Libra: O equilíbrio dos mundos.
1 A porta aberta.
Notas iniciais
Seria uma noite normal na Metrópole se o céu não carregasse a premissa de um futuro conturbado, as nuvens violetas traziam o perigo tóxico enquanto passos apressados ressoavam nas calçadas, seguindo o alarme sonoro todos procuravam um abrigo antes que fossem atingidos pelo mal da chuva. Não demorou e as primeiras gotas ácidas começaram a cair, uma imagem linda que ao mesmo tempo despertava o sentimento de incapacidade humana diante de Gaia.
Apenas mais um entre a multidão, Edgar foi o primeiro a notar aquela silhueta fina e comprida que os observava na varanda do décimo andar de um prédio, a garota que não se importava com a vermelhidão na pele causada pela água maculada logo chamou a atenção dos demais, primeiro estendendo os braços como alguém que deseja tocar o céu e depois se lançando ao ar pedindo que o vento a levasse.
Aquela havia sido a primeira vez que Edgar viu a jovem, a primeira de muitas, seu rosto foi estampado nas capas de anúncios e em manchetes da televisão, não por ser o suicido numero quatorze apenas naquela semana ou por sua beleza fenomenal, mas por seu sangue, o mesmo sangue do senador que contava sonhos de ser o próximo presidente, agora estava espalhado pelas ruas da cidade causando espanto a todos.
A mídia não perdoava, logo surgiram os boatos de que a jovem participara dos Anim, o tipo mais detestável de opositores do governo. Jovens usando mascaras de animais e que iam contra o pensamento uniforme da sociedade eram considerados pragas, até mesmo se um desses jovens for a filha falecida de um herói da republica.
O dia seguinte parecia que nunca iria terminar. Por mais que Ed gostasse do senador, ele e a mídia transformaram a tragédia em uma alavanca politica tão elaborada que faria o mais radical opositor questionar se votar naquele homem não seria o melhor para a comunidade.
Andando enquanto olhava para os próprios pés e ouvindo suas musicas no maior volume possível ele conseguia se distanciar de tudo, no caminho um forte cheiro de flores havia tomado seu nariz, o garoto só tinha sentido isso uma vez, na casa de sua falecida avó que optara por morar no campo, enquanto erguia a cabeça procurando a fonte do aroma seus olhos esbarraram numa imagem conhecida, a mesma silhueta daquela noite de chuva estava parada diante dele, a moça de cabelos negros e olhos castanhos esverdeados parecia surpresa com a troca de olhares e sem se mexer desapareceu quando a multidão na calçada impediu a visão de Edgar.
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