joelhos no chão, sentindo a dor aumentar ainda mais, enfraquecendo os sentidos. Vi que Raphael tentou vir até mim, mas parou quando a voz atrás de min disse:
- É melhorrr não se moverrr ou eu puxxo e arranco o coração desssa imunda.
Raphael parou. Vi sua Gladius cair na terra. Então era isso, eu havia sido alvejada por trás pelas criaturas, que me usariam para pegá-lo. No último instante de consciência, pensei somente em meus amigos que estavam sendo atacados lá atrás.
- Vai atrás deles... ajude-os. – falei pouco antes de perder as forças.
O que aconteceu depois disso, eu não sei, só sei que senti a visão escurecer e a dor me dominar por completo.
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