Libido

12 Capítulo 10


Notas iniciais
Esse capítulo é curtinho mas com bastante significado para o futuro da história. Não deixem de ler ^-

Caminhei para fora daquele prédio, tonta. Cada célula do meu corpo doía como o inferno e a vontade de dormir me dominava, entretanto eu não podia fazer aquilo.

Pude sentir o olhar julgador do velho porteiro, enquanto eu pedia um táxi mas tentei ignorar.

Depois de entrar no veículo, me dirigi ao motorista.

“Para a catedral” disse, com sofreguidão por conta da dor.

Ele olhou para meu rosto com pena e voltou a dirigir

****

Desci do táxi e olhei com hesitação para o prédio. A vontade de entrar lá era nula mas eu precisava encontrar a paz com que estava lá dentro. Eu odiava igrejas desde que minha mãe se tornara uma beata e me colocara para rezar ajoelhada no milho ou no colégio de freiras, ainda que estudar lá fora uma boa fase da minha vida, em comparação ao que vivia em casa.

Estudei o local, e tomei uma última respiração profunda antes de entrar. A igreja era ampla, com afrescos bonitos de alguns séculos passados porém não era nisso que eu estava focada na figura que estava de costas para mim, parecendo observar algo no altar.

Andei em direção a ele, ainda que com dificuldade. Sua batina ainda era estranha para mim, mas tentei esquecer isso e focar em seu corpo.

Como quando éramos adolescentes, coloquei ambas as mãos em seus olhos.

“Advinha” sussurrei contra sua orelha.

“Regina” falou, rindo da minha atitude infantil “É impossível não saber que é você”

“Eu fico lisonjeada” respondi, rindo esquecendo por poucos segundos a dor.

“Agora”começou “acho que já pode desvendar meus olhos”

Fiz o que pediu, deixando meus braços ao lado do meu corpo e o observando se virar. Seus olhos azuis ainda eram do tom escuro que eu me apaixonei, seu cabelo castanho caía sobre sua testa e seu maxilar ainda era forte e quadrado. Era o cara que fez por tanto tempo meu coração disparar, e agora o enchia de paz.

“Para vir aqui, aconteceu algo importante” pontuou “Vamos conversar?”

Bati meus pés no piso de madeira, ainda me surpreendendo pelo quão ele me conhecia.

“Conversar ou confessar?” o provoquei.

“O que você quiser” me respondeu, rindo.

“Até uma rapidinha no confessionário?”

“Regina, cala a boca!” falou, rindo do meu jeito “Vamos nos sentar e conversar como adultos que somos”

Juntei meus lábios, lembrando da dor que viria quando me sentasse.

“Você tem ibuprofeno?”

***

“Eu sinto sua falta” falei, enquanto assistia Daniel se movimentar pelo seu dormitório. O local era pequeno mas aconchegante, sempre gostei conversar com ele ali.

“Eu também” me disse, olhando com os olhos preocupados depois de me dar o remédio que pedi “Você sempre será uma pessoa importante para mim”

“Eu sei disso” sorri “É engraçado que eu imaginava que nós iriamos nos casar e ter uma dúzia de filhos, mas em vez disso você me comeu e virou padre”

Daniel abriu a boca em choque, eu ainda tinha o ponto de surpreende-lo. Depois de alguns segundos, ele olhou para mim de um jeito quase repressor.

“Há algo errado, você sempre abaixa o nível quando está triste ou com medo de alguma coisa”

Engoli a seco pelo tanto que me conhecia.

“Aham.. tem algo errado” comecei “Nunca faça anal sem ao menos um cuspe”

Ele passou a mão direita pelo cabelo castanho, sem palavras.

“Regina...” começou, com pena no olhar e eu odiei aquilo “Você sabe que eu estou aqui para o que precisar, mas agindo como uma criança não posso”

Fechei os olhos, o sentimento de culpa invadindo minha mente.

“Desculpa. Eu só não sei o que fazer” declarei, frustrada.

“Algo com a sua mãe? Ela voltou e..” tentou adivinhar, sem sucesso.

Soltei um suspiro “Nada disso, eu só estou envolvida na maior merda da minha vida”

“Maior que quando transou comigo?”

Ri, pelas sua escolha de palavras

“Maior que isso, apesar que transar com um garoto num colégio de freiras seja uma merda muito grande, e memorável”

“Por favor, abra seu coração para mim”

“Eu gostaria de abrir minhas pernas, mas agora você é padre. E você não quer verdadeiramente saber o que aconteceu”

“Quero sim.O que houve?”

“Eu traí meu marido”

Daniel assentiu, me encorajando a continuar.

“E eu não creio que vou parar de traí-lo” disse o que estava em minha mente desde que transei com David no hospital “Porque simplesmente minha mente grita por James e meu corpo me puxa pro David”

Ele franziu a testa, se recordando do nome “Espera...David não é seu cunhado?”

Confirmei com a cabeça, envergonhada, algo que não sentia há muito tempo.

“É uma merda. No começo sempre foi tesão, forte. Era uma vontade de ser fodida por ele, porque era para eu encontra-lo e não a James anos atrás mas agora um sentimento estranho me domina quando estou com ele e eu não quero essa merda em mim”

“Regina,e seu marido?” perguntou.

“Não é que não sinta nada pelo James, eu sinto. Eu gosto quando ele me fode, quando me elogia, quando estou com a sua boca na minha. Mas nunca foi insano, louco. Ele tem o controle dos sentimentos dele e eu dos meus. Só que ele é minha calmaria mas no momento eu só quero ir com essa correnteza louca. Eu lembro de quando minha mãe soube que eu estava com ele, ela apesar de tudo sentiu orgulho de mim. Toda vez que olho para ele, lembro da minha mãe sorrindo verdadeiramente pra mim depois de anos”

“E continua sendo uma merda, porque eu deveria ser fiel a ele, mas não consigo. É uma merda porque eu já senti isso antes, e você me deixou porque tinha um ideal melhor pra sua vida. É uma merda porque EU NÃO CONSIGO TER O CONTROLE” gemi, frustrada.

Percebi a compaixão nos olhos de Daniel, eu já havia visto isso diversas vezes e nunca era bom: Quando briguei com a minha mãe e ganhei minha cicatriz, quando ele disse que seria padre, quando meu pai morreu e eu chorei em seus braços.

“Sentir algo por alguém não é ruim, Regina” falou, pegando suas mãos nas minhas, me trazendo uma paz para meu coração.

“Não pra mim, eu quero o tesão, eu quero o fogo mas não quero meu coração envolvido nessa merda” gritei, com as lágrimas invadindo meus olhos.

Ele dessa vez não falou nada, apenas me tomou em meus braços enquanto eu ainda que relutante, chorava.

Notas finais
Gostaram? Não? Espero estar respeitando a relação entre Regina e James :)