Libido
7 Capítulo 6- Parte I
Notas iniciais
Uma vez meu pai quando eu era pequeno me disse que toda atitude tinha dupla reação, uma de quem estava envolvido, outra do universo. Quando se tem quatro anos, o sentido daquilo é quase nulo, mas aos 32 comecei a entender o conteúdo daquele discurso.
O bar estava a meia luz e eu havia bebido minha terceira dose de rum, e era uma merda.
Essa era a reação do destino à minha cara de quem havia acabado de foder, a reação da pessoa envolvida foi uma completa falta de interesse sobre métodos contraceptivos.
A vida é uma cadela, mas Regina Mills é mais.
O tom de voz dela foi tão metódico quanto seus movimentos enquanto se arrumava, e provavelmente deve ter me achado um piegas por me preocupar com camisinha.
Filha da mãe
Olhei para baixo e avistei meu capitão animado. Minha ereção era como aquela maldita cicatriz em raio do Harry Potter, por mais que eu disfarça-se ela aparecia e fodia a minha vida.
As imagens de Regina debaixo de mim, e a sensação de seu osso pélvico contra o meu, que ainda queimava sob meu terno caro, não ajudavam nada em acabar com a continência do meu amigo. Mandei diversas ordens de "Meia volta, volver" para ele, que ignorou por completo.
Meu telefone começou a vibrar no bolso da calça, e eu profundamente quis que fosse alguma atendente querendo me oferecer qualquer serviço e não outra pessoa ligada a mim, para que eu tivesse que dar uma ou duas palavras a mais. O peguei, e nem me importei em olhar no visor quem era, apenas deslizei a tecla e uma voz familiar encheu meus ouvidos.
"Alô"
"Hey mãe" comecei, meio mal por meu tom não estar como costumava, tudo não era mais que um suspiro sem ânimo. Minha mãe apesar de todo o amor que tem por mim, nos últimos dois anos deixou de me ligar com frequência, principalmente depois que contratei uma enfermeira, Astrid, para cuidar dela por conta dos problemas cardíacos recorrentes "Tudo bem?"
"Ah..." ela soltou, pude perceber que sua respiração estava ruidosa, mau sinal.
"Fala, por favor" soube que pude soar bêbado, foda-se, só estou preocupado com ela e potencialmente bêbado.
"Foi só um susto" respondeu curtamente e meu peito se apertou em medo.
"Não, a última vez que a senhora tentou apaziguar o que sentia, teve um infarto!" Meu tom saiu como repressor, exatamente como queria. Lembrei de quando eu tinha um encontro com a megera indomada e minha mãe sofreu um infarto, não consegui falar com Regina a tempo e então pedi pra James, que sabia que por conta dos problemas com nossa mãe não iria ao hospital visita-la.
"Querido" agora Ruth Nolan falava comigo como quando eu tinha seis anos e tentava entender porque o céu é azul "Astrid já me trouxe ao hospital e estou devidamente medicada".
"Porra, vou matar a Astrid e depois demiti-la" Astrid é a enfermeira da minha mãe, uma sujeita com menos de quarenta anos e simpática, ex-freira que largou a batina por um sujeito tão boa pessoa quanto ela, Leroy. A conheci depois de uma temporada no hospital quando ela ainda era freira, a mulher sempre me apoiou mesmo sem me conhecer bem, lembrei de quando me ajudou a esconder que eu não estava tomando os anti-depressivos, me senti meio mal por dirigir essa fúria à ela "E como a senhora está me ligando?" franzi o cenho.
"Peguei o celular dela" ela explicou.
"Ah" minha mãe sempre foi engenhosa, diferentemente de mim que sempre fora impulsivo "Estou indo agora!" anunciei "Vou chamar um táxi e logo estou aí"
"Vá pra casa querido, tome um banho e um café forte" ordenou e eu franzi o cenho "você está bêbado" disparou, num tom longe do acusatório.
Respirei fundo, sabendo que mesmo nervoso e querendo saber o que se passava com minha mãe, ir semi bêbado não ajudaria muito.
"Tudo bem" soltei um suspiro "Vou tentar chegar o mais rápido possível"
***
Tomei meu banho, curei-me do estado em que me encontrava com um bom anti-acido, um banho gelado e algumas xícaras de café amargo. Tomei um táxi e me dirigi ao hospital mais rápido que esperava.
Fui na recepção para encontrar uma recepcionista irritada por trabalhar no turno da noite.
"No que eu poderia ajudar?" me perguntou, apesar de sua expressão mostrar que pouco se importava com o que eu queria.
"Estou procurando uma paciente, Ruth Nolan" falei, olhando para a mulher que estava sentada. Ela tinha olhos claros e com o cabelo claro presso num coque "Sou seu filho" peguei meus documentos e apresentei para que verificasse, ela o fez e após procurar rapidamente em algum arquivo no computador a sua frente me olhou novamente.
"Ela está aqui, num quarto. Não está no horário de visitas, porém como o turno está calmo não há problemas " disse, buscando alguém para me levar para o local certo, até que avistou um enfermeiro moreno e acenou para que ele viesse até ela "Billy, leve-o até o quarto 234 e busque quem atendeu a paciente Ruth Nolan"
Ele acenou com a cabeça e começou a andar, sem mais opções o segui de perto pelo ambiente conhecido, quando finalmente chegamos ao quarto e ele o abriu, onde pude ver minha mãe adormecida com Astrid ao seu lado segurando sua mão.
Adentrei o quarto, olhando para ela tentando descobrir o que aconteceu, quando segundos depois senti alguém atrás de mim e me virei, olhando para uma jovem de cabelos acobreados, estatura baixa e olhos azuis claros, que vestia um jaleco, provavelmente a médica.
"Olá" me deu um sorriso e apertou minha mão "Sou Aurora Masen, a cardiologista que atendeu sua mãe, Sr. Nolan"
"Obrigada por isso, doutora" respondi e olhei ao redor, dando um sinal para Astrid se retirar, o que ela fez de imediato.
"Como eu falei para a acompanhante que acabou de sair, sua mãe teve um aumento da pressão arterial e logo depois uma queda brusca, foi bom ela ter buscado o hospital, ainda não sabemos a causa por isso a deixamos aqui em observação e em um quarto porque o ambiente da emergência pode ser estressante" Doutora Aurora me explicou, verificando o relógio em seu pulso.
"Entendo" fiz um sinal em concordância "E muito obrigada por me deixar visita-la fora do horário"
"Não foi nada" deu um sorriso e mordeu o lábio inferior enquanto ajeitou o cabelo, hum.. flerte? "Sempre achei que o apoio familiar é bem importante para a recuperação do paciente"
"Isso é realmente verdade" falei e lembranças incomodas invadiram a minha mente, em reação dei uma respiração longa para me livrar delas, o que foi percebido pela mulher a minha frente.
"Dia difícil?" perguntou com uma leve preocupação brilhando em seus olhos.
"Aham..."
"Vem" pegou meu braço e abriu a porta "Vamos tomar um café"
"E minha mãe?" questionei
"Vai continuar dormindo por enquanto, tentou permanecer acordada por muito tempo esperando sua visita, está cansada e a acompanhante pode ficar com ela"
Sem mais o que fazer, me deixei levar até fora do pequeno quarto, passando por Astrid que esperava e dando um aceno que significava que poderia voltar a sua posição anterior. Preferi adiar minha conversa com ela até que minha mente estivesse totalmente limpa do efeito do rum.
***
"O café daqui está bem melhor do que da última vez" falei, colocando o copo vazio na mesa da cantina.
"Só o café, o chocolate quente é mais aguado que o soro que damos aos pacientes" Aurora disse, rindo.
Se passou meia hora desde que deixamos o quarto e nos primeiros dez minutos esquecemos as formalidades e fomos para os primeiros nomes.
Dei uma risada baixa, enquanto olhava para a jovem médica a minha frente. Eu estava completamente errado, bebendo e brincando quando minha noiva estava a milhas longe de mim.
Mas eu havia traído ela também... uma conversa amigável com uma mulher não iria machuca-la mais do que já a machuquei.
"Teve uma vez que-" tentou começar uma história, quando de repente um zumbido varreu o ar e ela tirou seu celular do bolso do jaleco e se afastou para atender dando um sinal de desculpas.
Alguns minutos se passaram e pude ouvir um "Te amo Phillip", antes dela desligar o aparelho celular e voltar à mesa.
"Era meu noivo" disse, colocando uma mecha solta do cabelo atrás da orelha "Ele é um pouco ciumento, mas uma ótima pessoa"
"Compreensível" apontei, percebendo agora a aliança que brilhava em sua mão.
"A sua noiva também é ciumenta?" perguntou, apontando para minha aliança.
"O que??"
"Ah desculpe, pela aliança pensei que fosse noivo, ou é? Seu companheiro é ciumento?"
Soltei uma gargalhada pelo questionamento, após alguns segundos limpei minha garganta para responde-la "É noiva, e não, ela não é ciumenta. Faz pouco tempo em que uso a aliança, então demoro a assimilar que sabem do meu compromisso"
Vi Aurora esboçar um sorriso compreensivo, antes de acenar para a garçonete pedindo outro café. "Eu também era assim" começou, dando uma pausa dramática "porém percebi o quão enorme é o diamante que Phillip, meu noivo, colocou em meu dedo, parei de estranhar esse tipo de reação"
"Era de se esperar, você é uma mulher bonita Aurora" completei e ela deu um sorriso.
"Obrigada pelo elogio, mas ter ciúmes até das minhas amigas é algo meio insano"
"Realmente não é algo agradável, mas ultimamente as mulheres estão apaixonadas por um tipo Christian Grey" argumentei vendo seu rosto contorcer em uma careta.
"Não sou desse tipo" começou "E nem sabia que conhecia esse tipo de leitura"
"Quando se trabalha com livros, se conhece todo tipo de leitura"
"Livros?" perguntou com os olhos arregalados, parecendo se lembrar de algo "Espera... você é o presidente da Editora Nolan?"
Neguei com a cabeça e desviei o foco do meu olhar, falar da riqueza da minha família e não do meu trabalho sempre me deixava constrangido "Não sou presidente, apenas sócio majoritário. Deixei o cargo com Marco, grande amigo da família e um dos fundadores da editora"
"Ele também é um dos sócios?"
"Na realidade, não" ponderei um pouco antes de continuar saciando suas dúvidas "Ele teve uns problemas pessoais e resolveu vender as ações para minha mãe, que as comprou por um valor exorbitante para a época"
"Então você paga para alguém fazer o trabalho que é seu?" ergueu uma sobrancelha em descrença.
"Pode parecer coisa de menino mimado mas ainda não me vejo presidente de uma editora de escala mundial. Me sinto melhor na criação das artes das capas"
"Você faz as artes?"
"Não sozinho, criamos um departamento para isso. Muitas editoras contratam artistas e cada um faz uma arte porém na Nolan há um departamento que cria um conceito de acordo com o manuscrito, assim caso haja continuações, é muito mais fácil criar a nova arte" Expliquei, olhando para os olhos claros que brilhavam como de uma criança olhando para uma árvore de natal.
"Muito interessante, e você fala com paixão" sorriu, tocando meu braço "Gosto disso" salientou.
Ri, um pouco constrangido por ter explicado meu trabalho com tanto entusiamo.
"David" ouvi a voz de meu irmão ao longe e virei minha cabeça para olha-lo, não me livrando do carinho amigável de Aurora.
Ao vê-lo, meu foco foi totalmente para a mulher ao seu lado. Regina vestia um vestido vermelho, com a boca pintada no mesmo tom, seus cabelos que poucas horas atrás estavam meu meus dedos, agora arrumados e alinhados como sempre.
A Dama de ferro voltara.
Percebi que seu olhar foi até meu braço e avistou o carinho da medica para comigo.
Merda...
Ela ajeitou a postura, deixando seu corpo ainda mais ereto e seus seios fartos ainda mais inflados, o que me fez ficar com água na boca.
"Acho que terei que falar com ele, seu irmão, suponho" Aurora quebrou minha inércia diante a Regina.
"Aham..." Respondi me levantando, assim me afastando da carícia amigável por parte da médica, que caminhou em direção a James.
Pus-me de pé logo depois, e fui pelo mesmo caminho, cruzando os braços para encarar o par que me olhava com julgo.
"Como está nossa mãe?" perguntou James, apesar de quando estava conversando com ela apenas a chamava de Ruth, impessoal.
"Acho que deve perguntar a mim" Aurora se intrometeu em nossa conversa e pude perceber que meu irmão a encarou, quase debochando de sua pequena estatura, levemente aumentada pelo sapato com um pequeno salto "Doutora Aurora Masen" falou, estendendo a mão em um comprimento.
Vi meu irmão aceitar o comprimento, enquanto Regina me perfurava com seu olhar.
"James Nolan" disse "E então, como ela está?"
"Bem, mas eu prefiro dar o boletim em um lugar mais formal" pontuou Aurora e vi seu foco se direcionar a mim e logo depois a garçonete que nos traria mais uma rodada de café, gesticulando que não com a cabeça.
"Concordo"
Aurora então se virou de costas e começou a andar para fora da cantina, sendo seguida por meu irmão, que deixou a esposa parada.
"Regina" ele a chamou e ela continuou parada, olhando para mim.
"É melhor você ir, amor. Sua mãe não gosta muito da minha presença e não quero participar de uma piora em seu estado clinico" explicou, mas a palavra amor em sua explicação me deixou com um gosto amargo na garganta. Não era ciúme por amor e sim por orgulho. Quando transamos, fodemos, fazemos amor com alguém, se cria um sentimento ainda que passageiro de possessividade, e tal sentimento se apoderou de mim. Queria que fosse o único a faze-la gritar e estremecer, num orgasmo causado por mim.
James deu um aceno em compreensão, e continuou a seguir a médica corredor a dentro.
Fiquei frente a frente com Regina, sem saber o que falar, entretanto percebi que ela se encontrava na mesma situação que eu, e foi revigorante ver a poderosa Dama de ferro sem graça.
"Hey..." cumprimentei e a vi cruzando os braços em defesa e rolando os olhos.
"Vou embora, depois avise a seu irmão" falou, e começou a caminhar para longe.
"Não é melhor esperar até ele voltar? Garanto que não vai demorar" argumentei, não sabendo o motivo de querê-la perto.
"Provavelmente, porém não gosto de hospitais. E como pode garantir algo? A vadia de jaleco já te deu os horários?" senti o veneno dela escorrer em cada sílaba pronunciada. Ciúmes? Acho que posso lidar com isso.
"Doutora Aurora, Regina" corrigi, e ela movimentou o corpo como uma leoa está preparando o ataque à sua presa.
"Vadia de jaleco" retrucou, birrenta.
"Ciúmes?"
"Pelo amor de Deus, seu babaca egocêntrico. Você acha realmente que vou sentir ciúmes de você? Vá foder aquela garota, e esquece pelo menos por um dia que existo"
"Está agindo como se estivesse" sussurrei, com cautela para que ninguém além de nós ouvisse. Nossos corpos como se por força da atração, ficaram perigosamente próximos.
"Você não sabe o que estou sentindo ou não. Pare de pensar que é Deus, David. Não combina com seu tipo..."
"Estão, o que está sentindo? Me diz"
Ela fechou os olhos, e deixou a boca entreaberta em busca de um pouco de ar, ou somente para me provocar.
"Tesão"
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