Sim, tenho medo.

Medo do futuro, medo do passado, medo do agora.

Não tenho para onde correr, não tenho forças para mudar, não me importo com meus objetivos o suficiente para me sacrificar.

Sou um pecado sem sujeira, um sonho sem beleza, uma ideia sem princípios.

Escalei por suas paredes e prendi-me a suas pernas, pedi por clemência, mas ninguém compreendeu que precisava me proteger de mim mesma.

Agora sou a sombra de quem um dia fui, ou de quem um dia fingi ser.

Sou minha tristeza e minha doença, que circulam por minha pele e penetram minhas veias.

Sou meu melhor sonho e meu pior pesadelo, sou lágrima e sorriso.

E no final, passarei minha miséria a diante.

Feche suas portas e se esconde no armário, segure a respiração e reze.

Reze para se salvar de mim.