Lie To Me

4 Capítulo 4: The Accident


Notas iniciais
"Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."

-Arthie!-Gritou Alfred, correndo atrás do inglês, que agora saía do campo e caminhava pelo pátio, um tanto vazio, já que até escurecera e os alunos ou tinham ido para casa ou estavam no campo comemorando a vitória do colégio Liberty.

Arthur parou então e se virou para o americano, que o alcançou, ofegante e suado, a roupa repleta de proteções pesando em seus ombros. Alfred respirou por alguns segundos e então se ergueu, fitando o outro.

-Puxa, Arthie, não sabia que você vinha!-Disse, sorrindo alegremente. A única iluminação do pátio provinha de alguns postes que imitavam a moda antiga, o que deixava todo o lugar um tanto escuro em comparação a toda a claridade do campo.

Arthur, que tinha uma expressão estranha no rosto, desviou o olhar e fitou algumas das árvores que tinham por ali enquanto Alfred ainda sorria. Não podia negar que se arrependera um pouco. Pensou se tinha tratado Alfred de uma forma hostil demais, afinal, ele realmente o salvara, e por isso, naquela tarde, mesmo que até tenha ido para a parada de ônibus, acabou voltando para dentro do colégio e até assistira, num canto escondido, o jogo do começo ao fim.

Saíra de seu esconderijo apenas nos últimos minutos esperando que o americano não o achasse, o que não deu muito certo.

-Veio só para me ver, foi? Eu sabia que você me considerava também!-Alfred disse, rindo e passando o braço pelos ombros do outro, que o empurrou com força e se afastou, apertando a bainha da camisa com força enquanto agora olhava para o chão.

-Eu vim só devolver um livro, seu idiota! E não toque em mim, você está todo suado!

-Hein? Ah...-Alfred bateu na própria testa de leve então.-Eu esqueci seu livro, Arthie! Eu o deixei cair hoje de manhã, mas prometo que amanhã vou atrás dele, okay?

-Hmpf...-Arthur resmungou, como se não se importasse muito.

Um silêncio pesado pairou entre ambos e Alfred pôs-se a falar novamente.

-Hey, Arthie, você tem mesmo que ir trabalhar amanhã? Vai rolar uma festa muito legal, e eu tenho algumas entradas grátis, então se você quiser ir...

-Não posso.-O inglês respondeu rapidamente, pondo as mãos nos bolsos então.-Tenho que voltar para casa.

-Mas já?!-Alfred exclamou, tentando soar o mais magoado possível.

-Já.-Arthur respondeu, mas sem sair do lugar.-Muitas coisas para ajeitar em casa.

-Ah...-Alfred suspirou então, soando triste. Levou as mãos até a camisa e começou a tirá-la, tirando também as ombreiras e tudo o mais que estava lhe pesando, logo ficando com o tronco nu.

-O que está fazendo?!-Arthur exclamou, fitando o outro.

-Eu? É que tá pesando, sabe? E depois, está ficando quente, o clima.-Alfred deu de ombros e sorriu, deixando as coisas sobre um banco ali perto e se voltando para o inglês.-Hey, Arthie, mas você veio mesmo só por minha causa?

-C-Claro que n-não seu idiota!-Exclamou o outro, novamente fitando o chão.-Eu já disse que vim d-devolver um livro na b-biblioteca!

-Então por que está gaguejando?-Alfred riu, vendo que o outro agora se aproximava de si para lhe bater, o que nem doía de verdade.

-N-Não estou gaguejando! Seu idiota!-Então Arthur se afastou e ajeitou a camisa, sempre muito engomadinho, e fitou o americano.-Vou embora já.

Alfred voltou a sorrir para o inglês. Se Arthur realmente tinha ficado no colégio só por sua causa, significava que agora o inglês o estava considerando mais, ou seja, mais confiança. Um silêncio voltou a se instalar no ar, então Arthur recuou alguns passos e disse:

-Então, estou indo embora. Já está bem tarde, e eu deveria ter ido para casa bem mais cedo. Até mais, seu idiota.-O inglês acenou, se afastando dali e indo em direção a saída do colégio. E foi nesse exato momento que Alfred, enquanto também dava um tchau, sentiu aquele pressentimento de que algo ali estava absurdamente errado.

De que algo horrível iria acontecer, de que ele não deveria deixar o outro partir senão... Senão...

-Arthie!-Alfred exclamou, o que fez o inglês se virar com um olhar incomum no rosto, como se esperasse algo. Mas talvez todo aquele pressentimento, que mais parecia um mau agouro, fosse apenas impressão, realmente apenas um pressentimento, e por isso, mentiu.-Vou passar na sua casa amanhã, okay? De noite. E vou levar alguns filmes.

-Hmpf.-O outro resmungou, voltando a caminhar, se afastando cada vez mais.

Mas todo aquele mau agouro tinha fundamento, e sim, algo terrível iria acontecer.

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Arthur, minutos depois, estava sozinho na parada de ônibus em frente ao colégio. Nunca ficara até tão tarde naquela região, se é que 7 horas da noite era tarde assim. Com as mãos nos bolsos, olhava tudo ao seu redor. Mesmo que fosse assaltado, não tinha nada de valor, mas era sempre bom estar precavido.

De repente ficar no colégio até aquela hora não lhe pareceu grande ideia. Teria que acordar bem cedo no dia seguinte para ir logo para o trabalho, que era ser garçom num dos cafés do centro da cidade, aonde ficaria das oito da manhã até as dez da noite, então uma boa noite de sono no dia anterior certamente era requerida.

Então dois faróis atravessaram a rua e pararam em frente de si, mas era apenas o ônibus. Subiu no mesmo, sentando-se bem no meio do transporte e olhando a paisagem passar. Não conhecia o motorista nem o trocador, naquela hora deveriam ser pessoas diferentes que cuidavam do ônibus.

Lembrou-se da primeira vez que pegou o ônibus, sozinho, e que o motorista lhe ajudara bastante. Depois descobrira que o motorista tinha se casado com uma inglesa e sabia o quão chato eram as piadas e os esteriótipos que os americanos viviam fazendo com os ingleses.

Entraram numa grande rodovia, caminho comum para ir até o ponto de ônibus mais próximo do seu apartamento, mas não podia deixar de notar que a noite, aquele pedaço era bem mais agitado, um tanto violento talvez.

Encostou a cabeça no vidro da janela, fechando os olhos por alguns momentos, cansado. Queria logo chegar em casa. O sinal abriu, o ônibus começou a andar, e de repente o inglês foi jogado para o outro lado do transporte com tanta força que perdeu os sentidos.

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Quando Alfred chegou em casa, ou melhor, em sua mansão, era por volta das 9 da noite. Estava um tanto bêbado, uma vez que logo depois que se despedira de Arthur, seu time e todas as tietes se reuniram para ir até um restaurante/bar/boate aonde beberam para comemorar a vitória.

Jogou a mochila e o restante das coisas em algum lugar da sala e teria passado direto para o seu quarto se a televisão não estivesse ligada, graças à empregada que tinha adormecido provavelmente esperando o americano.

Recuou e viu a repórter numa transmissão ao vivo de uma rodovia relativamente perto do colégio, e pela imagem de fundo podia-se ver ambulâncias, bombeiros e policiais andando de um lado para outro freneticamente:

“Um caminhão desgovernado acabou de se chocar com um ônibus e outros carros aqui na rodovia 04 de Julho. As autoridades, que rapidamente apagaram o fogo que estava se alastrando, podendo causar uma explosão, agora estão cuidando dos feridos. Estima-se que dentro do ônibus estivessem ao todo 10 pessoas, juntamente com o cobrador e o motorista. Não se sabe o estado deles ainda, mas foi oficializado que o motorista do caminhão morreu na hora da batida. Os passageiros nos carros que também sofreram colisão estão bem e tiveram como consequência apenas ferimentos leves. Agora a polícia está entrando em contato com as famílias das vítimas enquanto eles estão sendo transportados nas ambulâncias para o Hospital Saint Angels, e nos passaram os nomes de algumas vítimas como o rapaz Arthur Kirkland, em estado grave, Gracie Nollan, também em estado grave, Julia (...)”

-Puta que pariu...-Alfred suspirou, levando umas das mãos ao rosto. De repente o álcool não fazia tanto efeito assim.

Claro que o choque inicial fora pelo fato de alguém que ele conhecia estar naquele acidente, e só depois veio o choque de que era Arthur que estava no acidente, e não seu vizinho ou um dos empregados, se é que isso era muito.

O que fazer? Era uma boa hora para pular fora, desistir de toda aquela enganação numa relação feita apenas de mentiras. Boa hora para apenas ir para o quarto, tomar uma aspirina, quem sabe, e ir dormir, sem querer saber mais de nada, afinal, não era problema seu.

Mas também era uma ótima hora para se aproximar definitivamente, não era? Pelo o que sabia, toda a família mais próxima de Arthur estava na Inglaterra, e o seu tio, aquele tio que lhe ajudava a pagar o apartamento e outras coisas, talvez nem aparecesse no hospital. Uma ideia surgiu em sua mente e, com um sorriso curioso no rosto, pensou “por que não?”.

Podia parecer desonesto e até quem sabe um tanto cruel, mas Alfred não tinha nada a perder, tinha? Não é como se valorizasse alguém tanto assim, claro que não. Para ele, mesmo que na maioria das horas fingisse, Arthur nunca passara de uma simples forma de atingir seu objetivo, que era ficar com a voluptuosa Susanna, a qual ele sempre sonhara e quisera.

Egoísta, cruel, apático, muitas coisas, sem se importar com as consequências que aquela aproximação traria para ambos. O americano achava que estava inatingível em sua mente, e que ninguém nunca poderia tocá-lo lá dentro, sendo apenas ele a brincar com os fantoches, mas e se... Por acaso, apenas por acaso, apenas por um toque do destino ou quem sabe por pura coincidência, um dos fantoches viesse a ser mais do que um fantoche, um instrumento de uso?

Mas deixando tudo isso de lado, Alfred tinha que agir, e logo, pois quanto mais cedo chegasse no hospital, mais significaria que o inglês importava para ele, e por isso, voltou e mandou novamente chamarem seu motorista para levá-lo ao hospital.

Quinze minutos depois, o americano se desviava de todo mundo tentando chegar até a recepção, aonde provavelmente lhe diriam o quarto de Arthur. A imprensa, alguns policiais, as famílias das vítimas, médicos, enfermeiros e muitas outras pessoas lotavam o lugar e por vezes causavam um grande tumulto, um caos generalizado.

Conseguiu driblar muita gente e quando chegou na recepção, apoiou-se na bancada com aquele seu sorriso alegre e perguntou:

-Olá, eu sou Alfred e...

-Com licença, meu jovem, estamos atendendo apenas se for emergência por causa do acidente, então...-Começou a atendente, uma senhora gorducha de cabelos encaracolados e óculos na ponta do nariz.

-Vim saber de Arthur Kirkland, senhora. Assim que vi no jornal, vim correndo para cá. Eu poderia vê-lo?

A mulher fitou o americano por alguns instantes, com um olhar desconfiado no rosto, então perguntou:

-O que você exatamente é dele?

-Eu sou...-Parou por alguns instantes, pensando. Família não daria certo, uma vez que eles nem era parecidos assim, e amigo não seria o bastante para conseguir chegar perto do inglês. Só restava...-Sou namorado dele, senhora, completamos cinco meses há dois dias.

-Hum...-A mulher pareceu pensar, então pegou o telefone e discou para alguém, falando e então desligando o aparelho, voltando a olhar para Alfred.-O médico que está cuidando deste paciente já vai falar com você. Espere uns instantes.

Alfred recuou alguns passos e se encostou na parede, pondo as mãos nos bolsos, uma vez que não havia mais lugares para sentar. Logo um homem de meia idade num jaleco branco apareceu e o chamou, seguindo então pelo corredor e entrando num elevador, parecendo preocupado.

-Tentamos contatar a família dele, mas nenhum parece morar aqui. Você é o que mesmo dele?-O médico perguntou enquanto a música de elevador soava torturantemente calma diante de toda a correria no hospital.

-Namorado.-Alfred sorriu, ainda com as mãos nos bolsos enquanto saíam do elevador.

-Ah...-O médico comentou, um tanto surpreso.-Bem... Então, voltando ao assunto, o sr. Kirkland está fazendo uma cirurgia agora. Ele sofreu traumas na medula e temos quase certeza de que ele se tornou paraplégico. Sinto muito.

Alfred piscou por alguns instantes. Não imaginou que a coisa fosse pesar daquela forma, até porque tudo se complicou. Não era apenas ajudar Arthur no hospital, passar algumas horas com ele e tudo o mais, era realmente cuidar dele. Mas, tão dependente assim, o inglês, não faria com que eles se aproximassem mais ainda?

Se segurou para não sorrir e tentou fazer a cara mais desapontada e triste que pudera. Precisava deixar claro o quanto ficara abalado com aquela notícia, a que seu “pseudo-amante” agora precisaria usar cadeiras de rodas, mas antes que um silêncio constrangedor pudesse se instalar totalmente, o telefone do médico começou a tocar e ele atendeu, falando um pouco e então desligando para voltar a olhar para o americano.

-Ele acabou de sair da sala de cirurgia e está sendo encaminhado para seu quarto agora. Por causa dos medicamentos e anestesia, pode ser que ele só venha a acordar amanhã. Eu recomendo que o senhor vá para casa e...

-Posso ficar? Arthie não tem mais ninguém, e ele não gosta muito de ficar só.-Alfred disse, sorrindo um tanto (fingido) triste.

-Ah, bem... Acho que não tem problema. Me siga, por favor.-O médico pediu, ainda um pouco desconcertado. Caminhou pelo corredor, dobrando algumas vezes e parando para falar com outros médicos, finalmente chegando ao quarto 32°, abrindo a porta lentamente e deixando que Alfred entrasse.

O americano logo viu Arthur, com todos aquele canos e fios e coisas que se ligavam à suas veias e aquelas máquinas que por vezes faziam barulhos estranhos. O inglês, mesmo dormindo, não parecia muito sereno, e de longe, parecia quase estar sendo torturado.

Alfred pegou uma poltrona que ficava ao lado da maca e a aproximou o máximo que pode do inglês, sentando-se e então deitando a cabeça na maca num pequeno teatro para o médico, que ainda um tanto desconcertado, disse:

-Bem... Tenho que ir. Daqui a pouco alguma enfermeira virá para trocar as ataduras, porque além das lesões na medula, ele também se feriu muito. Vou dar mais informações aos dois amanhã, quando terei um mapa completo dos áreas danificadas, e até lá, ele já deve estar acordado. A cantina fica no primeiro andar, então, caso queira comer alguma coisa, já sabe onde é. Este interruptor acima do sr. Kirkland na verdade é um alarme, então, se precisar de alguma coisa, se algo acontecer, você pode chamar uma enfermeira por ele. Tenha uma boa noite.-Então o médico saiu do quarto e fechou a porta, deixando os dois sozinhos.

Alfred então recuou, apoiando as costas na poltrona, fechando os olhos, cansado. Pensou, por alguns rápidos momentos, se por acaso estaria indo longe de mais, se já não era hora de parar, se estava exagerando. Mas achou que não, claro que não.

Mas a culpa de Arthur estar daquela forma não era dele, de Alfred?

Notas finais
Oh fuck, eu adoro esse chap! Não, sério, na verdade eu não gosto muito, mas acho que depois desse chap muita gente deve estar querendo me matar, até porque se eu fosse leitora também iria querer matar a louca-psicopata-pirada-sadomasoquista-sádica-doente da escritora também.

BUT eu espero que vocês tenham gostado! (ou pelo menos sobrevivido).

AGORA *desliga as luzes do quarto* Se você, caro leitor ou leitora, não mandar uma review, vou fazer o Arthur ter diarréia, e ter diarréia quando já nem se pode andar é foda, né? ENTÃO, AJUDE UM ARTHUR E MANDE UMA REVIEW ~~ (estou ficando cada vez mais criativa nas minhas 'implorações' pra mandarem reviews, haha).

KISSES E ATÉ PRÓXIMA SEXTA SEUS LINDOS E LINDAS ~~