Notas iniciais
Espero que apreciem a leitura. Espero não decepcionar ninguém, nos falamos lá embaixo. Fui!

Manteve o olhar impassível assim como seu conjurador, a tensão no ar era quase palpável e ainda assim, Lúcifer parecia estranhamente controlado. Sentiu a pressão dolorosa da invocação se desfazer assim que entrou na sala.

– Cambriel, meu caro. – Disse o Estrela da Manhã com uma voz suave se virando e cravando seus olhos azuis gélidos e inexpressivos nele.

–Lúcifer. – Murmurou Cam em resposta no mesmo tom de voz.

–A quanto tempo, meu caro. – Observou enquanto o outro desatava os botões do paletó e tomava lugar em uma cadeira próxima, a tensão entre eles era visível. – Imaginei que nos encontraríamos mais cedo, contudo, você não apareceu. – Sentia o olhar de Lúcifer pesando sobre si.

Sabia que em algum momento teriam de ter esse encontro, apesar que o tinha evitado o máximo que pôde.

–Sinto por isso. – Mentiu, caminhando para perto tentando a todo custo esconder sua apreensão. – Tinha outros assuntos. – Assuntos que consistiam em foder com toda aquela ideia louca de apegar toda a existência.

–Assuntos. – Notou os olhos azuis crisparam em vermelho por poucos segundos. – Como o de se intrometer em meus planos?

–Lúcifer eu...- Foi interrompido por um gesto feito pelo Estrela da Manhã.

–Não me importo, Cameron. –Sabia que ele mentia. – A verdade é que encontrei uma coisa que talvez possa lhe interessar. – Se questionou o que poderia ser assim que viu um Anunciador convocado, se esgueirar das sombras sendo habilmente manejado por Lúcifer, que se ergueu. – Me acompanhe. – Disse por fim entrando por completo na massa escura sendo seguido por Cam.

Era um ambiente escuro iluminado por uma luz opaca e fraca, disposta em algum canto do que constatou ser um quarto, seguiu cautelosamente atrás do outro e assim que alcançou o ponto que desejava parou, se afastando.

O ar tinha se tornado rarefeito, seu coração descompassado acelerou e seu estomago remexeu agitado, tentou camuflar as emoções, mas seu corpo denunciava seu espanto, assim com o tremor que correu por seu corpo “Lilith”. A pele levemente bronzeada, os lábios rosados entreabertos, as mãos envolvendo delicadamente o travesseiro e os longos e brilhantes cabelos cor de fogo espalhados por ele. Seus joelhos ameaçaram lhe trair, mas conseguiu mantê-los firmes assim como o movimento quase involuntário de sua mão seguindo para tocá-la.

–Pelo que vejo, seu amigo Roland não contou sobre ela não é mesmo? – Lúcifer o contornou parando do lado oposto do que estava.

–Não pode ser ela. – Resmungou baixo.

– É ela. Lilith. – Estreitou os olhos analisando cuidadosamente a reação do outro.- Façamos o seguinte, você fica aqui algum tempo e tira suas próprias conclusões. O que me diz? – Seu rosto continua impassível.

Cam sentia seu coração comprimido em seu peito, sua mente parecia não processar corretamente toda aquela situação “Lilith” ressoou em sua memória, então sentiu seu celular vibrar em seu bolso colocou a mão sobre o aparelho sem tirá-lo, “Me perdoe, Li”, pensou tristemente. Uma parte dele implorava para que ele recusasse a proposta de Lúcifer e voltasse para os braços da Lilly, mas outra parte que gritava mais alto naquele momento o induzia a ficar, uma faísca de esperança o motivava.

–Lilly. – Deixou fugir por seus lábios quase inaudível, mas o outro parecia ter escutado já que prosseguiu com o seu discurso.

–Você pode discernir se o que sente por ela não passa somente de uma vontade prolongada de ter uma mulher? – Cam escutou em silêncio, sabia que a mulher a qual o outro se referia era Lilly. Se questionou se o outro já sabia sobre ela ou estava apenas blefando. – Você sabe bem a resposta, Cambriel, essa vontade que tem em tê-la na cama não se comparar com o amor que você sente por ela. – Apontou para a ruiva dormindo próxima a eles. –Você foi capaz de se juntar a mim e aceitar ser um dos meus generais por amor a ela, para tentar vencer aquele sentimento.

Cam se sentia sufocado, sabia tudo o que aquele sentimento abrasador o tinha induzido a fazer, a dor de sentir seu coração sendo arrancado de seu peito pela mulher que amava, a fúria que o fez escolher o lado de Lúcifer e mesmo aceitar a marca dele, tudo para se ver liberto daquele sentimento, porém agora, diante da mulher adormecida, se questionava se aquele sentimento tinha realmente morrido.

–Que seja. – Disse por fim. Não sabia bem ao certo o que faria a partir dali, mas naquele instante tinha feito uma escolha que seria descobrir se aquela mulher era realmente Lilith, a “Sua Lilith”.

Notas finais
Ficou minusculo, eu sei, mas espero que tenham gostado. Agora é só imaginar qual a jogada do Lucifer com tudo isso. Nos falamos no próximo. Beijos.