Librum Possession
1 Chapter Discite
“... Agora estamos a salvo do ocorrido... e tudo foi controlado pela corte... apesar dos problemas resolvidos ninguém se lembra de nada... as pessoas relatam não... não sabemos o que aconteceu...” – anunciava os diversos canais de rádio antes de ser desligado.
- Pois é – fez-se silencio até que o garoto sugeriu – Vamos assistir a uns filmes perdidos?
- Claro – Falou entusiasmada a garota que parecia feliz por mudar de assunto. – Vou chamar o Lucky! – ela começou correu atravessando a porta, porem voltou imediatamente — Qual filme?
- Constantine e Legião que tal? Quando o sobrenatural era só um filme... – ele gritou tentando fazer falar mais alto que o barulho de pipoca de vinha do cômodo onde a menina tinha ido.
- Estou chegando com a diversão! – e depois de dito apareceu com filmes na mão um garoto com cabelos negros.
A menina Skylar riu. Skylar jogou pipocas na sala várias vezes na sala, mas ninguém se incomodou. Ambos já haviam visto os filmes várias vezes, e mesmo assim Skylar ainda se assustava e continuava tentando negar.
- Majestade, gostaria de mais alguma coisa? Lucky perguntou depois de arrumar toda a bagunça.
- Lu, não precisa me chamar assim, não tem ninguém aqui. Você não é meu conselheiro neste momento, é meu meio irmão. – seu sorriso era torto e um tanto sem graça.
- Sky! – gritou uma voz dificilmente confundida. E os dois logo viram Gabriel aparecer sem fôlego dos corredores pela cortina branca que separava aquele cômodo do resto do castelo. – Skylar – ele repetiu com certo pavor no rosto e preocupação. Mas estaria preocupado com o que? – SABEM! SABEM! ELE JÁ SABE!
- Sabem? Quem sabe do que? Quem é ele? — Lucky disse calmo porem preocupado com o que estaria pro vir.
- Ele, uma pessoa, sabe a verdade, sobre o que realmente foi à catástrofe. — sem fôlego ele foi dizendo às palavras que começavam a fazer algum sentido.
- O que? Como assim? Não é possível. Não é possível Gabriel. – disse Skylar tentando não surtar com a notícia.
- Ele sabe! Ele sabe!
- Você sabe a habilidade dele pelo menos? Às vezes está ligado a isso. – Lucky sugeriu tentando encontrar uma explicação.
- Não se sabe ainda.
- Certeza?
- Ainda não sei. Não faço idéia. Não descobriram. – disse Gabriel se acalmando porem ainda com expressão de preocupação.
- Gabriel você tem certeza disso não é? – Skylar conhecia Gabriel não poderia ser apenas isto. “Não, tem que ter mais alguma coisa que ele não quer contar, não pode ser só isso que o apavora tanto... o que ele está escondendo afinal?” pensava Skylar tentando entender tudo isso.
- Calma Sky. – ele tentava aparentar calmo, mas não adiantava muito.
- Sky. Vá para dentro agora! – disse o meio irmão mais velho em tom de ordem.
- Não Lucky, eu quero saber, e se tiver mais algo que ele não queira dizer. – Sky disse em tentativa de protesto que a mesma soube que falhou ao ouvir seu irmão, e seu companheiro no trono formarem um grito uníssono “AGORA”.
Skylar saiu resmungando para seus aposentos, era possível ver a luz do alvorecer passando pelas janelas do cômodo que iluminavam seu rosto o deixando com um toque divino antes de bater a porta fazendo os garotos que a observava se sobressaltarem.
Depois que o silencio após o estrondo se apresentou Lucky se dirigiu, seguido por Gabriel, até a sala de reuniões e logo começou a falar:
- E então o que resolveu?
- Ele virá para conversar. – soltou de uma se sentando na cadeira mais próxima.
- Você o convidou para dentro do castelo? Ficou louco? – Lucky começou a andar em círculos.
- Eu... Eu estava nervoso. Ele já deve estar chegando também. – assim que a frase foi terminada o som da campainha foi ouvido.
- E é claro que ele tinha que estrear essa nova campainha, aliás, quem escolheu essa musica horrorosa? – quando o barulho cessou Lucky continuou. – Vamos recebê-lo.
Assim que chegaram à entrada da sala principal viram o homem não muito velho, moreno, estatura mediana, usava calças de pano simples e uma camisa de botões inapropriada para a “reunião” de cabelos encaracolados e castanhos soltos. Antes mesmo de Gabriel e Lucky chegarem perto começou a falar.
- Acho que tenho que contar umas coisas para vocês. Por onde eu começo? É que...
Uma onda de angustia atingiu Skylar, ela caiu na cama e fitou o teto, o teto azul, para espantar os maus espíritos e se olhasse de perto podiam ser vistas escrituras. Ela precisava descobrir o que estava acontecendo sentia essa necessidade. Foi na sorrateira como fazia quando criança e ainda o fazia muito bem. Foi quando ouviu a porta da sala principal ser aberta e os passos de duas pessoas, e logo em seguida um novo timbre, uma voz masculina. “Acho que tenho que contar umas coisas para vocês. Por onde eu começo? É que...” disse a voz, ela não se aguentou e interrompeu.
- É que o que? – assim que adentrou a sala e viu o rosto daquela voz o reconheceu. Talvez de seus sonhos. “Quem é ele? Como pude sonhar com ele?” pensava enquanto se aproximava. – Vai dizer ou não? – continuou sem mudar o tom autoritário de sua voz.
- Sky. Digo. Majestade, — corrigiu — certeza de que quer participar desta conversa? – Lucky perguntou a olhando com ternura, ele tinha um brilho nos fios mais negros de seu cabelo provocado pela luz da lua que entrava pela única janela. – Se não quiser eu posso lhe por a par de tudo depois.
- Prefiro ficar e ouvir o que este mero camponês tem a dizer. – Gabriel olhava fixamente para os olhos de Sky, no momento brilhante e sem qualquer emoção.
- Sugiro irmos para a sala de reuniões, algo me diz que vai chover, e quero apreciar a clara visão dos raios que cairão. – ela começou a andar. – não se preocupem, iremos para a biblioteca da sala de reuniões, não iremos assustar nosso querido rapaz com as trovoadas assombrosas.
Na biblioteca da sala de reuniões os livros não eram lá muito organizados, distribuídos pelas estantes e sobre algumas pequenas mesas. Dirigiram-se a mesa maior, de mármore com tampo de vidro que se posicionava antes de uma grande estatua. O rapaz, ao olhar para Skylar pode ver as semelhanças da garota com a mulher da estatua, porem com mais frieza e sem a seriedade.
- Por que me olha assim? – ela perguntou irritada, curiosa e interessada.
- Pare Skylar. – repreendeu Gabriel. – Ande, sente-se e comece a dizer o que veio nos comunicar.
- Antes de começarmos, — interrompeu Sky que se ajeitava na mesa. – quero sua ficha completa – e apontou para o rapaz. Era possível ver a diversão em seus olhos, a ironia em seu sorrio um tanto torto que se contraia em apenas um canto da boca que ganhava um aspecto misterioso com a luminosidade dos raios da tempestade de se formara do lado de fora, porem sem qualquer barulho.
- Sim, como queira. – o rapaz manteve a coluna ereta e começou. – Meu nome é Raphael. Perdi todo o pouco que tinha no que vocês denominaram “catástrofe”, inclusive meus pais. Tenho meus quase 22 anos, virgem – ele parou ao ouvir uma risada abafada e pode ver os rostos curiosos e o divertimento da garota que caiu em gargalhadas. – meu signo, sou virginiano. – disse indignado. – já fui um guerreiro do exercito de seu pai antes de ele morrer e hoje sou apenas um servo na colheita. – finalizou.
- Interessante, agora diga-nos, o que sabes? – Lucky disse transbordando ansiedade.
- Antes! – Sky interrompeu novamente. – Mulher? Filhos? Namorada? Noiva? Namorado? Alguém por quem lutar já que não possui família.
- Sem qualquer tipo de relacionamento, majestade. – disse Raphael sem paciência.
- As perguntas do Show acabaram Skylar? – perguntou Gabriel irritado.
- Por enquanto sim, prossigam. – ela disse calmamente.
- Bom. Como vim dizer majestade Skylar. Seu irmão voltou. – Raphael disse com um pequeno sorriso – na realidade, ele já voltou.
- O que? – Skylar riu de nervoso. – É impossível. Meu irmão morreu, eu o vi morrer. – Skylar entrou em desespero com a notícia. Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro. “não, não, não, ele morreu, está morto. Meu irmão está morto. Eu o vi. Eu o vi” repetia em sua mente sem querer acreditar no que o estranho lhe contara.
- Ele morreu na minha frente. – Luke disse – Gabriel organizou a cerimônia.
- Luke está certo. – disse Gabriel – Como é possível que esteja nos dizendo à verdade Raphael?
Todos surpresos quando Skylar foi ao chão impedida pelos braços de seu meio-irmão. Os homens a sua volta formaram um pequeno circulo, ela caiu nos braços de Lucky e por La ficou até ser transportada para outra realidade. Ela havia desmaiado.
“Tudo estava claro. As paredes pareciam emitir luz e brilho. estava sentada em uma bela cadeira de leitura dourada como seu trono. Era possível ouvir um homem, cuja voz parecia se direcionar a ela.
- Você ficou realmente abalada ao saber de seu irmão. Saiba que o que lhe disse é a mais dolorosa, horrenda e pura verdade. – ela o encarava espantado sem entender o que acontecia.
Aquele lugar uma casa antiga, sua antiga casa, ela ainda não conseguia compreender como sonhava com Raphael e mesmo querendo acreditar que era um sonho tinha plena certeza que não era.
- Sei que está confusa – ele continuou – não só em relação a seu irmão, mas a nós também. Não se lembra de mim por que a fizeram esquecer. Seu irmão voltou Skylar. Você sabe o motivo, só não se lembra, mas sabe. Lembre-se Skylar. Lembre-se. “
-... Ela vai acordar e voltar a gritar conosco como sempre. Acalme-se. – Sky ouviu ao se aproximar da porta.
- Lucky tem razão. – ela adentrou a biblioteca. – Não deve se preocupar tanto assim comigo.
- Como você desmaia por quase três dias e acorda assim, como se nada tivesse acontecido? – ela estava com uma roupa típica de caça. Os cabelos castanhos em um coque bagunçado, botas que lhe cobria ate os joelhos com um pequeno salto que a deixava alta e graciosa.
- Por que estas roupas Skylar? – Perguntou Lucky.
- Você não gosta que eu o chame de Luckas certo? Então não me faça perguntas tolas Lucky. Estou com roupas escuras, o que significa para você? Para mim quer dizer caçada. Então o que parece que vou fazer?
- Não deve e nem vai caçar. Há gente que faça isso por você. – Gabriel comunicou como se ela não soubesse. Pelo menos lhe parecia que não.
- Gabriel, Gabriel. – ela tinha um sorriso no rosto que intrigava Gabriel por não conseguir lê-la com o sorriso sem emoção daquela forma. – São ótimos caçadores, mas não confio em muitos deles. Principalmente quando a caça é o meu irmão.
- Enlouqueceu maninha? Sky, você não pode sair assim sem mais nem menos! – disse Lucky com espanto.
- Já estou pronto Skar. – anunciou Raphael na porta da sala gracioso em um uniforme marinho tão escuro que se confundia com o preto e rosto iluminado pelos clarões da tempestade que continuava lá fora.
- Skar? – debochou Lucky. – Sério? Sky o que está acontecendo aqui? Quanto tempo tem que você acordou?
- Importa? Não! – ela respondeu à própria pergunta. – o que importa é que está tudo pronto. E querido irmão, independente de você ir ou não, eu vou!
- Só espere-nos. Vamos nos vestir e nos preparar. Não é Gabriel?
- Sim Lucky. – disse Gabriel sem escolha.
- Sábia decisão. Esperamos vocês garotos. – disse saindo seguida por Raphael.
- Para onde vamos?
- Para que quer saber? – ela o olhou – Não sabemos bem. – ela voltou a guardar as armas. Raphael porem observava uma flecha amarela. – è para os corvos – avisou.
- Eu sei. Onde esta Luckas? – perguntou Raphael a Gabriel, porem não o olhava, olhava Skylar. – Pode me dar essa espada? – perguntou se referindo à arma preta na mão da garota na tentativa de disfarçar o fato de observá-la.
- Não, — ela negou – fique com essa, — ela lhe entregou outra e viu Lucky chegar. – Está estonteante maninho.
Lucky estava com as mãos nos bolsos da calça escura, um coturno. Camisa azul que se encontrava por baixo de um casaco com touca e uma jaqueta.
- Quem deveria fazer elogios assim sou eu. E não, não estou, pareço seu ex emo que chorava mais que uma criança que o bichinho morre.
- Eu vou ignorar o fato de vossa majestade ter namorado um emo. – disse Raphael. – Vamos indo?
- Quem nos guiara será Raphael. Eu dou as ordens por aqui, vocês não são obrigados a concordar, mas eu não vou nem ouvir quaisquer pedidos de vocês.
- Que graça de Irmã a minha. – ele deu um sorriso amarelo e recebeu língua de Skylar.
- Devo dizer que não será rápido, breve e muito menos fácil... – disse Raphael.
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