Libido

22 Capítulo 20


Notas iniciais
Depois da demora, aniversário de dois anos dessa fanfic e nenhuma explicação, voltamos à programação normal. O capítulo demorou mais que o previsto, uma vez que estou revisando os capítulos anteriores e precisava que nesse não houvesse conflitos com essas modificações que estão em curso e muito menos que desestruturassem a história num geral. Mudanças virão, já começou pela capa. Segundo motivo era a faculdade e o trabalho, mas enfim, vamos a leitura. P.s: Observem bem o capítulo, gosto de dar uma de Marina Joyce e deixar pedidos de ajuda escondidos. P.s²: Esse capítulo também só foi realizado graças a ajuda da minha beta/companheira/conselheira Sabrina. Muito obrigada por revisar esse capítulo.

O telefone tocou e encarei Regina antes de me movimentar para atende-lo.‭ ‬Sua reação foi mais estranha do que meu celular tocando‭ ‬àquela hora da madrugada.‭ ‬Aquela vadia do inferno estava me escondendo alguma coisa,‭ ‬eu queria respostas e as teria de qualquer jeito.

Sentia por aquela mulher algo bem próximo do que se pode considerar gostar de alguém,‭ ‬além do sentimento único e restrito que nutria por mim mesmo.‭ ‬Nunca iria mudar minhas atitudes egoístas por sua causa,‭ ‬mas poderia no mínimo repensa-las e me arrepender delas,‭ ‬cogitar que ela estava me enganando de alguma forma me inervava.

Levantei desajeitadamente da cama,‭ ‬procurando o maldito telefone que tocava de forma incessante.‭ ‬O encontrei debaixo da cama,‭ ‬pouco me importando como foi parar ali.

‭"‬Alô‭" ‬falei a contragosto assim que o peguei.‭ ‬Vi o nome que brilhava na tela dentro do quarto escuro e sabia que era algum problema.

‭"‬Meu filho‭" ‬escutei a voz do outro lado sair trêmula e abafada.‭ ‬Ela estava mais uma vez entregue ao sentimentalismo barato e a esperança que eu voltasse aos seus braços como na parábola do filho prodigo e esse era mais um motivo para me inervar.‭ ‬Não odiava minha mãe,‭ ‬mas também era inexistente aquele laço único que só é explicado pela socialização da espécie humana.‭ ‬Era como se eu fosse um filhote de um gato,‭ ‬que teve a sua cria e parou de se importar ali como a natureza manda,‭ ‬mas parecia que‭ ‬minha mãe não se importava com meus desejos e ainda me procurava.‭ "‬Seu irmão...‭" ‬voltou a falar e eu tive certeza que David estava novamente no hospital.

‭"‬Continue...‭"

"Ele caiu e se machucou bastante‭" ‬explicou de forma resumida.‭ ‬Esse foi o sinal que me‭ ‬fez ter certeza que havia mais merda escondida e que David estava fodido.‭ ‬Não que essa última parte não fosse algo agradável,‭ ‬e era,‭ ‬mas saber que eu teria que limpar as cagadas que meu irmão mais novo fez pela milésima‭ ‬vez deixava tudo um pouco menos feliz.

‭"‬E o que eu tenho a ver com esse assunto‭?" ‬questionei,‭ ‬já sabendo a resposta.

‭"‬Você sabe muito bem que eu não sei nada sobre a parte burocrática e Astrid muito menos‭"

Eu sabia muito bem disso,‭ ‬afinal meus conhecimentos nessa área me rendem um belo dinheiro na minha conta bancária proveniente dos vínculos contratuais com a editora e também com minha mãe.

‭"‬Estou indo‭" ‬me rendi cansado.‭ ‬Do outro lado da linha pude sentir um suspiro aliviado.‭ ‬Entretanto ao contrário de qualquer filho ligado à mãe,‭ ‬em vez‭ ‬de ficar feliz revirei os olhos,‭ ‬imaginando a expressão patética que ela devia aparentar.

Sem ao mesmo esperar seus costumeiros‭ '‬obrigadas‭'‬,‭ ‬desliguei o telefone,‭ ‬muito mais preocupado em como sair de casa sem precisar explicar a situação do D.A.

A questão era que Regina era inteligente demais para acreditar em qualquer coisa que não tivesse qualquer embasamento mínimo.

Ainda podia sentir que estava me fitando,‭ ‬esperando qualquer tipo de movimento meu.‭ ‬Qualquer movimento ou palavra errada que saísse de minha boca‭ ‬teria como consequências longas explicações e demonstrações da minha desconfiança.

‭“‬Quem era‭?‬” Finalmente perguntou.‭ ‬Se ajeitou na cama e acendeu a luminária que estava inutilizada ao lado da cama,‭ ‬sentando-se de frente a mim.‭ ‬A falha fonte de luz‭ ‬fazia com que suas íris mesclassem entre o negro e o castanho,‭ ‬fazendo assim que não pudesse ler o que elas diziam,‭ ‬teria que interpretar seus mais sutis movimentos.

‭“‬Teve um problema numa conta,‭ ‬os clientes são japoneses e eu preciso resolver isso‭ ‬antes que amanheça aqui e anoiteça lá‭”‬ expliquei‭ ‬“Se as informações erradas forem para o sistema deles e lançadas,‭ ‬o escritório pode ter sérios problemas‭”

Seus olhos seguiam qualquer mudança em minha respiração,‭ ‬enquanto se sentava na cama para olhar mais de perto.‭

Agora as posições se inverteram e meu papel,‭ ‬antes de acusador,‭ ‬agora era de acusado.‭ ‬Mas‭ ‬nesse papel eu já havia estado muitas vezes e no tribunal e sabia interpreta-lo muito bem até uma nova reviravolta e era isso que iria fazer.

‭“‬Tem um ditado que você sempre repete:‭ ‬Se quer algo bem feito,‭ ‬faça você mesmo‭”‬ disse,‭ ‬enquanto a observava.

‭“‬Então,‭ ‬vai demitir seus empregados‭?‬” lançou-me a pergunta,‭ ‬sabendo da minha falta de paciência para irresponsabilidades.

‭“‬Talvez‭”‬ respondi‭ ‬“Mas talvez a culpa não seja deles,‭ ‬eu que me descuidei,‭ ‬não os acompanhei tão de perto‭”‬ enfatizei as últimas palavras da frase‭ ‬“Mas enfim,‭ ‬quer tomar banho comigo‭?‬” tratei de mudar de assunto,‭ ‬antes de cair no campo perigoso dos diálogos acusatórios.

Um sorriso sacana foi pintado em seus lábios em meros segundos passados.‭ ‬Um sorriso conhecido e normal no rosto,‭ ‬parecia que nada de anormal havia ocorrido entre nós há poucos minutos atrás.‭ ‬Isso fez com que me questionasse se algo realmente estava estranho com ela ou se era mais um delírio construído pela minha mente‭ ‬apoderada pela irracionalidade da‭ ‬possessividade.‭ ‬Mas ele‭ ‬se desfez na mesma velocidade na qual apareceu.

‭“‬Se eu for junto,‭ ‬não vai tomar banho‭”‬ argumentou,‭ ‬dando uma piscadela que pareceu fora do lugar,‭ ‬exatamente como todos os seus outros gestos naquela noite.

Sorri,‭ ‬falso,‭ ‬agora me dirigindo ao banheiro.‭ ‬Entrei no box,‭ ‬liguei o chuveiro e deixei os pensamentos contendo todas as peças dos comportamentos estranhos de Regina se encaixarem dentro da minha cabeça.

Tinha algumas opções e a mais óbvia era que ela estava me traindo,‭ ‬ou se não estava,‭ ‬planejava ou o fizera.

As outras se resumiam a ela querer se divorciar ou então sua mãe tinha voltado a retomar contato.‭ ‬Lidar com Cora Mills sempre tinha como efeito sua filha ter enormes crises existenciais,‭ ‬que somente podiam ser curadas com trabalho duro,‭ ‬sexo,‭ ‬bebidas e viagens.‭ ‬O problema era que minha esposa estava travando com sexo e o casamento do meu irmão mais novo impediria a viagem,‭ ‬uma vez que George iria precisar da minha ajuda de alguma forma e não poderia me recusar a dar o que ele pedisse.

Se aquela vadia realmente havia me traído,‭ ‬minhas suspeitas somente poderiam ser direcionadas‭ ‬a uma pessoa:‭ ‬David.

Eu sempre o achei um banana que não teria coragem de fazer qualquer movimento que seja para tocar em Regina além do‭ ‬sociável,‭ ‬porém existia alguma coisa que me alertava que mesmo sem coragem ainda resistia uma vontade de tê-la,‭ ‬nem que fosse por uma única vez.‭ ‬Sempre foi um péssimo perdedor.

Entretanto‭ ‬meu‭ ‬cérebro entrava em conflito,‭ ‬pois não conseguia ver Regina Mills-Nolan se entregando a um covarde,‭ ‬principalmente se não ganhasse nada com isso,‭ ‬e provavelmente orgasmos eram um preço muito pequeno dentro de sua tabela,‭ ‬acostumada com diamantes,‭ ‬viagens e cargos.

Todavia,‭ ‬meu irmão continuava sendo a possibilidade mais viável,‭ ‬tendo em vista à ligação de hoje e toda essa merda que aconteceu.‭ ‬Ele poderia estar tentando algo e minha esposa sabiamente estaria usando isso ao seu favor.‭ ‬Minha mente só não conseguia maquinar o real motivo disso.

Na realidade,‭ ‬David e Regina sem qualquer tipo de interesse financeiro não era aceito pelos meus neurônios.

A única certeza que eu tinha,‭ ‬além das milhares de‭ ‬especulações de cenário,‭ ‬era que tinha algo muito errado.

Desisti de criar teorias naquele banheiro,‭ ‬as respostas viriam com a minha visita ao meu irmão e‭ ‬então tratei de terminar meu banho.

Sai enrolado na toalha,‭ ‬e assim que finalmente cheguei ao quarto,‭ ‬pude perceber que os olhos da minha esposa estavam vidrados em mim.‭ ‬Mais uma vez,‭ ‬deu seu sorriso sacana e continuava-me a parecer errado,‭ ‬diferente do habitual.

Fui até o meu armário,‭ ‬procurando uma calça jeans e uma camisa que logo encontrei.‭ ‬Seu rosto,‭ ‬quando o resolvi encarar,‭ ‬exibia uma expressão confusa.

‭“‬Não vai de terno‭?‬” finalmente me perguntou.

‭“‬Não‭”‬ ri,‭ ‬formulando uma resposta convincente‭ “‬Pretendo voltar para casa logo e não darei nenhuma reunião online,‭ ‬não acho que precise,‭ ‬não é mesmo‭?‬” Não tinha a menor necessidade de me arrumar como para um dia de trabalho para resolver os pequenos‭ ‬inconvenientes causados por David.

Ela deu uma risada e caminhou ate mim,‭ ‬tocando meu peito‭ ‬“Tudo bem,‭ ‬vou tomar meu banho agora‭”‬ e mordeu meu lábio inferior.‭ ‬Naquele instante,‭ ‬não podia saber se ela era uma ótima atriz ou uma ótima esposa.

‭***
Lucrezia.

Eu estava sentada em seu quadril.‭ ‬Sua‭ ‬pélvis encontrava minha bunda em cada instante em que minha boceta mergulhava em seu pênis.‭ ‬Podia sentir suas mãos em minha cintura me encaminhando para seu membro pulsante,‭ ‬ao mesmo tempo em que fechei meus olhos e pendi a cabeça para‭ ‬trás,‭ ‬formando um ângulo de‭ ‬120°‭ ‬perfeito,‭ ‬aonde cada ponto que desejava era tocado.

‭“‬Puta merda,‭ ‬Lucrezia‭”‬ gemeu,‭ ‬apertando ainda mais minha cintura.

Dei uma risada,‭ ‬que morreu,‭ ‬deixando assim como único som na sala,‭ ‬o barulho da minha bunda indo de encontro à sua bacia.

Soltei um gemido‭ ‬sôfrego,‭ ‬assim que ele soltou minha cintura e foi direto para o meu cabelo,‭ ‬inclinando-me para frente,‭ ‬a fim de encontrar seus lábios.‭ ‬Fiz o que foi implicitamente pedido,‭ ‬enfiei minha língua com vontade,‭ ‬e com isso,‭ ‬a outra mão que antes permanecia em meu tronco,‭ ‬resolveu se embrenhar em meio à minhas coxas,‭ ‬e foi aonde eu desejava mais,‭ ‬meu clitóris.

Tremi com a sensação do polegar colocando a pressão certa naquele ponto,‭ ‬e então comecei a minha busca por ar,‭ ‬todavia que ele mantinha a língua dentro da minha garganta.‭ ‬Quando não pude mais,‭ ‬me separei de sua boca e soltei um gemido alto e rouco quando aumentou seus movimentos no seu grelo.

A mão que antes prendia meu cabelo foi ao meu peito,‭ ‬o apertando.‭ ‬Com isso,‭ ‬senti ainda mais tremores transpassarem por todo meu corpo e me apertei mais ainda ao redor daquele pau que parecida ficar mais inchado,‭ ‬centímetro por‭ ‬sentimento dentro de mim.

‭“‬Me fode porra‭”‬ gritei entre dentes,‭ ‬mordendo meu lábio inferior e voltando à minha antiga posição‭ ‬“Isso‭! ‬Que merda,‭ ‬mais forte‭”‬ incitei.

‭“‬Rebola.‭ ‬Porra...‭ ‬rebola‭”‬ disse,‭ ‬num misto de ordem e‭ ‬súplica.‭ ‬Demorei um pouco,‭ ‬mas logo fiz o que falou.‭ ‬Rebolei ainda mais e seus movimentos no meu clitóris se tornaram ainda melhores,‭ ‬deixando minha visão turva.

Sai de seus‭ ‬domínios,‭ ‬e perdi seus toques em meio às minhas coxas,‭ ‬todavia sabia que era o melhor.‭ ‬O pênis saiu completamente de dentro de mim,‭ ‬duro e cheio dos meus fluídos na camisinha,‭ ‬para logo depois enterra-lo de novo.‭

“Caralho‭”‬ sua voz saiu rouca e seus olhos azuis estavam agora vidrados em mim.‭ ‬Seu polegar voltou ao seu local de destaque,‭ ‬meu clitóris,‭ ‬e eu vi estrelas.

Meu corpo,‭ ‬em reflexo,‭ ‬se pendeu totalmente ao dele.‭ ‬Meu corpo sofreu um pequeno espasmo e o orgasmo transpassou meu corpo,‭ ‬que respondeu com uma mordida em seu ombro.‭

“Lucrezia,‭ ‬merda‭" ‬Claramente meu orgasmo teve efeitos imediatos no seu pau,‭ ‬que se enterrou mais em mim.‭ ‬Instantes mais tarde,‭ ‬ouvi um urro que foi o sinal claro que havia gozado.
Rolei para a cama,‭ ‬me desvencilhando do seu corpo suado e dando longas respirações.‭ ‬Minha visão periférica observou um sorriso orgulhoso de trabalho bem feito.

‭“‬Sabe,‭ ‬foi um dos melhores sexos na minha vida‭”‬ começou‭ ‬“Mas quando não é quando eu fodo com você‭?‬” me perguntou,‭ ‬retoricamente.

Não pude deixar de gargalhar o máximo que meu corpo cansado me permitia‭ ‬“Eu sei disso,‭ ‬Jones‭”‬ afirmei,‭ ‬presunçosa.

Killian Jones era gostoso,‭ ‬íntegro,‭ ‬tinha uma história de amor conturbada e um emprego exótico.‭ ‬Um perfeito protagonista para meus romances.‭ ‬Ele tinha sido o protagonista de um,‭ ‬mas a editora estava pedindo uma continuação por conta do final‭ ‬ambíguo e agora,‭ ‬eu estava ali,‭ ‬aguentando suas histórias sobre algas e peixes,‭ ‬afim de buscar inspiração.‭ ‬O problema era que o máximo do meu conhecimento sobre vida aquática,‭ ‬era sobre a minha vida de piranha,‭ ‬porém não sabia se isso poderia ser considerado.

Não que ele não fosse interessante,‭ ‬mas minha alma era livre demais para ficar presa na mesmice da vida de Nemo do Jones.

Senti seus dedos em meu‭ ‬estômago,‭ ‬formando‭ ‬círculos invisíveis na pele ao redor do umbigo,‭ ‬que subia e descia.

‭“‬Vou tirar isso aqui‭”‬ apontou pra camisinha‭ ‬“E tomar um banho.‭ ‬Vem comigo‭?‬” me convidou.

Balancei a cabeça em concordância,‭ ‬até sentir minha barriga dar nós de fome‭ ‬“Já vou,‭ ‬acho que pedirei uma pizza antes‭”‬ expliquei,‭ ‬sabendo muito bem que por conta das suas constantes viagens,‭ ‬comida não era um item propenso a estar em sua geladeira.‭

“Tudo bem‭”‬ se levou,‭ ‬me deixando com uma ótima visão da sua bunda‭ ‬“Pega meu celular,‭ ‬tem um aplicativo com os melhores restaurantes.‭ ‬Pede qualquer coisa.‭ ‬A senha é‭ ‬11245‭”

Não me surpreendi com a senha dada,‭ ‬era um costume normal entre nós.‭ ‬Ele me dava sua senha e eu o deixava a ver navios.

Mandei um beijinho,‭ ‬assim que ele se virou para me olhar antes de ir para o banheiro.‭ ‬Ele riu e finalmente se foi.

Peguei o celular que estava no criado-mudo de mogno ao lado da cama,‭ ‬digitei a senha rapidamente,‭ ‬mas antes que pudesse entrar no aplicativo,‭ ‬uma mensagem brilhou na tela e meu inconsciente fez o trabalho de clicar nela.

Vi o nome,‭ ‬e era de um amigo,‭ ‬que eu já tinha ouvido falar algumas vezes.‭ ‬Philipe e o‭ ‬conteúdo era:

Cara,‭ ‬você‭ ‬não sabe o que aconteceu.‭ ‬Vim ao hospital atrás da Aurora,‭ ‬e nos corredores ouvi que aquele herdeiro do mundo editorial está aqui,‭ ‬o tal David Nolan.‭ ‬Ela já tinha me comentado sobre ele e eu fiquei puto.‭ ‬Ela não está aqui.‭ ‬Será que tem algo a ver‭?‬

Assim que vi a conversa,‭ ‬Regina veio a minha mente.‭ ‬Não somente pelo ciúme doentio que o rapaz sentia,‭ ‬mas principalmente pela palavra hospital.‭ ‬Não era um bom sinal.‭ ‬O mais‭ ‬rápido‭ ‬possível,‭ ‬deletei a mensagem e pedi a pizza.‭

“Não vai vir‭?‬” ouvi Killian gritando do banheiro.

‭“‬Já estou indo‭”‬ disse de volta,‭ ‬ao mesmo tempo em que me pus a procurar meu celular.‭ ‬Demorei algum tempo,‭ ‬até que o encontrei dentro da bolsa.

O desbloqueei,‭ ‬e finalmente encontrei o contato da Mills e encaminhei a ligação.‭ ‬Alguns toques depois,‭ ‬fui recebida por uma voz muito mal humorada.

‭“‬Alô‭”‬ era obvio que estava irritada‭ ‬”Você sabe que horas são‭?‬”

“Tenho algo muito interessante pra te contar‭”

***

James

Dirigir de madrugada era uma ótima experiência para desestressar,‭ ‬mas ter conhecimento do meu destino final só me deixava mais irritado juntamente com as maquinações da minha mente sobre a minha mulher.

Cheguei ao hospital e estacionei em uma vaga qualquer.‭ ‬Conhecia o hospital como a palma da minha mão e quando estava na perto da recepção,‭ ‬vi minha mãe parada e sua postura demonstrava que permanecia ali me esperando.

‭“‬James‭”‬ me chamou,‭ ‬caminhando até a minha direção.‭ ‬Pude perceber que diferentemente das outras vezes,‭ ‬seus olhos tinham‭ ‬complacência em vez de desespero‭ ‬“Seu irmão vai ser operado‭”

Não tive nenhuma reação de imediato,‭ ‬na realidade,‭ ‬não me importava.‭ ‬Levei minha mão até o queixo,‭ ‬formulando uma resposta‭ ‬“Bem,‭ ‬isso torna a conta do hospital mais cara e meu trabalho fica maior‭”

Mamãe não soube o que responder,‭ ‬abrindo a boca,‭ ‬mas sem sair qualquer som.‭ ‬Ficava espantado como ela ainda tinha esperanças de que a abraçasse e dissesse que tudo ia dar certo.

‭“‬Pode ser.‭ ‬Outro assunto,‭ ‬espero que sua esposa não apareça‭”‬ informou-me.

‭“‬Por quê‭?‬” perguntei,‭ ‬tentando encaixar essa nova parte no quebra-cabeça das maquinações da minha mente.

‭“‬Seu trabalho está ficando maior James.‭ ‬Isso é de cunho pessoal,‭ ‬então se preocupe com ele,‭ ‬que isso eu resolvo‭”‬ decidiu,‭ ‬e dessa vez quem ficou sem palavras fui eu.

‭“‬Te deixei sem palavras,‭ ‬não foi‭?‬” perguntou,‭ ‬então continuei em silêncio e seu monólogo prosseguiu‭ ‬“Sabe de uma coisa...‭ ‬às vezes,‭ ‬os maiores gestos de uma mãe,‭ ‬são as palavras,‭ ‬ou melhor:‭ ‬o silêncio‭”

***
Eu podia sentir a ardência se apoderando da minha pele,‭ ‬me rasgando.‭ ‬Podia sentir a claridade em meus olhos,‭ ‬me cegando.‭ ‬Podia até ouvir vozes ao fundo,‭ ‬gritando meu nome e me pedindo para sair daqui,‭ ‬que iria me machucar.‭ ‬Entretanto nada era maior do que o desespero que se reivindicava‭ ‬em‭ ‬minha cabeça e meu coração,‭ ‬me afastando totalmente de qualquer‭ ‬resquício‭ ‬de sanidade.

“‬Mary Margaret‭”‬ gritei a plenos pulmões‭ ‬“Emma‭”

Mas não havia nada,‭ ‬além do silêncio.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Criticas, sugestões e ameaças podem ser dadas ao meu twitterzinho: @fckingcross ^- hahaha acabou o mistério.