Libido

15 Capítulo 13


Notas iniciais
Feliz 2015! Espero que gostem da atualização ^-

Fitei James, sabendo que deveria ter uma expressão horrorizada em meu rosto. Engoli a seco, esperando gritos ou qualquer pergunta acusatória do meu marido, por conta do meu comportamento nos últimos dias, principalmente sexual. Entretanto de tudo que havia imaginado, ele fez totalmente ao contrário, sorrindo de forma cafajeste pra mim, mostrando os perfeitos dentes brancos.

"Eu não imaginei que chegaria em casa e teria uma surpresa tão agradável" falou, tirando o paletó e o pendurando, antes de ser aproximar de mim.

Pisquei um pouco, antes de que meu reflexo tomasse a decisão por mim e afastasse meu corpo do dele. Desviei totalmente de sua aproximação, me levantando da cama e buscando o robe que fora outrora jogado no chão. Me vesti, com vergonha de mim mesma.

"Volta aqui amor, se estava com tanto tesão, por quê não me esperou?" perguntou, curioso.

Soltei um suspiro, sem saber o que poderia responder. Não podia simplesmente chegar e falar:

"Não te esperei porque estava curiosa demais para usar o vibrador que seu irmão me presenteou. Aliais me masturbei pensando nele, não só nele como em você.

Por que essa cara espantada? Não é normal uma mulher pensar no marido juntamente com o cunhado socando fundo dentro dela? Ao mesmo tempo, devo reforçar"

"Justamente por isso, porque meu tesão estava demais" respondi finalmente, usando meu melhor tom despreocupado.

"Está assim, pelo motivo de não me deixar tocar em você" resmungou, frustrado.

"Talvez eu tenha um motivo" rebati, enquanto me despia para tomar um banho gelado.

"Algo inventado pela sua cabeça" pude perceber que gritou, porque mesmo abafado pela porta, o tom da sua voz estava alto.

"Não importa!"

"Sinceramente" James começou "faça o que quiser. Estou aguentando seu comportamento por algum tempo, cansei. Irei dormir no quarto de hospedes"

Fiquei em silêncio até ouvir a porta bater em um ruído alto, logo depois entrando debaixo da ducha fria, tentando lavar a confusão em que minha mente estava.

***

Dormir sem James ao meu lado fora extremamente desconfortável. Extremamente desconfortável não pois ter uma cama king size somente para mim não fora nada mal, na realidade estranho.

Ignorei a sensação, focando em como seria minha próxima conversa com ele, além de ignorar o relógio que marcava um pouco mais de nove da manhã. O horário avançado fazia com que não fosse proveitoso ir antes das 1:00pm para editora, então peguei meu celular que estava do criado mudo ao lado da cama e digitei uma mensagem para Cara, mandando cancelar qualquer compromisso que eu tivesse.

Levantei-me da cama de forma lenta, indo até o banheiro fazer a higiene matinal. Tomei um banho morno, logo em seguida escovando os dentes. Fui até o meu armário para escolher o que eu usaria, decidi por uma blusa de coloração perolada com uma calça social preta e saltos.

Estava enrolada na toalha ainda pegando o resto do que iria vestir, quando a campainha tocou. Hesitei por alguns segundos, sabendo que a diarista não estaria aqui nesse horário e por isso eu teria que ir atender. Caminhei até a porta, indo em direção ao olho mágico para saber quem era, dependendo de quem fosse, nem mesmo me daria ao trabalho de falar que não podia atender.

Entretanto para minha surpresa, no outro lado da porta estava Lucrezia, que olhava para minha direção, com os olhos cor de mel atentos, quase como se pudesse ver como eu estava.

Sem mais delongas abri a porta, e fui recebida por um sorriso malicioso de minha amiga assim que me analisou.

"Acho que cheguei em boa hora" falou, entrando sem a menor cerimônia. Ela estava vestida com um conjunto de saia e blazer negros, que realçava seu colo além das pernas que tinha.

Balancei a cabeça, incrédula com a sua atitude, ainda que a conhecesse muito bem.

"Bom dia para você também" disse, tentando repreender sua falta de educação "O que faz aqui?"

"Bem, você demoraria muito até me ligar e marcar algo. Queria saber os detalhes, o mais rápido possível" soltou um risada pelo nariz "Então, como dizem: "Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé" " recitou o ditado, sentando-se no meu sofá.

"Vou me aprontar, depois descemos até o café que tem aqui perto e conversamos" expliquei meu plano, mas vi uma carranca se formar em seu rosto. Lucrezia tinha atitudes de adolescente rebelde, apesar de sua idade.

"Não, você vai sentar aqui" começou, enquanto cruzava as pernas e bateu de leve com a mão no sofá "E me explicar. Depois você se arruma querida, além do mais, não é como se eu não tivesse visto muito mais que isso"

Revirei os olhos, e ignorei sua ordem mas senti um toque em meu braço sendo seguido por um puxão. Meu braço serviu de alavanca para meu corpo literalmente despencar no sofá. Eu havia esquecido a força da minha amiga.

"Anda logo Regina" falou em um beicinho.

Soltei um suspiro, exausta pelo ataque de "Sou a Miss pré-adolescente" da mulher ao meu lado, e então resolvi saciar sua curiosidade.

"Tudo bem" comecei e vi um sorriso aparecer no canto de sua boca "Primeiro, eu saí do restaurante possessa, territorial sobre ele" falei territorial para não usar ciumenta "O procurei na editora, mas ele não estava lá. Com isso fui até seu prédio, menti para o porteiro, dizendo que era a sem sal da secretária dele. O porteiro acreditou e me deixou subir" tomei um pouco de ar para ter coragem de falar a parte mais complicada da história "E quando o vi, meu auto controle se esvaiu, e nós fodemos contra a parede"

"Nossa" sua expressão impressionada saiu um tanto falsa, era mais curiosidade analítica

"Logo depois, eu corri" ouvi sua risada "Ele foi atrás de mim. Nós estávamos em uma escada, e alí um pensamento bastante idiota de dar algo que me marcasse para sempre veio na minha mente, e por puro instinto eu fiz" não precisei continuar pois já havia dito essa infame parte para ela .

Lucrezia balançou a cabeça, fazendo seu cabelo loiro cortado em um channel reto se movimentar.Foi um gesto claro para que eu continuasse.

Tremi um pouco quando um vento frio transpassou o ressinto e ricocheteou em minha pele ainda morna pelo banho. Engoli a seco " Depois fui conversar com um amigo, Daniel" lembrei que ela conhecia minha longa história com o padre "Após isso, fui para editora mas infelizmente após algumas horas, o vi e sem surpresa nenhuma, discutimos" pude vê-la revirar os olhos com a obviedade da minha história "mas ele em resposta, me deu um presente"

Ao ouvir a última parte, ela ajeitou a postura em curiosidade.

"Ele me deu um conjunto de lingerie da La Perla¹" tomei mais um pouco de ar "E um vibrador"

Vi a boca de Lucrezia formar um "O" perfeito, logo depois observar sua cabeça pender pra trás e ouvir uma risada sair de sua garganta.

"Isso é quase como os contos eróticos que encontro da internet" falou, olhando para mim enquanto recuperava a compostura "Não, melhor. Digno de Anais Nin²"

"Agora, posso ir me arrumar?" perguntei, quase constrangida. Quase.

Ela balançou a cabeça em discordância, me olhando novamente de forma analítica com seus grandes olhos cor de mel.

"Algo me diz que há mais alguma coisa" deixou o rosto mais próximo do meu, em uma distância ridícula "Você foi orgulhosa demais e não usou, ou..."

Esse era o ruim de ser amiga de uma escritora, elas sempre sabem aonde há uma história para se contar.

"Eu usei" admiti

"E.." ela levantou a sobrancelha, esperando que eu continuasse.

"Foi uma experiência maravilhosa. Eu me imaginei transando com James e David, e foi estranho mas delicioso" soltei toda a frustração que estava em mim.

Vi um sorriso se formar no rosto da loira ao meu lado.

"O problema é que James viu, pelo menos um parte" expliquei "E eu não quis transar, faz um tempo que não temos nada" soltei um suspiro cansado "Parece que David drenou minha vontade de transar, de gozar com outras pessoas"

Lucrezia arqueou a sobrancelha, tentando processar o que eu havia dito. Aparentemente ela não ficou crédula com a minha afirmação. Ela soltou um suspiro, antes de se aproximar e mordiscar meu maxilar.

Suas mãos suaves e cálidas que no momento anterior perdiam em seu colo, agora exploravam minhas coxas descobertas.

Minha respiração descompensou, assim como comecei a piscar rapidamente. A atitude de Lucrezia era anormal, até mesmo para seu comportamento anormal habitual.

"O que-" comecei a falar, mas senti sua boca subir seu caminho até a minha. Seus lábios tocaram os meus, com a delicadeza na medida certa.

Sua língua se embrenhou na costura dos meus lábios, pedindo passagem, que eu insanamente dei. Sua mão esquerda fora das minhas pernas para meus seios, que eram apalpados alternadamente.

Soltei um gemido, e puxei seu cabelo loiro para que ela viesse de encontro a mim.

Não satisfeita, Lucrezia começou a me provocar, fazendo círculos na parte de dentro das minhas coxas, que foram fechadas em um movimento. Mas a força dela sempre fora subestimada mais uma vez.

Sua mão continuou a investida, e seus dedos finalmente chegaram a minha umidade. Abri as pernas para lhe dar acesso ao que queria, e ela então entendeu o recado, abrindo meus lábios vaginais com dois dedos.

"Caralho" rebolei minha pélvis em encontro aos seus dedos que provocaram espasmos em meu corpo apenas com a fricção.

Algumas gotículas de suor começaram a melar minha pele, assim como Lucrezia largou minha boca e foi então rumo ao meu pescoço, despejando beijos na região esporadicamente.

Seu polegar agora apertava meu clitóris com a precisão, junto com seus dentes que passeavam em meu pescoço criavam uma sensação quase insuportável, além da mão que apertava meus seios.

Ofeguei, sentindo meu orgasmo chegar entretanto Lucrezia também percebeu e retirou os dedos da minha boceta e a mão do meio seio direito.

"PUTA QUE PARIU!" falei, irritada e excitada.

Vi um sorriso malicioso brotar no canto dos seios lábios enquanto ela se afastava, para logo depois colocar na boca os dedos que antes estavam na minha vagina. Logo depois ela limpou os lábios, e se virou para mim com os olhos brilhando.

"Sinceramente, acabei de botar por terra sua teoria" falou casualmente "Não é que você não tenha desejo, é que você se sente muito culpada e o reprime"

"Desde quando virou psicóloga?" perguntei sarcástica, tentando me recuperar do ocorrido.

"Não sei, talvez desde que você começou a esfregar suas coxas como um animal no cio porque quase te levei ao orgasmo" respondeu, apontando pra mim.

Fiz uma carranca, que foi recebida por ela com um sorriso.

"Não fale como se eu fosse a mãe dos monstros em seu armário. Eu quis provar meu ponto, pronto" explicou, mas sua frase me deu um clique que eu havia esquecido de uma coisa importante.

Levantei-me e fui em direção à cozinha.

"Hey" ouvi seu protesto ao longe.

"Vou tomar meu anticoncepcional" expliquei, para evitar que me seguisse, a menos que fosse terminar o que já havia começado na sala.

Peguei o remédio que estava dentro de uma das gavetas, para logo depois pegar um copo de água. O ingeri, ainda que sem vontade, sabendo que era necessário. Ser mãe não era mais uma possibilidade para mim desde que percebi que seria igual a minha mãe.

Imaginei por alguns segundos o quão miserável seria a vida de uma criança comigo, biológica ou adotada. Eu não tinha nenhuma condição psicológica, e muito menos James, que também não queria filhos, pelo menos por agora.

Lembrei de minha mãe gritando ensandecida pela Champs-Élysées³ enquanto a revista fazia um photo shoot para a edição de junho. Eu tinha sido muito ingênua de achar que ela ficaria realmente naquela casa de repousos para idosos com doenças mentais na Carolina do Norte. Se ela havia me ensinado como colocar desafetos nesse tipo de lugar, era porque sabia muito bem como sair.

Balancei a cabeça, saindo dos meus devaneios e voltando para a sala, afim de avisar a Lucrezia que ia pro quarto me arrumar, entretanto o som do meu celular rompeu o silêncio e fui até a sala sem falar nada com a minha amiga. Quando vi na tela quem era, franzi o cenho.

"Alô" disse em uma saudação seca.

A mulher do outro lado da linha despejou tudo que tinha que falar de maneira rápida, me deixando confusa e com dor de cabeça.

"O que aconteceu com Henry?"

Notas finais
¹ La perla: Loja de lingeries de alta custura, com diversas filiais por todo mundo ² Anais Nin (21/02/1903-14/01/1977) Autora de diversos livros, inclusive o erótico Delta de Vênus ³ Champs-Élysées- A mais famosa avenida de Paris por ter diversas lojas de luxo, além da sua localização que liga o Arco de Triunfo à Place de la Concorde Espero que gostem e quais pergunta nos comentários e/ou na ask