Libido
23 Capítulo 21
Notas iniciais
E olha quem voltou? Mais uma vez obrigada pra minha beta e qualquer coisa é só me xingar no twitter
aproveitem
Lucrezia
“Alô” era óbvio que estava irritada ”Você sabe que horas são?”“Tenho algo muito interessante pra te contar”“Lucrezia” agora o som ao outro lado da linha dava claras demonstrações que estava no mínimo, puta “Está de madrugada e não estou com nem uma gota de paciência para os seus joguinhos. Se não for algo realmente que seja do meu interesse, sugiro que desligue antes que tenha vontade ser morta quando nos encontrarmos”“Calma, criança” falei baixo, tentando ao máximo não alertar à Killian o que estava acontecendo “Só acreditei que seria importante saber que seu cunhado está no hospital. Espero que não tenha ocorrido nada enquanto vocês brincavam de médico”Assim que deixei a informação como uma bomba, percebi que Regina começou a respirar ruidosamente. “Como assim?” perguntou, senti que provavelmente estava atônita “Como soube disso?”“Boceta privilegiada é igual a informações privilegiadas” expliquei, ainda me comunicando baixo “E não tenho mais informações, criança. Sei disso e apenas isso. Que merda que vocês fizeram? Não me diga que ele foi pro hospital por ter quebrado a coluna depois de terem feito a ponte¹”“Green” me chamou pelo sobrenome “É uma situação séria, então você e suas brincadeirinhas podem ir pro inferno” “Me diz logo o que fizeram, agora estou curiosa. Conheço você muito bem, Mills, não estaria tão interessada se não tivesse seu dedo, ou melhor, sua vagina no meio dessa história”“É uma história muito longa e agora preciso descobrir o que aconteceu. Seja útil e venha me ajudar” ordenou.“Te faço um favor e vem me dar ordens, Regina?” fingi ultraje “Estou ocupada” o que não era totalmente mentira, tendo em conta que havia um pau latejante esperando por mim e pela minha boca naquele chuveiro.“Fazendo o que?” me questionou.“Provavelmente o que te meteu no meio dessa confusão”***ReginaOs ponteiros do relógio davam a impressão que se moviam em câmera lenta. Segundo ele, uma hora havia se passado desde a ligação, mas a sensação que transmitia que eram no mínimo umas cinco. Eu batia meu pé freneticamente no solo, fazendo um barulho estranho e irritante.Além de tentar me comunicar com a vadia da Green, minhas tentativas falhas também incluíam meu marido. Não demorei muito para perceber que aquela ligação não tinha nada ver com japoneses, chineses ou qualquer nação asiática que ele havia envolvido naquela porra de mentira que eu tinha desconfiado desde o começo. Claramente alguém havia acionado sua ajuda, Ruth ou Astrid para lidar com o problema de David e ele foi, já que era advogado da família. A questão maior era o motivo da sua leviandade. Outro estalo veio na minha cabeça e dessa vez, percebi que a idiota fui eu em toda aquela trama. Meu comportamento estranho e nada condizente com a minha personalidade havia fodido e alertado James.Ótimo, Regina! Mais uma das merdas pra sua coleção.Transar com o cunhadoAnal sem lubrificante com o cunhadoMandar o cunhado emboraTransar com o marido claramente sem qualquer estabilidade emocional James não era burro e tinha percebido algo, mas ainda sim, minha falta de estabilidade não era a única coisa que poderia me relacionar a David. Ou seria?Nesse momento, não sabia se estava preocupada por ter sido pega de alguma forma ou pelo babaca do cara do Nolan. Puta merda, Regina! Puta merda, vagina descontrolada!Estava afundada em problemas e não tinha qualquer noção de resolver qualquer um que seja. Quando me enfureci tanto a ponto de começar a vociferar palavrões, meu telefone ressonou no ar com o toque típico de chegada de mensagem. Fui até ele, e quando vi, não era nada mais nada menos do que Lucrezia avisando que estava em frente à minha porta. Andei até ela e a abri, o que me revelou uma Green muito sorridente e feliz.“Olá, querida” disse com um sorriso, adentrando no espaço sem pedir qualquer permissão.“Abra a boca” devolvi.“Calma. Você sabe como fã de grandes histórias, acredito que os momentos de clímax devem ter uma grande tensão e mistério ao seu redor” explicou, debochada. Filha da puta, nem mesmo com aquelas brincadeiras conseguia realmente ficar com raiva dela naquele momento.Se jogou no sofá, olhando ao redor. Fiquei parada ainda perto da porta, mas agora em frente a sua figura, que bateu a mão no estofado, num pedido silencioso para me sentar ao seu lado.A exaustação somente da possibilidade de iniciar uma discussão com aquela loira infernal me invadiu e não era nada agradável, realizei seu desejo e me joguei ao seu lado, considerando primeiramente que a má ideia de chama-la foi minha.“Então, pode começar a abrir a boca” falei novamente.“Tudo bem” levantou as mãos num sinal de rendição “Depois de um maravilhoso orgasmo” olhei, franzindo a testa, não queria detalhes naquele momento, mas aquilo pareceu não afeta-la, então se pôs a continuar com a miscelânea de detalhes “que Killian me proporcionou, ele foi fazer aquele básico ritual de tirar a camisinha e abrir a possibilidade de uma bela foda no banho” suspirou. Foco, Lucrezia, foco. Esse foi um dos poucos momentos que não tinha qualquer interesse meu em suas aventuras sexuais. “Ele me deu seu celular para que pedisse uma pizza naqueles aplicativos, mas antes de entrar, a tela de mensagens abriu e lá estava uma mensagem de algum amigo que tinha algo com uma tal de Aurora, falando que o herdeiro da editora Nolan estava lá e que era David. Aparentemente a Aurora o conhecia”
Assim que Green disse o nome, lembrei da médica que atendeu Ruth. Não sabendo se era bom ou ruim ser o cara com quem estava comprometida ser o portador da notícia. A única certeza era que a informação era verídica e isso fez com que o gosto de bile subisse até a minha garganta.Seus olhos foram direto pros meus, quase exigindo respostas das perguntas que viriam a seguir. Arqueou as sobrancelhas, molhou os lábios e eu me preparei para a sabatina que estava por vir.“Teve suas respostas, quero as minhas” afirmou, com um tom bem diferente do irritantemente debochado natural “Primeiramente: Quem é Aurora? Segundo: O quanto você está afundada nessa ida ao hospital do seu cunhado?”Levantei, antes de responder. Aquela conversa iria precisar de álcool, especialmente um Jim Beam². O busquei e coloquei no copo, deixando a garrafa sobre a mesa a minha frente aonde Lucrezia tinha acabado de colocar os pés sobre. Deixei um copo para ela também, que se serviu de bom grado.Levei a bebida até a boca e tomei uma golada de bom grado, não havia espaço para degustações. O leve ardor me causou um alívio e estímulo para falar.“Aurora é uma médica, na realidade cardiologista do County General Hospital³” expliquei “Ela atendeu a Ruth quando ela teve um daqueles problemas que nunca sei o que aconteceu de verdade e poucas vezes verdadeiramente me importo”“Continue”“E sobre David, bem... Eu estava treinando, quando ele apareceu visivelmente bêbado e começou a falar sobre nós. Pedi para que fosse embora”Seu rosto se tornou inexpressivo e sua introspecção era sinal que analisava a história como fazia com as suas ficções. Esperei que viesse o riso debochado, as palavras carregadas de ironias, mas diferente disso, a voz de Lucrezia saiu normal demais. Ela era péssima quando dizia o que queria em meio a brincadeiras, porém catastrófica quando falava sério.“Você está se culpando?” perguntou.“Sim... mas”“Nada de mas” fez um sinal claro com a mão, impedindo que qualquer protesto fosse proferido “Você não tem culpa de qualquer forma que o seu cunhado resolveu apresentar sua imbecilidade. E nem sabe o que aconteceu e nem mesmo se foi uma total e completa falta de senso. Sempre achei que fosse melhor do que isso” A racionalidade dela naquele me momento me impactou, porém antes de qualquer agradecimento, voltou a despejar suas verdades.“Vamos ser sinceras” entornou mais bourbon “Provavelmente, começou com aquele discurso: Eu amo James, preciso consertar a minha vida. Que sabe que não é verdade. Você quer os dois, mas não soube manejar a situação. Sempre gostou de acreditar que tinha o controle sobre o seu cunhado, mas quando descobriu que a vida dele não girava ao redor da sua boceta, ficou puta e fodeu com tudo, no bom e no mau sentido da palavra. Essa coisa platônica te excitava, essa coisa real te excita e assusta” apontou o dedo pra mim “E James, gosta dele porque ele é um filho da puta mal caráter igual à você, o problema aqui é que ainda existe um pouco de escrúpulos, enquanto pra mim e pro seu maridinho, a falta dele é o que impera. Então, temos dois polos opostos que não vão se encontrar, a menos que seja muito burra pra isso”Ao final do discurso, me faltaram palavras. Era óbvio que tinha conhecimento que existia algo a mais quando se tratava de David, mas ao ver a imagem explicita na minha frente, me fez sentir estupida.“Lucrezia” falei, tentando que ela entendesse que não dava pra manejar aquela situação, não mais “James está desconfiado. Ele foi chamado por alguém e inventou uma desculpa ridícula para sair de casa. Depois do que me falou, ficou claro que foi ver algo em relação ao irmão” Ela tirou os cabelos do rosto e deu uma risada alta, retornando ao seu espírito normal.“Criança, sabe uma das coisas mais importantes que a minha mãe me ensinou?”Senti que foi uma pergunta retórica, porém a oportunidade de irrita-la e tirar aquele sorriso do seu rosto para ela entender a gravidade da situação não poderia ser desperdiçada.“Além de ser uma vadia pernóstica sem coração? Não faço ideia”Green riu com mais vontade antes de olhar profundamente em meus olhos “Sabe, isso também, apesar de que sou autodidata” piscou “Mas não é isso, a lição é que, quando se tem uma mão ruim, você blefa” explicou “A vida não é um jogo de blackjack na casa da sua avó. A vida é um belo cassino com letreiros ofuscantes e quando começa a jogar pensa que está ganhando, mas na realidade está cheio de roletas viciadas e máquinas que prendem seu dinheiro”Foi meu momento de rir “Ótima analogia” “Você entendeu, não foi?” falou “Agora já tem permissão para parar de encarnar o papel de mártir e fazer algo de útil. Nunca tive paciência para amigas com síndrome de sofredora”“Quem disse que sou sua amiga?” considerava, mas não queria demonstrar.“E quem disse que eu nunca te fiz gozar com a língua?” respondeu, tentando quebrar o meu argumento com obviedades.Revirei os olhos, sorrindo novamente.“Já que é tão inteligente e racional, o que vou fazer agora?” a questionei.Ela abriu outro sorriso e olhou ao redor “Agora, você vai dormir e amanhã começamos o jogo”“Lucrezia, estou nervosa demais. Como vou dormir?” Ela pendeu a cabeça para trás, começando a entrar no estado de embriaguez.“Ah querida, nada que um bourbon e a quarta temporada de Once Upon a Time não resolva” falou, me esticando a garrafa, que bebi no gargalo com vontade.
Notas finais
Referências:
¹ Ponte é uma posição sexual descrita no kama sutra.
² Jim Beam: É um whiskey do tipo bourbon produzido no Kentucky. Whiskey Bourbon é um tipo de whiskey que é feito no condado de Bourbon e tem especificações do tipo ser produzido partir de uma mistura de grãos de pelo menos 51%, mas não mais de 79% de milho; destilado a menos de 160 provas (80% abv – alcohol by volume); ser livre de quaisquer aditivos como coloração ou aromatizadores (exceto água para reduzir a prova se necessário); envelhecido em novos e carbonizados barris de carvalho branco e envelhecido por um mínimo de dois anos.
³ County General Hospital é o hospital cenário da série ER, que aborda o cotidiano de médicos e enfermeiras.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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