Lieben

1 Prólogo


LIEBEN
Prólogo

"SOLDADOS, EM FILA!!!"
Com uma ordem do general Leopold, todos os soldados imperiais marcharam em posição de linha reta, prontamente colocando a mão no símbolo costurado em suas roupas de couro.
"Soldados, eu quero perguntar algo a vocês", respondeu ele, olhando firmemente para suas tropas."Vocês sabem que símbolo é esse nas suas camisas?"
Todos olharam pasmos pro general.
"Eu fiz uma pergunta, homens." Sua feição não era a de quem estava lá para brincadeiras. O que era estranho, visto que ele próprio havia bebido litros de cerveja na noite anterior com os soldados, depois de mais uma vitória no campo de batalha.
Prontamente, uma tropa tomou coragem pra falar. "È a Luva de Ferro, General Leopold!" disse, tremendo na voz.
"E o que ela significa?" A voz do general já estava mais calma, mas não menos ameaçadora.
"Significa o poder que o Império governa o mundo com mãos de ferro, senhor! Que qualquer um que se oponha, conhecerá nossa fúria, senhor!"
"Vejo que pelo menos um de vocês fez a lição de casa. Agora, eu quero que vocês prestem bem atenção. Quem vem aqui hoje, neste exato quartel, é ninguém menos que Bertrand, o Rei de Ferro.."
Todos ficaram desesperados por dentro, mas ninguém moveu um músculo. O próprio REI vinha para só uma de suas divisões? Eles achavam que ele devia estar mais ocupado nadando em dinheiro banhado em sangue do que realmente fazendo algo da vida.
"Agora, prestem bem atenção, soldados. Se um de vocês me fizer passar vergonha na frente do Babaca de Ferro, ninguém será perdoado. Ouviram?"
"Ouvi muito bem, Leopold." disse uma voz grave vindo das costas do general. Era o próprio Bertrand, Em toda sua magnitude e roupas finas.
Estava acompanhado de mais duas pessoas, um era o Alto General, Segundo no Comando, Eiss. O outro era apenas um homem com capuz preto cobrindo a maior parte do rosto. Mas ele era intimidante de tão alto, tendo no mínimo uns 1,90.
"Erm....Olá, Rei! Fico lisonjeado em ver que o senhor veio visitar nossa humilde divisão!...hehe..."
"Sorte sua que hoje eu estou de bom humor." respondeu o Rei. "Por isso, você poderá ir."
"Sério? Obrigado, Senhor Rei! Nunca estive tão grato em toda a minha vid--"
"Eiss, mate."
Num movimento quase imperceptível, o Alto General sacou sua espada com velocidade incrível e encravou no centro do peito de Leopold. O golpe foi tão certeiro que a morte foi imediata.
"Eu nunca disse que poderia ir VIVO."
Enquanto Eiss limpava o sangue da sua espada sem esboçar nenhuma reação, o gigante apenas olhava com firmeza para as tropas perplexas.
Antes que alguém dissesse algo, o encapuzado apontou um dedo pra um dos soldados e disse:
"Você aí. Na segunda fileira, primeira coluna. Você é o novo comandante."
Os três, depois dessa afirmação, deixaram os soldados atônitos pra trás, e se dirigiram para a sala da tesouraria do quartel.
No caminho, eles foram conversando sobre a necessidade de irem ali eles mesmo.
"Eu não vejo necessidade de nós mesmo virmos pra cá. O Rei, se misturando com meros soldados?" Disse o Rei de Ferro.
"Oras, Beto, não fique assim. É bom ter uma interação dessas de vez em quando com os de menos patente. É bom pra sua imagem."
"Eiss, você acabou de matar a sangue frio um general que se dirigiu a mim errado."
"Eu só estava seguindo ordens."
Ao soar da última frase, o homem do capuz deu um leve sorriso. Lealdade era algo que ele admirava muito numa pessoa. Afinal, traidores e desobedientes não passavam de comida para vermes na visão dele.
Ao chegar na tesouraria, o destino daquela viagem, eles pararam pra conversar com o regente daquela ala do quartel. Eles ainda não tinham pago seus impostos ao Império ainda, e os três foram perguntar eles próprios o que tinha ocorrido.
" Tesoureiro, o que o impediu de nos pagar? Espero que tenha um bom motivo, afinal, nós mesmo tivemos que vir pra cá."
"Senhor Rei, eu adoraria ter pago, mas....eu não sei se Vossa Alteza sabe como a economia daqui funciona."
"Pois bem, me explique. Eu adoro aprender coisas novas todo dia."
Antes de decidir se o rei estava zombando da cara dele ou não, o tesoureiro continuou.
"Bem, as moedas de ouro que nós entregamos a vocês são entregues pelo vilarejo aqui perto pra nós. O prefeito da cidade nos paga pra...bem...continuarem VIVOS. Acontece que esse ano, as plantações não deram muita coisa. A safra foi tão ruim que eles ainda não pagaram metade do que nos devem."
"Então, a culpa é deles?"
"...Sim e não. Eles não controlam o clima pro trigo crescer mais rápido."
"Então me dê um motivo pra eu não tirar a vila do mapa."
O tesoureiro engoliu seco. Afinal, ELE morava lá, com toda a sua família. E não estava nem um pouco afim de ter tudo isso queimado.
Antes que ele pudesse responder, uma menina entrou na sala. Era uma garota ruiva, igual ao tesoureiro, e com umas poucas sardas pelo rosto. Aparentava ter uns 16 anos.
"Ah...oi, filha. O que você veio fazer aqui?"
"Nada de mais, pai. Só vim ver como você tava. Ué, quem são esses três malucos?" Disse ela, apontando pros visitantes.
"FILHA! MAIS RESPEITO! ELES SÃO--"gritou o tesoureiro, mas foi interrompido pelo gigante de capuz.
"Ninguém importante. Diga, menina, qual o seu nome?" Ele parecia interressado na menina.
Ela fez uma reverência um tanto quanto na brincadeira e se apresentou.
"Lieben, Ó velho de capuz!"
"Hehehe. Senso de humor. Acho isso admirável. Bom, acho que nós não temos mais nada o que fazer aqui." ele olhou pros outros dois que estavam na sala." Vamos nos retirar agora. Tesoureiro, pensaremos no seu caso."
O Rei e o Alto General se entreolharam, mas deram de ombros e seguiram o gigante de preto.
Ao saírem do quartel, eles passaram pelos soldados comemorando a promoção do amigo, que estavam jogando o amigo pra cima cantando uma canção de vitória.
" Alstod é um bom general, Alstod é um bom general, Alstod é um bom generaaaal, e ninguém pode negar!"
" EU POSSO!" Gritou Eiss.
Os outros dois olharam pra Eiss com cara de reprovação.
" Que foi? cês não tem senso de humor?"
Ao entrarem na carruagem que os levaria de volta ao Castelo-Sede do Império, eles foram conversando mais um pouco sobre o que deveriam fazer.
"Eu voto pra que destrúamos o vilarejo que não nos pagou. Desobediências não serão toleradas." disse o homem de preto.
"Precisamos mesmo, Resiak? Se queimássemos tudo o que não desse certo, metade do mundo tinha pego fogo a essa altura." Disse Bertrand.
"Você está questionando minha autoridade? Lembre-se de quem foi que te botou onde você está agora. Sem mim, você ainda viveria ás custas do seu irmão."
" Eu só estou dizendo pra que nós pensemos mais um pouco antes. Eu sou um ser humano, eu tenho opiniões, sabia?"
Resiak não respondeu, apenas olhou pra Eiss.
" E você? o que acha?"
"Eu? eu faço o que me mandarem. Lealdade absoluta é meu lema, lembra?"
"Hehe....interessante..."
Resiak se lembrou da menina ruiva de antes. Ele tinha um certo poder de sentir a capacidade de liderança de uma pessoa. Assim como ele descobriu que o soldado seria um bom general substituto(Ele nem lembrava do seu nome á essa altura), ele viu que ela seria uma líder nata. A máquina dos seus planos começava a rodar, e ela seria uma peça importante. Só restava ver o que o tempo diria.