Lie To Me
5 Capítulo 5: Open Your Eyes
Notas iniciais
-Ah...-Arthur gemeu, abrindo os olhos bem lentamente, sentindo dor em todo o corpo, mas ao mesmo tempo, não sentindo em todo ele. Piscou várias vezes até que se acostumasse com a luz que atravessava a janela do quarto aonde estava.
Parecia um quarto de hospital, mas o que diabos estava fazendo ali... Ah, é, verdade. As lembranças voltaram lentamente para sua cabeça, mas tudo virava um borrão mais para o final. Ainda se lembrava do forte impacto contra o ônibus que estava, quando fora jogado ao chão, os pedaços de vidro lhe ferindo e então mais nada.
Tentou se sentar, mas todos aqueles fios ligados a si lhe impediam. Correu os olhos pela sala branca e com poucos móveis. Era mesmo um hospital. Tentou pelo menos colocar um dos pés para fora, já que estavam dormentes. Deveria ter passado tanto tempo deitado que estavam dormentes, só podia, afinal, não estava sentindo nada deles...
-O quê...?
Não estava conseguindo mexê-los. Tentou o outro pé. Nada. Começou a se assustar. Quantas pessoas apareciam nos jornais todos os dias que ficavam sem os movimentos das pernas e até dos braços por causa de acidentes? Os braços ele conseguia mexer bem, mas as pernas...
Engoliu em seco, sentando-se na maca e arrancando alguns dos fios, tocando nas próprias pernas. Não sentia nada. Olhou ao redor, desesperado por alguém que lhe pudesse explicar que aquilo era apenas, quem sabe, o efeito de alguma anestesia, sim, sim, só podia ser isso. Ele estava bem, tinha que estar, claro que estava.
E mesmo um tanto desesperado, piscou várias vezes quando achou a figura adormecida de Alfred dormindo numa poltrona ao seu lado, para então virar a cabeça, abrir os olhos de leve e voltar a fechá-los só para novamente abri-los, o americano surpreso.
-Arthie!-Exclamou Alfred, levantando-se da poltrona e fitando o inglês, sorrindo um pouco.-Que bom que acordou, estava esperando por você e...
-O que estou fazendo aqui?! O que VOCÊ está fazendo aqui?!-Arthur exclamou, tentando mais uma vez se levantar da cama, mas suas pernas não tinham forças, e quando ia cair no chão com tudo, Alfred o segurou, apoiando as mãos nas laterais do inglês.
-Opa, opa, opa, Arthie! Você não pode...
-Por que eu não estou sentindo as minhas pernas?!-O inglês gritou, o que fez Alfred olhar para um dos lados. Mesmo que não se importasse muito com o outro por dentro, ninguém gostava de ter que dar más notícias como aquelas.
Ergueu o inglês e o sentou na maca enquanto apertava o interruptor para chamar uma enfermeira, que apareceu juntamente com o médico do dia anterior. Eram pouco mais 4 da tarde agora.
-Ah, vejo que acordou, sr. Kirkland. Como está se sentindo?-O médico perguntou enquanto a enfermeira checava algumas coisas nas máquinas.
-Estou bem e exijo que me liberem para que eu possa ir para casa. O que colocaram nas minhas pernas? Não estou as sentindo.-Arthur perguntou, um tanto exasperado.
-O senhor...-O médico parou e olhou para Alfred, que assentiu como se pedisse para que o médico contasse ao invés dele.-O senhor sofreu um acidente, como bem deve lembrar, e este acidente afetou sua medula. Ontem realizamos uma cirurgia urgente e, se não fosse por ela, o senhor agora seria tetraplégico, ou seja, não conseguiria mexer nenhuma parte do corpo do pescoço para baixo, mas mesmo assim não conseguimos reverter todos os danos e, além dos vários hematomas e cortes e...
-Estou paraplégico?-Arthur perguntou, sério. O médico assentiu, mas adicionou:
-Felizmente as áreas mais afetadas foram somente suas pernas. Terá que realizar alguns procedimentos para exercitar os músculos e tomar alguns cuidados, além de providenciar uma cadeira-de-rodas, mas além disso, poderá ter uma vida normal, inclusive sexualmente ativa...
-FELIZMENTE?!-Arthur gritou, fazendo com que o médico parasse.-Como pode dizer “felizmente”?! Eu nunca mais vou poder andar?!
-É provável que não. Sinto muito.
Arthur abaixou a cabeça para fitar o chão e mandou que fossem todos embora. O médico saiu e a enfermeira também, mas não Alfred. O americano apenas se aproximou da porta para fechá-la e então voltou para perto de Arhur, sentando-se ao seu lado na maca.
-Vá embora.-Arthur disse, a voz claramente vacilante.
-Não posso, Arthie. Você é meu amigo, não vou te deixar só. Ah, e para eles, eu sou seu namorado, então é bom que você se atire nos meus braços se o médico entrar de novo, okay?-Alfred riu, fitando o inglês, que ainda mantinha o rosto caído.
-Vá embora.
-Não vou, não.
-Vá embora...
-Não, não e não.
-VÁ EMBORA!-Arthur gritou, empurrando o outro, o que não funcionou muito, uma vez que Alfred era mais pesado que o inglês.-EU NÃO PRECISO DE VOCÊ! Eu sei me virar sozinho, não preciso da sua pena!
-Eu não estou aqui por pena!-Mentiu, em parte.-Estou aqui me importo com você, Arthie! Você acha que eu estaria aqui se não me importasse?
-Não, vá embora!-Arthur gritou, encolhendo-se na maca e subitamente ficando em silêncio se não fosse, vez por outra, alguns soluços altos e sons de choro. Alfred se aproximou mais do inglês e o fitou, querendo ver seu rosto.
-Está chorando, Arthie?
-Não!-O outro respondeu, tentando novamente afastar Alfred, sem sucesso, com a voz novamente chorosa e mais vacilante do que nunca.
Então pegou o inglês e o trouxe mais para perto de si, deitando-o em seu peito e colocando uma das mãos sobre a cabeça do menor, segurando-o ali quando Arthur fez menção de se afastar.
-Hey, Arthie, está tudo bem... Você pode chorar. O herói está aqui e não vai te deixar na mão.-Alfred disse, deslizando a outra mão pelas costas do inglês.
-Não, me solte! Me solte! Mas que droga, Alfred, me solte!-O inglês exclamou, dando leves (ao menos para o americano) murros no maior, que ficavam fracos a cada batida, até que a mão que batia se segurou na camisa do outro com força ao mesmo tempo que Arthur enterrava sua cabeça na mesma.
-Hey, Arthie, é a primeira vez que você me chama pelo nome.-O americano sorriu, passando a mão pela cabeça do inglês enquanto o mesmo chorava tudo que tinha para chorar, toda aquela dor física e mental, afinal, como iria trabalhar? Como iria manter seu apartamento? Como iria estudar? Aquele acidente tinha acabado consigo, com todos os seus planos, com tudo, com tudo.
E o pior, Alfred, secretamente, sabia disso. E não podia deixar de pensar que, de certa forma, era culpa sua, afinal, fora ele que pedira para que Arthur ficasse no colégio para ver seu jogo, e fora ele que se aproximara do inglês por razões puramente egoístas. Se nenhum dos dois jamais tivessem se falado, aquilo nunca teria acontecido.
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Algumas horas depois, Alfred deitou Arthur na maca com cuidado e se afastou. O inglês tinha adormecido em seus braços depois de tanto chorar, e agora o americano estava com a camisaa encharcada de lágrimas.
Saiu do quarto e caminhou até a recepção, avisando que teria que passar em casa para pegar algumas coisas mas que voltaria em breve. Ligou para seu motorista e logo estava a caminho de casa.
Ainda bem que seus pais estavam viajando e só iam voltar em algumas semanas, uma vez que ele tinha faltado aula naquela dia para ficar com o inglês e não queria receber nenhuma repreensão. Só faltara um dia, não era como se o mundo fosse acabar por causa daquilo.
Chegou em casa, rumou para seu quarto e pegou uma mochila, colocando roupas, não para ele, mas para o inglês, alguns livros, coisas de que talvez o inglês gostasse, ou seja, poucas coisas. Eles não tinham muito em comum, de qualquer forma.
Não sabia quanto tempo Arthur ainda ficaria no hospital, então foi apenas jogando calças jeans e camisas e algumas cuecas novas que guardava por precaução. Quando terminou, voltou para o carro e no meio do caminho de volta ao hospital, lembrou-se do livro de Arthur que sem querer deixara cair no dia anterior.
Pediu ao motorista que fossem ao colégio, que mesmo não estando aberto, conseguiu convencer o porteiro a abrir o “achados e perdidos”. Ninguém conseguia resistir ao enorme carisma do herói do colégio, conseguia?
Quando voltou ao hospital, deixou a mochila em cima de um aparador ao lado da maca e sentou-se na poltrona, abrindo o livro, o “Ósculo Perdido” e então folheando as páginas, sem nada para fazer exatamente. Com um título daqueles, achava que o livro ou se tratasse de uma ficção científica ou fosse algo tão chato quanto uma tese de doutorado, mas parou quando achou a seguinte frase:
“E em seus olhos, por trás daqueles olhos azuis que queriam esconder a mais suja e odiosa mentira, bastante maquiada, estava uma verdade. A verdade que encobria uma mentira e que acabava por se anular, pois com o impacto de uma mentira, quem deseja saber sobre uma verdade?”
Piscou um pouco. Okay, aquilo não tinha nada a ver consigo. Pulou para a parte de trás do livro e leu o resumo, algo sobre um inglês que que encontra uma americana por acaso, só que devido a vários acontecimentos, um começa a mentir para o outro e a relação só tende a acabar. Ah, pelo menos na vida real era só Alfred que mentia... Ou pelo menos era o que parecia.
Ergueu o olhar quando ouviu alguns murmúrios vindo da maca, achando Arthur piscando bem lentamente e então olhando para ele. Levantou mais o rosto e perguntou:
-O que está fazendo aqui?
-Heim? Só estava passando.-O americano claramente mentiu.-Trouxe algumas coisas pra você, Arthie. Trouxe roupas e uns livros e...
-Não preciso disso.-O inglês reclamou, deitando-se na maca novamente e fitando o teto.-Você já pode ir embora.
-Ahm? Não, Arthie, eu vim aqui ficar com você.-O americano disse, fazendo uma cara de magoado.
-Não, vá embora.
-Não, vou ficar. Você não pode me expulsar nesse estágio, e até os médicos diriam que é melhor ter alguém o tempo todo aqui com você.
-Estágio?! Que estágio?! Vou ficar assim para sempre, não é um estágio, é uma condição! Por que você simplesmente não desaparece, aliás, por que está fazendo tudo isso?! Eu odeio você, você só me causou problemas até agora, desde o começo, quando você entrou no ônibus, eu soube!
-Então por que abriu a porta do apartamento para mim?
Arthur se calou então, corando um pouco, para a surpresa de Alfred. O americano não estava com raiva do inglês, na verdade, aquelas palavras sequer lhe atingiam porque só fariam realmente um estrago caso o maior se importasse com o que Arthur pensava dele, mas Alfred não se importava, apenas fingia se importar.
-O livro parece ser bom, Arthie. Não gosto muito de ler, é muito chato.-Alfred riu então, querendo acabar logo com o clima desconfortável.-Você ainda não me disse o que é um ósculo.
-Já disse para ir olhar no dicionário.-Arthur respondeu, puxando mais os lençóis para si enquanto se ajeitava na maca.
-Eu acho que é porque você também nem sabe o que é, aí fica querendo dar uma de inteligente e diz que só não quer me dizer, mas na verdade, você nem sabe.
-Eu sei sim!-O inglês exclamou, ultrajado.
-Não sabe não!-Alfred riu.
-Sei sim! Um ósculo é um...
-Um...?
-Nãovoudizer.-Arthur disse tão rápido que quase fora incompreensível.
-Hein? Por que não? Viu, é porque você não sabe, não sabe, não sabe!-Alfred brincou, voltando a abrir o livro e a folheá-lo.-Vejamos... Não tem nem um glossário no final do livro. Hmpf. Ah, tem uma página com a folha meio dobrada, foi aqui que você parou?
Arthur não respondeu, um tanto emburrado, mas assentiu de leve com a cabeça.
Alfred correu os olhos pela página e acabou soltando uma boa gargalhada no final, virando-se para o inglês e lendo então em voz alta para o mesmo o que havia naquela página:
“Ele lhe pegou no colo e delicadamente a deitou sobre a cama, despindo depois seu lindo vestido de cetim branco e para só então admirar a perfeita beleza e formosura do corpo da jovem, agora envergonhada mas que, como se ansiasse por isso, abriu as pernas e levou ambas as mãos ao rosto, tentando esconder a vermelhidão que se espalhava por suas bochechas”.
-Puxa, Arthie, nunca achei que você gostasse de pornografia.-Alfred riu ainda.
-Não gosto!-O inglês gritou, estendendo um dos braços para tomar o livro do maior, sem sucesso, voltando então a se deitar na cama, cruzando os braços.-Não é pornografia, é amor.
-Estou vendo o amor...-Disse o americano, repleto de ironia.
-Pare de brincar com isso! Você não sabe o que é, não deveria mesmo saber, já que só fica com as meninas apenas pelo corpo delas e então as descarta como se fossem objetos!
-Arthie, não é bem assim...-Alfred tentou explicar, embora ainda sorrisse. Claro que aquela era a mais pura verdade, o inglês não poderia tê-lo descrito melhor, mas não fazia bem ostentar uma imagem tão ruim de si mesmo.-Mas já que você acha tão errado, você ama alguém?
-Hã?!-O inglês exasperou-se, acabando por corar um pouco.-O que quer dizer com isso?!
-Bem... Você diz que eu não amo ninguém, apenas uso as pessoas, e se você sabe tanto desse assunto, você deve ter amado alguém...
-N-Não é d-da sua conta!
-Arthie, você tá corando?! Opa, Arthie, será que você não é mais virgem? Ou melhor, será que você ainda é virgem?!-Alfred riu, levantando-se da poltrona para ir até a janela do quarto e abri-la, deixando um ar entrar enquanto ouvia os gritos e exclamações mal-humoradas do outro.
Na manhã seguinte Alfred foi ao colégio e assim que terminou, voltou ao hospital apenas para ficar com o inglês, que sempre lhe mandava embora com uma carranca. Mas o americano sempre se recusava e se sentava na poltrona, e esta se tornou a rotina de ambos ali. Vez por outra Alfred até trazia as tarefas que não entendia e, mesmo sabendo de toda a arrogância e soberba de Arthur, o maior lhe pedia ajuda.
Mas o americano podia notar que cada vez mais Arthur se sentia a vontade consigo ali. Não que falasse dos seus sentimentos e nem pedisse alguma coisa (porque o inglês nunca lhe pedia ajuda em nada, fato), mas era pelos pequenos atos com o maior que Alfred notava que Arthur talvez estivesse lhe aceitando mais.
Nas manhãs no colégio e em parte da tarde, Susanna às vezes aparecia com toda aquela pompa e vinha perguntar sobre Arthur, e prontamente Alfred lhe respondia e lhe mostrava o caderninho com todos os detalhes sobre o inglês, cada vez mais preenchido.
E porque estava passando o resto do dia com Arthur, Alfred estava tendo menos tempo para praticar futebol americano, o que acabava por enfurecer seu treinador, mas tirando todas essas coisas, as duas semanas que se correram comumente, até que chegou o dia em que os médicos disseram que Arthur seria liberado.
O americano saiu mais cedo do colégio e tão logo que chegou ao hospital, foi até o quarto do inglês. Até a recepcionista já conhecia o simpático Alfred, sempre sorridente. Quando chegou, Arthur estava sentado na maca, as pernas soltas no ar, o semblante meio triste meio chateado. Havia um médico e três enfermeiras ao seu redor.
-Terá que tomar os comprimidos que passei para que possa suportar a dor, e também terá que comparecer ao hospital pelo menos duas vezes por semana, de preferência três. Também é bom que providencie uma cadeira-de-rodas e que tenha alguém para lhe acompanhar durante o dia e...-O médico parou de falar ao ver Alfred, que se aproximou do inglês e pôs uma das mãos em seu ombro, recebendo um olhar quase que mortal do menor.-Estava falando sobre o que Arthur deve fazer para se adaptar em sua nova vida.
-Eu ouvi o principal. Qualquer coisa, eu ligo para o senhor, se, tipo, Arthie tiver problemas com algo...-Alfred disse, mas o inglês empurrou a mão que estava em seu ombro e falou:
-Não terei problemas, não sou criança. Não quero que me trate como um inútil.
-Ah, também seria bom que ele viesse para nossas sessões de ajuda psicológica a pacientes recém para e tetraplégicos.-O médico disse.-Pode ser que ele passe por problemas psicológicos para aceitar sua nova condição, então...
-Eu vou ficar bem!-Arthur exclamou.-Quero ir logo embora daqui! Tragam a cadeira-de-rodas apenas para me levar até lá fora e então eu me viro.
-Você ainda tem que trocar de roupas, Arthie, e você não vai precisar de cadeira alguma, eu vou te carregar até o carro.-O americano sorriu, tirando logo um conjunto de roupas de dentro da mochila que ficava sobre o aparador.
-Hã?! Não, eu quero uma cadeira-de-rodas!
-Acho melhor sairmos por enquanto... Vamos esperar no corredor.-O médico avisou, saindo e sendo seguido pelas enfermeiras, uma vez que parecia ter entendido o que acontecia ali, embora, na verdade, não acontecesse nada.
-Não, esperem! Não me deixem com esse... O que você pensa que está fazendo, seu idiota?!-O inglês exclamou, virando-se então para Alfred, que estava agora bem na sua frente.
-O quê? Ele saíram porque quiseram sair, não fiz nada. Acho que é porque eles acreditam que eu e você somos um casal gay, então nos deram um tempinho a sós e ainda me deixaram a cargo de te vestir, então...
-O QUÊ?! Nem pensar, fique longe de mim, seu americano pervertido! Aonde pensa que está colocando esta mão... Epa, pare, ei, ei, ei...!
Alfred levou logo as duas mãos até as costas do inglês, desamarrando aquele pequeno nó que tinha naquelas roupas de hospital e então puxando a roupa para frente, deixando o outro parcialmente nu senão fosse por uma cueca branca que nem deveria estar ali, mas que fora colocada por pura birra de Arthur.
Alfred riu diante de tanta vergonha do outro, que levou os dois braços a sua frente, tentando se cobrir enquanto o americano pegava a camisa e, na hora que ia vestir o inglês, o mesmo a pegou e a vestiu sozinha, sempre orgulhoso.
Então Alfred pegou a calça e colocou cada uma das pernas do inglês dentro da mesma, subindo-a apenas até a altura das coxas, uma vez que, pelo fato do outro estar sentado, não conseguia mais subir a roupa.
-Hey, Arthie, você vai ter que se segurar em mim pra eu te vestir.-Disse Alfred, já rindo diante da reação do outro, que corava.
-Hã?! Não!
-Vamos lá, Arthie, é só fazer assim...-Alfred pegou ambos os braços do inglês e levou suas mãos até seus ombros, quase na base do pescoço, e então o americano pôs as suas mãos na calça e a segurou, olhando então para o outro, bem próximo de si, os olhos verdes deixando claro o quão estava constrangido ali.-Agora eu vou te tirar da maca e vou subir a calça, então se segure em mim.
-N-Não, eu v-vou cair, seu i-idiota!
Mas antes que Arthur pudesse se opor mais, Alfred já o erguia e fazia o que tinha dito enquanto o inglês se segurava com força em seus ombros, acabando por se agarrar em seu pescoço, com medo de cair, fechando os olhos.
-Agora aguenta aí porque eu tenho que fechar o zíper...-Alfred disse, logo ouvindo mais reclamações do inglês enquanto levava duas mãos até a frente da calça.
-Ei, não, ei, ei, eu prefiro ir com o zíper aberto, seu pervertido imbecil, se você ousar a tocar aí, eu juro que... Ah...
Tinha sido puramente sem querer. Quando estava subindo o zíper, a mão do americano escorregara e passara bem em cima do membro do inglês, e aquele “Ah” na fala acima fora, sim, um gemido, mesmo que bem baixo e sufocado. Alfred, temendo que fosse enforcado pelo inglês, pegou logo o zíper e o subiu com mais cuidado, fechando a calça e voltando a sentar o inglês na maca, que tinha um olhar tão mortal no rosto que mataria o americano ali mesmo senão fosse pela vermelhidão porque estava corado.
-Foi sem querer!
-SEU IDIOTA!
-Mas foi você que gemeu...
-EU NÃO GEMI! Seu idiota pervertido, estava louco para fazer isso, não era?! Só porque eu disse para não fazer, você vai lá e faz! Seu idiota, imbecil, burro, pervertido, imoral, esdrúxulo, pacóvio, energúmeno...!-Exclamou o inglês, batendo no peito do maior deveras vezes enquanto Alfred tentava se explicar.
Não era como se gostasse do que tinha feito, porque não gostava. Sua mão tinha apenas escorregado, apenas isso, e Arthur gemera porque, sei lá, já deveria fazer tanto tempo que ele não sentia nada ali (aliás, Alfred achava que ele nunca tinha sentido nada ali) que ao primeiro toque ele já respondera.
E Alfred agora tinha um sorriso amarelo mas tão amarelo no rosto que até ele ficara um pouco constrangido quando os médicos voltaram a entrar no quarto. No mínimo deveria ter se perguntado a causa do semblante tão mortal de Arthur, mas nada disseram.
-Bem, Arthie, vamos?-Alfred sugeriu, estendendo os braços para o inglês, que cruzou os seus e negou. Então Alfred se aproximou e rapidamente o ergueu nos braços como um noivo leva uma noiva na noite de núpcias.
-Me ponha no chão, seu brutamontes maldito!-Arthur exclamou, batendo em Alfred, que apenas riu e saiu do quarto, sendo seguido pelos médicos, que agora tentavam não rir da situação.
Uma vez fora daquele lugar e então dentro do carro, com Arthur de cara emburrada e Alfred tendo uma feição mais aliviada no rosto, o motorista, que mesmo estranhando os atos do patrão nunca se meteu em nada, perguntou:
-Para onde, sr. Jones?
-Para minha casa.-O americano respondeu.
-Hã? Não, eu preciso ir para minha casa.-Arthur disse, cruzando os braços.
-Não pode ficar lá sozinho. Amanhã é sábado e meus pais saíram, não vai ter ninguém lá em casa, de qualquer forma. Não vai me abandonar, vai, Arthie?
-Não quero ir para a sua casa!
-Mas não pode ir para a sua, não sozinho. A não ser que queira que eu vá para a sua casa, porque sou a única pessoa que pode e tem paciência de ficar com você.-Alfred riu.
-Está me dizendo que sou insuportável?! Como ousa?!
-Sebastian, vamos para a casa do Arthur então, já como ele não consegue viver sem mim.-Alfred riu mais, e uma vez que o motorista já sabia o endereço do inglês, tomou logo o caminho enquanto Arthur gritava com Alfred loucamente.
Notas finais
MAS AGORA POSTAY! //apanha//
Mas enfim, mandem reviews. O pequeno Ivan ficou triste por ainda não aparecer nesta fanfic (nem sei se ele irá) e por isso foi se isolar em seu lindo jardim de girassóis, mas todos estes murcharam quando ele chegou lá. QUER REVIVER OS GIRASSÓIS DO IVAN??? MANDE REVIEW! (ou então Rússia puxará seu pé a noite e fará com que você se torne um com ele).
KISSES E ATÉ PRÓXIMA SEMANA!
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