Licantropia: A Reserva

12 Capitulo 11: Perguntas e Respostas


Notas iniciais
Oi gente. Tudo bom com vocês! Mais um capítulo pra vcs. Espero que gostem!

Samantha odiava Soren com todas as suas forças. À noite, quando era forçada a se deitar no colchão malcheiroso da delegacia abandonada, ela imaginava que talvez se tivesse batido com um pouco mais de força em sua cabeça, nada daquilo estaria acontecendo. De dia, quando ele estava acordado e ficava horas e mais horas sentado em uma cadeira, cantarolando, ela desejava ter qualquer coisa que pudesse machuca-lo se jogado com precisão. Mas seus sonhos não se tornavam realidade.

Ela contou outros dez dias. Nesse período de tempo, as palavras que ela pronunciara reduziam-se a agradecimentos e pedidos. Um obrigado pela comida; um por favor para conseguir um pouco de água e ocasionalmente um olá. Durante todos aqueles dias, Soren sentara-se em uma cadeira de frente para sua cela com os pés sobre escombros de uma parede caída e cantara músicas que ela nunca ouvira falar. Seu humor melhorava com o passar do tempo, mas ele não parecia mais inclinado a leva-la para um lugar mais confortável.

–--Por favor, eu juro que não tentarei fugir. ---ela suplicou em um dia que o julgou mais feliz.

–--Não. ---ele respondera simplesmente. Sem caretas ou sorrisos.

–--Eu prometo pela minha mãe. ---ela segurara as grades enferrujadas.

–--Ela já está morta, esqueceu? Ou mentiu sobre isso também?

–--Eu não menti sobre nada. ---Sam resmungou e voltou a se sentar no colchão.

Alguns dias depois ela voltou a implorar. Soren sorrira e negara o pedido. Os dias se arrastavam como lesmas, tornando Sam mais irritadiça com o calor, o desconforto e a sujeira da cela. As cantorias de Soren se tornavam piores a cada segundo e no décimo dia, ela voltou a reclamar.

–--Você pode ao menos parar de cantar essa droga de música? ---ela reclamou.

–--Não gostou? ---Soren ergueu uma sobrancelha.

–--Do que? Desses gemidos? Claro que não!

–--Só estava tentando fazer o tempo passar. ---ele respondeu inocentemente, mas os olhos estavam cheios de ironia.

–--Péssima ideia. Era melhor voltar a me torturar com socos para passar o tempo, seria menos doloroso.

–--Você tem uma língua afiada! ---Soren riu e se inclinou na cadeira novamente. ---O que sugere então?

–--Silêncio seria ótimo, obrigada. ---ela voltou a se deitar. ---Ou então, um quarto que não cheire a rato. Essa seria uma boa ideia!

–--Não. Ainda está de castigo. --- o tom de voz condescendente irritou Sam. Era como se tivesse falando com uma criança. ---Que tal um jogo? Perguntas e respostas?

–--Eu já falei tudo, eu juro. ---Samantha se levantou novamente. ---Se eu me lembrar de qualquer coisa...

–--Primeira pergunta: Qual sua música favorita? ---ele a interrompeu, mas ela se recusou a responder. ---Vamos lá, prisioneira, depois você pode me fazer uma pergunta. O que quiser.

Ela o encarou por alguns segundos. Os olhos amarelos estavam escondidos pelo cabelo escuro, mas o sorriso seria visível até mesmo da Lua. Ele sabia que Sam não recusaria a oportunidade de adquirir informações. Suspirando, ela cruzou as pernas e prendeu os cabelos.

–--Não gosto de música. ---ela respondeu simplesmente.

–--Como assim? Todo ser humano gosta de música! Até nós, licantropos! ---ele tirou os cabelos da frente a encarou.

–--Uma pergunta, lembra?

–--Lembro. Respondi a sua. ---ele piscou. ---Agora, como você não gosta de música?

–--Ei! Você está roubando! ---ela acusou, mas Soren apenas esperou pacientemente por sua resposta.

–--Não temos muito disso na Reserva. ---ela respondeu irritada. ---Talvez os diplomatas e os cargos superiores tenham acesso à música. A última vez que ouvi algo parecido foi no quartel, quando eu ainda era uma aspirante. Alguns mais favorecidos conheciam algumas letras e cantavam. Pior do que você, tenho de admitir. ---ela respondeu e Soren riu. ---Minha vez. Por que você usa licantropo para se autodenominar? Não é uma ofensa para a sua espécie?

–-- São duas perguntas, mas, sim. Para alguns é ofensivo. ---ele semicerrou os olhos. ---Você sabe demais para uma mensageira. Como sabe sobre nossos comportamentos?

–--Minha pergunta não foi respondida. ---ela cruzou os braços determinada.

–--Uma delas foi. Uma pergunta apenas. ---ele ergueu o lado esquerdo dos lábios.

–--Você rouba! ---Sam acusou. ---Eu era idiota. Acreditava que se me esforçasse poderia chamar atenção dos avaliadores para ser escalada como uma das patrulheiras. Passava madrugadas estudando para as provas, as manhãs treinando e as tardes atirando. Não adiantou para muita coisa. Fui capturada duas vezes.

–--Ei! Eu sou muito bom. Se fosse com outro lobisomem talvez você tivesse conseguido escapar. ---ele respondeu e estendeu uma garrafa de água para ela. ---Com sede?

–--Não. Minha vez. --- ela sorriu.

–--Está aprendendo. ---Soren se reclinou.

–--Vocês já capturaram outros humanos? Digo, patrulheiros ou outros da Reserva?

–--Uma vez. Em uma Reserva a oeste. Era apenas um garotinho que fora desafiado a sair das muralhas.

–--O que vocês fizeram com ele? ---Sma não percebeu que se inclinava.

–--Nós o devoramos, é claro. ---a expressão de Samantha o fez rir. ---Estou brincando. O deixamos perto das muralhas para que fosse encontrado pelos patrulheiros. Mas, ele gritou e implorou para que o transformássemos, sabia?

–--Alguns de nós somos fascinados por vocês. Eu era um deles.

–--Era? Não é mais? ---ele perguntou subitamente sério.

–--Minha vez. ---Sam sorriu. ---Quantos são?

–--Como assim?--- Soren ergueu uma sobrancelha.

–--Este clã. Quantos são?

–-- Somos 50, mas 14 estão em uma... busca. --- ele pesou as palavras com cuidado.

–--Em busca dos Nômades? ---Sam sugeriu.

–--Tenho de me lembrar de que você é mais inteligente do que parece. ---ele sorriu. --- Sim. Os Nômades. Você está roubando! Minha vez: O que são esses Impuros?

–--Eu já disse. São os que não foram infectados pelo vírus.

–--Desenvolva. ---ele ordenou.

–--Digamos que você seja um humano comum. Um patrulheiro, talvez. Em um ronda você entra em confronto com um Filho da Noite e é mordido. Teoricamente, você poderia ou não ser infectado pelo vírus da licantropia, mas não é isso que acontece. Não existem imunes para esse vírus. Digamos que você fugiu com medo de ser morto por algo que não é sua culpa e então encontra alguém como você. É comum que casais voltem à Reserva quando descobrem que o bebê pode não ser como eles. Por alguma razão, fetos podem ou não desenvolver a imunidade ao vírus. Se tivessem raptado um geneticista, ele poderia explicar melhor. Eu apenas sei que quando os pais licantropos descobrem que a criança não é como eles, é comum que sejamos levados até a Reserva mais próxima. Não somos bem vistos, é claro. Para alguns somos milagres que nasceram do pecado, o que nos torna pecados mais leves; para outros somos aberrações que não se encaixam em nenhuma das definições: humano ou licantropo. Um erro da natureza, eles dizem.

–--Isso é... ---o rosto de Soren estava tomado pelo asco. ---Horrível. É segregacionista!

–--Se... o quê? ---Sam ergueu a sobrancelha.

–--Nada demais. Era algo que acontecia a muito tempo. O termo se perdeu há algum tempo. ---ele pareceu nervoso com a pergunta.

–--Minha vez então. Como você conhece esses termos? Onde adquiriu essas informações? Não existe uma biblioteca pós-guerra, existe? --- ela cruzou os braços determinada.

–--Você é teimosa. ---ele se levantou. ---Sinto muito, mas tenho de ir. Estão chamando para o jantar. Trago algo para você mais tarde.

–--Isso não é justo! Você fez a última pergunta e ganhou uma resposta a mais! --- Sam se levantou e se aproximou das barras. ---Além disso, eu não ouvi ninguém.

–-- Seus ouvidos de humana são fracos. ---ele sorriu debochado e se virou. ---Uma pena, não é?

–--Uma última pergunta, então: O que vocês vão fazer comigo agora que conseguiram as informações?

Ele ficou parado contra a luz de uma tocha e Sam encarou sua silhueta negra e alta. Soren não se virou, mas ela percebeu a tensão em seus ombros e em sua postura. Ele fechou as mãos em punhos e continuou a andar.

–--Não sei. ---ele respondeu antes de sumir.

Notas finais
O que acharam? Comentários e críticas são sempre bem vindos!!