Liesl
6 Liesl - Capítulo 5
- Eu sei que a situação é estranha, mas espero que não se sinta desconfortável estando em um lugar diferente como este. – Ela disse, sentada a minha frente de pernas cruzadas.
- Onde estão meus pais? – Minha voz soou confiante, mas por dentro, eu tremia como se estivesse em meio a uma nevasca. Ela parecia perceber meu nervosismo. Levantou, se aproximou e pôs uma das mãos em meu ombro.
- Fique calma, criança. Tudo a seu tempo. Você deve repousar antes que possamos conversar sobre os acontecimentos recentes.
Mesmo por cima da roupa, pude sentir o toque frio de sua mão. Não havia calor algum ali. Me levantei tentando mostrar autoridade e com este movimento súbito, fiz ela dar alguns passos para trás.
- Não, eu não quero repousar. Quero saber onde estão os meus pais, quem é você e porque estou aqui.
- Desculpe não ter me apresentado antes. Me chamo Alyson. Vi que estava em perigo na floresta e resolvi intervir. Não é certo vários soldados treinados correndo atrás de uma jovem indefesa.
Não gostei de ter sido chamada de indefesa, mas o fato de ela ter me salvado me fez sentir menos ameaçada por estar em um local desconhecido.
- Então aquilo não foi um sonho? Foi você quem pulou na minha frente daquele jeito?
- Sim. Temo que se eu não houvesse intervindo, você poderia ter sido capturada, ou até morta naquele momento.
- Mas você não estava sozinha. Eram muitos soldados. Onde estão os outros que a ajudaram?
- Existem outros morando comigo, sim, mas naquela noite todos estavam ocupados. Só restava a mim nos arredores do bosque dos limites de sua casa.
Era impossível não se surpreender ao ouvir aquilo. Como podia uma mulher, sozinha e tão frágil, lutar contra todos aqueles homens? Mas tive que deixar essa pergunta para uma outra hora. Ainda não sabia o que tinha acontecido aos meus pais, e para ter essa informação, tive que perguntar.
— Meus pais. Salvou eles também?
- Infelizmente, você foi a única que pude ajudar.
— Onde eles estão? O que aconteceu com eles? Eu...
- Até para alguém como eu, é difícil ajudar mais de uma pessoa de uma vez, principalmente na situação que estávamos. Você estava desmaiada e eu tinha que defender meu território para que eles não descobrissem este lugar. Então, não posso lhe dizer o que aconteceu a seus pais.
- Então nós temos que ir atrás deles agora. Eles devem estar procurando por mim! – Tentei correr em direção a escada, mas ela parou em minha frente impedindo que eu desse mais um passo.
- É perigoso demais sair agora.
- Não, você não entende! Eu tenho que sair agora. Tenho que ir atrás deles. Eles estão esperando por mim. Eu... – A esse ponto eu ofegava, meu coração apertava, sentia as lágrimas chegando aos meus olhos e começando escorrer pelo meu rosto. – Eu... – Meus joelhos cederam, caí a seus pés e tentava respirar em meio aos soluços da dor que me sufocava. Ela sentou a minha frente e me abraçou, esperando pacientemente que eu me acalmasse, e quando isso aconteceu, ela me ajudou a levantar, me levou para lavar o rosto me conduziu até o recinto onde eu havia acordado.
- Descanse agora. Amanhã, se estiver se sentindo melhor, conversaremos mais. – E ao dizer isso, saiu do quarto fechando a porta a suas costas.
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