Libido
22 Capítulo 20
Notas iniciais
O telefone tocou e encarei Regina antes de me movimentar para atende-lo. Sua reação foi mais estranha do que meu celular tocando àquela hora da madrugada. Aquela vadia do inferno estava me escondendo alguma coisa, eu queria respostas e as teria de qualquer jeito.
Sentia por aquela mulher algo bem próximo do que se pode considerar gostar de alguém, além do sentimento único e restrito que nutria por mim mesmo. Nunca iria mudar minhas atitudes egoístas por sua causa, mas poderia no mínimo repensa-las e me arrepender delas, cogitar que ela estava me enganando de alguma forma me inervava.
Levantei desajeitadamente da cama, procurando o maldito telefone que tocava de forma incessante. O encontrei debaixo da cama, pouco me importando como foi parar ali.
"Alô" falei a contragosto assim que o peguei. Vi o nome que brilhava na tela dentro do quarto escuro e sabia que era algum problema.
"Meu filho" escutei a voz do outro lado sair trêmula e abafada. Ela estava mais uma vez entregue ao sentimentalismo barato e a esperança que eu voltasse aos seus braços como na parábola do filho prodigo e esse era mais um motivo para me inervar. Não odiava minha mãe, mas também era inexistente aquele laço único que só é explicado pela socialização da espécie humana. Era como se eu fosse um filhote de um gato, que teve a sua cria e parou de se importar ali como a natureza manda, mas parecia que minha mãe não se importava com meus desejos e ainda me procurava. "Seu irmão..." voltou a falar e eu tive certeza que David estava novamente no hospital.
"Continue..."
"Ele caiu e se machucou bastante" explicou de forma resumida. Esse foi o sinal que me fez ter certeza que havia mais merda escondida e que David estava fodido. Não que essa última parte não fosse algo agradável, e era, mas saber que eu teria que limpar as cagadas que meu irmão mais novo fez pela milésima vez deixava tudo um pouco menos feliz.
"E o que eu tenho a ver com esse assunto?" questionei, já sabendo a resposta.
"Você sabe muito bem que eu não sei nada sobre a parte burocrática e Astrid muito menos"
Eu sabia muito bem disso, afinal meus conhecimentos nessa área me rendem um belo dinheiro na minha conta bancária proveniente dos vínculos contratuais com a editora e também com minha mãe.
"Estou indo" me rendi cansado. Do outro lado da linha pude sentir um suspiro aliviado. Entretanto ao contrário de qualquer filho ligado à mãe, em vez de ficar feliz revirei os olhos, imaginando a expressão patética que ela devia aparentar.
Sem ao mesmo esperar seus costumeiros 'obrigadas', desliguei o telefone, muito mais preocupado em como sair de casa sem precisar explicar a situação do D.A.
A questão era que Regina era inteligente demais para acreditar em qualquer coisa que não tivesse qualquer embasamento mínimo.
Ainda podia sentir que estava me fitando, esperando qualquer tipo de movimento meu. Qualquer movimento ou palavra errada que saísse de minha boca teria como consequências longas explicações e demonstrações da minha desconfiança.
“Quem era?” Finalmente perguntou. Se ajeitou na cama e acendeu a luminária que estava inutilizada ao lado da cama, sentando-se de frente a mim. A falha fonte de luz fazia com que suas íris mesclassem entre o negro e o castanho, fazendo assim que não pudesse ler o que elas diziam, teria que interpretar seus mais sutis movimentos.
“Teve um problema numa conta, os clientes são japoneses e eu preciso resolver isso antes que amanheça aqui e anoiteça lá” expliquei “Se as informações erradas forem para o sistema deles e lançadas, o escritório pode ter sérios problemas”
Seus olhos seguiam qualquer mudança em minha respiração, enquanto se sentava na cama para olhar mais de perto.
Agora as posições se inverteram e meu papel, antes de acusador, agora era de acusado. Mas nesse papel eu já havia estado muitas vezes e no tribunal e sabia interpreta-lo muito bem até uma nova reviravolta e era isso que iria fazer.
“Tem um ditado que você sempre repete: Se quer algo bem feito, faça você mesmo” disse, enquanto a observava.
“Então, vai demitir seus empregados?” lançou-me a pergunta, sabendo da minha falta de paciência para irresponsabilidades.
“Talvez” respondi “Mas talvez a culpa não seja deles, eu que me descuidei, não os acompanhei tão de perto” enfatizei as últimas palavras da frase “Mas enfim, quer tomar banho comigo?” tratei de mudar de assunto, antes de cair no campo perigoso dos diálogos acusatórios.
Um sorriso sacana foi pintado em seus lábios em meros segundos passados. Um sorriso conhecido e normal no rosto, parecia que nada de anormal havia ocorrido entre nós há poucos minutos atrás. Isso fez com que me questionasse se algo realmente estava estranho com ela ou se era mais um delírio construído pela minha mente apoderada pela irracionalidade da possessividade. Mas ele se desfez na mesma velocidade na qual apareceu.
“Se eu for junto, não vai tomar banho” argumentou, dando uma piscadela que pareceu fora do lugar, exatamente como todos os seus outros gestos naquela noite.
Sorri, falso, agora me dirigindo ao banheiro. Entrei no box, liguei o chuveiro e deixei os pensamentos contendo todas as peças dos comportamentos estranhos de Regina se encaixarem dentro da minha cabeça.
Tinha algumas opções e a mais óbvia era que ela estava me traindo, ou se não estava, planejava ou o fizera.
As outras se resumiam a ela querer se divorciar ou então sua mãe tinha voltado a retomar contato. Lidar com Cora Mills sempre tinha como efeito sua filha ter enormes crises existenciais, que somente podiam ser curadas com trabalho duro, sexo, bebidas e viagens. O problema era que minha esposa estava travando com sexo e o casamento do meu irmão mais novo impediria a viagem, uma vez que George iria precisar da minha ajuda de alguma forma e não poderia me recusar a dar o que ele pedisse.
Se aquela vadia realmente havia me traído, minhas suspeitas somente poderiam ser direcionadas a uma pessoa: David.
Eu sempre o achei um banana que não teria coragem de fazer qualquer movimento que seja para tocar em Regina além do sociável, porém existia alguma coisa que me alertava que mesmo sem coragem ainda resistia uma vontade de tê-la, nem que fosse por uma única vez. Sempre foi um péssimo perdedor.
Entretanto meu cérebro entrava em conflito, pois não conseguia ver Regina Mills-Nolan se entregando a um covarde, principalmente se não ganhasse nada com isso, e provavelmente orgasmos eram um preço muito pequeno dentro de sua tabela, acostumada com diamantes, viagens e cargos.
Todavia, meu irmão continuava sendo a possibilidade mais viável, tendo em vista à ligação de hoje e toda essa merda que aconteceu. Ele poderia estar tentando algo e minha esposa sabiamente estaria usando isso ao seu favor. Minha mente só não conseguia maquinar o real motivo disso.
Na realidade, David e Regina sem qualquer tipo de interesse financeiro não era aceito pelos meus neurônios.
A única certeza que eu tinha, além das milhares de especulações de cenário, era que tinha algo muito errado.
Desisti de criar teorias naquele banheiro, as respostas viriam com a minha visita ao meu irmão e então tratei de terminar meu banho.
Sai enrolado na toalha, e assim que finalmente cheguei ao quarto, pude perceber que os olhos da minha esposa estavam vidrados em mim. Mais uma vez, deu seu sorriso sacana e continuava-me a parecer errado, diferente do habitual.
Fui até o meu armário, procurando uma calça jeans e uma camisa que logo encontrei. Seu rosto, quando o resolvi encarar, exibia uma expressão confusa.
“Não vai de terno?” finalmente me perguntou.
“Não” ri, formulando uma resposta convincente “Pretendo voltar para casa logo e não darei nenhuma reunião online, não acho que precise, não é mesmo?” Não tinha a menor necessidade de me arrumar como para um dia de trabalho para resolver os pequenos inconvenientes causados por David.
Ela deu uma risada e caminhou ate mim, tocando meu peito “Tudo bem, vou tomar meu banho agora” e mordeu meu lábio inferior. Naquele instante, não podia saber se ela era uma ótima atriz ou uma ótima esposa.
***
Lucrezia.
Eu estava sentada em seu quadril. Sua pélvis encontrava minha bunda em cada instante em que minha boceta mergulhava em seu pênis. Podia sentir suas mãos em minha cintura me encaminhando para seu membro pulsante, ao mesmo tempo em que fechei meus olhos e pendi a cabeça para trás, formando um ângulo de 120° perfeito, aonde cada ponto que desejava era tocado.
“Puta merda, Lucrezia” gemeu, apertando ainda mais minha cintura.
Dei uma risada, que morreu, deixando assim como único som na sala, o barulho da minha bunda indo de encontro à sua bacia.
Soltei um gemido sôfrego, assim que ele soltou minha cintura e foi direto para o meu cabelo, inclinando-me para frente, a fim de encontrar seus lábios. Fiz o que foi implicitamente pedido, enfiei minha língua com vontade, e com isso, a outra mão que antes permanecia em meu tronco, resolveu se embrenhar em meio à minhas coxas, e foi aonde eu desejava mais, meu clitóris.
Tremi com a sensação do polegar colocando a pressão certa naquele ponto, e então comecei a minha busca por ar, todavia que ele mantinha a língua dentro da minha garganta. Quando não pude mais, me separei de sua boca e soltei um gemido alto e rouco quando aumentou seus movimentos no seu grelo.
A mão que antes prendia meu cabelo foi ao meu peito, o apertando. Com isso, senti ainda mais tremores transpassarem por todo meu corpo e me apertei mais ainda ao redor daquele pau que parecida ficar mais inchado, centímetro por sentimento dentro de mim.
“Me fode porra” gritei entre dentes, mordendo meu lábio inferior e voltando à minha antiga posição “Isso! Que merda, mais forte” incitei.
“Rebola. Porra... rebola” disse, num misto de ordem e súplica. Demorei um pouco, mas logo fiz o que falou. Rebolei ainda mais e seus movimentos no meu clitóris se tornaram ainda melhores, deixando minha visão turva.
Sai de seus domínios, e perdi seus toques em meio às minhas coxas, todavia sabia que era o melhor. O pênis saiu completamente de dentro de mim, duro e cheio dos meus fluídos na camisinha, para logo depois enterra-lo de novo.
“Caralho” sua voz saiu rouca e seus olhos azuis estavam agora vidrados em mim. Seu polegar voltou ao seu local de destaque, meu clitóris, e eu vi estrelas.
Meu corpo, em reflexo, se pendeu totalmente ao dele. Meu corpo sofreu um pequeno espasmo e o orgasmo transpassou meu corpo, que respondeu com uma mordida em seu ombro.
“Lucrezia, merda" Claramente meu orgasmo teve efeitos imediatos no seu pau, que se enterrou mais em mim. Instantes mais tarde, ouvi um urro que foi o sinal claro que havia gozado.
Rolei para a cama, me desvencilhando do seu corpo suado e dando longas respirações. Minha visão periférica observou um sorriso orgulhoso de trabalho bem feito.
“Sabe, foi um dos melhores sexos na minha vida” começou “Mas quando não é quando eu fodo com você?” me perguntou, retoricamente.
Não pude deixar de gargalhar o máximo que meu corpo cansado me permitia “Eu sei disso, Jones” afirmei, presunçosa.
Killian Jones era gostoso, íntegro, tinha uma história de amor conturbada e um emprego exótico. Um perfeito protagonista para meus romances. Ele tinha sido o protagonista de um, mas a editora estava pedindo uma continuação por conta do final ambíguo e agora, eu estava ali, aguentando suas histórias sobre algas e peixes, afim de buscar inspiração. O problema era que o máximo do meu conhecimento sobre vida aquática, era sobre a minha vida de piranha, porém não sabia se isso poderia ser considerado.
Não que ele não fosse interessante, mas minha alma era livre demais para ficar presa na mesmice da vida de Nemo do Jones.
Senti seus dedos em meu estômago, formando círculos invisíveis na pele ao redor do umbigo, que subia e descia.
“Vou tirar isso aqui” apontou pra camisinha “E tomar um banho. Vem comigo?” me convidou.
Balancei a cabeça em concordância, até sentir minha barriga dar nós de fome “Já vou, acho que pedirei uma pizza antes” expliquei, sabendo muito bem que por conta das suas constantes viagens, comida não era um item propenso a estar em sua geladeira.
“Tudo bem” se levou, me deixando com uma ótima visão da sua bunda “Pega meu celular, tem um aplicativo com os melhores restaurantes. Pede qualquer coisa. A senha é 11245”
Não me surpreendi com a senha dada, era um costume normal entre nós. Ele me dava sua senha e eu o deixava a ver navios.
Mandei um beijinho, assim que ele se virou para me olhar antes de ir para o banheiro. Ele riu e finalmente se foi.
Peguei o celular que estava no criado-mudo de mogno ao lado da cama, digitei a senha rapidamente, mas antes que pudesse entrar no aplicativo, uma mensagem brilhou na tela e meu inconsciente fez o trabalho de clicar nela.
Vi o nome, e era de um amigo, que eu já tinha ouvido falar algumas vezes. Philipe e o conteúdo era:
Cara, você não sabe o que aconteceu. Vim ao hospital atrás da Aurora, e nos corredores ouvi que aquele herdeiro do mundo editorial está aqui, o tal David Nolan. Ela já tinha me comentado sobre ele e eu fiquei puto. Ela não está aqui. Será que tem algo a ver?
Assim que vi a conversa, Regina veio a minha mente. Não somente pelo ciúme doentio que o rapaz sentia, mas principalmente pela palavra hospital. Não era um bom sinal. O mais rápido possível, deletei a mensagem e pedi a pizza.
“Não vai vir?” ouvi Killian gritando do banheiro.
“Já estou indo” disse de volta, ao mesmo tempo em que me pus a procurar meu celular. Demorei algum tempo, até que o encontrei dentro da bolsa.
O desbloqueei, e finalmente encontrei o contato da Mills e encaminhei a ligação. Alguns toques depois, fui recebida por uma voz muito mal humorada.
“Alô” era obvio que estava irritada ”Você sabe que horas são?”
“Tenho algo muito interessante pra te contar”
***
James
Dirigir de madrugada era uma ótima experiência para desestressar, mas ter conhecimento do meu destino final só me deixava mais irritado juntamente com as maquinações da minha mente sobre a minha mulher.
Cheguei ao hospital e estacionei em uma vaga qualquer. Conhecia o hospital como a palma da minha mão e quando estava na perto da recepção, vi minha mãe parada e sua postura demonstrava que permanecia ali me esperando.
“James” me chamou, caminhando até a minha direção. Pude perceber que diferentemente das outras vezes, seus olhos tinham complacência em vez de desespero “Seu irmão vai ser operado”
Não tive nenhuma reação de imediato, na realidade, não me importava. Levei minha mão até o queixo, formulando uma resposta “Bem, isso torna a conta do hospital mais cara e meu trabalho fica maior”
Mamãe não soube o que responder, abrindo a boca, mas sem sair qualquer som. Ficava espantado como ela ainda tinha esperanças de que a abraçasse e dissesse que tudo ia dar certo.
“Pode ser. Outro assunto, espero que sua esposa não apareça” informou-me.
“Por quê?” perguntei, tentando encaixar essa nova parte no quebra-cabeça das maquinações da minha mente.
“Seu trabalho está ficando maior James. Isso é de cunho pessoal, então se preocupe com ele, que isso eu resolvo” decidiu, e dessa vez quem ficou sem palavras fui eu.
“Te deixei sem palavras, não foi?” perguntou, então continuei em silêncio e seu monólogo prosseguiu “Sabe de uma coisa... às vezes, os maiores gestos de uma mãe, são as palavras, ou melhor: o silêncio”
***
Eu podia sentir a ardência se apoderando da minha pele, me rasgando. Podia sentir a claridade em meus olhos, me cegando. Podia até ouvir vozes ao fundo, gritando meu nome e me pedindo para sair daqui, que iria me machucar. Entretanto nada era maior do que o desespero que se reivindicava em minha cabeça e meu coração, me afastando totalmente de qualquer resquício de sanidade.
“Mary Margaret” gritei a plenos pulmões “Emma”
Mas não havia nada, além do silêncio.
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