Lieben
3 Capítulo 2
Capítulo 2
A voz....ela ficava mais forte. Chamando, mais e mais , chamado Lieben mais adentro da floresta... O resto do mundo parecia não existir, não importar... tudo o que ela precisava saber era que alguma coisa estava lá. Algo... hipnotizante, chamativo, irresistível.
A noite já estava chegando mais e mais. Animais dormiam, outros entravam na ativa, flores se fechavam, o vento ficava frio, e tudo ficava bem silencioso...
Exceto a voz.
Essa ia guiando mais. Querendo ser encontrada de qualquer maneira. Lieben não aguentaria muito tempo. Acelerou o passo, passando pelas trilhas abertas por animais , tirando galhos com os braços, afastando os insetos com a mão. Nada podia pará-la. Nem mesmo a morte, ela pensava. A determinação nela chegava ao ponto de só correr pela mata, sem nem parar pra tirar as coisas da frente. chegou a tropeçar duas vezes, e cair de cara na lama ( ou, pelo menos, ela esperava que fosse lama), mas isso ainda não a impedia. Tudo para chegar onde quer que fosse que ela deveria.
Finalmente, ela chegou. Uma grande clareira, no meio da floresta. No seu centro, tinha uma lagoa, alimentada pela cachoeira logo atrás. E, no centro da lagoa, estava ela.
A fonte da voz. Fincada em uma pedra, no centro de toda a água. Uma espada, maior que todas as outras que ela já havia visto. A lâmina era tão larga quanto seu braço, e seu comprimento era do tamanho do seu torso em dobro. A lâmina tinha entalhos de flores e plantas belíssimos, o cabo era em espiral, com um pomo de metal na ponta. A espada toda parecia brilhar com a luz da lua, um brilho azul-esverdeado, que parecia ser de outro mundo. Parecia ser feita de um metal outro-mundano, que não enferrujou com o passar do tempo, seja lá quanto tempo ela passou ali. Pedaços de plantas cresciam pela lâmina, cobrindo-a de folhas e musgo, mas não tirando seu brilho.
Dali que a voz vinha. E ali que Lieben iria.
Passo a passo, ela foi entrando mais e mais no lago. A água mal chegava nos seus joelhos, e era até bem fácil de andar por ali. O centro da lagoa não era tão longe, logo ela chegaria. Normalmente, alguém se perguntaria como ela tinha ido parar ali, ou como uma espada podia chamar pessoas, mas isso não era de nenhuma importância para a garota. Tudo se resumia a chegar lá.
Lentamente, ela colocou sua mão no cabo. Pensando que seria algo muito pesado, ela colocou toda sua força pra puxar. O que foi desnecessário, pois a espada saiu tão levemente que ela caiu de costas na água, se encharcando por completo.
Ainda caída no lago, ela se levantou, ficando sentada na água. Observou a espada, tirando as plantas que a cobriam. Era mais bela de perto do que olhando da margem. Porém, ela não teve muito tempo de pensar, pois num momento, afoi projetada em sua mente uma visão. Uma visão dela.
Ela estava olhando pra frente, onde um homem alto, de roupas finas, a observava, espada em punho. Ele tinha idade avançada, mas seu sorriso maníaco não ficava menos ameaçador por causa disso. Olhando pra baixo, ela viu que ela mesma estava com a espada do lago, que estava mais brilhante que nunca. Olhando pra trás, enxergou dois exércitos. Um com armaduras de ferro-mítril, algo característico do Império Eisen-Hand. O outro, com armaduras pintadas de vermelho, de um tipo que nunca tinha visto antes. Os dois estavam olhando pra frente, parecendo concentrados nela e no homem alto. Sem dar nenhum sinal, o tal homem avançou pra atacá-la. Nesse momento, a visão acabou. Ela estava desnorteada, mais encharcada que antes, e ainda com a espada na mão. Se indagando o que tinha acontecido, ela decidiu que só havia tido uma alucinação causada pelo sono. Se levantou e saiu da lagoa.
Depois de se retirar do lago, ainda ensopada, ela testou a espada no ar. Ela parecia ser pesada o bastante para ser uma arma de duas mãos, e o tamanho do cabo indicava que de fato era uma. Porém, ela balançava a lâmina tão graciosamente com uma mão só que parecia que era uma extensão de seu braço. Ela se preocuparia com o dono depois, achado não é roubado. No momento, sabia que precisava ficar com aquela espada. Ela me chamou, ela pensou. É meu destino ficar com isso, eu tenho certeza.
Antes que pudesse tomar mais alguma decisão, ela ouviu um barulho altíssimo. Um barulho que parecia um trovão, só que não estava chuvendo, aliás, não estava nem nublado. Nem clarão teve.
Outro trovão. Com o segundo barulho, percebeu que não vinha do céu. Vinha da vila. Indagando o que tinha acontecido, ela tentou colocar a espada nas costas, mas lembrou que não tinha nada lá pra segurar. Deveria pedir um suporte pro ferreiro da vila quando chegasse lá.
Ao atravessar a floresta, que parecia ter um caminho de volta mais curto que o de ida, ela percebeu que os arredores ficavam mais alaranjados, como se ainda estivesse no pôr do sol. Inclusive, ela sentia um cheiro forte vindo da vila. Um cheiro de...
Queimado.
Desesperada, ela colocou o cabo da espada entre os dentes, o que não fez tanto peso quanto ela esperava, e começou a correr o mais rápido que pôde, rezando pra que nada de ruim tivesse acontecido na vila.
Ela não fazia ideia.
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