Licantropia: A Reserva
10 Capitulo 9: Castigo.
Notas iniciais
Samantha encarava os traços no chão, ao lado do colchão. Eles contavam os dias que ela passara como refém e havia 52, agora. Dez dias desde a última vez que ela falara; 240 horas desde que Soren pronunciara alguma palavra; 14.400 minutos ocupados unicamente pelas refeições regulares trazidas pelo seu carcereiro e pelos pensamentos de que em breve a Reserva chegaria para rastrea-los.
Ela ergueu a pedra que se soltara da parede e fez outro risco no chão, ao lado dos outros 52. Aquele significava apenas o início de outro dia; ele marcava a exaustão de Sam e de sua desistência. Ela sabia que a Reserva não viria e se preparava para fugir; foram dias planejando a fuga. Primeiro, ela analisara a sala ao seu redor e encontrara a pedra que usava agora; depois a afiara até que se tornasse uma arma; e então se preparou da melhor forma que podia: abdominais, flexões e os testes de reação que ensinaram a ela na Reserva.
O som dos passos a alertaram da aproximação de Soren. Lentamente, ela escondeu os riscos sob o colchão e pôs a pedra dentro da pequena abertura no sofá velho. Sentou-se no seu canto habitual e esperou que se captor entrasse. Soren surgiu alguns minutos depois, os cabelos pretos estavam cortados e os olhos amarelos pareciam ter perdido parte da cor habitual. Ele colocou a bandeja com a comida sobre uma das mesas e sem sequer lançar um olhar para Sam, deixou-a. Desde a última briga, ele resolvera aceitar o silêncio da garota e passara a entrar e sair silenciosamente.
Samantha pretendia fugir à noite. Seria o melhor horário, ela concluíra. Provavelmente, seus obstáculos seriam passar por Soren e dos outros vigias. Depois disso, fugir pelas sombras seria mais fácil. Ou, ao menos, ela contava com isso.
Era de manhã, ela sabia; as refeições delatavam. A primeira refeição do dia era sempre: água ou café, pão e qualquer outra coisa feita de farinha ou trigo; o almoço era sopa, legumes ou ovos; e o jantar, era geralmente composto por algum grão e raramente carne. Sam só se lembrava de ter comido carne uma vez durante todo o seu tempo como refém.
O dia se arrastou, como sempre. Em uma lentidão enlouquecedora, a luz que atravessava as janelas moveu-se para o oeste até por fim sumir, levando consigo o céu cinzento e trazendo um véu escuro e cheio de estrelas. Está na hora, pensou e escondeu a pedra que cabia quase perfeitamente me sua mão. Seu coração batia mais rápido pela antecipação. O som dos passos de Soren a fez se mover silenciosamente. Como me ensinaram.
Ela se posicionou detrás da porta e esperou. Contou três segundos até a porta se abrir e moveu-se o mais rápido que conseguia. Soren era mais veloz. Seus olhos se viraram para Sam quase no mesmo segundo e sua mão envolveu o pulso da garota em um aperto forte e firme.
–--O que você pensa... ---as palavras sumiram de sua boca, quando o pé de Samantha atingiu seu estômago.
Sam não esperou, acertou outro chute nas costelas de Soren e quando a mão que a agarrava afrouxou, ela mirou a pedra em sua têmpora. O som que se seguiu, arrepiou-a, mas Samantha não podia pensar nas consequências naquele instante. Ela simplesmente pegou a chave de Soren e o trancou.
O seu quarto era o último em um longo corredor. Havia tantas portas de ambos os lados que Sam se forçou a não pensar no que aconteceria se alguém a visse fugindo. Não havia luz elétrica, apenas tochas e mais tochas. Sam se moveu como uma sombra, mas rapidamente. Se Soren não estiver morto, apenas um grito dele pode acabar com meus planos.
O corredor terminou em portas duplas de metal escovado. A sala seguinte era mais espaçosa e arejada. Havia cadeiras acolchoadas caídas pelo chão e um balcão antigo e manchado à esquerda. Um hospital, ela notou. Sam atravessou dezenas de portas e encontrou salas vazias, depósitos de material médico abandonado, banheiros inativados e por fim a porta das escadarias. Ela as desceu o mais rápido que podia sem fazer barulho; o que não era fácil, uma vez que os degraus estavam abarrotados de lixo, catres, caixas rasgadas e objetos largados aleatoriamente.
Sam desceu seis lances de escada. A última porta a levou até o lado de fora; para o ar novo e gelado da noite e para o meio do acampamento dos Filhos da Noite. Á sua frente erguia-se prédios e mais prédios; a oeste havia um complexo de ruínas onde tochas brilhavam e silhuetas se moviam e a leste estava o prédio para onde ela fora levada para encontrar Raniah. Samantha fechou os olhos e tentou se lembrar. Naquele dia, o prédio ficava ao norte e eles haviam saído do sul, por entre ruas inclinadas. Ela demorou 10 minutos para encontra-las; ficavam entre um conjunto de ruínas e uma casa pequena cheia de tochas.
Sam se moveu lentamente por entre as ruas. Primeiro, ela se esgueirou pelo canto dos prédios escuros e não habitados, prestando atenção em qualquer som. Quando os prédios se reduziram a pedaços de pedra explodidos e crateras rachadas, ela passou a caminhar normalmente pelas ruas. Cabeça erguida, sem andar rápido ou devagar demais. Tenho de parecer ser apenas um deles. Era assim que haviam lhe ensinado.
A parte mais difícil seria passar pelos vigias próximos à saída, eles notariam qualquer um que tentasse ultrapassar os limites. Os sons surgiram minutos depois; um burburinho de vozes exaltadas que surgiu por entre os prédios mais distantes. Eles sabem que fugi, pensou e correu até o abrigo das sombras. Seus pensamentos voaram a procura de possibilidades e outras saídas, mas em todas as direções havia tochas demais, silhuetas demais ou destroços demais. Ela seria notada rapidamente. A única saída era aquela pela qual tinha entrado; depois da pequena casa e das árvores.
A ideia surgiu minutos depois. Sam se esgueirou até o outro lado da rua, e sumiu no espaço entre dois prédios velhos e antigos. As vozes tornavam-se mais altas a cada segundo. Ela sabia que precisava agir rápido. Rezando para que ninguém olhasse naquela direção, correu até o outro conjunto de sombras e esperou pelo alarme, mas ninguém parecia ter notado. Ela fez a mesma coisa outras duas vezes e parou atrás da casa de vigia. Lá dentro, Samantha notou cinco pessoas, que se aqueciam ao redor de uma fogueira baixa, e outras três que olhavam pelas janelas na direção da rua.
Sam se esgueirou por detrás deles e esperou nas sombras, entre arbustos selvagens e pedaços de antigas paredes. O som atrás de si a surpreendeu e o homem a encarou confuso, perplexo e desconfiado. Se não estivesse de noite, o vigia teria a reconhecido de imediato e Samantha estaria morta, mas a escuridão a ajudou. Ela se moveu o mais rápido possível e atingiu o homem no rosto e se jogou sobre ele. Embora mais forte, a surpresa a ajudou a pôr os braços ao redor do seu pescoço para asfixia-lo. Após alguns minutos, Sam sentiu o vigia amolecer em seus braços.
Ela sorriu feliz e esperou por qualquer sinal de que alguém a tivesse visto. As vozes haviam ficado para trás, mas Sam sabia que não duraria muito tempo; ela quase podia ouvir a voz de Soren mais alta do que todas as outras. Um. Ela se esgueirou pelas paredes e abaixou-se novamente. Dois. Com um pulo, Samantha atravessou os arbustos e esperou por mais um tempo; as vozes se aproximavam. Três. Ela correu; o mais rápido que conseguia; seus pés descalços doíam com os cortes, mas ela os ignorou. O vento agitou seus cabelos e os galhos arranharam sua pele.
Por um momento, ela acreditou verdadeiramente que tinha conseguido. Por breves segundos, sua ideia de correr pela floresta parecia tão boa em sua cabeça que ela se julgou um gênio. Mas, o momento passou rapidamente. Ela viu com o canto dos olhos, silhuetas se movendo pela floresta; rápidas demais. As vozes se transformaram em rugidos e Samantha imaginou como os Filhos da Noite deveriam parecer quando se transformavam. Atrás de si, ela ouviu gritos e rugidos como se a maior das feras estivesse perseguindo-a. Ela nem precisava pensar em quem era. Soren vai me matar se puser as mãos em mim.
–--Pare com isso! ---ela ouviu a voz dele tão próxima que a sobressaltou, fazendo-a cair.
Ela rolou pelo chão duro xingando e gemendo. Sam não teve sequer chance de reagir; os braços de Soren seguraram sua cintura como vigas de aço e prenderam no chão. Ele a encarou com os olhos dourados cheios de pontos prateados repletos de raiva e irritação. Samantha não sabia por que aqueles olhos eram tão assustadores, mas no minuto seguinte, ela estava tremendo.
Os outros os alcançaram minutos depois, rugindo, xingando e ameaçando. Sam não se lembrava como os lobisomens tratavam suas presas, mas tinha quase certeza que daquela vez seria homicídio coletivo. Um dos mais próximos se aproximou com os punhos fechados e os dentes arreganhados como um lobo faria. Embora seus dentes não fossem afiados, eles a assustaram. Ao menos eu tentei. E que se foda todo mundo; os lobisomens e a Reserva. Samantha fechou os olhos e esperou.
Soren rosnou como um cão para o homem e apertou os braços de Sam com mais força, mas ela não se atreveu a reclamar. Para a surpresa de Samantha, o homem parou e ergueu os olhos. Os outros também pareciam irritados e surpresos.
–--Ela é minha. ---ele repetiu pela milésima vez. ---Ninguém toca nela. ---ele a puxou e lhe lançou um olhar de puro ódio. ---Ela nem ultrapassou os limites do acampamento. Vamos logo. Não sabemos onde os Nômades estão. Eles podem estar nos observando.
–--Soren. ---uma mulher ruiva de olhos escuros franziu as sobrancelhas. ---Ela não serve para nada. Não nos contou nada e oferece um risco enorme se fugir. Essa foi apenas a primeira vez. Mate-a logo e teremos menos um problema.
–--Não. Eu não farei isso. ---ele apertou ainda mais o braço de Sam e ele soltou um leve gemido que foi recebido com um olhar fulminante de Soren. ---Eu...eu...
–--Vai fazer o quê? ---outro homem gritou. --- Continuar a gastar nossa comida com ela? Perder tempo vigiando-a ao invés de treinar os outros? O que mais? Qual outra merda você fará para manter um peso morto vivo?
–--Eu... ---ele fechou os olhos e Sam soube naquele instante que nem mesmo ele sabia o que fazer. Os outros estavam certos; ela era um desperdício de tempo e provisões. Não demorará muito para que outro grupo como o de Fred venha atrás de mim ou até mesmo que Soren desista.
–--Eu conto tudo o que sei. ---Sam se pronunciou. ---Não é muito, mas cansei de esperar pela ajuda da Reserva. Contarei tudo o que sei se puder viver. Uma troca justa, não acha? Uma vida por informações do inimigo? ---ela rezou mentalmente para que eles acreditassem.
–--Mentirosa. Irá nos dar informações falsas e tentará fugir novamente. ---a ruiva gritou. ---Quer viver? Nos dê provas do que está falando.
–--No meu uniforme da Reserva. Vocês o pegaram de mim, não foi? ---Sam sorriu. ---Jogaram-no fora? É melhor que o tenham feito. Tem um rastreador nele. Ponha-o em qualquer lugar longe daqui e se a Reserva decidir vir atrás de mim, eles irão para o lugar errado.
O silêncio foi a confirmação de que tinha conseguido mais alguns dias de vida. Eles conversaram entre si em vozes baixas e tensas; e por fim aceitaram a ideia. Soren não esperou que os outros o seguissem; simplesmente arrastou Sam pelo acampamento sob os olhares dos outros Filhos. Ela viu Serena e Dragan perto de um prédio com expressões surpresas e então Raniah se aproximou, alto e dourado.
–--O que aconteceu? ---ele perguntou com as sobrancelhas douradas erguidas.
–--Fomos brincar de pique-pega. ---Soren respondeu mal humorado. ---A nossa pequena hóspede traiu nossa confiança e tentou fugir. Nós a pegamos antes que chegasse às muralhas. Ela disse que vai nos contar tudo o que sabe, agora. Vou interroga-la.
–--Eu vou junto. ---Raniah passou a segui-los e sorriu para a expressão irritada de Soren. ---O que foi? Espera interroga-la sozinho e deixar o líder de fora? Não mesmo.
Soren não discutiu. Juntos eles seguiram até uma edificação simples e quadrada, composta de apenas um andar com janelas pequenas e portas duplas de vidro. Sam percebeu que era um antigo posto policial. O interior era composto de cadeiras jogadas no chão, objetos quebrados, pedregulhos e uma mesa de metal amassada. Soren a fez ficar sentada ali e atou suas mãos e pés com um pedaço de corda.
–--Precisa realmente disso? ---Raniah perguntou.
–--Ela quebrou minha cabeça. ---Soren respondeu ---Com um pedaço da parede. Sim, é necessário.
–--Não estou vendo fratura. --- o outro argumentou.
–--Graças as nossas habilidades, eu me curo rápido. Mas fiquei um bom tempo desacordado. Tive de derrubar a porta do quarto dela. Eu disse que aquilo era muito bom para ela.
–--Tudo bem. Ela é perigosa. ---Raniah respondeu, mas piscou para Sam. ---Meus parabéns. Quebrar uma cabeça tão dura quanto a de Soren. Foi preciso muita força! Quem imaginaria que alguém tão magra quanto você conseguiria isso?
Soren rugiu e Raniah respondeu com um rosnado baixo e brincalhão. Embora seu coração estivesse disparado, Sam sorriu um pouco e parou antes que Soren visse. Os dois homens se sentaram e a encararam: Raniah sorridente; Soren irritado e bufando.
–--E então? ---o líder dos Filhos começou. ---Comecemos do começo.
–--Meu nome é Samantha... ---ela começou.
–--Nós já sabemos disso. ---Soren resmungou.
–--Cale a boca e me escute. ---Sam respondeu fazendo Raniah sorrir e Soren semicerrar os olhos de raiva. ---Tenho 18 anos, sou órfã e era mensageira na Reserva...
–--Mensageira? ---Raniah perguntou. ---Você não era patrulheira?
–--Faço parte de uma classe da Reserva conhecida como Impuros. ---ela continuou ignorando as perguntas e por algum motivo aquilo fez Soren sorrir. ---Os Impuros são filhos dos licantropos... quero dizer, Filhos da Noite. ---ela se corrigiu; não seria boa ideia ofende-los. ---Entretanto, nós não fomos infectados pelo vírus. Isso é suficiente para que a Reserva nos aceite, mas não é bom o bastante para que sejamos respeitados. Nós ocupamos posições mais secundárias e simples, longe dos papeis de maior importância ou daqueles que se relacionam com a segurança da Reserva. Não. Não sou uma patrulheira, nunca tive a chance. Aquele dia, o contingente de soldados estava baixo e eu fui convocada apenas para fazer as rondas. Não sei de muita coisa, mas posso afirmar para vocês que são 356 soldados na Reserva. 235 ocupam as posições de patrulheiros enquanto o resto foi estabelecido para outros contingentes, em Reservas mais distantes. Eles podem retornar em qualquer momento. Na nossa Reserva existem três Rasantes, mas acredito que outros 2 passem por esta região. O sistema de mapeamento é muito complexo e apenas os estrategistas entendem aquela coisa. Eu estudei, há muito tempo, com um deles e na época eles planejavam implantar um sistema de rondas a cada duas semanas mapeando toda a área do Arizona.
–--Arizona? ---Raniah perguntou.
–--É uma antiga divisão pré-guerra. Um dos estados dos Estados Unidos. Corresponde a uma área grande e espaçosa. Não sei quanto tempo leva para um Rasante fazer a ronda, mas ele precisa de uma semana para descarregar as informações na central. Se o tal sistema foi implantado, vocês teriam que esperar o próximo e contar quanto tempo passado até o próximo. O que significaria que vocês teriam duas semanas entre um Rasante e outro; sendo uma dessas semanas um potencial risco, pois existiria possibilidades de um dos mapeadores terem identificado o acampamento. A solução mais inteligente e simples seria mudar a posição entre as cidades ao redor a cada uma semana, sem estabelecer padrões de ocupação. E é claro, manter vigias em cada cidade e perto da Reserva, para observação e contato.
–--Acho que capturamos alguém inteligente. ---Raniah sorriu.
–--Como uma mensageira pode saber disso tudo? ---Soren a encarou desconfiado. ---Os mensageiros servem cafés e transmitem mensagens secundárias.
–--E como você sabe disso? ---Sam perguntou, mas não obteve resposta. ---Eu trabalhei alguns meses com o conselheiro da Reserva e discretamente ouvia e lia os documentos que ele deixava ao meu alcance. Também sei que a rota usada para transporte entre as Reservas é uma rota chamada Lafayette, mas não sei onde é. Se querem minha opinião, a rota deve ficar próxima aos rios à leste. As Reservas a oeste pertencem a outro setor e é mais improvável que troquem materiais. O próprio rio pode ser a rota. ---ela terminou e sentiu a boca seca. Se Soren tivesse capturado um patrulheiro era provável que eles soubessem qual era a rota e mais coisas sobre as provisões da Reserva.
–--Só isso? ---Soren perguntou.
–--Acha pouco? ---ela respondeu, estava cansada daqueles olhares ameaçadores e sustentou os olhos amarelos do homem. ---Eu era mensageira; tiveram sorte por eu ser curiosa.
Raniah sorriu e se levantou. Ele usava roupas brancas e que ao contrário de todo resto daquele lugar, estavam limpas. Como se fossem novas. Soren também, ela reparou. Onde eles conseguiram essas coisas?
–--Muito obrigado, Samantha. ---o líder respondeu. ---Nos ajudou muito. Traremos comida para você, tudo bem? Quero dizer, Soren trará.
–--Por que eu? ---ele resmungou e segurou um dos braços de Sam levando-a para o interior da delegacia.
–--Provavelmente por que você adora dizer que eu sou sua. ---Samantha respondeu e soube que devia voltar a se calar quando Soren a lançou outro daqueles olhares assassinos. Raniah sorriu.
–--Eu gosto de você, Samantha. ---ele respondeu antes de sumiu.
–-Mais rápido. ---Soren resmungou.
–--Para onde eu estou indo? ---ela perguntou.
Soren não respondeu; apenas a lançou dentro de uma pequena cela vazia com um colchão sujo e um banco de cimento molhado e prestes a cair. As barras de ferro estavam vermelhas e enferrujadas. Sam não conseguiu reagir quando o homem passou um par de pesadas correntes de ferro ao redor das barras e as prendeu com um cadeado enorme.
–--O quê?! ---ela gritou, irritada. ---Eu te dou informações e é aqui que você me coloca? Eu não posso ficar no outro quarto, não?
–--Eu derrubei a porta daquele quando você me prendeu lá dentro. ---ele respondeu. ---Considere como um castigo por mau comportamento. Dependendo de bom comportamento, você pode sair daí... talvez nunca. Agora fique quieta que eu trago comida mais tarde.
–--Você não pode me deixar aqui! ---ela agarrou as barras com força.
–--É claro que posso. ---ele respondeu e pela primeira vez sorria verdadeiramente. ---Afinal... como alguém me disse uma vez: você é minha, lembra? ---Soren se virou e ignorou os gritos de protesto de Samantha.
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