Libido
1 Prefácio
"A vida não é um tempo para se divertir". Este lema foi a pedra angular sobre a qual edificou-se toda a minha educação. Diversão não te faz passar de série, diversão não acrescenta no currículo e, por último e mais importante, diversão não abre as portas do Céu. Que prazer pode ser maior que conhecer a Palavra e ter a certeza de um futuro próspero a curto e longo prazo?
Apesar da criação em rédeas curtas, eu era feliz. Meu mundo se resumia ao caminho entre o colégio e a minha casa. Não me foram apresentadas as tentações da vida... Quanto aos chamados "populares", destes eu tinha ódio. Tinha o prazer de ser o contrário deles. Por que iria querer me igualar a estes imundos que se divertiam ao me humilhar? Não, eu preferia exaltar toda a minha personalidade (por mais que apenas eu o fizesse), e esperar pelo dia em que eles precisassem de mim. Quando eles implorassem por um emprego, pensava eu, seria minha vez de humilhá-los. De todos os mandamentos, amar ao próximo parecia o mais difícil. Mas minha família discursava ódio a todos que fugissem à regra, então este não deve ser assim tão importante. Além do mais, eu tenho o meu orgulho. Amá-los seria desprezar-me, e amar a mim mesmo também é um mandamento, certo? A culpa do meu ódio era toda deles. Odiava qualquer um que tivesse intenso gozo da vida, pois os meus opressores o tinham, então todos os demais seriam igualmente cruéis e desprezíveis. Você deve ter percebido, pelo tempo empregado aos verbos, que não mais penso desta forma. É, meu caro... a vida às vezes dá uma lição na gente. Alguns dizem que é Karma... Eu digo que é um lindo garoto, pecador dos pés até o cacho mais alto, mas que me ensinou a amar como religião alguma jamais conseguiu.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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