Libido

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Infelizmente mais uma vez não consegui aumentar o capítulo. Talvez vocês se sintam mais a vontade com trilha sonora, que provavelmente será a do próximo capítulo também https://www.youtube.com/watch?v=OM22gCj84Yw

Kiss me in the d-a-r-k, dark tonight
(D-a-r-k, do it my way)
Kiss me in the p-a-r-k, park tonight
(P-a-r-k, let them all say)

Hey, Lolita, hey! Hey, Lolita, hey!
I know what the boys want, I'm not gonna play¹

A voz de Lana del Rey² invadiu meu carro enquanto eu dirigia até a sede da editora. Meu humor estava melhor de forma significante após transar a noite toda com James. Podia sentir seu corpo embaixo de mim, o orgasmo chegando...Mordi meu lábio inferior com força, afastando as imagens da minha mente e tentando me concentrar em meu trabalho.

A música continuou, e a letra lembrou-me da minha infância e adolescência, meu poder de sedução desde a idade tenra.

"Minha Lolita" a voz de minha mãe soou clara em minha mente e minha mão tocou a cicatriz como mais uma forma de tortura.

A canção acabou, e de repente a voz de lana se tornou mais sensual no meu spotify³. A letra dizia algo sobre desejo, algo que ignorei até o refrão:

I've got a burning desire for you, baby
(I've got a burning desire)
(Come on tell me, boy)

Meu corpo se transformou juntamente com as notas da música, minha cabeça em vez do sexo maravilhoso que tive ontem, projetou imagem e a sensação de David contra mim. A tensão sexual palpável me deixou confusa por alguns segundos, quando percebi já estava próxima ao meu trabalho.

Engoli a seco, e levei meu carro até o estacionamento do prédio. Busquei meu crachá, ainda que sem necessidade dentro da bolsa e o apresentei para um dos porteiros que me conhece o bastante para não precisar desse tipo de formalidade.

Meu humor que antes estava maravilhoso, se transformou no tão terrível é normalmente. Passei pela minha secretária, ignorando o bom dia que ela me enviou de não tão bom grado assim. Vejo meus papéis com as informações sobre a autora do livro em que trabalho agora, como pedi para Cara, a mocinha que é acha que pode ser uma boa secretária.

Folheei um pouco, feliz por pelo menos as informações mais importantes estarem destacadas.

De repente o som de batidas em minha porta ecoou alto pelo meu escritório, e eu murmurei um entra a contra gosto um "pode entrar".

A figura de George Marshall parecem em minha porta. Ele era um senhor com não mais de 60 anos, terno bem cortado, cabelos rentes a cabeça e brancos e um sorriso debochado e predador no rosto.

"Bom dia, norinha" falou, adentrando minha sala e se sentando ao lado oposto da mesa de mogno.

"Bom dia" devolvi "Mas o que quer aqui?" fui objetiva, não estava com a mínima vontade de aguentar ladainhas.

"Gosto que é sempre direta" ele pontuou "Regina" meu nome rolou em sua língua de um jeito gélido "Quero falar de David"

"Sempre ele, parece que seu mundo gira ao redor dele" provoquei, as conversas com ele sobre esse assunto eram sempre tediosas. Marshall destilaria seus remorsos e ódios sobre meu cunhado e eu escutaria prestando atenção em quanto tempo teria que treinar boxe para aliviar minha tensão.

A história dos dois era complicada. Sempre soube que George era apaixonado por Ruth mesmo quando ela ainda era casada com Sebastian, pai dos meninos e seu amigo íntimo. Com a morte do mais velho dos Nolan, ele investiu na viúva que depois de um ano começou a se envolver com ele, porém quando descobriu que ela havia tido uma complicação no parto do caçula e se tornou estéril, começou a odiá-lo.

Típico, muitas vezes sinto que vivo em um clichê.

George forçou a mandíbula ao meu comentário, e lambeu o lábio inferior deixando uma sensação que me atacaria em qualquer minuto "Você acha realmente que o persigo? Não é isso, são meus interesses pessoais. Você sabe muito bem que o seu cunhadinho detêm 63% das ações da editora, meus 2% e os 35% do seu marido não são nada em comparação a isso. Se ele se casar, tiver herdeiros... nosso patrimônio se reduz a pó"

Tentei prender o riso que se formava em minha garganta, sem muito sucesso. O grunhido debochado saiu de meus lábios deixando o velho a minha frente claramente enfurecido "Seu patrimônio" corrigi, sucinta "James vendeu 14% das suas ações pro irmão justamente para não depender somente disso" fiz um gesto com as mãos para demonstrar a empresa.

George se transtornou com meu último comentário, se levantando da cadeira e indo em direção a saída. Porém se virou num último instante "Você ainda vai ver que ele vai destruir tudo, o garoto sempre destruiu tudo que toca, agora principalmente com esse bibelô que ele chama de noiva"

***

Charlotte havia acabado de sair da minha sala, me deixando com uma bomba: Eu teria uma reunião hoje com Regina.

Eu não estava com o mínimo de vontade de vê-la de novo após nosso embate na noite passada, principalmente pelo meu pau ter deixado transparecer o meu desejo por aquele pedaço do inferno que é ela.

Massageei minhas têmporas para depois fazer uma massagem em meu pescoço, tentando afastar a tensão. Minha atenção pela amanhã tinha sido perdida por diversos bombardeios da imprensa em saber algo sobre a união de dois herdeiros, e de tarde além do trabalho teria que aguentar o gênio péssimo da minha cunhada.

Suspirei cansado, estressado e buscando meu telefone para saber notícias da Beca.

Talvez fosse melhor dividir esse furação com alguém

Mas esse furacão era ainda mais agradável que aguentar Regina no mesmo ambiente que eu.

***

"Achei que não fosse vir, planejando o seu casamento?" Provoquei, ao ver David entrando na sala de reuniões do décimo oitavo andar. Essa era a melhor área do prédio da editora, suas janelas tinham uma vista incrível, um parque verde com um belo lago.

"Desculpe pelo atraso" ele disse, olhando para o relógio e percebendo que não passava das 6:35pm "de dois minutos, são 6:32, e marcamos 6:30"

Fiz um gesto com quem não me importava com o ombro, e logo depois me sentei na cabeceira da mesa "Temos um prazo, rígido a seguir. A revisão do livro está quase pronta e precisamos montar o protótipo da arte"

"Eu sei, amanhã faremos uma reunião geral" David ponderou, passando a mão no queixo que tinha uma barba mal aparada e me fintou com os olhos firmes. Seu pomo de Adão vibrou um pouco e eu engoli à seco, percebendo a tensão que se instaurava no ambiente "Acho que já podemos ir"

Soltei uma risada, irritada "Não, mesmo" falei, passando a língua para umedecer meus lábios Algo dentro de mim, me alertou que ele estava me observando e eu apertei uma coxa contra a outra ao perceber que estava ficando molhada.

David me fintou com os olhos mais escuros, e ignorou meu movimento com as pernas "O que vamos fazer aqui? Diga-me sinceramente, além de nós ofender?"

Não soube o que responder, engoli a seco e logo depois coloquei no rosto meu melhor sorriso "Você leu o livro?" perguntei, levantando minha sobrancelha.

Ele assentiu com a cabeça, se aproximando de mim "Aham.. e ela me parece familiar" vi como ele me examinou e eu entendi a provocação muito bem, a personagem principal se parecia comigo tanto física, quanto em caráter porém diferentemente dela, nunca fiquei dócil por alguém.

"Parabéns! É bom possa fazer associações, estava começando a duvidar de suas capacidades cognitivas" sussurrei, me aproximando dele sem a menor cerimônia, enquanto a minha boceta clamava que aquela barba por fazer a arranhasse, e que aquela língua a penetrasse sem dó.

"Sério? Então na sua mente brilhante, não tenho capacidades cognitivas?"

"Não" respondi "Ah, não sei como arrumou aquela jovem. Às vezes penso que não serve nem pra trepar"

David se aproximou de mim e eu pensei que talvez tivesse passado do limite. Poderia rolar um tapa e eu chamaria a polícia, mas da forma mais distintas de todos meus pensamentos, ele me agarrou pela cintura e tomou minha boca na sua.

O beijei, feroz. Sua língua duelava com a minha sem piedade, o gosto dele se misturava ao meu e eu gemi contra sua boca, sem ao menos resistir muito.

"Eu vou te mostrar quem não serve nem para trepar" ele rosnou contra a minha boca, antes de puxar meu lábio inferior.

Notas finais
Deixem seus pensamentos ^-^ ¹ letra da canção "Lolita", 14° música do álbum "Born to die" lançado em 2012 pela cantora e compositora Lana del Rey ² Lana del Rey: Nome artístico de Elizabeth Woolridge Grant, cantora indie. ³ Spotfy: Aplicativo de música que permite ouvir online vários álbuns disponibilizados, desde que esteja logado em sua conta, além de suas próprias músicas salvas no dispositivo que se está usando, quando se utiliza a conta premium.